Jornal Página 3
Coluna
Dedo na Moleira
Por Waldemar Cezar Neto

Sanear a praia é mais importante do que alargá-la

Escuto cada vez mais moradores alegando que sanear a praia central de Balneário Camboriú, seriamente afetada por esgotos e arribação de algas e outros organismos, é mais importante do que o alargamento da faixa de areia e para mim não restam dúvidas que essa posição é correta.

Não custa lembrar que é falsa a tese que a faixa de areia encolheu, fotografias de décadas atrás mostram que a largura é a mesma.

E é verdadeira a tese que na Barra Sul precisamos de alargamento, para proteger a linha costeira, aquilo mesmo que o Spernau fez antes que o mar terminasse de levar avenida, calçadas e tudo o mais.

Todos os moradores mais antigos sabem que sempre tivemos uma faixa de areia mixuruca e para agravar os insensatos liquidaram com a restinga, a Avenida Atlântica foi construída sobre ela.

Por outro lado, se a praia central não for saneada Balneário Camboriú morrerá como destino turístico.

É questão não sei de quanto de tempo, mas morrerá porque praia e poluição não combinam.

Os exemplos de balneários que morreram se multiplicam pelo mundo.

Renovar a praia central, fazer um “lifting”, seria ótimo, mas penso que não é prioridade quando comparada com a necessidade de despoluição.

E é possível fazer o “lifting” sem alargar e investindo menos.

O problema maior é que despoluir não é tarefa fácil. Temos 80.000 pessoas cagando na nossa cabeça aí em Camboriú, além de uma enorme quantidade de irregularidades aqui mesmo.

Se eu fosse o prefeito daqui iria à justiça para tentar impedir que o prefeito de Camboriú emitisse alvarás de construção enquanto seu município não tiver esgoto.

Isso foi feito com sucesso numa praia do Rio Grande do Sul e o resultado foi que o prefeito atingido tratou rapidinho de implantar o saneamento.

O povo de Camboriú pode até não gostar de ler o que escrevo, porque a maioria nem percebe que foi vítima de uma imoralidade, o município concedeu à iniciativa privada o filé mignon (o fornecimento de água) e ficou para si com o osso (o tratamento do esgoto), um negócio que num mundo normal seria tratado como caso de polícia.

Exemplo próximo: no ano passado a justiça federal proibiu o prefeito de Porto Belo de conceder novos alvarás de construção pelo mesmo motivo, falta de esgoto.

Sei que minha opinião não vale nada, o prefeito de Balneário Camboriú irá alargar a praia porque quer se reeleger e acha que esse é o caminho.

Pode ser, mas ele corre o risco de alargar e não se reeleger.

Lembro que uma obra vital para a despoluição, um novo emissário de esgoto ligando a Barra Sul à ponte do rio Camboriú, teve sua licitação cancelada em julho e nunca mais tocaram no assunto, mesmo com o governo apanhando diariamente da opinião pública por causa do canal do Marambaia.

Esse nível de despreocupação com coisas prioritárias chega a assustar.

Além disso, quando bota ovo nosso prefeito não cacareja: no final do ano entregou a rede de esgoto na Barra e no São Judas, sem fazer sequer um discurso.

Vai entender político que pensa assim...

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 23/01/2019 às 09h41 | waldemar@camboriu.com.br



Waldemar Cezar Neto

Assina a coluna Dedo na Moleira

Lê, pesca, cozinha, escreve e é diretor chefe do Jornal Página 3.


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Sanear a praia é mais importante do que alargá-la

Escuto cada vez mais moradores alegando que sanear a praia central de Balneário Camboriú, seriamente afetada por esgotos e arribação de algas e outros organismos, é mais importante do que o alargamento da faixa de areia e para mim não restam dúvidas que essa posição é correta.

Não custa lembrar que é falsa a tese que a faixa de areia encolheu, fotografias de décadas atrás mostram que a largura é a mesma.

E é verdadeira a tese que na Barra Sul precisamos de alargamento, para proteger a linha costeira, aquilo mesmo que o Spernau fez antes que o mar terminasse de levar avenida, calçadas e tudo o mais.

Todos os moradores mais antigos sabem que sempre tivemos uma faixa de areia mixuruca e para agravar os insensatos liquidaram com a restinga, a Avenida Atlântica foi construída sobre ela.

Por outro lado, se a praia central não for saneada Balneário Camboriú morrerá como destino turístico.

É questão não sei de quanto de tempo, mas morrerá porque praia e poluição não combinam.

Os exemplos de balneários que morreram se multiplicam pelo mundo.

Renovar a praia central, fazer um “lifting”, seria ótimo, mas penso que não é prioridade quando comparada com a necessidade de despoluição.

E é possível fazer o “lifting” sem alargar e investindo menos.

O problema maior é que despoluir não é tarefa fácil. Temos 80.000 pessoas cagando na nossa cabeça aí em Camboriú, além de uma enorme quantidade de irregularidades aqui mesmo.

Se eu fosse o prefeito daqui iria à justiça para tentar impedir que o prefeito de Camboriú emitisse alvarás de construção enquanto seu município não tiver esgoto.

Isso foi feito com sucesso numa praia do Rio Grande do Sul e o resultado foi que o prefeito atingido tratou rapidinho de implantar o saneamento.

O povo de Camboriú pode até não gostar de ler o que escrevo, porque a maioria nem percebe que foi vítima de uma imoralidade, o município concedeu à iniciativa privada o filé mignon (o fornecimento de água) e ficou para si com o osso (o tratamento do esgoto), um negócio que num mundo normal seria tratado como caso de polícia.

Exemplo próximo: no ano passado a justiça federal proibiu o prefeito de Porto Belo de conceder novos alvarás de construção pelo mesmo motivo, falta de esgoto.

Sei que minha opinião não vale nada, o prefeito de Balneário Camboriú irá alargar a praia porque quer se reeleger e acha que esse é o caminho.

Pode ser, mas ele corre o risco de alargar e não se reeleger.

Lembro que uma obra vital para a despoluição, um novo emissário de esgoto ligando a Barra Sul à ponte do rio Camboriú, teve sua licitação cancelada em julho e nunca mais tocaram no assunto, mesmo com o governo apanhando diariamente da opinião pública por causa do canal do Marambaia.

Esse nível de despreocupação com coisas prioritárias chega a assustar.

Além disso, quando bota ovo nosso prefeito não cacareja: no final do ano entregou a rede de esgoto na Barra e no São Judas, sem fazer sequer um discurso.

Vai entender político que pensa assim...

Escrito por Waldemar Cezar Neto, 23/01/2019 às 09h41 | waldemar@camboriu.com.br



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