Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

O jornal do sábio

O escritor pernambucano Antonio Fernando de Andrade vem publicando há vários anos um periódico sui generis que já se tornou conhecido em todo o país. Em formato de panfleto e muito bem ilustrado, é de uma criatividade incrível no encarar a realidade nacional. Com grande coragem editorial e esbanjando humor, ele põe a nu as mazelas brasileiras em charges que nada perdoam. O sucesso tem sido enorme e a publicação já superou os 1235 números.

Nos exemplares que tenho em mãos, - os mais recentes que recebi, - ele comenta assuntos sempre presentes no noticiário, como o estado precário da saúde pública. Diógenes – escreve ele – sai com sua lanterna não à procura de um homem mas à procura de um remédio nos postos de saúde... Veja os direitos do povo, alerta ele diante de um quadro em branco, para concluir: Você não é deficiente visual! E continua: No Século XXX arqueólogos descobrem ruínas no Brasil: o povo era humilhado, explorado e esquecido. Para compensar, quase foi aprovado no Congresso projeto para beneficiar o povo. Não fosse o quase... Em compensação, o povo está livre da depressão, pois chegou o cartão propina.

A má qualidade da educação não escapa. O professor, afirma ele, é uma espécie em extinção. E o maior sonho de muitos é ter um professor alfabetizado. A indispensável reforma da educação prevê os seguintes itens: exportar analfabetos, atualizar o livro sem páginas, incluir a fofoca no primeiro grau e colocar no lixo as cotas para livros. Será perfeita! E agora que reformamos, legislamos e desviamos, o que mais deseja o povo? Morrer? O analfabeto, informa ele, é uma obra inacabada da educação.

A segurança pública marca presença. Menor matador é preso, diz a manchete do Jornal da Mentira. Qual o seu maior sonho? Ter um porte de arma especial. E que mais? Morar num presídio de segurança máxima. Menor abandonado é quase adotado, menor matador é quase preso. Última hora: mineradora precisa de fiscais! Vivemos sob lamas, impunidade e mortes. Na onda de reformas, o Brasil vai patentear a impunidade.

Enquanto isso, prepara-se a reforma política, informa o Jornal da Mentira. Mas ela só virá em 31 de fevereiro. No circo político, o palhaço oficial é o povo. Não tem voz, nem vez, nem liberdade, nem proteção.

E a fome que grassa no país? Foi descoberto o vírus da fome, afirma ele: o salário mínimo. Os direitos humanos, a ONU e Médicos Sem Fronteiras não conseguiram derrotar a milenar fome. A fome é a morte por falta de pão e as crianças estão sem voz, sem vez e sem pão. Enquanto são vendidas as verbas para combater a fome o Brasil terceiriza a fome dos brasileiros. Porque a fome é o clímax da humilhação.

Nessa onda de privatizações, acabarão por privatizar a Previdência. Em conclusão: o povo é o refugiado do sistema. E os assalariados são os refugiados da escravidão.

Como diziam os romanos: ridendo castigat mores!
___________________________
Contatos com o Jornal do Sábio: Rua D. João Moura, 3 0 5
Engenho do Meio – 50730-030 – RECIFE – PE.

Escrito por Enéas Athanázio, 07/03/2019 às 10h17 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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O escritor pernambucano Antonio Fernando de Andrade vem publicando há vários anos um periódico sui generis que já se tornou conhecido em todo o país. Em formato de panfleto e muito bem ilustrado, é de uma criatividade incrível no encarar a realidade nacional. Com grande coragem editorial e esbanjando humor, ele põe a nu as mazelas brasileiras em charges que nada perdoam. O sucesso tem sido enorme e a publicação já superou os 1235 números.

Nos exemplares que tenho em mãos, - os mais recentes que recebi, - ele comenta assuntos sempre presentes no noticiário, como o estado precário da saúde pública. Diógenes – escreve ele – sai com sua lanterna não à procura de um homem mas à procura de um remédio nos postos de saúde... Veja os direitos do povo, alerta ele diante de um quadro em branco, para concluir: Você não é deficiente visual! E continua: No Século XXX arqueólogos descobrem ruínas no Brasil: o povo era humilhado, explorado e esquecido. Para compensar, quase foi aprovado no Congresso projeto para beneficiar o povo. Não fosse o quase... Em compensação, o povo está livre da depressão, pois chegou o cartão propina.

A má qualidade da educação não escapa. O professor, afirma ele, é uma espécie em extinção. E o maior sonho de muitos é ter um professor alfabetizado. A indispensável reforma da educação prevê os seguintes itens: exportar analfabetos, atualizar o livro sem páginas, incluir a fofoca no primeiro grau e colocar no lixo as cotas para livros. Será perfeita! E agora que reformamos, legislamos e desviamos, o que mais deseja o povo? Morrer? O analfabeto, informa ele, é uma obra inacabada da educação.

A segurança pública marca presença. Menor matador é preso, diz a manchete do Jornal da Mentira. Qual o seu maior sonho? Ter um porte de arma especial. E que mais? Morar num presídio de segurança máxima. Menor abandonado é quase adotado, menor matador é quase preso. Última hora: mineradora precisa de fiscais! Vivemos sob lamas, impunidade e mortes. Na onda de reformas, o Brasil vai patentear a impunidade.

Enquanto isso, prepara-se a reforma política, informa o Jornal da Mentira. Mas ela só virá em 31 de fevereiro. No circo político, o palhaço oficial é o povo. Não tem voz, nem vez, nem liberdade, nem proteção.

E a fome que grassa no país? Foi descoberto o vírus da fome, afirma ele: o salário mínimo. Os direitos humanos, a ONU e Médicos Sem Fronteiras não conseguiram derrotar a milenar fome. A fome é a morte por falta de pão e as crianças estão sem voz, sem vez e sem pão. Enquanto são vendidas as verbas para combater a fome o Brasil terceiriza a fome dos brasileiros. Porque a fome é o clímax da humilhação.

Nessa onda de privatizações, acabarão por privatizar a Previdência. Em conclusão: o povo é o refugiado do sistema. E os assalariados são os refugiados da escravidão.

Como diziam os romanos: ridendo castigat mores!
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Escrito por Enéas Athanázio, 07/03/2019 às 10h17 | e.atha@terra.com.br



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Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.


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