Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

UM LIVRO ENCICLOPÉDICO

A língua é o maior patrimônio cultural de um povo. Ela registra sua história, lutas, conquistas, vitórias e derrotas. Documenta, enfim, a própria existência do povo e sua transformação em nação. Acima de tudo, permite a comunicação e o entendimento entre as pessoas. É uma entidade viva, em constante transformação, absorvendo influências de outras línguas e criando palavras novas em função do meio e das circunstâncias históricas. É merecedora do maior respeito. O perfeito domínio de uma língua é tarefa complexa, exigindo dedicação e estudo.

Numerosas são as línguas conhecidas, parte delas com seus dialetos, muitas faladas por grande quantidade de pessoas e em permanente expansão, outras minguando por ausência de falantes e até se extinguindo. Segundo a lenda, a diversidade linguística foi um castigo aplicado à pretensão humana de chegar ao céu com a construção da Torre de Babel. Os trabalhadores se desentenderam e as línguas se transformaram em sério obstáculo ao convívio humano. Para solucionar o problema, várias tentativas de criar uma língua universal aconteceram ao longo da História, a exemplo do Esperanto.

Muitas línguas de grande importância no passado desapareceram mas delas se originaram outras, vivas e faladas até hoje por grandes multidões ao redor do planeta. Foi o caso do Latim, idioma oficial da poderosa Roma, e das línguas germânicas faladas ao norte da Europa. Insatisfeito com as informações encontradas sobre o tema, o Prof. Adovaldo Fernandes Sampaio, filólogo e humanista de renome, se entregou à árdua tarefa de empreender um levantamento tão completo quanto possível das línguas e dialetos neolatinos e germânicos, cujo número se revelou maior do que o imaginado. Depois de uma pesquisa exaustiva, percorrendo imensa bibliografia, e se valendo de questionários submetidos a inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo, deu a público o livro “Línguas e Dialetos Românicos e Germânicos”, publicado pela Editora Kelps (Goiânia – 2010). Trata-se de uma obra enciclopédica pela incrível quantidade de elementos informativos, realizada com apurado didatismo, fundamentada em sólidas fontes e elaborada com esmero.

Abre-se o livro com um quadro geral das línguas e dialetos românicos (Orbis Romanus) e que são os seguintes: Português, Galego, Francês (D’Oil e D’Oc), Valão, Italiano, Piemontês, Genovês, Espanhol, Moçárabe, Aragonês, Asturiano, Catalão, Occitano, Franco-Provençal, Reto-Românico, Sardo, Corso, Dálmata e Romeno. Fornece, a seguir, minuciosas informações a respeito de cada uma e relaciona seus múltiplos dialetos. Ficou-me a impressão de que o Italiano é a que conta com maior número de dialetos, sendo a Itália um país multilíngue. É impressionante a riqueza linguística que herdamos do Latim, idioma hoje descurado e cujos rudimentos não são ministrados nem sequer aos acadêmicos de cursos de Direito e que muito contribuiriam para a compreensão dos numerosos institutos jurídicos que nos vieram de Roma. Como elemento de comparação entre os diversos idiomas, o Autor publica o Pai-Nosso e a Ave-Maria traduzidos para cada um deles.

Idêntico processo é usado em relação aos idiomas germânicos, com o acréscimo de um minidicionário. São curiosidades as orações mencionadas vertidas ao Iídiche, ou judeo-alemão, escritas em caracteres hebraicos que mais parecem elaborados desenhos. Não são menos curiosas em Africâner. Não poucas línguas germânicas soam estranhas aos nossos ouvidos.

O alentado livro revela um Autor de vasta erudição, conhecimento linguístico e histórico, inclusive da História antiga de vários povos, e também da Geografia com suas mutações no correr dos tempos em virtude de guerras, invasões, disputas territoriais e toda sorte de contatos entre povos diferentes que conduziram suas línguas nativas, ocasionando recíprocas modificações. Só a visão panorâmica e segura do Autor permitiu a realização desta obra.

Para encerrar, permito-me transcrever a Ave-Maria em Latim, lembrando os distantes tempos em que tínhamos que rezá-la antes das refeições no velho internato:

Ave, Maria!

Ave, Maria, gratia plena;
Dominus tecum;
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus
ventris tui Jesus.

Sancta Maria,
mater Dei, ora pro nobis
peccatoribus, nunc et in
hora mortis nostrae.
Amen.

Escrito por Enéas Athanázio, 20/08/2018 às 15h27 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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A língua é o maior patrimônio cultural de um povo. Ela registra sua história, lutas, conquistas, vitórias e derrotas. Documenta, enfim, a própria existência do povo e sua transformação em nação. Acima de tudo, permite a comunicação e o entendimento entre as pessoas. É uma entidade viva, em constante transformação, absorvendo influências de outras línguas e criando palavras novas em função do meio e das circunstâncias históricas. É merecedora do maior respeito. O perfeito domínio de uma língua é tarefa complexa, exigindo dedicação e estudo.

Numerosas são as línguas conhecidas, parte delas com seus dialetos, muitas faladas por grande quantidade de pessoas e em permanente expansão, outras minguando por ausência de falantes e até se extinguindo. Segundo a lenda, a diversidade linguística foi um castigo aplicado à pretensão humana de chegar ao céu com a construção da Torre de Babel. Os trabalhadores se desentenderam e as línguas se transformaram em sério obstáculo ao convívio humano. Para solucionar o problema, várias tentativas de criar uma língua universal aconteceram ao longo da História, a exemplo do Esperanto.

Muitas línguas de grande importância no passado desapareceram mas delas se originaram outras, vivas e faladas até hoje por grandes multidões ao redor do planeta. Foi o caso do Latim, idioma oficial da poderosa Roma, e das línguas germânicas faladas ao norte da Europa. Insatisfeito com as informações encontradas sobre o tema, o Prof. Adovaldo Fernandes Sampaio, filólogo e humanista de renome, se entregou à árdua tarefa de empreender um levantamento tão completo quanto possível das línguas e dialetos neolatinos e germânicos, cujo número se revelou maior do que o imaginado. Depois de uma pesquisa exaustiva, percorrendo imensa bibliografia, e se valendo de questionários submetidos a inúmeras pessoas espalhadas pelo mundo, deu a público o livro “Línguas e Dialetos Românicos e Germânicos”, publicado pela Editora Kelps (Goiânia – 2010). Trata-se de uma obra enciclopédica pela incrível quantidade de elementos informativos, realizada com apurado didatismo, fundamentada em sólidas fontes e elaborada com esmero.

Abre-se o livro com um quadro geral das línguas e dialetos românicos (Orbis Romanus) e que são os seguintes: Português, Galego, Francês (D’Oil e D’Oc), Valão, Italiano, Piemontês, Genovês, Espanhol, Moçárabe, Aragonês, Asturiano, Catalão, Occitano, Franco-Provençal, Reto-Românico, Sardo, Corso, Dálmata e Romeno. Fornece, a seguir, minuciosas informações a respeito de cada uma e relaciona seus múltiplos dialetos. Ficou-me a impressão de que o Italiano é a que conta com maior número de dialetos, sendo a Itália um país multilíngue. É impressionante a riqueza linguística que herdamos do Latim, idioma hoje descurado e cujos rudimentos não são ministrados nem sequer aos acadêmicos de cursos de Direito e que muito contribuiriam para a compreensão dos numerosos institutos jurídicos que nos vieram de Roma. Como elemento de comparação entre os diversos idiomas, o Autor publica o Pai-Nosso e a Ave-Maria traduzidos para cada um deles.

Idêntico processo é usado em relação aos idiomas germânicos, com o acréscimo de um minidicionário. São curiosidades as orações mencionadas vertidas ao Iídiche, ou judeo-alemão, escritas em caracteres hebraicos que mais parecem elaborados desenhos. Não são menos curiosas em Africâner. Não poucas línguas germânicas soam estranhas aos nossos ouvidos.

O alentado livro revela um Autor de vasta erudição, conhecimento linguístico e histórico, inclusive da História antiga de vários povos, e também da Geografia com suas mutações no correr dos tempos em virtude de guerras, invasões, disputas territoriais e toda sorte de contatos entre povos diferentes que conduziram suas línguas nativas, ocasionando recíprocas modificações. Só a visão panorâmica e segura do Autor permitiu a realização desta obra.

Para encerrar, permito-me transcrever a Ave-Maria em Latim, lembrando os distantes tempos em que tínhamos que rezá-la antes das refeições no velho internato:

Ave, Maria!

Ave, Maria, gratia plena;
Dominus tecum;
benedicta tu in mulieribus
et benedictus fructus
ventris tui Jesus.

Sancta Maria,
mater Dei, ora pro nobis
peccatoribus, nunc et in
hora mortis nostrae.
Amen.

Escrito por Enéas Athanázio, 20/08/2018 às 15h27 | e.atha@terra.com.br



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Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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