Jornal Página 3
Coluna
Literatura
Por Enéas Athanázio

UM CASAL AFINADO

Casados há muitos anos, Iracema M. Régis e Aristides Theodoro são escritores, poetas e jornalistas. Produzem em profusão e estão em constante agitação cultural. Apóiam-se mutuamente e lançam livros em vários gêneros, escrevem para os jornais e mantêm nutrido intercâmbio com colegas de ofício e leitores de todo o país. O Grande ABC, seu palco de origem, já se tornou pequeno para eles.

A incansável Iracema tem 29 títulos publicados, recebeu vários prêmios e sua obra tem sido analisada por muitos críticos, dentre os quais Marcelo Smeets, Nelly Novaes Coelho, Fernando Jorge, Dimas Macedo, Nelson Hoffmann, Manoel Onofre Jr., João Weber Griebeler e outros. Tive o prazer de prefaciar um de seus livros.

Agora ela lança a coletânea de contos que tem como título “A Menina que Gostava de Cemitério” (Futurama Editora – S. Paulo – 2019) reunindo 16 histórias, algumas bem curtas e outras mais extensas. O conto título se destaca pelo inusitado. É uma narrativa primorosa. Florisbela, conhecida por Flô, menina branca, de faces pálidas, indicava portar alguma anomalia mental, uma vez que gostava de enterros, velórios e cemitérios. Além disso, tratava de saber dos detalhes da morte. Como se vê, atitudes mórbidas e que despertavam a atenção dos que a conheciam. Para fugir aos maus tratos da mãe, a moça, numa atitude espantosa, passa a morar no cemitério, ainda que não abandonando o costume de frequentar velórios, enterros e missas de sétimo dia. O encontro com a narradora/autora que fecha o conto contém boa dose de humor negro. O conto põe a nu os imprevistos da mestra vida que, como dizia Érico Veríssimo, é capaz de gerar situações mais esdrúxulas que a mais descabelada das ficções.

Todos os demais contos são interessantes e merecem uma leitura atenta. São criativos e prendem a atenção do leitor.

Já o irrequieto Theodoro tem 21 obras publicadas em prosa e verso. Sua característica é uma linguagem desataviada e sem peias, polêmica e provocadora. Não teme cutucar a onça com vara curta. Alguns de seus livros levam títulos bem expressivos: “Não contribuirei com um só óbulo para a construção do novo mundo”, “O homem que liquidou um trovão a tiros de clavinote”, “Gargalhada na catedral”, “Funga funga no fuá” são bons exemplos. Leitor incansável e dono de excelente memória, tem uma visão panorâmica do cenário literário brasileiro e mundial. Também prefaciei um de seus livros.

Está publicando agora “O pitoresco na vida de grandes homens” (Futurama Editora – S. Paulo – 2019) reunindo vários ensaios muito curiosos e absorventes, São todos produtos de infindáveis leituras, pesquisas, anotações e reflexões. Alguns são inovadores, talvez inéditos, tanto que não me recordo de ter encontrado algo semelhante. Em “O fascínio de alguns escritores e outros artistas pelas cidades” ele mergulha no mundo literário em busca dos protestos amorosos de escritores e artistas pelas cidades e seu reflexo em suas obras. Mulheres na ótica de alguns escritores, nomes de mulheres que deram títulos a livros, homens famosos e seus apelidos, o diabo visto pelos homens, a gíria na língua portuguesa e o trabalho que deu título ao volume, o pitoresco na vida de grandes homens, além de outros são temas abordados com leveza, revelando um autor erudito e atento.

É um livro para ser lido com prazer. Com ele aprendi e recapitulei.

Minhas felicitações ao casal amigo. Faço votos de que continuem sempre afinados. 

Escrito por Enéas Athanázio, 27/01/2020 às 13h30 | e.atha@terra.com.br



Enéas Athanázio

Assina a coluna Literatura

Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.














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Casados há muitos anos, Iracema M. Régis e Aristides Theodoro são escritores, poetas e jornalistas. Produzem em profusão e estão em constante agitação cultural. Apóiam-se mutuamente e lançam livros em vários gêneros, escrevem para os jornais e mantêm nutrido intercâmbio com colegas de ofício e leitores de todo o país. O Grande ABC, seu palco de origem, já se tornou pequeno para eles.

A incansável Iracema tem 29 títulos publicados, recebeu vários prêmios e sua obra tem sido analisada por muitos críticos, dentre os quais Marcelo Smeets, Nelly Novaes Coelho, Fernando Jorge, Dimas Macedo, Nelson Hoffmann, Manoel Onofre Jr., João Weber Griebeler e outros. Tive o prazer de prefaciar um de seus livros.

Agora ela lança a coletânea de contos que tem como título “A Menina que Gostava de Cemitério” (Futurama Editora – S. Paulo – 2019) reunindo 16 histórias, algumas bem curtas e outras mais extensas. O conto título se destaca pelo inusitado. É uma narrativa primorosa. Florisbela, conhecida por Flô, menina branca, de faces pálidas, indicava portar alguma anomalia mental, uma vez que gostava de enterros, velórios e cemitérios. Além disso, tratava de saber dos detalhes da morte. Como se vê, atitudes mórbidas e que despertavam a atenção dos que a conheciam. Para fugir aos maus tratos da mãe, a moça, numa atitude espantosa, passa a morar no cemitério, ainda que não abandonando o costume de frequentar velórios, enterros e missas de sétimo dia. O encontro com a narradora/autora que fecha o conto contém boa dose de humor negro. O conto põe a nu os imprevistos da mestra vida que, como dizia Érico Veríssimo, é capaz de gerar situações mais esdrúxulas que a mais descabelada das ficções.

Todos os demais contos são interessantes e merecem uma leitura atenta. São criativos e prendem a atenção do leitor.

Já o irrequieto Theodoro tem 21 obras publicadas em prosa e verso. Sua característica é uma linguagem desataviada e sem peias, polêmica e provocadora. Não teme cutucar a onça com vara curta. Alguns de seus livros levam títulos bem expressivos: “Não contribuirei com um só óbulo para a construção do novo mundo”, “O homem que liquidou um trovão a tiros de clavinote”, “Gargalhada na catedral”, “Funga funga no fuá” são bons exemplos. Leitor incansável e dono de excelente memória, tem uma visão panorâmica do cenário literário brasileiro e mundial. Também prefaciei um de seus livros.

Está publicando agora “O pitoresco na vida de grandes homens” (Futurama Editora – S. Paulo – 2019) reunindo vários ensaios muito curiosos e absorventes, São todos produtos de infindáveis leituras, pesquisas, anotações e reflexões. Alguns são inovadores, talvez inéditos, tanto que não me recordo de ter encontrado algo semelhante. Em “O fascínio de alguns escritores e outros artistas pelas cidades” ele mergulha no mundo literário em busca dos protestos amorosos de escritores e artistas pelas cidades e seu reflexo em suas obras. Mulheres na ótica de alguns escritores, nomes de mulheres que deram títulos a livros, homens famosos e seus apelidos, o diabo visto pelos homens, a gíria na língua portuguesa e o trabalho que deu título ao volume, o pitoresco na vida de grandes homens, além de outros são temas abordados com leveza, revelando um autor erudito e atento.

É um livro para ser lido com prazer. Com ele aprendi e recapitulei.

Minhas felicitações ao casal amigo. Faço votos de que continuem sempre afinados. 

Escrito por Enéas Athanázio, 27/01/2020 às 13h30 | e.atha@terra.com.br



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Promotor de Justiça (aposentado), advogado e escritor. Tem 51 livros publicados em variados gêneros literários. É detentor de vários prêmios e pertence a diversas entidades culturais. Assina colunas no Jornal Página 3, na revista Blumenau em Cadernos e no site Coojornal - Revista Rio Total.