Jornal Página 3
Coluna
Ex pressão
Por Caroline Cezar

Oi Outono!

Tá gente, todo mundo que tem facebook já sabe que o “Outono é estação mais da alma que da natureza”, e quem assina é um tal de Fritz, Nitz, Nietzsche (hahaha), mas a sugestão é sair um pouco da caixa pra sentir o que esses ventos amenos nos trazem. 

 

 

 

Podemos começar nos propondo um pequeno desafio: ficar meio período, vejam bem, meio período de um dia, sem qualquer aparato eletrônico, seja celular, televisão, computador, ipad ou essas porcarias de bolso. (Não precisa desligar a geladeira, mas pra quem quer ir mais longe recomendo. E siiiim, ainda é possível viver sem geladeira, ainda tem gente que OPTA por não ter luz elétrica, e vive bem, toma banho gelado no frio da montanha - a pele e a imunidade agradecem).


Mas podemos ficar aqui mais perto, com o nosso pequeno desafio, que chamei de “pequeno” mas tenta, só tenta. Esse é um exercício básico e fundamental pra entrar em contato, num contato mais profundo e verdadeiro que a incrível e tentadora enormidade de distrações não nos permite. É muita oferta (e pouca procura?) mas acho que tentar é possível e que podemos começar por aí, nos dando essa pequena pausa que pode se tornar periódica, talvez algumas vezes por semana, quiçá diariamente… Um tempo pra chamar de seu, pra você ser o senhor de si, quando vale conversar com um amigo ou um estranho na rua, caminhar calmamente pelo bairro, correr energeticamente pela praia; preparar uma refeição, ler um livro, deitar na rede, olhar pro céu ou melhor ainda, fazer nada. Quantos minutos você consegue -intencionalmente- ficar sem fazer absolutamente nada? Hm?


Segundo desafio: perceber quantas dessas coisas básicas fazemos com o celular/ computador ligado nos nossos dias. Teoricamente são coisas pra fazer estando inteiro, mas é assim que acontece? Olha pra ontem, anteontem, agora pouco...como foi? É pra isso que serve a tecnologia, nos controlar e escravizar? Não era pra nos servir, melhorar nossa vida, facilitar as coisas e blá blá blá?


Podemos passar a estação inteira cuidando desses dois desafios “simplórios” que podiam ter o título de “OLHAR PRA SI”, mas tem outras coisas que podem servir pra gente se conectar de corpo e alma ao outono, como sugere o carinha da frase pop das redes sociais:


Olhar pra cima
Meu afilhado recebeu a tarefa de criar um “caderno de observação do céu” e eu achei o máximo. Esse é um hábito extremamente saudável que reforça a beleza da contemplação, e sua magnífica “inutilidade”. Mas ele me falou que é só pros céus noturnos e poxa, não! Os céus de Outono, especialmente os do amanhecer e de fim de tarde, são verdadeiros espetáculos da natureza. Vale criar a rotina de tirar cinco minutos por dia pra lembrar que é parte desse todo imenso. Pode até pôr no instagram. Mas deixa pra depois tá?


Olhar pros lados
Com o ritmo frenético do verão e sem aquele calor achatando a mente você pode andar um pouco mais devagar e dar uma observada nas pessoas, na cidade, carros e bicicletas. Se tornar um observador (e tentar fazer o mínimo julgamento possível) é um exercício mental de abertura, questionamento e cidadania.


Olhar pra baixo
Mesmo se você não mora numa região agrícola, tem uma outra hortinha perdidas por aí na cidade né? Conhecer os alimentos da época é um grande passo pra uma alimentação mais saudável: se não tem a horta você pode ver pelos preços do mercado, normalmente o que tá mais barato tá dando mais, não é importado, nem congelado, nem bombado de agrotóxicos. Comprar alimento da época é agir conforme a natureza, é usar o que tem, o que significa melhor nutrição, mais sabor e mais potência. As cores são os marrons, alaranjado, vermelho, verde escuro, veja como esses estão mais bonitos.


Olhar pro prato
Ter tempo pra comer bem devia ser uma lei universal. É inadmissível que alguém faça uma refeição andando, discutindo, falando no celular ou assistindo televisão, mas a gente sabe que acontece, com enorme frequência. Se é muito difícil abandonar esse péssimo hábito, se esforce para pelo menos uma vez ao dia ter uma alimentação de qualidade, e isso inclui boa nutrição, serenidade, família, diálogo, beleza e cuidado no servir. Se no almoço é corrido porque tem que levar as crianças na escola, voltar pro trabalho, lidar com os compromissos, faça que a hora do jantar seja sagrada. Ou estenda o café da manhã. Adapte, mas entenda a importância desse momento. Não precisa grandes preparações ou compras excessivas: um ovo, um abacate, um suco multi mistura, grãos e folhas são ingredientes que aumentam muito o valor nutricional de qualquer refeição e bem fáceis de combinar com o pobrinho e delicioso pão com manteiga, por exemplo. Essa época também é ótima pras sopas e alimentos mais quentes. Comer bem vai preparar sua imunidade pro inverno.


OLHAR PRO QUE TEM
... e pro que não precisa, não usa, não quer mais. Serve pra tudo: roupas, ambientes, emoções, hábitos. Perceber os ciclos, os fins, os reinícios, pra isso servem as estações.
 


(Demorei pra publicar o "Oi Outono"? Tava lá fora. E o que fooooi aquele vento marcando o início de estação? O Outono iniciou dia 21 de março e vai até 23 de junho. Bom proveito!)

Texto originalmente publicado na coluna Ex pressão do Página3 impresso, em 22 de março de 2014. 

Escrito por Caroline Cezar, 28/03/2014 às 10h52 | carol.jp3@gmail.com



Caroline Cezar

Assina a coluna Ex pressão

É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.














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Tá gente, todo mundo que tem facebook já sabe que o “Outono é estação mais da alma que da natureza”, e quem assina é um tal de Fritz, Nitz, Nietzsche (hahaha), mas a sugestão é sair um pouco da caixa pra sentir o que esses ventos amenos nos trazem. 

 

 

 

Podemos começar nos propondo um pequeno desafio: ficar meio período, vejam bem, meio período de um dia, sem qualquer aparato eletrônico, seja celular, televisão, computador, ipad ou essas porcarias de bolso. (Não precisa desligar a geladeira, mas pra quem quer ir mais longe recomendo. E siiiim, ainda é possível viver sem geladeira, ainda tem gente que OPTA por não ter luz elétrica, e vive bem, toma banho gelado no frio da montanha - a pele e a imunidade agradecem).


Mas podemos ficar aqui mais perto, com o nosso pequeno desafio, que chamei de “pequeno” mas tenta, só tenta. Esse é um exercício básico e fundamental pra entrar em contato, num contato mais profundo e verdadeiro que a incrível e tentadora enormidade de distrações não nos permite. É muita oferta (e pouca procura?) mas acho que tentar é possível e que podemos começar por aí, nos dando essa pequena pausa que pode se tornar periódica, talvez algumas vezes por semana, quiçá diariamente… Um tempo pra chamar de seu, pra você ser o senhor de si, quando vale conversar com um amigo ou um estranho na rua, caminhar calmamente pelo bairro, correr energeticamente pela praia; preparar uma refeição, ler um livro, deitar na rede, olhar pro céu ou melhor ainda, fazer nada. Quantos minutos você consegue -intencionalmente- ficar sem fazer absolutamente nada? Hm?


Segundo desafio: perceber quantas dessas coisas básicas fazemos com o celular/ computador ligado nos nossos dias. Teoricamente são coisas pra fazer estando inteiro, mas é assim que acontece? Olha pra ontem, anteontem, agora pouco...como foi? É pra isso que serve a tecnologia, nos controlar e escravizar? Não era pra nos servir, melhorar nossa vida, facilitar as coisas e blá blá blá?


Podemos passar a estação inteira cuidando desses dois desafios “simplórios” que podiam ter o título de “OLHAR PRA SI”, mas tem outras coisas que podem servir pra gente se conectar de corpo e alma ao outono, como sugere o carinha da frase pop das redes sociais:


Olhar pra cima
Meu afilhado recebeu a tarefa de criar um “caderno de observação do céu” e eu achei o máximo. Esse é um hábito extremamente saudável que reforça a beleza da contemplação, e sua magnífica “inutilidade”. Mas ele me falou que é só pros céus noturnos e poxa, não! Os céus de Outono, especialmente os do amanhecer e de fim de tarde, são verdadeiros espetáculos da natureza. Vale criar a rotina de tirar cinco minutos por dia pra lembrar que é parte desse todo imenso. Pode até pôr no instagram. Mas deixa pra depois tá?


Olhar pros lados
Com o ritmo frenético do verão e sem aquele calor achatando a mente você pode andar um pouco mais devagar e dar uma observada nas pessoas, na cidade, carros e bicicletas. Se tornar um observador (e tentar fazer o mínimo julgamento possível) é um exercício mental de abertura, questionamento e cidadania.


Olhar pra baixo
Mesmo se você não mora numa região agrícola, tem uma outra hortinha perdidas por aí na cidade né? Conhecer os alimentos da época é um grande passo pra uma alimentação mais saudável: se não tem a horta você pode ver pelos preços do mercado, normalmente o que tá mais barato tá dando mais, não é importado, nem congelado, nem bombado de agrotóxicos. Comprar alimento da época é agir conforme a natureza, é usar o que tem, o que significa melhor nutrição, mais sabor e mais potência. As cores são os marrons, alaranjado, vermelho, verde escuro, veja como esses estão mais bonitos.


Olhar pro prato
Ter tempo pra comer bem devia ser uma lei universal. É inadmissível que alguém faça uma refeição andando, discutindo, falando no celular ou assistindo televisão, mas a gente sabe que acontece, com enorme frequência. Se é muito difícil abandonar esse péssimo hábito, se esforce para pelo menos uma vez ao dia ter uma alimentação de qualidade, e isso inclui boa nutrição, serenidade, família, diálogo, beleza e cuidado no servir. Se no almoço é corrido porque tem que levar as crianças na escola, voltar pro trabalho, lidar com os compromissos, faça que a hora do jantar seja sagrada. Ou estenda o café da manhã. Adapte, mas entenda a importância desse momento. Não precisa grandes preparações ou compras excessivas: um ovo, um abacate, um suco multi mistura, grãos e folhas são ingredientes que aumentam muito o valor nutricional de qualquer refeição e bem fáceis de combinar com o pobrinho e delicioso pão com manteiga, por exemplo. Essa época também é ótima pras sopas e alimentos mais quentes. Comer bem vai preparar sua imunidade pro inverno.


OLHAR PRO QUE TEM
... e pro que não precisa, não usa, não quer mais. Serve pra tudo: roupas, ambientes, emoções, hábitos. Perceber os ciclos, os fins, os reinícios, pra isso servem as estações.
 


(Demorei pra publicar o "Oi Outono"? Tava lá fora. E o que fooooi aquele vento marcando o início de estação? O Outono iniciou dia 21 de março e vai até 23 de junho. Bom proveito!)

Texto originalmente publicado na coluna Ex pressão do Página3 impresso, em 22 de março de 2014. 

Escrito por Caroline Cezar, 28/03/2014 às 10h52 | carol.jp3@gmail.com



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É curiosa e encantada com manifestações da natureza, incluindo a humana. Tem resistência a currículos e títulos. Tenta exercitar a entrega cotidiana. Discorda da própria opinião. É apaixonada. Não sabe, nem quer, separar nada de coisa alguma.