Jornal Página 3
Coluna
CINERAMA BC
Por André Gevaerd

Das Câmaras Setorias da Cultura (de BC, mas com possibilidade de aplicação em escala nacional)

O conceito de Câmaras Setoriais da Cultura apareceu em Balneário Camboriú em meados de 2013/14. Na época a Cineramabc estava em vias de realizar o 3° Festival Internacional de Cinema em Balneário Camboriú, projeto que nasceu de forma espontânea e foi rapidamente abraçado por grande parte da intelectualidade do estado. Isso incluiu o apoio incondicional do Jornal Página 3.

Nesse momento inicial procurei acreditar que a Camara Setorial poderia se tornar um ótimo caminho para a emancipação política das atividades ligadas a arte e cultura. Foi muita inocência minha. Em pouco tempo a verdadeira natureza das câmaras setoriais foi revelando-se. Sua similaridade com a estrutura de um sindicato ganhava força a cada dia. Na verdade o fato é que se tratava do processo de formação de um grupo de pessoas que trabalha para si mesmo, julgando-se representante de toda uma classe, e isso foi tornando-se cada vez mais evidente. Aos poucos, as Camaras Setoriais foram se fechando, restringindo o acesso e criando condições de privilégio para os que dela se empoderaram.Tanto que membros historicamente ligados à política da cidade e funcionários públicos, cargos de confiança, acabaram porse apropriar cada vez mais de todas as suas possibilidades e, assim, se beneficiaram de sua estrutura deliberativa no formato de conselho e o fazem até hoje.

Neste cenário, as únicas iniciativas que poderiam tornar-se geradoras de riqueza significativa, seja cultural ou econômica, acabaram sepultadas em um emaranhado de interesses de uma minoria que impera dentro de seus canais obscuros, fato comprovado pela ausência total de atas de reunião e falsas verdades sopradas ao olho dos espectadores dessa tragédia. Acreditando que algumas iniciativas poderiam ser preservadas e funcionar de maneira transparente, foi que levei o projeto da BC Filme as mãos da FCBC e da Câmara Setorial. Mesmo depois de anos afundada em um emaranhado de interesses e de iniciativas que se provaram apenas incompetentes, ainda tenho esperanças de que a BC Filme possa ser exumada e colocada na rua para funcionar.

Para se ter idéia, apenas com os valores que foram investidos no audiovisual nestes anos, seja pela prefeitura ou por produtoras audiovisuais locais, perdeu-se nada mais nada menos que o investimento aproximado de 15 a 30 milhões de reais. Isso por mero descuido dos orgãos competentes que deixaram a validação dos trabalhos, que invariavelmente não são realizados, com excessão de alguns poucos projetos que beneficiaram alguns poucos envolvidos. Estes valores que não foram atraídos para Balneário Camboriú, seriam definitivos na implantação do desenvolvimento de uma indústria limpa e geradora de empregos para baixa temporada e de turismo qualificado para a alta temporada. Fico imaginando se a história tivesse sido diferente... e, otimista que sou, ainda acredito que há tempo.

Chega a hora de reformular e de mudar a estratégia de ação. Não podemos mais permitir que um ciclo fechado, retro-alimentado, continue ditando as regras. Ainda há tempo de um processo de renovação, a Film Commission pode muito bem procurar outros caminhos para o desenvolvimento do audioviual como expressão artística e do estímulo a economia local. Basta colocar a entidade para operar verdadeiramente junto aos empresários e profissionais consolidados da área.

Escrito por André Gevaerd, 10/01/2019 às 08h52 | andre@cineramabc.com



André Gevaerd

Assina a coluna CINERAMA BC

Nasceu em Balneário Camboriú, resolveu fazer cinema, mudou-se para São Paulo, fez muitos filmes, voltou para Balneário. Continua fazendo filmes. Diretor do Festival CinemaramaBC e idealizador da sala de cinema e eventos, ArtHouse.


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Das Câmaras Setorias da Cultura (de BC, mas com possibilidade de aplicação em escala nacional)

O conceito de Câmaras Setoriais da Cultura apareceu em Balneário Camboriú em meados de 2013/14. Na época a Cineramabc estava em vias de realizar o 3° Festival Internacional de Cinema em Balneário Camboriú, projeto que nasceu de forma espontânea e foi rapidamente abraçado por grande parte da intelectualidade do estado. Isso incluiu o apoio incondicional do Jornal Página 3.

Nesse momento inicial procurei acreditar que a Camara Setorial poderia se tornar um ótimo caminho para a emancipação política das atividades ligadas a arte e cultura. Foi muita inocência minha. Em pouco tempo a verdadeira natureza das câmaras setoriais foi revelando-se. Sua similaridade com a estrutura de um sindicato ganhava força a cada dia. Na verdade o fato é que se tratava do processo de formação de um grupo de pessoas que trabalha para si mesmo, julgando-se representante de toda uma classe, e isso foi tornando-se cada vez mais evidente. Aos poucos, as Camaras Setoriais foram se fechando, restringindo o acesso e criando condições de privilégio para os que dela se empoderaram.Tanto que membros historicamente ligados à política da cidade e funcionários públicos, cargos de confiança, acabaram porse apropriar cada vez mais de todas as suas possibilidades e, assim, se beneficiaram de sua estrutura deliberativa no formato de conselho e o fazem até hoje.

Neste cenário, as únicas iniciativas que poderiam tornar-se geradoras de riqueza significativa, seja cultural ou econômica, acabaram sepultadas em um emaranhado de interesses de uma minoria que impera dentro de seus canais obscuros, fato comprovado pela ausência total de atas de reunião e falsas verdades sopradas ao olho dos espectadores dessa tragédia. Acreditando que algumas iniciativas poderiam ser preservadas e funcionar de maneira transparente, foi que levei o projeto da BC Filme as mãos da FCBC e da Câmara Setorial. Mesmo depois de anos afundada em um emaranhado de interesses e de iniciativas que se provaram apenas incompetentes, ainda tenho esperanças de que a BC Filme possa ser exumada e colocada na rua para funcionar.

Para se ter idéia, apenas com os valores que foram investidos no audiovisual nestes anos, seja pela prefeitura ou por produtoras audiovisuais locais, perdeu-se nada mais nada menos que o investimento aproximado de 15 a 30 milhões de reais. Isso por mero descuido dos orgãos competentes que deixaram a validação dos trabalhos, que invariavelmente não são realizados, com excessão de alguns poucos projetos que beneficiaram alguns poucos envolvidos. Estes valores que não foram atraídos para Balneário Camboriú, seriam definitivos na implantação do desenvolvimento de uma indústria limpa e geradora de empregos para baixa temporada e de turismo qualificado para a alta temporada. Fico imaginando se a história tivesse sido diferente... e, otimista que sou, ainda acredito que há tempo.

Chega a hora de reformular e de mudar a estratégia de ação. Não podemos mais permitir que um ciclo fechado, retro-alimentado, continue ditando as regras. Ainda há tempo de um processo de renovação, a Film Commission pode muito bem procurar outros caminhos para o desenvolvimento do audioviual como expressão artística e do estímulo a economia local. Basta colocar a entidade para operar verdadeiramente junto aos empresários e profissionais consolidados da área.

Escrito por André Gevaerd, 10/01/2019 às 08h52 | andre@cineramabc.com



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Nasceu em Balneário Camboriú, resolveu fazer cinema, mudou-se para São Paulo, fez muitos filmes, voltou para Balneário. Continua fazendo filmes. Diretor do Festival CinemaramaBC e idealizador da sala de cinema e eventos, ArtHouse.


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