Jornal Página 3
Coluna
Enéas Athanázio
Por Enéas Athanázio

Variadas

Existem certos programas televisivos dedicados a entrevistar grandes empresários, aqueles a que chamam de bem-sucedidos. Invariavelmente, o que se ouve dos entrevistados é uma torrente de críticas ao Brasil, quase sempre as mesmas. O país não cresce, não tem estrutura viária, o custo Brasil atrapalha, a carga tributária é muito elevada, a deusa Bolsa e o deus Mercado, os índices, as percentagens, as estatísticas e por aí vai. Diante do que afirmam, qualquer iniciativa estará inexoravelmente fadada ao fracasso. No entanto, chama a atenção o fato de que todos se apresentam gordos, bem nutridos, exibindo a barriga comercial e financeira de que falava Lima Barreto, exibindo o aspecto de pessoas bem tratadas e saudáveis, vestidos nos trinques, além de chegarem em carrões de elevado custo. Ora, ora, penso eu, humilde servidor público, se o país é assim tão ruim como conseguiram amealhar semelhantes fortunas de milhões que ninguém sabe para que servem e onde estão? E por que não vão embora? Por que não vão entoar loas aos países que amam, uma vez que do Brasil parece que só querem mesmo o dinheiro? Ficaríamos livres de sua hipocrisia e de seu falso pessimismo.

 


Desde que ingressei no Ministério Público (por concurso) – e lá se foi meio século – sempre surgiram iniciativas visando cercear as atividades da Instituição. Tentaram retirar-lhe atribuições, sujeitar certos atos a prévia autorização superior, impedir a realização de investigações, invocaram a remoção ex-officio para afastar o Promotor do caso e outras tantas manobras de que nem me recordo. Por outro lado, aumentaram o tempo de serviço e a contribuição previdenciária. Agora, para variar, tudo recomeça. Tramita no Congresso projeto de lei sob o rótulo de abuso de autoridade que constitui verdadeira ameaça aos integrantes do Ministério Público. O objetivo, na verdade, me parece muito claro: amedrontar. Mas a Instituição não se renderá e haverá de obter mais uma vitória como em tantas outras ocasiões. O Ministério Público é o dominus littis, é ele quem toma as iniciativas, investiga, prova e busca a condenação dos criminosos que infestam este país. Com as mãos amarradas, quem defenderá a sociedade? O Promotor é a voz dos que não têm voz e não pode ser calado


José Alberto Barbosa tem o faro do pesquisador. Quando se lança a estudar um assunto vai a fundo, mói e remói, busca e rebusca, não se cansa de investigar detalhes mínimos. Em consequência, seus trabalhos são sempre amplos e completos.

Depois de muito estudo e dedicação, está publicando agora o ensaio “O Itapocu, Tomé e o Caminho de Peabirú”, lançado no me de julho em Jaraguá do Sul em edição do Autor e com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura.

O ensaio é um mergulho nos temas abordados, focalizando os mais diversos aspectos do Vale do Itapocu, da misteriosa figura de Tomé e do encantado Caminho de Peabiru implantado pelos indígenas e ligando o Atlântico ao Pacífico. Como se vê, é um apelo poderoso ao leitor sequioso de informações sobre tais locais e personagens.

Ao longo de páginas densas e bem fundamentadas, o ensaísta aborda o Vale do Itapocu numa visão geral, deixando nítida impressão de que conhece tudo aquilo como a palma da mão, a geografia física, a flora, a fauna, a ocupação humena, a toponímia e a etimologia, o misterioso Caminho do Peabiru, a saga de Aleixo Garcia, a entrada de Cabeza de Vaca, o misterioso Tomé, Yvy Marã Eyn e a terra sem males, criadores, tropeiros e carroceiros e indicações turísticas da região.

Como se vê, é um levantamento do Vale, seu passado, seu presente e sua realidade. Tudo baseado em investigações bibliográficas, entrevistas e depoimentos, documentos e observações pessoais do próprio ensaísta. São impressionantes a bibliografia e outras referências de que se valeu.

O Caminho do Peabiru, a figura de Tomé e as entradas de Aleixo Garcia e Cabeza de Vaca são os grandes momentos da narrativa, com o sabor das novelas de aventuras, ainda que firmadas em sólida documentação.

Com mais esse trabalho, creio que posso afirmar sem medo de errar, que José Alberto Barbosa se consagra como o cronista do Vale do Itapocu. Meus parabéns ao colega e amigo.

Escrito por Enéas Athanázio, 23/09/2019 às 15h20 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Enéas Athanázio

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.














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Existem certos programas televisivos dedicados a entrevistar grandes empresários, aqueles a que chamam de bem-sucedidos. Invariavelmente, o que se ouve dos entrevistados é uma torrente de críticas ao Brasil, quase sempre as mesmas. O país não cresce, não tem estrutura viária, o custo Brasil atrapalha, a carga tributária é muito elevada, a deusa Bolsa e o deus Mercado, os índices, as percentagens, as estatísticas e por aí vai. Diante do que afirmam, qualquer iniciativa estará inexoravelmente fadada ao fracasso. No entanto, chama a atenção o fato de que todos se apresentam gordos, bem nutridos, exibindo a barriga comercial e financeira de que falava Lima Barreto, exibindo o aspecto de pessoas bem tratadas e saudáveis, vestidos nos trinques, além de chegarem em carrões de elevado custo. Ora, ora, penso eu, humilde servidor público, se o país é assim tão ruim como conseguiram amealhar semelhantes fortunas de milhões que ninguém sabe para que servem e onde estão? E por que não vão embora? Por que não vão entoar loas aos países que amam, uma vez que do Brasil parece que só querem mesmo o dinheiro? Ficaríamos livres de sua hipocrisia e de seu falso pessimismo.

 


Desde que ingressei no Ministério Público (por concurso) – e lá se foi meio século – sempre surgiram iniciativas visando cercear as atividades da Instituição. Tentaram retirar-lhe atribuições, sujeitar certos atos a prévia autorização superior, impedir a realização de investigações, invocaram a remoção ex-officio para afastar o Promotor do caso e outras tantas manobras de que nem me recordo. Por outro lado, aumentaram o tempo de serviço e a contribuição previdenciária. Agora, para variar, tudo recomeça. Tramita no Congresso projeto de lei sob o rótulo de abuso de autoridade que constitui verdadeira ameaça aos integrantes do Ministério Público. O objetivo, na verdade, me parece muito claro: amedrontar. Mas a Instituição não se renderá e haverá de obter mais uma vitória como em tantas outras ocasiões. O Ministério Público é o dominus littis, é ele quem toma as iniciativas, investiga, prova e busca a condenação dos criminosos que infestam este país. Com as mãos amarradas, quem defenderá a sociedade? O Promotor é a voz dos que não têm voz e não pode ser calado


José Alberto Barbosa tem o faro do pesquisador. Quando se lança a estudar um assunto vai a fundo, mói e remói, busca e rebusca, não se cansa de investigar detalhes mínimos. Em consequência, seus trabalhos são sempre amplos e completos.

Depois de muito estudo e dedicação, está publicando agora o ensaio “O Itapocu, Tomé e o Caminho de Peabirú”, lançado no me de julho em Jaraguá do Sul em edição do Autor e com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura.

O ensaio é um mergulho nos temas abordados, focalizando os mais diversos aspectos do Vale do Itapocu, da misteriosa figura de Tomé e do encantado Caminho de Peabiru implantado pelos indígenas e ligando o Atlântico ao Pacífico. Como se vê, é um apelo poderoso ao leitor sequioso de informações sobre tais locais e personagens.

Ao longo de páginas densas e bem fundamentadas, o ensaísta aborda o Vale do Itapocu numa visão geral, deixando nítida impressão de que conhece tudo aquilo como a palma da mão, a geografia física, a flora, a fauna, a ocupação humena, a toponímia e a etimologia, o misterioso Caminho do Peabiru, a saga de Aleixo Garcia, a entrada de Cabeza de Vaca, o misterioso Tomé, Yvy Marã Eyn e a terra sem males, criadores, tropeiros e carroceiros e indicações turísticas da região.

Como se vê, é um levantamento do Vale, seu passado, seu presente e sua realidade. Tudo baseado em investigações bibliográficas, entrevistas e depoimentos, documentos e observações pessoais do próprio ensaísta. São impressionantes a bibliografia e outras referências de que se valeu.

O Caminho do Peabiru, a figura de Tomé e as entradas de Aleixo Garcia e Cabeza de Vaca são os grandes momentos da narrativa, com o sabor das novelas de aventuras, ainda que firmadas em sólida documentação.

Com mais esse trabalho, creio que posso afirmar sem medo de errar, que José Alberto Barbosa se consagra como o cronista do Vale do Itapocu. Meus parabéns ao colega e amigo.

Escrito por Enéas Athanázio, 23/09/2019 às 15h20 | e.atha@terra.com.br



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Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.