Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Eleição presidencial, o terrível dilema

João José Leal – Promotor de Justiça e Professor aposentado, da Academia Catarinense de Letras

O resultado do primeiro turno da eleição de domingo mostrou que os brasileiros não estão satisfeitos com a situação econômica e política do nosso país. Quanto à presidência, a vontade majoritária do eleitorado nos reservou, para o segundo turno, uma difícil escolha entre o ruim e o pior. Bolsonaro ou Haddad, eis o terrível dilema.

Penso que a "onda eleitoral Bolsonaro" é um inequívoco recado de que o povo quer mudança. Mas, infelizmente, nenhum dos dois candidatos apresentou plano de governo, com propostas objetivas, sérias e consistentes das reformas capazes de solucionar a grave crise econômica e política brasileira.

Reformas necessárias, mas impopulares como a previdenciária, foram intencionalmente omitidas nos discursos e nos programas de TV, que se restringiram, como sempre, a uma ladainha de promessas demagógicas e enganosas sobre saúde pública, segurança e educação.

Dessa forma, ficamos diante de um terrível dilema. Votar em Haddad significa escolher uma forma de governar que já conhecemos. Não deu certo e não devemos querer a volta ao poder de um partido que envenenou a administração pública com o vírus sistêmico da corrupção e levou a nação brasileira à ruína econômica e financeira.

Significa, também, votar no aparelhamento do Estado por uma militância ávida de poder político sem compromisso com a nação.

Votar em Bolsonaro é escolher um candidato que se apresenta com a pele de político novo. Mas, tem 27 anos de vida política. Passou por diversos partidos. Parece não ter compromisso com nenhum deles, inclusive com o seu, até pouco tempo atrás, desconhecido PSL.

Seus sucessivos mandatos foram conquistados com o fácil e sedutor discurso da segurança pública e do armamento do cidadão. Não apresentou nem defendeu qualquer proposta de reforma econômica ou política. Assim, tudo indica que não tem compromisso com um plano claro e objetivo de mudanças capazes superar a crise brasileira.

Recuamos no tempo político. Estamos no mesmo dilema de 1990, quando tivemos que escolher entre Collor de Mello e Lula da Silva. O desastroso resultado, todos conhecem.

Infelizmente, não vejo perspectiva de solução. Quase 30 anos depois, a nação brasileira ainda espera por governantes sérios, austeros, comprometidos com as reformas capazes de promover o bem estar econômico e social do povo brasileiro.

Escrito por João José Leal, 15/10/2018 às 09h56 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Eleição presidencial, o terrível dilema

João José Leal – Promotor de Justiça e Professor aposentado, da Academia Catarinense de Letras

O resultado do primeiro turno da eleição de domingo mostrou que os brasileiros não estão satisfeitos com a situação econômica e política do nosso país. Quanto à presidência, a vontade majoritária do eleitorado nos reservou, para o segundo turno, uma difícil escolha entre o ruim e o pior. Bolsonaro ou Haddad, eis o terrível dilema.

Penso que a "onda eleitoral Bolsonaro" é um inequívoco recado de que o povo quer mudança. Mas, infelizmente, nenhum dos dois candidatos apresentou plano de governo, com propostas objetivas, sérias e consistentes das reformas capazes de solucionar a grave crise econômica e política brasileira.

Reformas necessárias, mas impopulares como a previdenciária, foram intencionalmente omitidas nos discursos e nos programas de TV, que se restringiram, como sempre, a uma ladainha de promessas demagógicas e enganosas sobre saúde pública, segurança e educação.

Dessa forma, ficamos diante de um terrível dilema. Votar em Haddad significa escolher uma forma de governar que já conhecemos. Não deu certo e não devemos querer a volta ao poder de um partido que envenenou a administração pública com o vírus sistêmico da corrupção e levou a nação brasileira à ruína econômica e financeira.

Significa, também, votar no aparelhamento do Estado por uma militância ávida de poder político sem compromisso com a nação.

Votar em Bolsonaro é escolher um candidato que se apresenta com a pele de político novo. Mas, tem 27 anos de vida política. Passou por diversos partidos. Parece não ter compromisso com nenhum deles, inclusive com o seu, até pouco tempo atrás, desconhecido PSL.

Seus sucessivos mandatos foram conquistados com o fácil e sedutor discurso da segurança pública e do armamento do cidadão. Não apresentou nem defendeu qualquer proposta de reforma econômica ou política. Assim, tudo indica que não tem compromisso com um plano claro e objetivo de mudanças capazes superar a crise brasileira.

Recuamos no tempo político. Estamos no mesmo dilema de 1990, quando tivemos que escolher entre Collor de Mello e Lula da Silva. O desastroso resultado, todos conhecem.

Infelizmente, não vejo perspectiva de solução. Quase 30 anos depois, a nação brasileira ainda espera por governantes sérios, austeros, comprometidos com as reformas capazes de promover o bem estar econômico e social do povo brasileiro.

Escrito por João José Leal, 15/10/2018 às 09h56 | jjoseleal@gmail.com



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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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