Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Mestre cão

 Fui a empresa de um amigo buscar um produto que solicitei. Chegando lá avistei um cachorro sentado na lateral esquerda do prédio, sendo que meu acesso era por uma porta à direita. Tive uma visão distante do animal e ao entrar brinquei com o profissional se tinha contratado um cão de guarda, pois havia recentemente sido roubado. Falou que não, que o animal havia aparecido ali durante a noite e que achava que era um cão de rua que a alguns dias se “hospedava” numa construção próxima.

Assunto esquecido tratamos do nosso negócio e ao final nos despedimos. Quando saio do galpão vejo o animal caminhando com muita dificuldade sentido a rua, visivelmente machucado e abatido. Nisso um automóvel vem ao seu encontro e os dois param próximos, cachorro e carro. Ele não tinha força para prosseguir. O motorista sai do automóvel e vai ao seu encontro, e com paciência tira o mesmo da sua frente e vai embora.

Nisso o pobre animal vem cambaleando em minha direção e entra debaixo do meu veículo. No mesmo instinto do motorista anterior, fui para negociar com ele a saída dali, por conta dos meus horários e compromissos, eu não podia me demorar.

Ao ver o cachorro de perto e prestar atenção em seu estado fiquei assustado. Um profundo machucado na perna traseira esquerda, aberto e com cheiro de carne apodrecida, extremamente magro e cheio de carrapatos. Meu Deus!!

Mas o que mais me abalou foi o seu olhar, profundamente triste e submisso. Quanta violência já deve ter sofrido.

Sem saber o que fazer liguei para minha irmã, que tem o hábito de resgatar animais em condição de abandono. Chocada com o acontecido imediatamente contatou uma importante ONG aqui da região, que orientou a levar numa veterinária que presta serviço para eles.

Com nenhuma resistência do animal coloquei ele no meu veículo e levei para a veterinária, que de pronto iniciou os procedimentos na busca de seu salvamento. Ainda não sei como ele está, se sobreviverá ou não. Estou aqui no aguardo.

Àqueles olhos profundamente tristes não saem da minha cabeça, e penso como por pouco não sou mais um a dar as costas para uma vida que clama socorro. Quanta indiferença com o sofrimento alheio, e não importa se é “apenas” um animal, ele é uma criação divina igual a todos que aqui habitam.

Senhor Cão, espero que consiga passar por essa e possa nos dar outra oportunidade de demonstrar que não somos tão maus assim. Apenas nosso grau de evolução é inferior ao seu. Seus olhos me disseram isso.

Escrito por Fernando Baumann, 12/03/2020 às 16h14 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Formado em Ciências Econômicas, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Mestre cão

 Fui a empresa de um amigo buscar um produto que solicitei. Chegando lá avistei um cachorro sentado na lateral esquerda do prédio, sendo que meu acesso era por uma porta à direita. Tive uma visão distante do animal e ao entrar brinquei com o profissional se tinha contratado um cão de guarda, pois havia recentemente sido roubado. Falou que não, que o animal havia aparecido ali durante a noite e que achava que era um cão de rua que a alguns dias se “hospedava” numa construção próxima.

Assunto esquecido tratamos do nosso negócio e ao final nos despedimos. Quando saio do galpão vejo o animal caminhando com muita dificuldade sentido a rua, visivelmente machucado e abatido. Nisso um automóvel vem ao seu encontro e os dois param próximos, cachorro e carro. Ele não tinha força para prosseguir. O motorista sai do automóvel e vai ao seu encontro, e com paciência tira o mesmo da sua frente e vai embora.

Nisso o pobre animal vem cambaleando em minha direção e entra debaixo do meu veículo. No mesmo instinto do motorista anterior, fui para negociar com ele a saída dali, por conta dos meus horários e compromissos, eu não podia me demorar.

Ao ver o cachorro de perto e prestar atenção em seu estado fiquei assustado. Um profundo machucado na perna traseira esquerda, aberto e com cheiro de carne apodrecida, extremamente magro e cheio de carrapatos. Meu Deus!!

Mas o que mais me abalou foi o seu olhar, profundamente triste e submisso. Quanta violência já deve ter sofrido.

Sem saber o que fazer liguei para minha irmã, que tem o hábito de resgatar animais em condição de abandono. Chocada com o acontecido imediatamente contatou uma importante ONG aqui da região, que orientou a levar numa veterinária que presta serviço para eles.

Com nenhuma resistência do animal coloquei ele no meu veículo e levei para a veterinária, que de pronto iniciou os procedimentos na busca de seu salvamento. Ainda não sei como ele está, se sobreviverá ou não. Estou aqui no aguardo.

Àqueles olhos profundamente tristes não saem da minha cabeça, e penso como por pouco não sou mais um a dar as costas para uma vida que clama socorro. Quanta indiferença com o sofrimento alheio, e não importa se é “apenas” um animal, ele é uma criação divina igual a todos que aqui habitam.

Senhor Cão, espero que consiga passar por essa e possa nos dar outra oportunidade de demonstrar que não somos tão maus assim. Apenas nosso grau de evolução é inferior ao seu. Seus olhos me disseram isso.

Escrito por Fernando Baumann, 12/03/2020 às 16h14 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

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Formado em Ciências Econômicas, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.