Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

A Onda Jair Bolsonaro

Confirmando pesquisas e previsões, a onda antipetista prevaleceu nessa eleição. Com exceção da região Nordeste, Jair Bolsonaro venceu em todo o país e será o próximo presidente da República para cumprir mandato de 4 anos. Espontâneas e entusiasmadas manifestações de apoio ao novo líder político, ocorreram em todo o país. O recado ficou bem claro, nas urnas e nas ruas: o povo quer mudança, na forma de governar esta maltratada nação.

Milhões de eleitores, sem partido e sem paixão política, decidiram surfar na imprevisível Onda Bolsonaro para dar um voto de protesto, de indignação e de insatisfação contra a atual situação econômica e política brasileira. Ficou claro que o eleitor está cansado de tanta corrupção e quer uma administração pública inspirada na ética, conduzida com transparência, seriedade e honestidade. Ficou evidente que o povo não aceita mais que os negócios do Estado sejam tratados com tanto descaso e improbidade como vem acontecendo nos últimos anos.

Pode-se dizer, também, que foi uma eleição plebiscitária. Dividido, a maioria dos cidadãos votou em Bolsonaro para dizer que não quer a volta do PT ao poder, que tanto mal causou à nação brasileira. Como o presidente Temer é herança política do petismo, pode-se dizer que são16 anos de administração marcada pela irresponsabilidade fiscal, pelo descompromisso com as contas públicas e pela corrupção sem limites no trato dos negócios do Estado.

Não será uma missão fácil. Mudança significa reforma da previdência social, que não foi objeto de proposta explícita na campanha de Bolsonaro. Agora, se guru da área econômica, diz que é preciso mudar o nosso sistema previdenciário com urgência. O rombo de mais de 200 bilhões, previsto para este ano, vai crescer de forma descontrolada, se a reforma não acontecer já. Paulo Guedes não esconde mais a caótica situação. Afirma que a reforma é indispensável e urgente para o equilíbrio das contas públicas e para que o país encontre o caminho do desenvolvimento econômico.

O eleitorado que embarcou na onda Bolsonaro é o mesmo que, numa grande maioria, já se manifestou contrário à proposta de reforma da previdência apresentada pelo presidente Temer. Acho difícil que, agora, esteja disposto a apoiar uma mudança que implique aumento do tempo de serviço para a aposentadoria e imponha outras restrições aos segurados. A privilegiada classe do funcionalismo público, dificilmente, aceitará um sistema único e geral de previdência. Por sua vez, os sindicatos já estão ameaçando sair às ruas protestar contra a reforma da previdência.

Outras reformas são necessárias, como a tributária, a política e a da administração pública. Assim, não é preciso ter bola de cristal para prever a enorme dificuldade que Jair Bolsonaro terá pela frente para cumprir sua promessa de fazer um governo diferente. Tenho dúvida se terá o indispensável apoio popular para realizar as mudanças necessárias para que a nação brasileira encontre o caminho do desenvolvimento sustentável e do bem-estar social.

Vamos esperar 2019 para ver se a Onda Bolsonaro continuará forte e se as ruas e praças continuarão reunindo multidões de camisas-amarelas, gritando pelo nome do novo Capitão deste avariado barco chamado Brasil.

Escrito por João José Leal, 06/11/2018 às 10h18 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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A Onda Jair Bolsonaro

Confirmando pesquisas e previsões, a onda antipetista prevaleceu nessa eleição. Com exceção da região Nordeste, Jair Bolsonaro venceu em todo o país e será o próximo presidente da República para cumprir mandato de 4 anos. Espontâneas e entusiasmadas manifestações de apoio ao novo líder político, ocorreram em todo o país. O recado ficou bem claro, nas urnas e nas ruas: o povo quer mudança, na forma de governar esta maltratada nação.

Milhões de eleitores, sem partido e sem paixão política, decidiram surfar na imprevisível Onda Bolsonaro para dar um voto de protesto, de indignação e de insatisfação contra a atual situação econômica e política brasileira. Ficou claro que o eleitor está cansado de tanta corrupção e quer uma administração pública inspirada na ética, conduzida com transparência, seriedade e honestidade. Ficou evidente que o povo não aceita mais que os negócios do Estado sejam tratados com tanto descaso e improbidade como vem acontecendo nos últimos anos.

Pode-se dizer, também, que foi uma eleição plebiscitária. Dividido, a maioria dos cidadãos votou em Bolsonaro para dizer que não quer a volta do PT ao poder, que tanto mal causou à nação brasileira. Como o presidente Temer é herança política do petismo, pode-se dizer que são16 anos de administração marcada pela irresponsabilidade fiscal, pelo descompromisso com as contas públicas e pela corrupção sem limites no trato dos negócios do Estado.

Não será uma missão fácil. Mudança significa reforma da previdência social, que não foi objeto de proposta explícita na campanha de Bolsonaro. Agora, se guru da área econômica, diz que é preciso mudar o nosso sistema previdenciário com urgência. O rombo de mais de 200 bilhões, previsto para este ano, vai crescer de forma descontrolada, se a reforma não acontecer já. Paulo Guedes não esconde mais a caótica situação. Afirma que a reforma é indispensável e urgente para o equilíbrio das contas públicas e para que o país encontre o caminho do desenvolvimento econômico.

O eleitorado que embarcou na onda Bolsonaro é o mesmo que, numa grande maioria, já se manifestou contrário à proposta de reforma da previdência apresentada pelo presidente Temer. Acho difícil que, agora, esteja disposto a apoiar uma mudança que implique aumento do tempo de serviço para a aposentadoria e imponha outras restrições aos segurados. A privilegiada classe do funcionalismo público, dificilmente, aceitará um sistema único e geral de previdência. Por sua vez, os sindicatos já estão ameaçando sair às ruas protestar contra a reforma da previdência.

Outras reformas são necessárias, como a tributária, a política e a da administração pública. Assim, não é preciso ter bola de cristal para prever a enorme dificuldade que Jair Bolsonaro terá pela frente para cumprir sua promessa de fazer um governo diferente. Tenho dúvida se terá o indispensável apoio popular para realizar as mudanças necessárias para que a nação brasileira encontre o caminho do desenvolvimento sustentável e do bem-estar social.

Vamos esperar 2019 para ver se a Onda Bolsonaro continuará forte e se as ruas e praças continuarão reunindo multidões de camisas-amarelas, gritando pelo nome do novo Capitão deste avariado barco chamado Brasil.

Escrito por João José Leal, 06/11/2018 às 10h18 | jjoseleal@gmail.com



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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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