Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Cada vez mais cedo e cada vez mais "coisas"...

A vida corrida e voltada pro consumo excessivo têm feito com que as pessoas percam a noção de termos simples como "saudável", "necessário" e "natural". Inserir as crianças -e cada vez mais cedo- nessa paranóia coletiva é triste, danoso e cruel. Falta tempo e espaço pra criança ser criança, e pasmem, até pros bebês serem bebês.
 

"Você já deve ter visto diversas coisas do tipo: o adulto coloca o bebê de barriga para baixo para que seu corpo fique firme para quando for caminhar. Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. Tenho uma premissa que a gente tem que dar tempo para o bebê ser bebê. Cada fase deve ser respeitada. Há uma tendência de se criar academia para bebês ou sites que estimulam o ensino de Matemática quando ele ainda está em gestação. Estão criando agenda, aula disso, daquilo. Está entendendo a loucura?"

 

A fala é de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, em entrevista à Gazeta do Povo. Recomendo a leitura completa aqui!


 

 

"Cadeirinha musical de vibrações calmantes bichinhos da selva": "A vida da mãe de um recém-nascido não é fácil. A correria e a disciplina são constantes para quem tem sob sua responsabilidade uma vida frágil como é a de um bebê que acabou de nascer. Além de tudo, ela tem que fazer isso tudo sem abandonar as outras diversas obrigações do dia a dia. Por isso, é sempre bem-vindo quando a tecnologia pode nos auxiliar, por isso, uma grande ajuda foi a invenção da cadeirinha vibratória para relaxar o bebê" (texto institucional)


Essa cadeirinha é um "precisa-ter" na lista das mamães modernas... Se não temos tempo para criar os filhos não tem problerma, dá-se um jeito...cadeiras que vibram, aulas de incentivo, cuidadores e enfermeiros...  Parece que hoje em dia tempo não é fundamental, só dinheiro... 




 


 

Escrito por Caroline Cezar, 02/12/2013 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com



Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














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Cada vez mais cedo e cada vez mais "coisas"...

A vida corrida e voltada pro consumo excessivo têm feito com que as pessoas percam a noção de termos simples como "saudável", "necessário" e "natural". Inserir as crianças -e cada vez mais cedo- nessa paranóia coletiva é triste, danoso e cruel. Falta tempo e espaço pra criança ser criança, e pasmem, até pros bebês serem bebês.
 

"Você já deve ter visto diversas coisas do tipo: o adulto coloca o bebê de barriga para baixo para que seu corpo fique firme para quando for caminhar. Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. Tenho uma premissa que a gente tem que dar tempo para o bebê ser bebê. Cada fase deve ser respeitada. Há uma tendência de se criar academia para bebês ou sites que estimulam o ensino de Matemática quando ele ainda está em gestação. Estão criando agenda, aula disso, daquilo. Está entendendo a loucura?"

 

A fala é de Paulo Fochi, coordenador e professor do curso de especialização em Educação Infantil da Unisinos, no Rio Grande do Sul, em entrevista à Gazeta do Povo. Recomendo a leitura completa aqui!


 

 

"Cadeirinha musical de vibrações calmantes bichinhos da selva": "A vida da mãe de um recém-nascido não é fácil. A correria e a disciplina são constantes para quem tem sob sua responsabilidade uma vida frágil como é a de um bebê que acabou de nascer. Além de tudo, ela tem que fazer isso tudo sem abandonar as outras diversas obrigações do dia a dia. Por isso, é sempre bem-vindo quando a tecnologia pode nos auxiliar, por isso, uma grande ajuda foi a invenção da cadeirinha vibratória para relaxar o bebê" (texto institucional)


Essa cadeirinha é um "precisa-ter" na lista das mamães modernas... Se não temos tempo para criar os filhos não tem problerma, dá-se um jeito...cadeiras que vibram, aulas de incentivo, cuidadores e enfermeiros...  Parece que hoje em dia tempo não é fundamental, só dinheiro... 




 


 

Escrito por Caroline Cezar, 02/12/2013 às 10h51 | carol.jp3@gmail.com



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