Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Universidade Pública, Vandalismo e Intolerância Política

Tenho recebido vídeos mostrando cenas surrealistas de vandalismo, de nudismo, de defesa da liberdade sexual e de protestos políticos registradas nas universidades públicas brasileiras. Procurei conferir a veracidade dessas postagens sobre o que vem acontecendo em nossas universidades públicas. Algumas dessas informações ou imagens não são verdadeiras. Outras, foram publicadas de forma desvirtuada do contexto ou da finalidade. No entanto, grande parte do que vem sendo mostrado é real e merece reflexão e condenação. É evidente que essas ações não ocorrem em todas as universidades, nem em todos os cursos.

No caso do vandalismo, as imagens que circulam na internet mostram instalações sujas, com lixo jogado pelos corredores, salões e jardins. Mostram prédios pichados, depredados, por uma minoria de vândalos do patrimônio público. Nem parecem um bem público, pertencente ao povo, inclusive aos professores e funcionários, que ali trabalham com liberdade, auferem os seus salários e aos alunos, que ali estudam de graça. É triste ver tanto descaso, tanta agressão ao patrimônio de uma instituição tão importante para o desenvolvimento educacional da nação brasileira.

O pior é que esses predadores do patrimônio universitário consideram suas ações perfeitamente lícitas. Acobertam-se sob a capa constitucional da livre manifestação pensamento. No entanto, ao consagrar o princípio da gestão democrática a Constituição pretende que cada integrante da comunidade acadêmica seja um parceiro-zelador do inestimável patrimônio material e imaterial que é a Universidade pública, instituída para servir ao povo brasileiro.

Quanto às manifestações de radicalismo político, com ocupação de espaços de uso comum da comunidade acadêmica, não creio que a maioria dos estudantes e professores das universidades públicas seja partidária da ideologia de esquerda. No entanto, parece-me que, em cada instituição federal, existem, sim, cursos que são autênticos feudos da militância marxista, socialista e, até, anarquista. É uma minoria, mas atuante, militante, barulhenta, desordeira que se acha no direito de impor a sua voz, o seu pensamento e as suas ideias à maioria silenciosa da comunidade acadêmica.

A Universidade, todos sabemos, é um espaço de liberdade de pensamento, onde deve prevalecer o pluralismo de ideias, garantido pela Constituição. No entanto, liberdade de pensamento não significa que se possa fazer, livremente, o que se quiser dentro de uma Universidade pública, mantida e financiada com o dinheiro do povo. Principalmente, quando uma minoria pretende impor o seu pensamento e as ações aos demais integrantes da comunidade universitária.

Não se pode admitir que, em nome da liberdade de livre pensamento e da autonomia garantida pela Constituição, um segmento minoritário e intolerante se sinta no direito de depredar o patrimônio público, muito menos, impor aos demais integrantes da comunidade universitária suas ideias radicais sobre política, religião e, até, sobre opção sexual.

Escrito por João José Leal, 08/11/2018 às 10h26 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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Universidade Pública, Vandalismo e Intolerância Política

Tenho recebido vídeos mostrando cenas surrealistas de vandalismo, de nudismo, de defesa da liberdade sexual e de protestos políticos registradas nas universidades públicas brasileiras. Procurei conferir a veracidade dessas postagens sobre o que vem acontecendo em nossas universidades públicas. Algumas dessas informações ou imagens não são verdadeiras. Outras, foram publicadas de forma desvirtuada do contexto ou da finalidade. No entanto, grande parte do que vem sendo mostrado é real e merece reflexão e condenação. É evidente que essas ações não ocorrem em todas as universidades, nem em todos os cursos.

No caso do vandalismo, as imagens que circulam na internet mostram instalações sujas, com lixo jogado pelos corredores, salões e jardins. Mostram prédios pichados, depredados, por uma minoria de vândalos do patrimônio público. Nem parecem um bem público, pertencente ao povo, inclusive aos professores e funcionários, que ali trabalham com liberdade, auferem os seus salários e aos alunos, que ali estudam de graça. É triste ver tanto descaso, tanta agressão ao patrimônio de uma instituição tão importante para o desenvolvimento educacional da nação brasileira.

O pior é que esses predadores do patrimônio universitário consideram suas ações perfeitamente lícitas. Acobertam-se sob a capa constitucional da livre manifestação pensamento. No entanto, ao consagrar o princípio da gestão democrática a Constituição pretende que cada integrante da comunidade acadêmica seja um parceiro-zelador do inestimável patrimônio material e imaterial que é a Universidade pública, instituída para servir ao povo brasileiro.

Quanto às manifestações de radicalismo político, com ocupação de espaços de uso comum da comunidade acadêmica, não creio que a maioria dos estudantes e professores das universidades públicas seja partidária da ideologia de esquerda. No entanto, parece-me que, em cada instituição federal, existem, sim, cursos que são autênticos feudos da militância marxista, socialista e, até, anarquista. É uma minoria, mas atuante, militante, barulhenta, desordeira que se acha no direito de impor a sua voz, o seu pensamento e as suas ideias à maioria silenciosa da comunidade acadêmica.

A Universidade, todos sabemos, é um espaço de liberdade de pensamento, onde deve prevalecer o pluralismo de ideias, garantido pela Constituição. No entanto, liberdade de pensamento não significa que se possa fazer, livremente, o que se quiser dentro de uma Universidade pública, mantida e financiada com o dinheiro do povo. Principalmente, quando uma minoria pretende impor o seu pensamento e as ações aos demais integrantes da comunidade universitária.

Não se pode admitir que, em nome da liberdade de livre pensamento e da autonomia garantida pela Constituição, um segmento minoritário e intolerante se sinta no direito de depredar o patrimônio público, muito menos, impor aos demais integrantes da comunidade universitária suas ideias radicais sobre política, religião e, até, sobre opção sexual.

Escrito por João José Leal, 08/11/2018 às 10h26 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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