Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Onde estava Pinho Moreira?

Enquanto Santa Catarina entrava em colapso devido ao desabastecimento provocado pela greve dos caminhoneiros, escutei repetidas vezes a pergunta: “onde está o governador Pinho Moreira”.

Enquanto outros governadores foram proativos, em especial depois que a greve virou abusiva, Pinho Moreira ficou na moita.

Só ontem (29), com liminares já concedidas pelo judiciário, o governador elevou o tom ao dizer que as estradas precisavam ser desimpedidas.

Poderia o governador ter atuado na linha de frente quando a produção agrícola começou a estragar nas lavouras; quando a cadeia da agroindústria degringolou e as cidades ficaram desabastecidas.

Comentam nos bastidores da Capital que Pinho Moreira é candidato à reeleição como governador. Bem, meu voto ele não perdeu porque nunca teve.

Primeiro por ser do MDB, segundo por ser quem é.

Penso que os episódios dessa semana reforçarem minha convicção que Pinho Moreira não é pessoa preparada para comandar Santa Catarina. 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 30/05/2018 às 13h35 | waldemar@camboriu.com.br

Falar em golpe em BC chega a ser pornográfico

Sou tão indignado contra o governo quanto qualquer outro brasileiro e essa indignação aumenta no dia 20 de cada mês quando tenho que pagar  parte do faturamento da empresa ao Temer.

No entanto, desestruturar toda a cadeia produtiva nacional de um país saindo da sua mais grave crise econômica na história, ou emparedar o Presidente da República faltando quatro meses para a eleição geral, é rematada idiotice porque a conta todos pagaremos e durante anos.

Cenas como a vista ontem de insensatos pregando um golpe militar chegam a ser pornográficas numa cidade como Balneário Camboriú que teve seu primeiro prefeito eleito morto num quartel da ditadura.

Foi denunciado por dedos-duros e morto.

Numa ditadura é isso que acontece, um daqueles insensatos da manifestação de ontem procura os militares e diz que você é contra o “regime”.

Eles lhe prendem, à luz do dia ou na calada da noite, praticam tortura psicológica e/ou física e podem liquidar com sua vida porque um safado qualquer que não gosta de você o dedurou.

Foi isso que ocorreu com nosso primeiro prefeito.

Após sua prisão e morte reviraram os arquivos da prefeitura e não encontraram as denunciadas irregularidades porque elas não existiam. Os caras que perderam a eleição chamaram os torturadores, essa é a história.

Se querem mudar o Brasil façam isso dentro de quatro meses, no dia 7 de outubro, pelas urnas.

Fora disso o desastre sempre será maior.
 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 29/05/2018 às 11h14 | waldemar@camboriu.com.br

Temer, Marum, Padilha e meu Maverick

Promessas feitas a grevistas por gente da estirpe de Michel Temer, Eliseu Padilha e Carlos Marum não podem ser aceitas no fio do bigode, é necessário ver publicado no DO e estampado nas tabuletas dos postos de combustíveis.

Porque esses líderes nacionais são seres, justa ou injustamente, sem credibilidade.

Marum, minhas nove leitoras talvez lembrem, era o mais fiel escudeiro de Eduardo Cunha, o ladravaz que está na cadeia por roubar tudo que foi possível e mais um pouco.

O próprio Marum é denunciado e responde na justiça por lesão ao erário de, em valores históricos, R$ 16,6 milhões. Mesmo que seja inocente, os grevistas não confiam.

Eliseu Padilha foi denunciado pela Procuradoria Geral de República em setembro passado dentro do chamado “Quadrilhão do PMDB”. Inocente ou não, por via das dúvidas os grevistas querem ver para crer.

E Temer... bem Temer 95% dos brasileiros não confiavam nele para dirigir o país antes da greve, agora deve estar beirando os 100%.

Feitas as promessas aos caminhoneiros, a conta começou a não fechar nesta segunda-feira quando os demais cidadãos descobriram que terão que pagar o subsídio ao diesel, via aumento de impostos ou outra maldade qualquer que Brasília invente.

O governo agradou meio milhão de caminhoneiros e deixou mais desagradados 190 milhões de brasileiros.

Alguns insensatos apelam à intervenção militar. O problema é que a Constituição diz que ela só pode ser solicitada pelo próprio Temer, após ouvir os presidentes da Câmara e do Senado; os líderes da maioria e da minoria da Câmara e do Senado Federal, o vice-presidente da República e o Ministro da Justiça.

Fora disso é golpe militar, não intervenção.

E pedir golpe é falta de cérebro ou memória, porque foi a ditadura quem criou a conta-petróleo, aquela em que os ditadores impunham os preços, sem dar satisfações a ninguém.

Aliás, foi o petróleo que começou a derrubar a ditadura, quando o barril triplicou de preço e mostrou que o milagre econômico estava nu.

Em 1977 vendi meu Maverick de 8 cilindros porque o combustível custava os testículos do marajá, o carro fazia quatro por litro e perdeu 80% do seu valor de mercado.

Talvez por solidariedade à minha perda automobilística o ditador Ernesto Geisel fechou o Congresso Nacional, adiou as eleições para governadores por mais quatro anos e criou, vejam só minhas nove leitoras, os senadores biônicos, nomeados pela ditadura, não pelos eleitores.

E ai de quem parasse o Maverick em beira de estrada para reclamar.


 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 28/05/2018 às 14h47 | waldemar@camboriu.com.br

Ambiental sabe fazer sim

Um dos argumentos do Consórcio Praia Linda, na justiça, para tentar cancelar a licitação emergencial de manutenção das redes de água e esgoto que perdeu no preço para a Ambiental é que a mudança traria problemas por falta de experiência do novo fornecedor.

A Ambiental já faz isso em duas cidades bem maiores, Itajaí e Joinville, mas a prova que sabem fazer eu tive na prática.

Ontem de manhã tinha um cano furado na rua, em frente de casa, e avisei a Emasa.

Era um pequeno vazamento e a equipe da Ambiental veio duas vezes aqui, mas preferiu não mexer devido ao volume de carros estacionados o que obrigaria a trancar toda a rua.

Bom senso é uma coisa que aprecio.

Por volta de 9 da noite a equipe voltou e com cones e fitas isolou as vagas de estacionamento nuns 40 metros.

Hoje cedo retornaram, retiraram apenas seis lajotas e corrigiram o problema.

A prática do operário que furou a terra, um haitiano, me impressionou. Abriu no ponto certo, trancou a alimentação com uma espécie de alicate simples feito com ferros de construção e executou o reparo.

Ele me disse que estava acostumado a fazer isso em Itajaí, portanto acabamos de incorporar tecnologia peixeira-haitiana ao nosso cotidiano.

O melhor de tudo é que o dano ao pavimento foi mínimo.


 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 24/05/2018 às 10h15 | waldemar@camboriu.com.br

Sugestões a quem emite carteiras de motorista

Passei semanas sem escrever porque vivi problemas de saúde na família e fiquei sem vontade de postar comentários.

Agora voltou e pensei em escrever uns desaforos pela experiência ruim que tive ao renovar minha carteira de motorista na semana passada, mas raciocinando melhor farei algumas sugestões porque elas podem ser mais úteis do que reclamações.

- A Delegacia Regional de Polícia não tem estacionamento. Era um caos anunciado que se confirmou, gerando conflitos com os agentes de trânsito que multam veículos sobre as calçadas e com comerciantes que sentem seus espaços privativos invadidos. Minha sugestão é que na rua 500 e outras onde isso seja possível a prefeitura implante estacionamento rotativo pago com prazo máximo de 60 minutos.

- A fotografia digital precisa ser feita na Avenida do Estado e o exame médico próximo à delegacia antiga na Quarta Avenida. Sugestão: tenham bom senso.

- A autoridade policial não aceita como comprovante de residência a cópia da minha declaração de Imposto de Renda; recibos de tributos federais pagos ou a cópia da fatura de celular que vem pela internet. Ainda está na fase de exigir alguma conta que vem pelo correio, coisa cada vez mais em desuso. Sugestão: o Estado possui os dados do cidadão, se ele está renovando a Habilitação e declara o mesmo endereço anterior, isso está nos computadores do Estado. Se o endereço é diverso, ele pode estar registrado no arquivo da Cédula de Identidade, também em poder do Estado. O Estado sabe meu endereço para me enviar multas de trânsito, notificações diversas etc., me parece sem sentido exigir uma conta de luz ou outro papel para comprovar que moro onde estou declarando, sob as penas da lei.

- A carteira demora 30 dias para ficar pronta. Sugestão: poderia ser emitida digitalmente poucas horas após o exame médico. É sem sentido algo que pode ficar pronto quase na hora demorar tanto tempo.

- Sugestão final: montem um grupo composto não por funcionários públicos, mas por analistas de sistemas, analistas de processos e outros caras acostumados a descomplicar que em poucas horas eles encontram uma solução que possibilite emitir a renovação da carteira de motorista quase instantaneamente. O Estado costuma ser burro, criar dificuldades para vender facilidades.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 23/05/2018 às 17h52 | waldemar@camboriu.com.br

Pense em Gramado Edson Kratz

A cidade de Gramado lançou a cópia de uma atração que faz sucesso em outras cidades no exterior, em especial em Las Vegas: casamentos falsos ou verdadeiros, com direito a carruagens, motorista caracterizado de Elvis Presley etc.

Um dos parceiros no empreendimento é o Dreams Entertainment Group que eu acho tem algo a ver com a roda gigante de Balneário Camboriú.

Esse pessoal só faz investimentos em atrações relativamente simples que no conjunto funcionam, inspirados no que os gringos testaram em suas regiões turísticas.

Museus de cera; exposição de carros e motos; “Vale dos Dinossauros”; “Maravilhas do Mundo” etc.

Casar em Gramado custará de 50 a 300 dólares. Um casamento barato em Las Vegas custa 100 dólares, mas tem que ir até lá e isso pode custar caro.

Parece tolice oferecer casamentos num destino turístico, mas não é. O condado de Clark, onde se situa Las Vegas, estima que esses eventos causem impacto de US$ 2,5 bilhões ao ano na economia local.

Eles lamentam que o movimento diminuiu, no ano passado foram apenas 81.000 cerimônias; mais de 200 por dia.

Pense nisso nosso novo secretário de investimentos Edson Kratz, pequenas soluções e velhas ideias podem dar bom retorno à cidade.


 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 16/04/2018 às 13h40 | waldemar@camboriu.com.br



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Waldemar Cezar Neto

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Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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