Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Suicídio?

O pedreiro do meu vizinho chamou pra dizer que meu cachorro pegou um passarinho. Dois, na verdade. "Um ele matou, o outro escapou mas acho que tá ali ó, perto da pedra, a senhora pode ver se tá ali?". 

Já ia descendo pra olhar mas quando vi que o cara tinha uma gaiola com um terceiro passarinho, disse que já era, não tava vendo nada e não podia descer. Ouvi ele lamentando a "perda" mas comemorando que o sabiá que "restou" vai cantar é muito. Agora ele -o cara- tá lá longe, nem aí pro bichinho, e tá me dando um ruim de ver a ave ali, bicando a grade sem entender que porra é essa. E vem um pelo lado de fora, como que consolando o que tá enclausurado. Não consigo relaxar com isso.

Faz uns meses que não durmo a noite toda, e escuto os sabiás -SOLTOS- cantarem incessamente de dia e de noite. Não entendo a lógica de vir um lóqui e limitar em 99,9% o espaço do bicho, ainda ter que dar comida e água, só pra se sentir dono do mundo, senhor dos cantos, ou sei lá o que passa na cabeça estreita de quem faz isso. Não ouve, não pensa, não ama?

 

Pois eu acho que passarinho pensa, ouve e ama e boto fé que ele se jogou pro cachorro num ato de honra. Ou sanidade.  

 

Escrito por Caroline Cezar, 05/12/2013 às 20h01 | carol.jp3@gmail.com



Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














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Suicídio?

O pedreiro do meu vizinho chamou pra dizer que meu cachorro pegou um passarinho. Dois, na verdade. "Um ele matou, o outro escapou mas acho que tá ali ó, perto da pedra, a senhora pode ver se tá ali?". 

Já ia descendo pra olhar mas quando vi que o cara tinha uma gaiola com um terceiro passarinho, disse que já era, não tava vendo nada e não podia descer. Ouvi ele lamentando a "perda" mas comemorando que o sabiá que "restou" vai cantar é muito. Agora ele -o cara- tá lá longe, nem aí pro bichinho, e tá me dando um ruim de ver a ave ali, bicando a grade sem entender que porra é essa. E vem um pelo lado de fora, como que consolando o que tá enclausurado. Não consigo relaxar com isso.

Faz uns meses que não durmo a noite toda, e escuto os sabiás -SOLTOS- cantarem incessamente de dia e de noite. Não entendo a lógica de vir um lóqui e limitar em 99,9% o espaço do bicho, ainda ter que dar comida e água, só pra se sentir dono do mundo, senhor dos cantos, ou sei lá o que passa na cabeça estreita de quem faz isso. Não ouve, não pensa, não ama?

 

Pois eu acho que passarinho pensa, ouve e ama e boto fé que ele se jogou pro cachorro num ato de honra. Ou sanidade.  

 

Escrito por Caroline Cezar, 05/12/2013 às 20h01 | carol.jp3@gmail.com



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