Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

Poesia, Humor & Crítica

Erudito e exigente, Leontino Filho é um poeta sofisticado, autor de uma obra que desafia a imaginação e toca o sentimento de leitores que apreciam a grande poesia. Sua produção é pensada, burilada esmerada, buscando sempre a perfeição do “le mot juste” para exprimir com total precisão suas ideias. É uma poética que exige convivência, pede concentração, quer reflexão para chegar ao seu âmago. Seus livros não são para ler às pressas. São para morar, como dizia Monteiro Lobato, e que possam ser lidos, relidos e treslidos sem que se esgotem. É por isso que não tenho largado sua mais recente obra, “A Anatomia do Ócio” (ABC Edições – Fortaleza – 2018). O livro tem excelente apresentação de Floriano Martins, que vem se revelando arguto analista literário, e esmerada feição gráfica.
O livro se desdobra em cinco capítulos: Reparo das Coisas, Saliência dos Afetos, Vexame dos Pesos, Fruição dos Sigilos e Meninez das Palavras. O simples enunciado dá ao leitor uma indicação da vastidão dos voos do poeta e dos páramos por onde navegou sua imaginação, ratificando a velha afirmação de que todo grande poeta é um filósofo.
No capítulo de abertura, conclui o poeta: “terra – poucas coisas/ encaixam-se/ simplesmente na/ melancólica e majestosa/ poeira – muitas coisas/ modificam-se/ ferozmente no/ subterrâneo e predestinado/ pó – muito pouca coisa/ turva-se/ enquanto barro/ aos olhos de um lugar/ cheio de tudo/ essa estrada/ estendida/ avança e avança/ a nada se iguala/ formigueiro gelatinoso/ sob os pés/ hospeda lama.”
Que coisas serão essas?
Em Anatomia do Nome, escreveu ele: “divisa – existe um destino/ que vigia os outros/ na semipenunbra da casa.”
Que destino será esse?
Com tais indagações, deixo ao leitor o convite para ler Leontino Filho e viajar com ele pelos caminhos da imaginação sem limites. Vale a pena!
_________________________
Professor aposentado de língua e literatura, Cláudio Feldman é um trabalhador incansável. Várias vezes o encontrei em São Paulo no corpo-a-corpo para difundir a sua obra. Sempre esteve ligado a diversas modalidades artísticas: cinema (ator e roteirista), teatro (autor), artes plásticas (desenho e colagem), jornalismo (artigos culturais, direção do “Jornal da Taturana”, com Moacir Torres), veiculação de livros pela Editora Taturana) e televisão (comerciais e minisséries).
Em primeiro plano, porém, esteve sempre a literatura. Nunca cessou de produzir. Como dizem os campeiros, escrever, para ele, é uma segunda natureza. Tem 55 livros publicados contendo poesia, contos, romance, topocrônica, literatura infantil, teatro e humor. Neste último gênero, entre outros, publicou “O rapto da mulher barbada”, “O encantador de minhocas”, “Sopa de vespas”, “Ossos de borboleta”, “Pastilhas de cianureto”, “Cama de pregos” etc. É de uma criatividade espantosa e dono de um “sense of humour” sutil e ferino.
Neste ano, publicou o livro “A vida anárquica de Horácio Peludo”, que ele rotula como ficção humorística (Editora Taturana – S. Paulo – 2018). O personagem central, no correr do livro, é colocado nas mais incríveis situações, sempre de forma criativa e engraçada, a começar pelo prefácio de cinco linhas com o qual introduz Horácio Peludo no mundo. Ele entra em cena dando declarações ao jornal Gazeta do Butantã, cuja redação visitou, “para apresentar suas despedidas públicas. Pretende se regenerar.” Observação: ele é deputado federal. . .
Em seguida, como delegado, intima certa Mary Posa a fechar sua casa suspeita porque fica nas proximidades do Jardim da Infância Olavo Bilac “que não deveria assistir a tais espetáculos, principalmente quando o ator principal é o próprio Horácio.”
Já como crítico literário, Horácio declara que não gosta do “best-seller” chamado Lista Telefônica de São Paulo “pois tem personagens demais.”
Além disso, iremos encontrá-lo em numerosas outras situações, inclusive concedendo entrevista sobre dados pessoais e se submetendo a sessões psicanalíticas. Sempre imprevisível e pronto a despertar o humor, aliviando a tensão dos dias soturnos que vivemos.
Seja bem-vindo, Horácio Peludo!
___________________________
Completando as Obras Completas de William Agel de Mello, foi lançado o quinto volume, contendo a Fortuna Crítica do autor. Diplomata, linguista, ficcionista e historiador, ele reuniu neste alentado volume (710 páginas), em tamanho grande, as manifestações dos analistas sobre sua produção nos vários gêneros a que se dedica. Aparecem as opiniões publicadas em livros, revistas, jornais, correspondência, Wikipédia, Internet, além da relação de títulos literários, honra ao mérito, medalhas, prêmios, relação das bibliotecas estrangeiras que possuem seus livros e um completo curriculum do autor. É um trabalho meticuloso, englobando manifestações de críticos de renome, estampadas nos mais importantes órgãos da imprensa de todo o país. Registra com justiça a dimensão e a importância da obra do autor e abre as portas para o perfeito entendimento da mesma. Está de parabéns William Agel de Mello por tão significativo complemento de sua vasta e profícua realização no campo das letras. O livro foi publicado pela Editora Kelps (Goiânia – 2018).
_______________________
Registro, por fim, o lamçamento de mais um número da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (55), um dos mais importantes periódicos do gênero. Dirigido pelo acadêmico Manoel Onofre Jr. e tendo como editor o escritor Thiago Gonzaga, registra a vida acadêmica e cultural daquele Estado. Destaco os discursos de posse do novel acadêmico Clauder Arcano e de saudação pelo referido Manoel Onofre Jr., além do excelente artigo de Valério Andrade sobre as relações de Lima Barreto com o jornal Correio da Manhã. Thiago Gonzaga dá a público a segunda parte de sua crônica memorialista em texto de admirável sinceeridade.

Escrito por Enéas Athanázio, 24/09/2018 às 16h29 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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Erudito e exigente, Leontino Filho é um poeta sofisticado, autor de uma obra que desafia a imaginação e toca o sentimento de leitores que apreciam a grande poesia. Sua produção é pensada, burilada esmerada, buscando sempre a perfeição do “le mot juste” para exprimir com total precisão suas ideias. É uma poética que exige convivência, pede concentração, quer reflexão para chegar ao seu âmago. Seus livros não são para ler às pressas. São para morar, como dizia Monteiro Lobato, e que possam ser lidos, relidos e treslidos sem que se esgotem. É por isso que não tenho largado sua mais recente obra, “A Anatomia do Ócio” (ABC Edições – Fortaleza – 2018). O livro tem excelente apresentação de Floriano Martins, que vem se revelando arguto analista literário, e esmerada feição gráfica.
O livro se desdobra em cinco capítulos: Reparo das Coisas, Saliência dos Afetos, Vexame dos Pesos, Fruição dos Sigilos e Meninez das Palavras. O simples enunciado dá ao leitor uma indicação da vastidão dos voos do poeta e dos páramos por onde navegou sua imaginação, ratificando a velha afirmação de que todo grande poeta é um filósofo.
No capítulo de abertura, conclui o poeta: “terra – poucas coisas/ encaixam-se/ simplesmente na/ melancólica e majestosa/ poeira – muitas coisas/ modificam-se/ ferozmente no/ subterrâneo e predestinado/ pó – muito pouca coisa/ turva-se/ enquanto barro/ aos olhos de um lugar/ cheio de tudo/ essa estrada/ estendida/ avança e avança/ a nada se iguala/ formigueiro gelatinoso/ sob os pés/ hospeda lama.”
Que coisas serão essas?
Em Anatomia do Nome, escreveu ele: “divisa – existe um destino/ que vigia os outros/ na semipenunbra da casa.”
Que destino será esse?
Com tais indagações, deixo ao leitor o convite para ler Leontino Filho e viajar com ele pelos caminhos da imaginação sem limites. Vale a pena!
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Professor aposentado de língua e literatura, Cláudio Feldman é um trabalhador incansável. Várias vezes o encontrei em São Paulo no corpo-a-corpo para difundir a sua obra. Sempre esteve ligado a diversas modalidades artísticas: cinema (ator e roteirista), teatro (autor), artes plásticas (desenho e colagem), jornalismo (artigos culturais, direção do “Jornal da Taturana”, com Moacir Torres), veiculação de livros pela Editora Taturana) e televisão (comerciais e minisséries).
Em primeiro plano, porém, esteve sempre a literatura. Nunca cessou de produzir. Como dizem os campeiros, escrever, para ele, é uma segunda natureza. Tem 55 livros publicados contendo poesia, contos, romance, topocrônica, literatura infantil, teatro e humor. Neste último gênero, entre outros, publicou “O rapto da mulher barbada”, “O encantador de minhocas”, “Sopa de vespas”, “Ossos de borboleta”, “Pastilhas de cianureto”, “Cama de pregos” etc. É de uma criatividade espantosa e dono de um “sense of humour” sutil e ferino.
Neste ano, publicou o livro “A vida anárquica de Horácio Peludo”, que ele rotula como ficção humorística (Editora Taturana – S. Paulo – 2018). O personagem central, no correr do livro, é colocado nas mais incríveis situações, sempre de forma criativa e engraçada, a começar pelo prefácio de cinco linhas com o qual introduz Horácio Peludo no mundo. Ele entra em cena dando declarações ao jornal Gazeta do Butantã, cuja redação visitou, “para apresentar suas despedidas públicas. Pretende se regenerar.” Observação: ele é deputado federal. . .
Em seguida, como delegado, intima certa Mary Posa a fechar sua casa suspeita porque fica nas proximidades do Jardim da Infância Olavo Bilac “que não deveria assistir a tais espetáculos, principalmente quando o ator principal é o próprio Horácio.”
Já como crítico literário, Horácio declara que não gosta do “best-seller” chamado Lista Telefônica de São Paulo “pois tem personagens demais.”
Além disso, iremos encontrá-lo em numerosas outras situações, inclusive concedendo entrevista sobre dados pessoais e se submetendo a sessões psicanalíticas. Sempre imprevisível e pronto a despertar o humor, aliviando a tensão dos dias soturnos que vivemos.
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Registro, por fim, o lamçamento de mais um número da Revista da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras (55), um dos mais importantes periódicos do gênero. Dirigido pelo acadêmico Manoel Onofre Jr. e tendo como editor o escritor Thiago Gonzaga, registra a vida acadêmica e cultural daquele Estado. Destaco os discursos de posse do novel acadêmico Clauder Arcano e de saudação pelo referido Manoel Onofre Jr., além do excelente artigo de Valério Andrade sobre as relações de Lima Barreto com o jornal Correio da Manhã. Thiago Gonzaga dá a público a segunda parte de sua crônica memorialista em texto de admirável sinceeridade.

Escrito por Enéas Athanázio, 24/09/2018 às 16h29 | e.atha@terra.com.br



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