Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

As Papas da Tia Yolanda

 

Estava lendo no Página 3 a extraordinária entrevista que a Marlise Schneider fez com o Geninho Góes sobre adoção e entre as páginas do jornal encontrei uma folha de almaço escrita com a letra que me pareceu ser da minha mãe.

Letra de mãe a gente bate o olho e reconhece por isto me interessei, mas não era dela e sim da Tia Yolanda, já falecida.

O texto dizia isto:

Receita de Papas

Receita da vovó Tia Yolanda

1 Kg de feijão branco

1 Kg de costelinha de porco salgada

1 Kg de linguiça de porco

1 Kg de farinha de milho média

2 pés de mostarda

3 cabeças de nabo

4 batatas

Modo de fazer:

Deixar o feijão de molho de véspera e as costelinhas já cortadas para tirar o excesso de sal.

Levar ao fogo o feijão, os nabos e as batatas e fazer uma sopa. Quando estiver cozido passar no liquidificador e aumentar o caldo para dar uma boa porção.

A mostarda bem lavada e cortada miúda botar na sopa, junto com as costelas e a linguiça. Deixar cozinhar e cortar a linguiça em nacos.

15 minutos antes de servir botar a farinha de milho já inchada com um pouco d´água, colocando aos poucos para não empelotar.

Deixar cozinhar mexendo seguido para não pegar na panela.

Temperar com sal e pimenta, a consistência é de mingau mole.

Notas que não são da Tia Yolanda e sim minhas: Papas é um prato típico da cozinha portuguesa antiga, os imigrantes trouxeram e sendo nossa família uma parte portuguesa incorporamos ao cardápio, principalmente nos dias frios. Meu pai adorava.

Na falta de mostarda use couve em tiras, fica parecido, mas esqueci de reproduzir o último trecho do manuscrito da Tia Yolanda que dizia assim:

“Por favor Marzinho, não altera minhas receitas que foi a vovó que me ensinou. Abraços a todos, felicidades, Tia Yolanda”. 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 28/12/2017 às 09h08 | waldemar@camboriu.com.br

Se Caixa 3 fosse crime pegaria “todo mundo”

Está na “Folha” de hoje que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, é suspeito segundo a Polícia Federal ter receber recursos eleitorais através de “Caixa 3”.

“Caixa 3” são doações feitas por empreiteiras investigadas pela Lava Jato aos partidos políticos que por sua vez doaram os seus candidatos nas eleições.

Com todo respeito que merecem a Folha e a PF penso que estão querendo ser mais realistas que o rei.

“Caixa 2” é picaretagem, o político recebe por fora e sabe que está recebendo dinheiro frio, como ocorreu na campanha de Edson Piriquito a prefeito de Balneário Camboriú –e diga-se de passagem resultou em punição alguma.

“Caixa 3” é doação oficial e atinge centenas de pessoas, talvez a maioria em boa fé.

No exemplo municipal, para não dizerem que seguro no pé do Piriquito, Pavan recebeu recursos partidários da Odebrecht e declarou. Fabrício Oliveira recebeu da JBS e também declarou. Isso era perfeitamente legal na ocasião.

Receberam doações legais de empresas ligadas à Lava Jato diversos políticos catarinenses como Raimundo Colombo; Paulo Bauer; Cláudio Vignatti; Dário Berger; Jorge Boeira; Esperidião Amin; Mauro Mariani; Jorginho Mello; Ronaldo Benedet; João Paulo Kleinubing; João Rodrigues; Ismael dos Santos; Kennedy Nunes; Maurício Skudlark; Jean Kuhlmann; Darci de Matos; Gelson Merísio; José Nei Ascari; Narcizo Parisotto; José Milton Scheffer; Moacir Sopelsa; Valmir Comin; Sílvio Dreveck; Rodrigo MInotto; MIltom Hobus etc.

O que não pode é querer achar ilegal algo que a regra oficial do jogo dizia que era legal.

Misturar no mesmo balaio “Caixa 2” com “Caixa 3” é nublar o cenário, só não sei com qual propósito.
 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 26/12/2017 às 09h30 | waldemar@camboriu.com.br

Grêmio, 22 anos depois


Desde criança sou gremista, por influência do meu tio Roberto, já falecido, que me levou ao Olímpico ver um jogo contra o Palmeiras.

Depois passei a ir sempre ao estádio, era meu programa obrigatório de domingo.

Em 1983 o Grêmio ganhou a Libertadores sobre o Penharol e em 1995 repetiu a dose, dessa vez contra o Atlético Nacional, esse clube colombiano que hoje está no coração de todos os brasileiros pela solidariedade demonstrada na fatalidade da Chapecoense.

Em 2007 uma decepção daquelas: fui a Porto Alegre ver a final em companhia do Auri Pavoni, do seu filho Felipe e do Carlos Humberto, pai do nosso vice-prefeito.

O Grêmio havia perdido o jogo de ida por 3 x 0, o Boca Juniors tinha um gênio chamado Riquelme, mas havia esperança porque torcedor não é racional.

Não deu, Riquelme fez os dois gols da vitória argentina e ainda desperdiçou um pênalti. O clima em Porto Alegre após o jogo era de velório.

Hoje é contra o também argentino Lanús que quase derrotou o Grêmio no jogo de vinda, fomos salvos por um goleiro milagroso e por um gol de chiripa no finalzinho.

O Lanús é um time surpreendente, virou o jogo de maneira heroica contra o River Plate, portanto o Grêmio tem uma parada indigesta.

Sempre é indigesto em finais envolvendo brasileiros e argentinos ou uruguaios, temos uma rivalidade histórica, felizmente hoje em dia limitada aos gramados.

Renato, nosso treinador, disse que o Grêmio vai para cima, então poderá ser um dos melhores jogos do ano para quem gosta de futebol. 

Acho que vou dormir e pedir à minha mulher que me acorde no fim do jogo se o Grêmio estiver ganhando. Fiz isso outro dia e funcionou.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 29/11/2017 às 11h28 | waldemar@camboriu.com.br

Os espelhinhos e os índios

Hoje é a audiência pública convocada pela Fatma sobre o Estudo de Impacto Ambiental do BC Port, o porto para navios de cruzeiro que querem construir aqui no prolongamento do molhe da Barra Sul e acho oportuno dizer o que penso.

Fui dos primeiros jornalistas a divulgar o assunto quando do chamamento público promovido pela prefeitura no governo Piriquito para esse e outros projetos na praia central.

Com o tempo foi me distanciando do BC Port devido às meias verdades e às inverdades inteiras divulgadas pelos empreendedores.

Dentre as meias verdades cito o número de 300.000 passageiros por ano.

O Rio de Janeiro, cidade mais famosa e internacional do Brasil, que compõe com São Paulo que fica ao lado o principal mercado para passageiros de cruzeiros, recebeu no ano passado cerca de 265 mil pessoas.

Incluindo turistas vindos do exterior.

De que forma Balneário vai atrair 300 mil?

Nas inverdades completas a declaração do BC Port à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) que o empreendimento foi aprovado pela prefeitura.

O Conselho da Cidade disse que não se opunha a que o projeto fosse apresentando e isso é bem diferente de aprovação porque em outros casos quando o Conselho fez a análise do projeto propriamente dito ele foi reprovado.

Além disso, atualmente nada que seja aprovado pelo Conselho pode ser feito sem passar pela Câmara dos Vereadores, então não existe aprovação nenhuma, é uma declaração falsa.

Ainda no ramo das inverdades completas a afirmação constante no projeto ambiental que será lido hoje à noite que o empreendimento possui estacionamento na Barra Sul. Não possui.

O próprio empreendedor declara que incluindo turistas que visitam a região a expectativa é que 5 milhões de pessoas visitem todos os anos o BC Port para frequentar seus restaurantes, shopping e hotel internacional.

Cinco milhões de pessoas e sem uma única vaga para estacionar veículos?

De vez em quando aparecem pessoas por aqui imaginando que a comunidade não sabe fazer contas, que nos impressionamos com projeções mirabolantes, que somos índios deslubrados com espelhinhos.

Balneário já viu coisas desse tipo muitas vezes, pouca gente se impressiona, só os tolos.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 21/11/2017 às 16h14 | waldemar@camboriu.com.br

O golpe da balsa

Os vereadores Bola, Gelson Rodrigues e Patrick Machado convocaram para a próxima segunda-feira audiência para tratar da reativação da balsa que liga a Barra à Barra Sul.

Corre a alegação que a balsa precisa ser reativada porque algumas pessoas mais simples se sentem desconfortáveis em dividir espaço nos elevadores da Passarela da Barra com a burguesia perfumada.

O argumento é falso, no ano passado já surgiu essa história porque o cara que comprou a balsa queria ganhar nosso dinheiro, usando para isso a suposta pressão popular.

Quando a Passarela não estava pronta e a balsa ainda funcionava ela custava aos cofres públicos quase 30 mil por mês.

Agora existe a Passarela, construída exatamente para substituir a balsa então beira a improbidade administrativa o prefeito autorizar a volta da embarcação já que ela é desnecessária.

Muitas vezes embarquei para pescar no mesmo local onde ocorriam o embarque e o desembarque da balsa de passageiros (ao lado da marina Tedesco) e as pessoas estavam sempre bem vestidas, porque a dignidade de um macacão de pedreiro é a mesma do terno de um doutor.

Trabalho duro, suor do corpo, graxa ou restos de cimento na pele são motivos de orgulho não de vergonha.

Estão apenas usando massa de manobra para faturar algum.

E os vereadores caem nessa.

Querem a volta da balsa? OK, façam, mas cobrem dos passageiros, não da prefeitura.

Vamos ver quantos irão usá-la.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 17/11/2017 às 07h40 | waldemar@camboriu.com.br

E aí, vamos votar no Bolsonaro?

Nessa minha curta carreira de eleitor (apesar dos 63 de idade graças à ditadura militar só pude votar em presidente pela primeira vez aos 36) só acumulei decepções.

Collor foi defenestrado sob a acusação de corrupção; Fernando Henrique se deslumbrou com o poder e comprou votos para a emenda da reeleição distribuindo dinheiro público; Lula era o líder político de uma organização criminosa, o PT, e Dilma deu continuidade ao projeto que desastrou o país.

Sarney, tampax do finado Tancredo foi o pior presidente que conheci então dessa turma toda só sobrou o Itamar que conduziu o país com coragem após o afastamento de Collor e lançou as bases para o Plano Real que nos salvou de destino pior.

Itamar era mulherengo, qualidade que nós latinos respeitamos.

Agora, informa o Ibope, a preferência da população se divide entre Lula e Bolsonaro.

Lula é amoral, não posso votar nele.

Bolsonaro cursou a academia de Agulhas Negras e se formou em Educação Física.

Se fosse Física eu ficaria mais tranquilo, porque exige cérebro apurado para raciocínios complexos.

Ele já admitiu que não entende bulhufas de economia, mas pretende presidir um país atolado em problemas econômicos.

Enxergo em Bolsonaro o voluntarismo desastroso de um Collor de Melo misturado com o moralismo safado de um Jânio Quadros, aquele que proibiu corridas de cavalo durante a semana; a exibição na TV de maiôs e peças íntimas; desfiles de misses com maiôs cavados; menores de 18 anos em programas de rádio e TV e ... biquínis nas praias.

O sacripanta, cachaceiro notório, governou sete meses, renunciou e jogou o país numa ditadura militar que durou 24 anos.

Bolsonaro me dá medo pelo que pode fazer e desfazer.

Por isso torço que apareçam outros nomes, talvez o Henrique Meirelles que na semana passada andou se assanhando.

Se a história se repete, basta o país sair da crise que ele está eleito. Como aconteceu com Fernando Henrique, Ministro da Fazenda do Itamar.

Ele é um homem podre de rico, espero que se eleito não roube, de ladrões nos governando estou cheio.
 

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 31/10/2017 às 16h46 | waldemar@camboriu.com.br



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Waldemar Cezar Neto

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Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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