Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

A VIDA E OS LIVROS

Com o surgimento da Internet muitos pregoeiros anunciaram o fim do livro impresso. Ledo engano. Nunca se publicaram tantos livros, no Brasil e no mundo, como nos dias de hoje. E o mais curioso é que inúmeras publicações são de livros volumosos, com numerosas páginas, justamente aqueles que diziam ser os primeiros a desaparecer porque os leitores não disporiam de tempo para enfrentá-los. Ainda bem que esse instrumento da cultura e do saber prossegue na sua faina de educar e esclarecer. Merecem pena os que não leem; não sabem o que perdem.

A importância da leitura na vida das pessoas vem merecendo constantes estudos e pesquisas, não apenas no aspecto cultural e pedagógico, mas também no sentido material. Recente pesquisa da Universidade Yale, noticiada pelos jornais, concluiu que a leitura de livros aumenta a longevidade das pessoas, mostrando que aqueles que são dados à leitura de livros têm redução de 20% no risco de mortalidade. Está aí mais um motivo significativo para incrementar o hábito da leitura, além de outros bem conhecidos.

Durante doze anos muitas pessoas foram observadas e os pesquisadores notaram “uma bela vantagem na sobrevivência daqueles que liam em média 30 minutos por dia, quando comparados a não leitores.” A pesquisa ainda afirma que “livros propiciam uma leitura imersiva, na qual o leitor consegue fazer conexões entre o que está sendo lido e o mundo ao redor, as possíveis aplicações daquilo na vida real.” É fácil distinguir, no contato pessoal, a sensível diferença entre uma pessoa que lê e aquela que não é dada à leitura. A diferença salta aos olhos nos primeiros contatos.

Destaca ainda o estudo que “vocabulário, concentração, pensamento crítico, empatia, comportamentos mais saudáveis e menos estresse” melhoram com a leitura costumeira e “podem levar a uma vida mais longa.” O livro melhora a saúde mental. É interessante notar que a leitura de jornais e revistas não tem o mesmo resultado positivo que a leitura do livro. A leitura informativa é mais pesada e, por isso, menos saudável. A leitura de livros, por outro lado, ensina métodos e cuidados para preservar a boa saúde, fato que também contribui para aumentar a longevidade.

Embora venha aumentando o número de leitores no Brasil, inclusive em face do crescimento da população, o brasileiro em geral lê pouco. Segundo levantamentos, 46% dos brasileiros alfabetizados não leem jornais e revistas e 73% só assistem televisão nos horários de folga. O gosto pela leitura vai decaindo no correr da idade e os mais idosos são os que menos têm o hábito da leitura. Ora, a leitura abre novos horizontes, sendo intuitivo que o Brasil seria um país melhor se os brasileiros lessem mais. Votariam com mais critério, não se deixariam embair por demagogos e salvadores da pátria, perceberiam com mais clareza as maquinações que a grande mídia esconde e não elegeriam tiriricas, romários, malufs, felicianos e quejandos. Mas a leitura é uma atividade a dois e exige atenção do leitor, concentração e um mínimo de imaginação para entender o texto. É mais fácil se entregar ao audiovisual, recebendo tudo feito e acabado, sem necessitar de imaginação ou de esforço.

No entanto, como já dizia Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros. Enquanto a população como um todo não for conscientizada disso, iremos aos trancos e barrancos pela estrada estreita da política rasteira.

Escrito por Enéas Athanázio, 23/07/2018 às 12h06 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

A VIDA E OS LIVROS

Com o surgimento da Internet muitos pregoeiros anunciaram o fim do livro impresso. Ledo engano. Nunca se publicaram tantos livros, no Brasil e no mundo, como nos dias de hoje. E o mais curioso é que inúmeras publicações são de livros volumosos, com numerosas páginas, justamente aqueles que diziam ser os primeiros a desaparecer porque os leitores não disporiam de tempo para enfrentá-los. Ainda bem que esse instrumento da cultura e do saber prossegue na sua faina de educar e esclarecer. Merecem pena os que não leem; não sabem o que perdem.

A importância da leitura na vida das pessoas vem merecendo constantes estudos e pesquisas, não apenas no aspecto cultural e pedagógico, mas também no sentido material. Recente pesquisa da Universidade Yale, noticiada pelos jornais, concluiu que a leitura de livros aumenta a longevidade das pessoas, mostrando que aqueles que são dados à leitura de livros têm redução de 20% no risco de mortalidade. Está aí mais um motivo significativo para incrementar o hábito da leitura, além de outros bem conhecidos.

Durante doze anos muitas pessoas foram observadas e os pesquisadores notaram “uma bela vantagem na sobrevivência daqueles que liam em média 30 minutos por dia, quando comparados a não leitores.” A pesquisa ainda afirma que “livros propiciam uma leitura imersiva, na qual o leitor consegue fazer conexões entre o que está sendo lido e o mundo ao redor, as possíveis aplicações daquilo na vida real.” É fácil distinguir, no contato pessoal, a sensível diferença entre uma pessoa que lê e aquela que não é dada à leitura. A diferença salta aos olhos nos primeiros contatos.

Destaca ainda o estudo que “vocabulário, concentração, pensamento crítico, empatia, comportamentos mais saudáveis e menos estresse” melhoram com a leitura costumeira e “podem levar a uma vida mais longa.” O livro melhora a saúde mental. É interessante notar que a leitura de jornais e revistas não tem o mesmo resultado positivo que a leitura do livro. A leitura informativa é mais pesada e, por isso, menos saudável. A leitura de livros, por outro lado, ensina métodos e cuidados para preservar a boa saúde, fato que também contribui para aumentar a longevidade.

Embora venha aumentando o número de leitores no Brasil, inclusive em face do crescimento da população, o brasileiro em geral lê pouco. Segundo levantamentos, 46% dos brasileiros alfabetizados não leem jornais e revistas e 73% só assistem televisão nos horários de folga. O gosto pela leitura vai decaindo no correr da idade e os mais idosos são os que menos têm o hábito da leitura. Ora, a leitura abre novos horizontes, sendo intuitivo que o Brasil seria um país melhor se os brasileiros lessem mais. Votariam com mais critério, não se deixariam embair por demagogos e salvadores da pátria, perceberiam com mais clareza as maquinações que a grande mídia esconde e não elegeriam tiriricas, romários, malufs, felicianos e quejandos. Mas a leitura é uma atividade a dois e exige atenção do leitor, concentração e um mínimo de imaginação para entender o texto. É mais fácil se entregar ao audiovisual, recebendo tudo feito e acabado, sem necessitar de imaginação ou de esforço.

No entanto, como já dizia Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros. Enquanto a população como um todo não for conscientizada disso, iremos aos trancos e barrancos pela estrada estreita da política rasteira.

Escrito por Enéas Athanázio, 23/07/2018 às 12h06 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade