Jornal Página 3
Coluna
Cá Pra Nós
Por Fernando Baumann

Histórias da estrada

Em 2007 resolvi com meu irmão fazer Porto Alegre(RS) a Balneário Camboriú(SC) de bicicleta. O Ricardo sempre fez muita atividade física, mas poucas relacionadas a “magrela”. Oito anos mais velho que eu, sua disposição sempre foi de dar inveja, mas havia dúvidas sobre sua resistência para longas distâncias.

Decidimos ir de avião até Porto Alegre. Na época o uso da bicicleta como lazer e esporte estava no início, nada comparado com o que é hoje, e havia muito desconhecimento a respeito. Com alguma dificuldade conseguimos embarcar nossos equipamentos no avião, não sem antes retirar todo o ar dos pneus ,que é necessário para não estourar quando em grandes altitudes por conta da pressão atmosférica.

Quando desembarcamos no destino retiramos nossas bagagens e saímos caminhando pelo aeroporto, arrastando as bicicletas com os pneus vazios. Nisso veio uma guarnição da polícia aeroportuária e nos expulsou do saguão sob a alegação de que ali não era lugar de bicicleta. De nada adiantou argumentar que estávamos em trânsito, eles simplesmente não nos ouviram e nos “enxotaram” de lá.

Refeitos do susto inicial, arrumamos os equipamentos e iniciamos a viagem. Para minha surpresa não faltou fôlego e disposição para o Ricardo e a viagem transcorreu normalmente nos dias seguintes.

No terceiro dia de viagem próximo a Laguna(SC) acabei me distanciando um pouco dele, numa subida longa mantive o ritmo mais forte e depois veio a descida embalada pelo belo visual da lagoa do Imarui e do mar. Que sensação extraordinária! Nisso passou um carro e buzinou, e logo em seguida um segundo que também buzinou, então cumprimentei satisfeito com o acolhimento das pessoas. Mas veio o terceiro que também buzinou, só que este o caroneiro colocou a cabeça para fora e gritou: “ei, o teu parceiro se acidentou lá traz!”

Fiquei apavorado. Parei a bicicleta num instante e retornei o caminho acima apressadamente. Quando chego no topo avisto mais em baixo um caminhão parado, a bicicleta caída e o motorista próximo do meu irmão, os dois em pé. Me senti um pouco melhor.

Me aproximei deles e vi o braço direito do meu irmão todo desencaixado, formando um “S” entre ombro e punho. Horrível! Então ele pôs a mão esquerda no cotovelo direito e num movimento brusco, num estalo e num grito profundo de dor colocou tudo de volta no lugar. Foi incrível.

O que havia acontecido ali é que o local era uma subida desprovida de acostamento, servindo este de terceira pista. No retorno da ultrapassagem que o caminhoneiro fez sobre o Ricardo ele errou a distância, e a ponta da carroceria bateu no guidão, derrubando meu irmão no mesmo instante. Por sorte não caiu por baixo do rodado.

Bom, seguimos até Laguna onde era previsto nossa pernoite. Após a constatação final de que estava tudo bem com ele, a ingestão de alguns analgésicos permitiu que aproveitássemos o carnaval de rua até de madrugada, afinal não seria um “tombinho” qualquer que iria nos impedir de aproveitar a magia do local em seu melhor momento. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/05/2020 às 14h45 | fernando@bba-reiki.com.br



Fernando Baumann

Assina a coluna Cá Pra Nós

Formado em Ciências Econômicas, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.














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Por Fernando Baumann

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Em 2007 resolvi com meu irmão fazer Porto Alegre(RS) a Balneário Camboriú(SC) de bicicleta. O Ricardo sempre fez muita atividade física, mas poucas relacionadas a “magrela”. Oito anos mais velho que eu, sua disposição sempre foi de dar inveja, mas havia dúvidas sobre sua resistência para longas distâncias.

Decidimos ir de avião até Porto Alegre. Na época o uso da bicicleta como lazer e esporte estava no início, nada comparado com o que é hoje, e havia muito desconhecimento a respeito. Com alguma dificuldade conseguimos embarcar nossos equipamentos no avião, não sem antes retirar todo o ar dos pneus ,que é necessário para não estourar quando em grandes altitudes por conta da pressão atmosférica.

Quando desembarcamos no destino retiramos nossas bagagens e saímos caminhando pelo aeroporto, arrastando as bicicletas com os pneus vazios. Nisso veio uma guarnição da polícia aeroportuária e nos expulsou do saguão sob a alegação de que ali não era lugar de bicicleta. De nada adiantou argumentar que estávamos em trânsito, eles simplesmente não nos ouviram e nos “enxotaram” de lá.

Refeitos do susto inicial, arrumamos os equipamentos e iniciamos a viagem. Para minha surpresa não faltou fôlego e disposição para o Ricardo e a viagem transcorreu normalmente nos dias seguintes.

No terceiro dia de viagem próximo a Laguna(SC) acabei me distanciando um pouco dele, numa subida longa mantive o ritmo mais forte e depois veio a descida embalada pelo belo visual da lagoa do Imarui e do mar. Que sensação extraordinária! Nisso passou um carro e buzinou, e logo em seguida um segundo que também buzinou, então cumprimentei satisfeito com o acolhimento das pessoas. Mas veio o terceiro que também buzinou, só que este o caroneiro colocou a cabeça para fora e gritou: “ei, o teu parceiro se acidentou lá traz!”

Fiquei apavorado. Parei a bicicleta num instante e retornei o caminho acima apressadamente. Quando chego no topo avisto mais em baixo um caminhão parado, a bicicleta caída e o motorista próximo do meu irmão, os dois em pé. Me senti um pouco melhor.

Me aproximei deles e vi o braço direito do meu irmão todo desencaixado, formando um “S” entre ombro e punho. Horrível! Então ele pôs a mão esquerda no cotovelo direito e num movimento brusco, num estalo e num grito profundo de dor colocou tudo de volta no lugar. Foi incrível.

O que havia acontecido ali é que o local era uma subida desprovida de acostamento, servindo este de terceira pista. No retorno da ultrapassagem que o caminhoneiro fez sobre o Ricardo ele errou a distância, e a ponta da carroceria bateu no guidão, derrubando meu irmão no mesmo instante. Por sorte não caiu por baixo do rodado.

Bom, seguimos até Laguna onde era previsto nossa pernoite. Após a constatação final de que estava tudo bem com ele, a ingestão de alguns analgésicos permitiu que aproveitássemos o carnaval de rua até de madrugada, afinal não seria um “tombinho” qualquer que iria nos impedir de aproveitar a magia do local em seu melhor momento. 

Escrito por Fernando Baumann, 08/05/2020 às 14h45 | fernando@bba-reiki.com.br



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Formado em Ciências Econômicas, empresário e militante das causas coletivas, acredita no associativismo e cooperativismo como ferramentas para a construção de uma sociedade mais justa. Busca incessantemente evoluir como ser humano e social.