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Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Proposta pública um

 O setor público é diferente do privado, isto é verdade. No público só se pode fazer o que está permitido, e no privado o que não está proibido. Um detalhe que faz muita diferença.

Outra questão, o funcionalismo público tem direito a estabilidade de emprego e via de regra não tem meta de entrega. Se mais ou menos tanto faz. O funcionário privado está sempre com o dele na reta, sujeito a cortes inesperados e com relação direta entre entrega versus salário e/ou promoção. Estão comigo?

Então o fato de alguém ser bem sucedido na iniciativa privada não chancela seu passaporte para o setor público, por que não é a mesma coisa. Choque de gestão? Esquece. Mais um ponto, e aqui estou sendo cruelmente genérico, é de que na iniciativa privada você trabalha para você, e na pública para os outros, tanto que o funcionalismo é chamado de servidor, por servir ao outro.

Na iniciativa privada o gestor toma a decisão e coloca em prática. Pronto. Na pública ele depende da câmara, da ideologia(?) do partido, da base de apoio, da população... sem falar na turma que joga contra, que sou capaz de apostar que é da ordem de 30%.

Agora sim, nós podemos misturar as experiências pública e privada e extrair daí algo bem interessante. Um exemplo muito bacana que conheci em outra cidade brasileira é a figura do gerente municipal. Como funciona? Toda a parte política, pompa e circunstância do cargo fica com o prefeito, ele é a figura pública. O dia a dia, a operação em si, com o gerente municipal.

Mas qual a lógica disso? Muito simples, e é o que a iniciativa privada faz muito bem: análise de perfil. Cada macaco no seu galho. O prefeito é a pessoa que gosta de estar na rua, falando com as pessoas, distribuindo sorrisos e abraços, empático e carismático. Vai a jantares, aniversários e velórios. Emoção é sua palavra de ordem. O gerente é o técnico, o analista que gosta de estar no seu ambiente de trabalho, entre uma reunião e outra, tomando decisões equilibradas. Sabe lidar com conflitos e não cede a pressões. É durão e a razão é o seu “modus operandi”.

Não como uma conta matemática, nas relações humanas as diferenças somam e uma composição antagônica, certamente com respeito e tolerância, seria potencialmente eficiente. Infelizmente os agrupamentos políticos, vou chamar assim, se dão por interesse particular e não por complementariedade.

Quer ver uma coisa bem bacana seria o vice-prefeito ser o técnico. Além do equilíbrio de forças evitaria a disputa por holofotes e nova contratação. Mas para fazer o papel tem que ter perfil para isto, e a construção começa muito antes da eleição, quem sabe até como proposta de trabalho que convença o eleitor.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/02/2020 às 11h54 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Economista, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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Proposta pública um

 O setor público é diferente do privado, isto é verdade. No público só se pode fazer o que está permitido, e no privado o que não está proibido. Um detalhe que faz muita diferença.

Outra questão, o funcionalismo público tem direito a estabilidade de emprego e via de regra não tem meta de entrega. Se mais ou menos tanto faz. O funcionário privado está sempre com o dele na reta, sujeito a cortes inesperados e com relação direta entre entrega versus salário e/ou promoção. Estão comigo?

Então o fato de alguém ser bem sucedido na iniciativa privada não chancela seu passaporte para o setor público, por que não é a mesma coisa. Choque de gestão? Esquece. Mais um ponto, e aqui estou sendo cruelmente genérico, é de que na iniciativa privada você trabalha para você, e na pública para os outros, tanto que o funcionalismo é chamado de servidor, por servir ao outro.

Na iniciativa privada o gestor toma a decisão e coloca em prática. Pronto. Na pública ele depende da câmara, da ideologia(?) do partido, da base de apoio, da população... sem falar na turma que joga contra, que sou capaz de apostar que é da ordem de 30%.

Agora sim, nós podemos misturar as experiências pública e privada e extrair daí algo bem interessante. Um exemplo muito bacana que conheci em outra cidade brasileira é a figura do gerente municipal. Como funciona? Toda a parte política, pompa e circunstância do cargo fica com o prefeito, ele é a figura pública. O dia a dia, a operação em si, com o gerente municipal.

Mas qual a lógica disso? Muito simples, e é o que a iniciativa privada faz muito bem: análise de perfil. Cada macaco no seu galho. O prefeito é a pessoa que gosta de estar na rua, falando com as pessoas, distribuindo sorrisos e abraços, empático e carismático. Vai a jantares, aniversários e velórios. Emoção é sua palavra de ordem. O gerente é o técnico, o analista que gosta de estar no seu ambiente de trabalho, entre uma reunião e outra, tomando decisões equilibradas. Sabe lidar com conflitos e não cede a pressões. É durão e a razão é o seu “modus operandi”.

Não como uma conta matemática, nas relações humanas as diferenças somam e uma composição antagônica, certamente com respeito e tolerância, seria potencialmente eficiente. Infelizmente os agrupamentos políticos, vou chamar assim, se dão por interesse particular e não por complementariedade.

Quer ver uma coisa bem bacana seria o vice-prefeito ser o técnico. Além do equilíbrio de forças evitaria a disputa por holofotes e nova contratação. Mas para fazer o papel tem que ter perfil para isto, e a construção começa muito antes da eleição, quem sabe até como proposta de trabalho que convença o eleitor.

 

 

Escrito por Fernando Baumann, 01/02/2020 às 11h54 | fernando@bba-reiki.com.br



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