Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Temporada foi fraca, mas poderia ter sido muito pior

Desde o Carnaval do ano passado eu hospedo turistas captados através de Booking e Airbnb.

Então, por minha própria experiência, posso afirmar que a temporada é fraca.

Obtive quase 100% de ocupação em janeiro, mas em fevereiro será um deserto, todos os meios de hospedagem estão jogando o preço lá embaixo para os quartos não ficarem ociosos.

Posso conseguir 100% de ocupação novamente em fevereiro, mas o faturamento cairá pela metade e todos pagamos nossas contas com lucro, não com quarto ou restaurante cheio.

A temporada deverá ser financeiramente péssima em fevereiro é o que mostram relatórios de gerenciamento de mercado que as plataformas de hospedagem me fornecem diariamente.

Exigente, o turista brasileiro quer roupas de cama e banho impecáveis (R$ 8,00 a lavanderia por casal); café da manhã de primeira (R$ 8,00 por pessoa); ar-condicionado trincando de frio (R$ 6,00 em média por dia); TV a cabo, Netflix etc. e quer pagar preço de pensão de rodoviária.

Além de exigente o brasileiro se hospeda por períodos menores, diferentemente dos estrangeiros que vêm para passar semana ou mais.

As aulas no Brasil começam na primeira semana de fevereiro e as dos argentinos na primeira semana de março. Eles poderiam nos salvar como fazem todos os anos, mas dessa vez também estão precisando de salvação.

O prefeito Fabrício Oliveira não gostou de manifestação dos hoteleiros sobre a temporada ruim porque, equivocadamente, ele acha que temporadas dependem dele, portanto todas precisam ser um sucesso.

Não dependem em nada de prefeito algum e sim da economia no Brasil e nos países emissores de turistas.

Ao prefeito cabe tão somente a obrigação -e não o favor- de manter a infraestrutura funcionando.

Infraestrutura esta que não foi feita por este prefeito e sim por todos que já repousaram seus glúteos naquela estofada cadeira da rua Dinamarca.

Aliás, no quesito qualidade das águas, regredimos terrivelmente, em decorrência principalmente da má gestão por parte do prefeito anterior e de um certo avança e recua do atual que às vezes parece mais indeciso do que poderia ser.

Por outro lado tem razão o prefeito Fabrício Oliveira quando diz que nossa cidade é ótima, todas as pessoas que hospedei, todos os turistas com quem conversei ao longos desses muitos anos ficaram maravilhadas.

Nesse ano, porém, a todos os meus hóspedes avisei que evitassem a praia central porque a qualidade da água é ruim, sugeri que fossem à Brava ou Interpraias.

O secretário do turismo, Miro Teixeira, também não gostou das críticas à temporada e foi menos habilidoso, jogou a culpa nos hoteleiros, alegando que eles não trabalharam de maneira apropriada o mercado interno.

Temporadas ruins não são novidade, ocorrem ciclicamente e sempre em decorrência de recessão econômica aqui ou na Argentina.

Dessa vez esses dois mercados estão estropiados, ou esqueceram que o Brasil ainda tem milhões de desempregados, crise fiscal das mais graves da sua história e crescimento pífio do PIB?

Com tudo isso, é justo dizer que foi ruim, mas poderia ter sido muito pior.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 17/01/2019 às 13h36 | waldemar@camboriu.com.br



Waldemar Cezar Neto

Assina a coluna Dedo na Moleira

Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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Dedo na Moleira
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Temporada foi fraca, mas poderia ter sido muito pior

Desde o Carnaval do ano passado eu hospedo turistas captados através de Booking e Airbnb.

Então, por minha própria experiência, posso afirmar que a temporada é fraca.

Obtive quase 100% de ocupação em janeiro, mas em fevereiro será um deserto, todos os meios de hospedagem estão jogando o preço lá embaixo para os quartos não ficarem ociosos.

Posso conseguir 100% de ocupação novamente em fevereiro, mas o faturamento cairá pela metade e todos pagamos nossas contas com lucro, não com quarto ou restaurante cheio.

A temporada deverá ser financeiramente péssima em fevereiro é o que mostram relatórios de gerenciamento de mercado que as plataformas de hospedagem me fornecem diariamente.

Exigente, o turista brasileiro quer roupas de cama e banho impecáveis (R$ 8,00 a lavanderia por casal); café da manhã de primeira (R$ 8,00 por pessoa); ar-condicionado trincando de frio (R$ 6,00 em média por dia); TV a cabo, Netflix etc. e quer pagar preço de pensão de rodoviária.

Além de exigente o brasileiro se hospeda por períodos menores, diferentemente dos estrangeiros que vêm para passar semana ou mais.

As aulas no Brasil começam na primeira semana de fevereiro e as dos argentinos na primeira semana de março. Eles poderiam nos salvar como fazem todos os anos, mas dessa vez também estão precisando de salvação.

O prefeito Fabrício Oliveira não gostou de manifestação dos hoteleiros sobre a temporada ruim porque, equivocadamente, ele acha que temporadas dependem dele, portanto todas precisam ser um sucesso.

Não dependem em nada de prefeito algum e sim da economia no Brasil e nos países emissores de turistas.

Ao prefeito cabe tão somente a obrigação -e não o favor- de manter a infraestrutura funcionando.

Infraestrutura esta que não foi feita por este prefeito e sim por todos que já repousaram seus glúteos naquela estofada cadeira da rua Dinamarca.

Aliás, no quesito qualidade das águas, regredimos terrivelmente, em decorrência principalmente da má gestão por parte do prefeito anterior e de um certo avança e recua do atual que às vezes parece mais indeciso do que poderia ser.

Por outro lado tem razão o prefeito Fabrício Oliveira quando diz que nossa cidade é ótima, todas as pessoas que hospedei, todos os turistas com quem conversei ao longos desses muitos anos ficaram maravilhadas.

Nesse ano, porém, a todos os meus hóspedes avisei que evitassem a praia central porque a qualidade da água é ruim, sugeri que fossem à Brava ou Interpraias.

O secretário do turismo, Miro Teixeira, também não gostou das críticas à temporada e foi menos habilidoso, jogou a culpa nos hoteleiros, alegando que eles não trabalharam de maneira apropriada o mercado interno.

Temporadas ruins não são novidade, ocorrem ciclicamente e sempre em decorrência de recessão econômica aqui ou na Argentina.

Dessa vez esses dois mercados estão estropiados, ou esqueceram que o Brasil ainda tem milhões de desempregados, crise fiscal das mais graves da sua história e crescimento pífio do PIB?

Com tudo isso, é justo dizer que foi ruim, mas poderia ter sido muito pior.

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 17/01/2019 às 13h36 | waldemar@camboriu.com.br



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