Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Estamos doentes?

Estava lendo sobre o assunto e percebi que eu não tenho mais "farmácia" em casa. Tinha uma "caixa de remédios" que foi se reduzindo, reduzindo, até que acabei jogando fora. De tempos em tempos dava uma geral, e lá se ia metade das coisas, vencidas. Me surpreendia sempre, com a quantidade de dinheiro indo pro lixo. Mas por outro lado, comemorava toda aquela química fora do corpo.


A bem da verdade tenho sim algo que posso chamar de farmacinha, no armário da cozinha, onde se alojam um composto anti-gripal, feito de sálvia, guaco, poejo e alfavaca, distribuído gratuitamente no Parque Ecológico Municipal; um óleo mineral; um inalante, feito de eucalipto e mentol; e uma pasta d'água. Tem também um melagrião, -que notei vencido quando fui verificar-; e um complemento de ferro que me mandaram tomar na gestação. Parando pra pensar notei que o lugar onde naturalmente a "farmacinha" foi parar está ao lado da erva mate, chás, sementes e do cacau, um anti-depressivo natural. Onde tem coco ralado e aveia em pó. Gergelim. Mel. Castanha. Óleos. Porque a gente chama de remédio o que quiser. E de médico quem confiar.

 



Esqueci de citar o "Repelente caseiro do 4 ano" que tem na minha farmacinha. Não é da johnsons, não tem "cheirinho de bebê", mas é totalmente natural. Ah, não custa quase nada e veio de presente da feira de ciências. Com a receita pra fazer em casa! 


E no que temos por aí, falando de convencionalidades, eu perdi a confiança. Ou melhor, ganhei confiança. Foi um processo gradual e de construção, lógica e intuição. Por que um cara que me vê por 15 minutos, mal me olha nos olhos, nem pergunta o que me aflige -só onde me dói- vai saber mais de mim do que eu própria? Por que um profissional, insatisfeito com a confusão econômica dos planos de saúde, e que não se dá ao trabalho nem de dar boa noite ou pedir o nome da minha criança indisposta vai saber melhor como tratá-la, do que eu, a mãe, que cuido e conheço e amo 24 horas ao dia? Como um cidadão com pouca compaixão pode dizer o que é "melhor opção" pra minha saúde, se não sabe o que eu como, como ando, me relaciono, ou ocupo meu tempo?


E isso só fazendo um comentário superficial sobre os maus atendimentos, a falta de compromisso, a irresponsabilidade social, porque o buraco é bem mais embaixo, existe grana alta e interesses escusos envolvidos nesse sistema que prioriza a doença e não à saúde e que muito mais lesiona do que beneficia.


Por exemplo: a maternidade chique está apta a colher células tronco do seu filho quando ele nasce e congelar pelo resto da vida, claro que mediante 'taxas de coleta e mensalidades vitalícias que custam muito barato se for comparar à segurança no caso de uma doença grave', mas não apta à deixar ele grudado uns minutinhos a mais no seu cordão umbilical, obra prima da natureza que reforça imunidade, vínculo e transição suave para aprender a respirar do lado de cá. O ideal é que ele ficasse grudado até o cordão parar de pulsar, mas aí você vai ter que armar uma confusão no hospital para exigir o que é seu por direito -e principalmente dele. 

Isso no nascimento. Tá vendo a inversão de valores, literalmente?

 

Segue-se uma sequência de equívocos que vão nos enfraquecendo e deixando-nos dependentes de substâncias que não nos pertencem, gerando consequência e consequência, até o ponto em que estamos substituindo uma droga por outra, "pra compensar". Pra não dizer as que 'substituem' o afeto, a alegria, o desejo, a presença dos pais, a atenção, o amor. Não tô falando de puxar um fumo, isso é "coisa de malaco", e sim daquelas drogas que uma mãe receita pra outra na porta da escola: o viagra pro marido, a ritalina pra criança, o rivotril pra elas "darem conta de tudo, porque essa vida não é fácil". Banho de mar ninguém receita. Meditação é coisa de hippie. Pé na grama é bicho grilice.


A professora de yoga falou numa aula e eu não esqueço: "doença é afastamento" e talvez essa seja a parte mais triste da história. Porque as pessoas estão tão de longe de si que criaram a idéia que precisam ser salvas. E ai do médico se elas saírem da consulta sem uma receitinha que resolva "urgente" a questão. Já imaginou se ele manda ela tomar um chá, dar uma respirada? Ela nunca mais volta. E vai achar algum que siga o script de "compra uma boleta que passa".


Óbvio que a medicina é útil, mas não como está sendo aplicada, não menosprezando a medicina mãe, as ciências orientais, a espiritualidade e a visão integral do ser humano. As farmácias parecem lojas de conveniências, com embalagens coloridas e chamativas dizendo compre-me! Evite.
Reconecte-se. Investigue-se. Pergunte-se. Você pode não dar conta de acabar com a dor de garganta na primeira tentativa, mas pelo menos saiba de onde ela veio. Conhece a ti mesmo, dizia o filósofo. Ensine suas crianças, treine-as pra isso, induza-as a saber de onde surgiu a dor, do que ela tava com medo, o que ela comeu, o que a incomodou. É auto-defesa e auto-conhecimento. Começar a pensar nisso é mais que urgente.

 

===

E em que ponto crê que estamos?
Não sei quantificá-lo, mas penso que provavelmente em menos de 5 anos todo o mundo se dará conta de que quando vai ao médico vai a um especialista da enfermidade e não a um especialista da saúde. Deixar de lado a chamada “medicina científica” e a segurança que oferece, para ir a um terapeuta é já um passo importante. Também o é perder o respeito e a obediência cega ao médico. O grande passo é dizer não à autoridade exterior e dizer sim à nossa autoridade interior.


E o que é que nos impede de romper com a autoridade exterior?
O medo. Temos medo de não chamar o médico. Mas é o medo, por si próprio, quem nos pode enfermar e matar. Nós morremos de medo. Esquecermo-nos que a natureza humana é divina, o que quer dizer, concebida para nos comportarmos como deuses. E desde quando os deuses têm medo? Cada vez que nos comportamos de maneira diferente da de um deus pomo-nos enfermos. Essa é a realidade.

Trechos da entrevista "A Máfia Médica e a Indústria da Doença", com a médica Ghislaine Tanctot, publicada pelo Portal em Pauta e que você pode ler completa aqui!

=== 

 

* Coluna Ex pressão publicada originalmente no Página3 impresso, em 07 de dezembro de 2013.

Escrito por Caroline Cezar, 11/12/2013 às 14h17 | carol.jp3@gmail.com



Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: [email protected]

Página 3
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Estamos doentes?

Estava lendo sobre o assunto e percebi que eu não tenho mais "farmácia" em casa. Tinha uma "caixa de remédios" que foi se reduzindo, reduzindo, até que acabei jogando fora. De tempos em tempos dava uma geral, e lá se ia metade das coisas, vencidas. Me surpreendia sempre, com a quantidade de dinheiro indo pro lixo. Mas por outro lado, comemorava toda aquela química fora do corpo.


A bem da verdade tenho sim algo que posso chamar de farmacinha, no armário da cozinha, onde se alojam um composto anti-gripal, feito de sálvia, guaco, poejo e alfavaca, distribuído gratuitamente no Parque Ecológico Municipal; um óleo mineral; um inalante, feito de eucalipto e mentol; e uma pasta d'água. Tem também um melagrião, -que notei vencido quando fui verificar-; e um complemento de ferro que me mandaram tomar na gestação. Parando pra pensar notei que o lugar onde naturalmente a "farmacinha" foi parar está ao lado da erva mate, chás, sementes e do cacau, um anti-depressivo natural. Onde tem coco ralado e aveia em pó. Gergelim. Mel. Castanha. Óleos. Porque a gente chama de remédio o que quiser. E de médico quem confiar.

 



Esqueci de citar o "Repelente caseiro do 4 ano" que tem na minha farmacinha. Não é da johnsons, não tem "cheirinho de bebê", mas é totalmente natural. Ah, não custa quase nada e veio de presente da feira de ciências. Com a receita pra fazer em casa! 


E no que temos por aí, falando de convencionalidades, eu perdi a confiança. Ou melhor, ganhei confiança. Foi um processo gradual e de construção, lógica e intuição. Por que um cara que me vê por 15 minutos, mal me olha nos olhos, nem pergunta o que me aflige -só onde me dói- vai saber mais de mim do que eu própria? Por que um profissional, insatisfeito com a confusão econômica dos planos de saúde, e que não se dá ao trabalho nem de dar boa noite ou pedir o nome da minha criança indisposta vai saber melhor como tratá-la, do que eu, a mãe, que cuido e conheço e amo 24 horas ao dia? Como um cidadão com pouca compaixão pode dizer o que é "melhor opção" pra minha saúde, se não sabe o que eu como, como ando, me relaciono, ou ocupo meu tempo?


E isso só fazendo um comentário superficial sobre os maus atendimentos, a falta de compromisso, a irresponsabilidade social, porque o buraco é bem mais embaixo, existe grana alta e interesses escusos envolvidos nesse sistema que prioriza a doença e não à saúde e que muito mais lesiona do que beneficia.


Por exemplo: a maternidade chique está apta a colher células tronco do seu filho quando ele nasce e congelar pelo resto da vida, claro que mediante 'taxas de coleta e mensalidades vitalícias que custam muito barato se for comparar à segurança no caso de uma doença grave', mas não apta à deixar ele grudado uns minutinhos a mais no seu cordão umbilical, obra prima da natureza que reforça imunidade, vínculo e transição suave para aprender a respirar do lado de cá. O ideal é que ele ficasse grudado até o cordão parar de pulsar, mas aí você vai ter que armar uma confusão no hospital para exigir o que é seu por direito -e principalmente dele. 

Isso no nascimento. Tá vendo a inversão de valores, literalmente?

 

Segue-se uma sequência de equívocos que vão nos enfraquecendo e deixando-nos dependentes de substâncias que não nos pertencem, gerando consequência e consequência, até o ponto em que estamos substituindo uma droga por outra, "pra compensar". Pra não dizer as que 'substituem' o afeto, a alegria, o desejo, a presença dos pais, a atenção, o amor. Não tô falando de puxar um fumo, isso é "coisa de malaco", e sim daquelas drogas que uma mãe receita pra outra na porta da escola: o viagra pro marido, a ritalina pra criança, o rivotril pra elas "darem conta de tudo, porque essa vida não é fácil". Banho de mar ninguém receita. Meditação é coisa de hippie. Pé na grama é bicho grilice.


A professora de yoga falou numa aula e eu não esqueço: "doença é afastamento" e talvez essa seja a parte mais triste da história. Porque as pessoas estão tão de longe de si que criaram a idéia que precisam ser salvas. E ai do médico se elas saírem da consulta sem uma receitinha que resolva "urgente" a questão. Já imaginou se ele manda ela tomar um chá, dar uma respirada? Ela nunca mais volta. E vai achar algum que siga o script de "compra uma boleta que passa".


Óbvio que a medicina é útil, mas não como está sendo aplicada, não menosprezando a medicina mãe, as ciências orientais, a espiritualidade e a visão integral do ser humano. As farmácias parecem lojas de conveniências, com embalagens coloridas e chamativas dizendo compre-me! Evite.
Reconecte-se. Investigue-se. Pergunte-se. Você pode não dar conta de acabar com a dor de garganta na primeira tentativa, mas pelo menos saiba de onde ela veio. Conhece a ti mesmo, dizia o filósofo. Ensine suas crianças, treine-as pra isso, induza-as a saber de onde surgiu a dor, do que ela tava com medo, o que ela comeu, o que a incomodou. É auto-defesa e auto-conhecimento. Começar a pensar nisso é mais que urgente.

 

===

E em que ponto crê que estamos?
Não sei quantificá-lo, mas penso que provavelmente em menos de 5 anos todo o mundo se dará conta de que quando vai ao médico vai a um especialista da enfermidade e não a um especialista da saúde. Deixar de lado a chamada “medicina científica” e a segurança que oferece, para ir a um terapeuta é já um passo importante. Também o é perder o respeito e a obediência cega ao médico. O grande passo é dizer não à autoridade exterior e dizer sim à nossa autoridade interior.


E o que é que nos impede de romper com a autoridade exterior?
O medo. Temos medo de não chamar o médico. Mas é o medo, por si próprio, quem nos pode enfermar e matar. Nós morremos de medo. Esquecermo-nos que a natureza humana é divina, o que quer dizer, concebida para nos comportarmos como deuses. E desde quando os deuses têm medo? Cada vez que nos comportamos de maneira diferente da de um deus pomo-nos enfermos. Essa é a realidade.

Trechos da entrevista "A Máfia Médica e a Indústria da Doença", com a médica Ghislaine Tanctot, publicada pelo Portal em Pauta e que você pode ler completa aqui!

=== 

 

* Coluna Ex pressão publicada originalmente no Página3 impresso, em 07 de dezembro de 2013.

Escrito por Caroline Cezar, 11/12/2013 às 14h17 | carol.jp3@gmail.com



Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.