Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

A obra de Fernando Jorge

Romancista, cronista, ensaísta, dicionarista, crítico literário e polemista consumado, Fernando Jorge tem se notabilizado como exímio biógrafo. Gênero dos mais exigentes, a biografia depende de grande conhecimento em vários campos do saber, em especial da história, da sociologia e da própria psicologia humana para bem colocar o biografado no seu contexto e interpretar com segurança seus atos e ações. Exige ainda, e de maneira muito especial, a capacidade de narrar de tal forma a exibir o personagem vivo, agindo e reagindo, e não se limitando à mera exposição fria e mecânica de suas atividades durante a jornada terrena. Como se percebe, não se trata de tarefa fácil, tanto que inúmeras biografias não alcançam esse patamar e não passam de meros relatos fastidiosos e sem apelo ao leitor.

Entre as biografias que realizou, destacam-se as de Martinho Lutero, Getúlio Vargas, Paulo Setúbal, Olavo Bilac. Aleijadinho e Santos Dumont, sem contar inúmeras obras de outros gêneros, sempre fundamentadas e minuciosas. Está publicando agora a quinta edição de “As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont” (Harper Collins Brasil – S. Paulo – 2018), monumental ensaio biográfico que se impõe como definitivo do genial inventor mineiro. Alentado volume, com mais de quinhentas páginas, contém a exposição revista e ampliada da vida e das realizações de Dumont, sempre lastreada em criteriosas fontes de informação e cotejadas com a documentação existente. Como de costume, o autor não se contenta com pouco e vai a fundo em cada detalhe, buscando sempre a mais pura verdade. O livro é rico também em material iconográfico, exibindo raras e curiosas fotografias.

A obra vem sendo aclamada pela melhor crítica. Segundo a “Folha de S. Paulo”, o autor “associa seu laborioso trabalho de pesquisa a um texto bem cuidado e atraente. E é bom e oportuno que seja assim, que se enfoque com a merecida grandeza a importância desse mineiro ilustre que foi Santos Dumont. Todos os esforços nesse sentido são válidos e justos para referendar a excepcional contribuição do nosso inventor genial para o desenvolvimento tecnológico da aeronáutica.” O editor Luiz Fernando Emediato, por sua vez, afirmou que o livro é “uma longa, paciente e rigorosa pesquisa, expressa em texto claro, fluente e agradável.” E Brito Broca, referindo-se a outra obra de Fernando Jorge, declarou: “Livros dessa espécie, feitos com talento, amor e honestidade, constituem obra imorredoura.”

Com efeito, a leitura aprisiona o leitor que vai, página por página, desvendando a vida do menino que gostava de balões, dos pássaros e das máquinas, e que, mais tarde, com imensa coragem, singrou por ares nunca dantes navegados, até alcançar a glória nos céus de Paris e conquistar a consagração mundial. Focaliza os amores de Dumont e o seu propósito de permanecer solteiro “porque desejava ser livre para arriscar a vida como entendesse, sem causar dano a ninguém.” Aspectos delicados de sua vida são abordados de maneira discreta, inclusive a depressão que o levou ao trágico suicídio. É, enfim, um retrato de corpo inteiro, minucioso e veraz do notável inventor.

Fernando Jorge lançou outros livros de grande sucesso, entre os quais o célebre “Cale a boca, jornalista!”, levantamento bem documentado das agressões aos homens da imprensa em nosso país; “Vida e obra do plagiário Paulo Francis”, esmiuçando a obra do polêmico jornalista; “A Academia do fardão e da confusão”, abordando as grandezas e misérias daquele sodalício ao longo de sua história; “Se não fosse o Brasil, jamais Barak Obama teria nascido”, sustentando curiosa e inédita tese. Seu livro “Hitler, retrato de uma tirania”, fruto de dez anos de pesquisa, vai ser traduzido em vários países, inclusive na Alemanha. Mesmo com tão intensa produção, Fernando Jorge milita de maneira incansável na imprensa escrita.

Em reconhecimento à sua obra, recebeu o Prêmio Jabuti, o Prêmio Clio, a Medalha Koeler e o diploma e o medalhão comemorativo do centenário de nascimento de Santos Dumont, conferidos pelo Ministério da Aeronáutica. Polêmicas célebres, por ele travadas com bravura e conhecimento, integram os anais jornalísticos do país. É hoje um dos mais conhecidos e lidos escritores nacionais.

Escrito por Enéas Athanázio, 08/05/2018 às 10h57 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.














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A obra de Fernando Jorge

Romancista, cronista, ensaísta, dicionarista, crítico literário e polemista consumado, Fernando Jorge tem se notabilizado como exímio biógrafo. Gênero dos mais exigentes, a biografia depende de grande conhecimento em vários campos do saber, em especial da história, da sociologia e da própria psicologia humana para bem colocar o biografado no seu contexto e interpretar com segurança seus atos e ações. Exige ainda, e de maneira muito especial, a capacidade de narrar de tal forma a exibir o personagem vivo, agindo e reagindo, e não se limitando à mera exposição fria e mecânica de suas atividades durante a jornada terrena. Como se percebe, não se trata de tarefa fácil, tanto que inúmeras biografias não alcançam esse patamar e não passam de meros relatos fastidiosos e sem apelo ao leitor.

Entre as biografias que realizou, destacam-se as de Martinho Lutero, Getúlio Vargas, Paulo Setúbal, Olavo Bilac. Aleijadinho e Santos Dumont, sem contar inúmeras obras de outros gêneros, sempre fundamentadas e minuciosas. Está publicando agora a quinta edição de “As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont” (Harper Collins Brasil – S. Paulo – 2018), monumental ensaio biográfico que se impõe como definitivo do genial inventor mineiro. Alentado volume, com mais de quinhentas páginas, contém a exposição revista e ampliada da vida e das realizações de Dumont, sempre lastreada em criteriosas fontes de informação e cotejadas com a documentação existente. Como de costume, o autor não se contenta com pouco e vai a fundo em cada detalhe, buscando sempre a mais pura verdade. O livro é rico também em material iconográfico, exibindo raras e curiosas fotografias.

A obra vem sendo aclamada pela melhor crítica. Segundo a “Folha de S. Paulo”, o autor “associa seu laborioso trabalho de pesquisa a um texto bem cuidado e atraente. E é bom e oportuno que seja assim, que se enfoque com a merecida grandeza a importância desse mineiro ilustre que foi Santos Dumont. Todos os esforços nesse sentido são válidos e justos para referendar a excepcional contribuição do nosso inventor genial para o desenvolvimento tecnológico da aeronáutica.” O editor Luiz Fernando Emediato, por sua vez, afirmou que o livro é “uma longa, paciente e rigorosa pesquisa, expressa em texto claro, fluente e agradável.” E Brito Broca, referindo-se a outra obra de Fernando Jorge, declarou: “Livros dessa espécie, feitos com talento, amor e honestidade, constituem obra imorredoura.”

Com efeito, a leitura aprisiona o leitor que vai, página por página, desvendando a vida do menino que gostava de balões, dos pássaros e das máquinas, e que, mais tarde, com imensa coragem, singrou por ares nunca dantes navegados, até alcançar a glória nos céus de Paris e conquistar a consagração mundial. Focaliza os amores de Dumont e o seu propósito de permanecer solteiro “porque desejava ser livre para arriscar a vida como entendesse, sem causar dano a ninguém.” Aspectos delicados de sua vida são abordados de maneira discreta, inclusive a depressão que o levou ao trágico suicídio. É, enfim, um retrato de corpo inteiro, minucioso e veraz do notável inventor.

Fernando Jorge lançou outros livros de grande sucesso, entre os quais o célebre “Cale a boca, jornalista!”, levantamento bem documentado das agressões aos homens da imprensa em nosso país; “Vida e obra do plagiário Paulo Francis”, esmiuçando a obra do polêmico jornalista; “A Academia do fardão e da confusão”, abordando as grandezas e misérias daquele sodalício ao longo de sua história; “Se não fosse o Brasil, jamais Barak Obama teria nascido”, sustentando curiosa e inédita tese. Seu livro “Hitler, retrato de uma tirania”, fruto de dez anos de pesquisa, vai ser traduzido em vários países, inclusive na Alemanha. Mesmo com tão intensa produção, Fernando Jorge milita de maneira incansável na imprensa escrita.

Em reconhecimento à sua obra, recebeu o Prêmio Jabuti, o Prêmio Clio, a Medalha Koeler e o diploma e o medalhão comemorativo do centenário de nascimento de Santos Dumont, conferidos pelo Ministério da Aeronáutica. Polêmicas célebres, por ele travadas com bravura e conhecimento, integram os anais jornalísticos do país. É hoje um dos mais conhecidos e lidos escritores nacionais.

Escrito por Enéas Athanázio, 08/05/2018 às 10h57 | e.atha@terra.com.br



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Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.