Jornal Página 3
Coluna
Crônica Semanal
Por João José Leal

Feliz 2019

O tempo não tem começo nem fim. Marujos que somos dessa gigantesca arca chamada Terra, nossa navegação cósmica em torno o sol, nosso astro-rei, é viagem eternamente interminável. Não está sujeita a nenhuma parada. Mas, vivemos sob o império de regras, leis e convenções. Uma destas, coloca começo e fim no tempo para nos dizer que o ano civil, oficial, tem 365 dias, de primeiro de janeiro a 31 de dezembro. Já, o ano astronômico ou solar tem mais algumas horas, minutos e segundos, preciosismo cultivado por cientistas e astrônomos.

É interessante, mal começamos uma nova caminhada anual e ficamos a contar os dias, semanas e meses, de olho em dezembro e no último segundo do ano. Foi assim, em 2018. E, aqui estamos, mais uma vez, no final de um ano, Então, num instante mágico, tudo recomeça com o conhecido grito de “Feliz Ano Novo”, chavão repetido no mundo inteiro, porque Primeiro do Ano é feriado universal. É festa geral de gente turbinada pelo deletério efeito do álcool sorvido nos copos e taça de vinhos, cervejas, espumantes, uísque e muita caipirinha. Afinal, estamos neste país tropical de gente festiva por natureza, como dizem os cancioneiros da nossa música popular e os otimistas psicólogos da autoajuda.

Com ou sem festa, com tristeza ou alegria, a verdade é que já vivenciei muitos finais de ano. Meus 77 anos já feitos me permitiram a façanha de sentir a emoção e de ser testemunha ocular de ver dezenas de dezembros chegando ao fim. Foram tantos, que não consigo lembrar do que aconteceu na grande maioria dos finais de ano de minha vida. Infelizmente, é assim mesmo. Envelhecemos e a memória não consegue nos fazer uma retrospectiva, como gostaríamos, dos fatos que vivenciamos ao longo das nossas vidas.

Da infância e adolescência, restaram, apenas, lembranças difusas, mais centradas nas imagens dos encontros natalinos. De festa à meia-noite, não me recordo, mas sim do almoço festivo, com direito a galinha ou até peru, aves caçadas no quintal da casa, para o sacrifício da mesa da fartura que não passava do primeiro dia do ano, que estava a começar.

Pelos meus 18 anos, já na capital do Estado, a noite do final de ano era motivo de reunião de amigos, num bar central da cidade, a mesa repleta de garrafas de vinho frisante da Serra Gaúcha, agora, na moda com o nome de espumante. A tribo ali se reunia numa espécie de esquenta, preparando-se para o tradicional baile de fim de ano, com mesa de pista previamente comprada. Era preciso encher a cuca, buscar coragem no copo da euforizante bebida borbulhante, para enfrentar o desafio de tirar uma jovem donzela para dançar, sob o olhar carrancudo do pai protetor.

Já estava na Faculdade de Direito, quando passei meu primeiro final de ano, longe da família. Tinha ido fazer um curso no Rio de Janeiro. Na noite do dia 31, fui convidado para uma janta no apartamento de um primo de minha mãe, marítimo, que viajava pelo mundo todo. Num armário, um estoque de bebidas de diversos países. Foi minha desgraça. A saudade da família era grande e só foi sufocada com algumas doses de uísque, gim e, até, tequila, que vi pela primeira vez e uma única vez tomei. No dia seguinte, a ressaca de matar me ensinou que beber, moderadamente, pode ser bom e, não beber, nada, é ainda melhor.

Meus últimos finais de ano, tenho passado em BCamboriú. Com uma taça de espumante na mão, espero a virada para continuar a contar os dias desta vida de rotina, marcada por começos e recomeços, em busca da paz e da felicidade que, cada ano, vai ficando mais distante.

Aos meus queridos leitores do Página 3, desejo um ano de 2019 cheio de paz.

Escrito por João José Leal, 02/01/2019 às 09h52 | jjoseleal@gmail.com



João José Leal

Assina a coluna Crônica Semanal

Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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O tempo não tem começo nem fim. Marujos que somos dessa gigantesca arca chamada Terra, nossa navegação cósmica em torno o sol, nosso astro-rei, é viagem eternamente interminável. Não está sujeita a nenhuma parada. Mas, vivemos sob o império de regras, leis e convenções. Uma destas, coloca começo e fim no tempo para nos dizer que o ano civil, oficial, tem 365 dias, de primeiro de janeiro a 31 de dezembro. Já, o ano astronômico ou solar tem mais algumas horas, minutos e segundos, preciosismo cultivado por cientistas e astrônomos.

É interessante, mal começamos uma nova caminhada anual e ficamos a contar os dias, semanas e meses, de olho em dezembro e no último segundo do ano. Foi assim, em 2018. E, aqui estamos, mais uma vez, no final de um ano, Então, num instante mágico, tudo recomeça com o conhecido grito de “Feliz Ano Novo”, chavão repetido no mundo inteiro, porque Primeiro do Ano é feriado universal. É festa geral de gente turbinada pelo deletério efeito do álcool sorvido nos copos e taça de vinhos, cervejas, espumantes, uísque e muita caipirinha. Afinal, estamos neste país tropical de gente festiva por natureza, como dizem os cancioneiros da nossa música popular e os otimistas psicólogos da autoajuda.

Com ou sem festa, com tristeza ou alegria, a verdade é que já vivenciei muitos finais de ano. Meus 77 anos já feitos me permitiram a façanha de sentir a emoção e de ser testemunha ocular de ver dezenas de dezembros chegando ao fim. Foram tantos, que não consigo lembrar do que aconteceu na grande maioria dos finais de ano de minha vida. Infelizmente, é assim mesmo. Envelhecemos e a memória não consegue nos fazer uma retrospectiva, como gostaríamos, dos fatos que vivenciamos ao longo das nossas vidas.

Da infância e adolescência, restaram, apenas, lembranças difusas, mais centradas nas imagens dos encontros natalinos. De festa à meia-noite, não me recordo, mas sim do almoço festivo, com direito a galinha ou até peru, aves caçadas no quintal da casa, para o sacrifício da mesa da fartura que não passava do primeiro dia do ano, que estava a começar.

Pelos meus 18 anos, já na capital do Estado, a noite do final de ano era motivo de reunião de amigos, num bar central da cidade, a mesa repleta de garrafas de vinho frisante da Serra Gaúcha, agora, na moda com o nome de espumante. A tribo ali se reunia numa espécie de esquenta, preparando-se para o tradicional baile de fim de ano, com mesa de pista previamente comprada. Era preciso encher a cuca, buscar coragem no copo da euforizante bebida borbulhante, para enfrentar o desafio de tirar uma jovem donzela para dançar, sob o olhar carrancudo do pai protetor.

Já estava na Faculdade de Direito, quando passei meu primeiro final de ano, longe da família. Tinha ido fazer um curso no Rio de Janeiro. Na noite do dia 31, fui convidado para uma janta no apartamento de um primo de minha mãe, marítimo, que viajava pelo mundo todo. Num armário, um estoque de bebidas de diversos países. Foi minha desgraça. A saudade da família era grande e só foi sufocada com algumas doses de uísque, gim e, até, tequila, que vi pela primeira vez e uma única vez tomei. No dia seguinte, a ressaca de matar me ensinou que beber, moderadamente, pode ser bom e, não beber, nada, é ainda melhor.

Meus últimos finais de ano, tenho passado em BCamboriú. Com uma taça de espumante na mão, espero a virada para continuar a contar os dias desta vida de rotina, marcada por começos e recomeços, em busca da paz e da felicidade que, cada ano, vai ficando mais distante.

Aos meus queridos leitores do Página 3, desejo um ano de 2019 cheio de paz.

Escrito por João José Leal, 02/01/2019 às 09h52 | jjoseleal@gmail.com



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Membro da Academia Catarinense de Letras. Graduado pela Faculdade de Direito da UFSC, Mestre em Ciências Criminológicas pela Universidade de Bruxelas, Livre-Docente-Doutor pela Universidade Gama Filho - Rio de Janeiro. Promotor de Justiça aposentado e Ex-Procurador Geral de Justiça de Santa Catarina. Ex-Professor de Direito Penal, de Criminologia e Diretor de Ciências Judiciais da FURB - Blumenau. Ex-Professor de Política Criminal e Controle Social do Programa de Mestrado em Ciência Jurídica da UNIVALI.


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