Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Mais atenção, menos tensão!

Utilidade pública circulando no facebook; pegaí!


"Para refletir!! Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego. Sempre esteja consciente ao se sentir superior. A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica. O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorcê-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”. Superioridade, julgamento e condenação. Essas são armadilhas do ego". 

? Mooji

Escrito por Caroline Cezar, 05/02/2014 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com

Lixo?

O que você chama de lixo também é relativo!
 




ps: agradecimento ao Felipe Dillda pela lembrança!

Escrito por Caroline Cezar, 04/02/2014 às 17h49 | carol.jp3@gmail.com

Festa oca

Estávamos compartilhando uma receita de bolo quando minha amiga comentou que a fulana de tal fez a festa da filha pequena e gastou coisa como 35 mil dinheiros. Ficamos fazendo e refazendo cálculo e não conseguimos entender de que maneira uma criatura consegue chegar nessa cifra. Nem servindo caviar com champanhe e contratando o show da Galinha Pintadinha fecha. E pensa num excesso: de comida, plástico, flores mortas. De coisa que vai fora.


Uma vez eu li um artigo comentando sobre essas festas estratosféricas para as crianças filhas das “celebridades” (e gente, vem vamos comentar o adjetivo please). Eu achei que a repórter ia descer a lenha mas na verdade ela escrevia como se isso fosse um exemplo, um sinal de afeto e reconhecimento pelo valor que o filho tem: quanto maior a festa (e toda a ostentação e desperdício) maior a importância do rebento. Tinha uma foto das duas filhas: uns sete anos, gêmeas, com vestido rosa de gala -iguais- e uma maquiagem tão pesada que parecia concurso de miss. Fiquei pensando nas horas de salão, na prova da roupa, no estresse, nos tem-que-fazer e nas justificativas caso alguém contestasse essa balbúrdia: “ah, elas adoram, elas que querem”. Óquei, 'elas querem', mas a pergunta é: como elas foram parar ali, completamente ridículas naquela fantasia de mundo romântico, irreal e patético que a mamãe ensinou como glamouroso e ideal? Vale lembrar que esse mundo não se restringe somente aos ricos, também se estende aos novos ricos, aos classe média e aos pobres, que querem a festa que apareceu na revista e gastam o que podem e o que não podem, porque dá pra estender em 12 prestações. Com juros bem altos.


Pode falar aí que cada um cada um, cada cabeça uma sentença, mas eu discordo em caixa alta. Não vivemos isolados e criar gente num padrão desses é uma violência, um abuso à própria natureza do sujeito e um decréscimo à sociedade.


A festa é só uma janelinha, um retrato superlativo dessa criação oca e sem valores, ou melhor, com valores distorcidos, distanciamento e falta do essencial desde sempre. Ensaios “new born”, que colocam bebês de “até quinze dias no máximo” dentro de um estúdio com pau de luz na cara representam bem a necessidade de ostentar aparência. Veste de bichinho pra tirar foto, mas esquece dos instintos mais básicos, como proteger a cria de uma interferência desnecessária e incômoda como essa.


Ih, mas antes já teve o pacote completo: o super chá de bebê, o super quarto de princesa, as compras excessivas em Miami, as muitas idas em lojas, as dezenas de ultrassons e exames, a coisarada-que-precisa mas que na verdade não serve pra nada -carrinho com freio à disco, babá eletrônica, cadeira que treme, chupeta, mamadeira, esterilizador de mamadeira, protetor de mamadeira, capinha térmica de mamadeira (!!!), berço, protetor de berço - muito lixo que custa caro. E olha o distanciamento aí de novo. Não dá pra se encontrar com tanto ruído, praticamente impossível.


Recebi aqui essa semana do baby center: “bebê fez dois meses, já dá pra passear no shopping”. OI? Por “conhecidência” (salve os neologismos infantis) no mesmo dia minha bebê de dois meses -que antes de ir no shopping já tomou banho de chuva, banho de mar e banho de rio- deu a primeira gargalhada da vida.

 


"Mami, cancela o ensaio new born?"



Texto publicado na Ex pressão impressa do dia 25 de janeiro de 2013.

Escrito por Caroline Cezar, 31/01/2014 às 10h50 | carol.jp3@gmail.com

Muda

Esses dias estava vendo o Roda Viva e o âncora perguntou ao entrevistado: “E você, tem filhos? E você aplicava essa teoria com eles, porque convenhamos que é bastante difícil”. Já comentei sobre essa entrevista aqui, era com um pediatra que destacava a importância da criação, -basicamente os filhos estarem com os pais-, essencialmente no primeiro ano de vida, e de preferência até os 3, enquanto o bebê humano é considerado filhote.


Achei completamente descabida a pergunta, primeiro porque PERAÍ, tamo falando de criar os próprios filhos e priorizar isso por um ano parece uma eternidade, algo quase impossível e “corajoso”; segundo porque ele questionava com aquele ar de arrogância que só os jornalistas conseguem ter, e terceiro porque o entrevistado é um cinquentão e os filhos dele devem ter 25 anos pra mais.


VINTE E CINCO anos! Será que ele, o pediatra é o mesmo profissional de 25 anos atrás? E o mundo que ele vive, será que é o mesmo? Por que se torna mais crível se ele tenha aplicado sua teoria aos próprios filhos, mesmo que já tenham se passado quase três décadas que ele exerceu essa função? Será que o “erro” que ele possa ter cometido em casa não pode ter sido o que o motivou a aprimorar seu estudo e trabalho? Será que a capacidade de se transformar ou dar mais valor a certas coisas o torna alguém menor?


Pra mim a pergunta do jornalista nada mais é do que o reflexo de uma sociedade que tem medo. Medo de mudar. Preguiça de rever. Desatenção
em observar.

 

Acabei de vivenciar um exemplo ao passar pela minha terceira gestação: embora as pessoas tenham dado menos conselhos, porque com a idade e com a postura a gente cria uma carapaça espessa, cansei de ouvir comentários inofensivos e maldosos do tipo “mas na outra gravidez tu fez assim?”, “e no primeiro filho tu também fazia assado?” “ah, mas nessa fase que tu tá...”; “agora é moda esse negócio...” E isso que eu preservava ao máximo o que “ia vendo”, porque isso de mudança, transformação, descoberta, reflexão, é mergulho pra dentro. É mexer em feridas, é ter humildade para olhar para si, para se reconhecer pequeno e ignorante, é não querer saber tudo, é investigação, entrega e confiança.


Mas ser uma metamorfose ambulante, como dizia Raul, seja em qual for o caso, é mal visto, precisa ser desconstruído pelos que têm a velha opinião formada sobre tudo, para que eles possam ficar mais tranquilos em seus castelos de certezas.

 

Ter a “ousadia” de fazer diferente, mesmo que isso só diga respeito ao seu corpo, sua vida, suas escolhas, é quase ofensivo a quem não toma a frente de suas próprias decisões. É preciso desmerecer, repudiar, diminuir o novo para que o mais do mesmo perdure. Mas já dizia Maneco, “do lugar onde estou já fui embora”. E que isso seja a prática.

=======

 

"Quando alguém me pergunta, você mudaria algo em você? Sempre, claro, com alegria. Algo que me chateia é quando depois de um ano alguém me encontra e diz "Cortella, vc continua o mesmo". Imaginou num mundo de mudança, de alteração, de processo, vc ter ficado congelado? Se tem uma coisa que eu detesto é a idéia de ter uma vida formol, em que eu congele alguns cadáveres. Eu, pra usar uma frase antiga, não me envergonho do homens que fui, mas eu gosto de lembrar que já tive muitas vidas que foram sendo feitas, refeitas e reinventadas. Ao contrário do que muita gente imagina, a gente não nasce pronto e vai se gastando. A gente nasce não pronto e vai se fazendo. Ainda bem. Você ser do mesmo modo de uma maneira persistente não é sinal de coerência, é sinal de tacanhice mental". Mario Sérgio Cortella, filósofo, no documentário Eu Maior. Vê aqui!

==========

Texto publicado originalmente na coluna ex pressão impressa, em 11 de janeiro de 2013

Escrito por Caroline Cezar, 17/01/2014 às 07h02 | carol.jp3@gmail.com

Bom dia!

 

"Definir significa fijar, pero la vida no es fija". (Alejandro Jodrowsky)

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 13/01/2014 às 08h48 | carol.jp3@gmail.com

Sem mais

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.”

(Simone de Beauvior)

 

O doodle do google, que nada mais é que o desenhinho da página de abertura do site, homenageia hoje a escritora Simone de Beauvoir, considerada a "precursora do feminismo" e que estaria completando hoje 106 anos. Quando taxam alguém de "feminista" vem aquela imagem estereotipada de agressividade e revolta, sutiãs queimados e placas na mão, mas analisando melhor, quem não é "feminista" é o quê? Conivente? Pouco informado? Desumano?

Acho que chamá-la de "humanista" seria muito mais correto. Adoro a carinha doce da Simone e como qualquer recorte de frase sua soa retumbante e conclusivo. Incontestável.




 

Escrito por Caroline Cezar, 09/01/2014 às 10h21 | carol.jp3@gmail.com



2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

Caroline Cezar

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É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














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"Para refletir!! Se você acha que é mais “espiritual” andar de bicicleta ou usar transporte público para se locomover, tudo bem, mas se você julgar qualquer outra pessoa que dirige um carro, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” não ver televisão porque mexe com o seu cérebro, tudo bem, mas se julgar aqueles que ainda assistem, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” evitar saber de fofocas ou noticias da mídia , mas se encontra julgando aqueles que leem essas coisas, então você está preso em uma armadilha do ego. Se você acha que é mais “espiritual” fazer Yoga, se tornar vegano, comprar só comidas orgânicas, comprar cristais, praticar reiki, meditar, usar roupas “hippies”, visitar templos e ler livros sobre iluminação espiritual, mas julgar qualquer pessoa que não faça isso, então você está preso em uma armadilha do ego. Sempre esteja consciente ao se sentir superior. A noção de que você é superior é a maior indicação de que você está em uma armadilha egóica. O ego adora entrar pela porta de trás. Ele vai pegar uma ideia nobre, como começar yoga e, então, distorcê-la para servir o seu objetivo ao fazer você se sentir superior aos outros; você começará a menosprezar aqueles que não estão seguindo o seu “caminho espiritual certo”. Superioridade, julgamento e condenação. Essas são armadilhas do ego". 

? Mooji

Escrito por Caroline Cezar, 05/02/2014 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com

Lixo?

O que você chama de lixo também é relativo!
 




ps: agradecimento ao Felipe Dillda pela lembrança!

Escrito por Caroline Cezar, 04/02/2014 às 17h49 | carol.jp3@gmail.com

Festa oca

Estávamos compartilhando uma receita de bolo quando minha amiga comentou que a fulana de tal fez a festa da filha pequena e gastou coisa como 35 mil dinheiros. Ficamos fazendo e refazendo cálculo e não conseguimos entender de que maneira uma criatura consegue chegar nessa cifra. Nem servindo caviar com champanhe e contratando o show da Galinha Pintadinha fecha. E pensa num excesso: de comida, plástico, flores mortas. De coisa que vai fora.


Uma vez eu li um artigo comentando sobre essas festas estratosféricas para as crianças filhas das “celebridades” (e gente, vem vamos comentar o adjetivo please). Eu achei que a repórter ia descer a lenha mas na verdade ela escrevia como se isso fosse um exemplo, um sinal de afeto e reconhecimento pelo valor que o filho tem: quanto maior a festa (e toda a ostentação e desperdício) maior a importância do rebento. Tinha uma foto das duas filhas: uns sete anos, gêmeas, com vestido rosa de gala -iguais- e uma maquiagem tão pesada que parecia concurso de miss. Fiquei pensando nas horas de salão, na prova da roupa, no estresse, nos tem-que-fazer e nas justificativas caso alguém contestasse essa balbúrdia: “ah, elas adoram, elas que querem”. Óquei, 'elas querem', mas a pergunta é: como elas foram parar ali, completamente ridículas naquela fantasia de mundo romântico, irreal e patético que a mamãe ensinou como glamouroso e ideal? Vale lembrar que esse mundo não se restringe somente aos ricos, também se estende aos novos ricos, aos classe média e aos pobres, que querem a festa que apareceu na revista e gastam o que podem e o que não podem, porque dá pra estender em 12 prestações. Com juros bem altos.


Pode falar aí que cada um cada um, cada cabeça uma sentença, mas eu discordo em caixa alta. Não vivemos isolados e criar gente num padrão desses é uma violência, um abuso à própria natureza do sujeito e um decréscimo à sociedade.


A festa é só uma janelinha, um retrato superlativo dessa criação oca e sem valores, ou melhor, com valores distorcidos, distanciamento e falta do essencial desde sempre. Ensaios “new born”, que colocam bebês de “até quinze dias no máximo” dentro de um estúdio com pau de luz na cara representam bem a necessidade de ostentar aparência. Veste de bichinho pra tirar foto, mas esquece dos instintos mais básicos, como proteger a cria de uma interferência desnecessária e incômoda como essa.


Ih, mas antes já teve o pacote completo: o super chá de bebê, o super quarto de princesa, as compras excessivas em Miami, as muitas idas em lojas, as dezenas de ultrassons e exames, a coisarada-que-precisa mas que na verdade não serve pra nada -carrinho com freio à disco, babá eletrônica, cadeira que treme, chupeta, mamadeira, esterilizador de mamadeira, protetor de mamadeira, capinha térmica de mamadeira (!!!), berço, protetor de berço - muito lixo que custa caro. E olha o distanciamento aí de novo. Não dá pra se encontrar com tanto ruído, praticamente impossível.


Recebi aqui essa semana do baby center: “bebê fez dois meses, já dá pra passear no shopping”. OI? Por “conhecidência” (salve os neologismos infantis) no mesmo dia minha bebê de dois meses -que antes de ir no shopping já tomou banho de chuva, banho de mar e banho de rio- deu a primeira gargalhada da vida.

 


"Mami, cancela o ensaio new born?"



Texto publicado na Ex pressão impressa do dia 25 de janeiro de 2013.

Escrito por Caroline Cezar, 31/01/2014 às 10h50 | carol.jp3@gmail.com

Muda

Esses dias estava vendo o Roda Viva e o âncora perguntou ao entrevistado: “E você, tem filhos? E você aplicava essa teoria com eles, porque convenhamos que é bastante difícil”. Já comentei sobre essa entrevista aqui, era com um pediatra que destacava a importância da criação, -basicamente os filhos estarem com os pais-, essencialmente no primeiro ano de vida, e de preferência até os 3, enquanto o bebê humano é considerado filhote.


Achei completamente descabida a pergunta, primeiro porque PERAÍ, tamo falando de criar os próprios filhos e priorizar isso por um ano parece uma eternidade, algo quase impossível e “corajoso”; segundo porque ele questionava com aquele ar de arrogância que só os jornalistas conseguem ter, e terceiro porque o entrevistado é um cinquentão e os filhos dele devem ter 25 anos pra mais.


VINTE E CINCO anos! Será que ele, o pediatra é o mesmo profissional de 25 anos atrás? E o mundo que ele vive, será que é o mesmo? Por que se torna mais crível se ele tenha aplicado sua teoria aos próprios filhos, mesmo que já tenham se passado quase três décadas que ele exerceu essa função? Será que o “erro” que ele possa ter cometido em casa não pode ter sido o que o motivou a aprimorar seu estudo e trabalho? Será que a capacidade de se transformar ou dar mais valor a certas coisas o torna alguém menor?


Pra mim a pergunta do jornalista nada mais é do que o reflexo de uma sociedade que tem medo. Medo de mudar. Preguiça de rever. Desatenção
em observar.

 

Acabei de vivenciar um exemplo ao passar pela minha terceira gestação: embora as pessoas tenham dado menos conselhos, porque com a idade e com a postura a gente cria uma carapaça espessa, cansei de ouvir comentários inofensivos e maldosos do tipo “mas na outra gravidez tu fez assim?”, “e no primeiro filho tu também fazia assado?” “ah, mas nessa fase que tu tá...”; “agora é moda esse negócio...” E isso que eu preservava ao máximo o que “ia vendo”, porque isso de mudança, transformação, descoberta, reflexão, é mergulho pra dentro. É mexer em feridas, é ter humildade para olhar para si, para se reconhecer pequeno e ignorante, é não querer saber tudo, é investigação, entrega e confiança.


Mas ser uma metamorfose ambulante, como dizia Raul, seja em qual for o caso, é mal visto, precisa ser desconstruído pelos que têm a velha opinião formada sobre tudo, para que eles possam ficar mais tranquilos em seus castelos de certezas.

 

Ter a “ousadia” de fazer diferente, mesmo que isso só diga respeito ao seu corpo, sua vida, suas escolhas, é quase ofensivo a quem não toma a frente de suas próprias decisões. É preciso desmerecer, repudiar, diminuir o novo para que o mais do mesmo perdure. Mas já dizia Maneco, “do lugar onde estou já fui embora”. E que isso seja a prática.

=======

 

"Quando alguém me pergunta, você mudaria algo em você? Sempre, claro, com alegria. Algo que me chateia é quando depois de um ano alguém me encontra e diz "Cortella, vc continua o mesmo". Imaginou num mundo de mudança, de alteração, de processo, vc ter ficado congelado? Se tem uma coisa que eu detesto é a idéia de ter uma vida formol, em que eu congele alguns cadáveres. Eu, pra usar uma frase antiga, não me envergonho do homens que fui, mas eu gosto de lembrar que já tive muitas vidas que foram sendo feitas, refeitas e reinventadas. Ao contrário do que muita gente imagina, a gente não nasce pronto e vai se gastando. A gente nasce não pronto e vai se fazendo. Ainda bem. Você ser do mesmo modo de uma maneira persistente não é sinal de coerência, é sinal de tacanhice mental". Mario Sérgio Cortella, filósofo, no documentário Eu Maior. Vê aqui!

==========

Texto publicado originalmente na coluna ex pressão impressa, em 11 de janeiro de 2013

Escrito por Caroline Cezar, 17/01/2014 às 07h02 | carol.jp3@gmail.com

Bom dia!

 

"Definir significa fijar, pero la vida no es fija". (Alejandro Jodrowsky)

 

 

Escrito por Caroline Cezar, 13/01/2014 às 08h48 | carol.jp3@gmail.com

Sem mais

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.”

(Simone de Beauvior)

 

O doodle do google, que nada mais é que o desenhinho da página de abertura do site, homenageia hoje a escritora Simone de Beauvoir, considerada a "precursora do feminismo" e que estaria completando hoje 106 anos. Quando taxam alguém de "feminista" vem aquela imagem estereotipada de agressividade e revolta, sutiãs queimados e placas na mão, mas analisando melhor, quem não é "feminista" é o quê? Conivente? Pouco informado? Desumano?

Acho que chamá-la de "humanista" seria muito mais correto. Adoro a carinha doce da Simone e como qualquer recorte de frase sua soa retumbante e conclusivo. Incontestável.




 

Escrito por Caroline Cezar, 09/01/2014 às 10h21 | carol.jp3@gmail.com



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Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.