Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Mais calma pessoal!

Quero olhar menos as redes esse ano. De vez em quando dou uma passada e vejo que as pessoas andam muito sensíveis, irritadas, xingando fácil, exigindo, cobrando, reclamando e pôxa...o ano acabou de começar...
Há alguns dias estava todo mundo se abraçando, desejando paz, alegrias, esperança e não sei mais o que nesse ano novo. Já esqueceram tudo?
Pela manhã andando na avenida Brasil recebi duas reclamações sobre o trânsito congestionado, parado naquela via. Não é nenhuma novidade. Estamos em alta temporada.
Uma das reclamantes disse que enquanto os ônibus de turismo estiverem parando na Brasil e andando pelas ruas apertadas do centro, nada vai mudar. Do Atlântico Shopping até a 1500 ela levou 50 minutos...e estava indignada.
O outro reclamou porque os turistas estão 'passeando', andando em marcha lenta e atrapalhando o trânsito quando outros precisam cumprir horário no trabalho.
Encontrei também quem reclamasse de outro problema sério que ganha enormes dimensões nesse período de muvuca: estacionar. A moradora levou mais de hora circulando e procurando um local para parar, porque carregava uma pessoa de idade que precisava ir a um consultório.
Nada disso é novo.
Tudo isso se repete todos os anos.
Estamos com a cidade cheia de visitantes.
Se temos que trabalhar, cumprir horários, temos que achar um jeito de chegar, porque isso não vai mudar, porque não tem como mudar de uma hora pra outra. Exige planejamento. Estudo.
Os ônibus de turismo parar no centro, descarregando turistas é um assunto que levantamos neste jornal desde que ele existe, quase três décadas. Não apareceu um jeito até hoje de resolver isso. Sabe por quê? Porque só pensamos no problema quando ele está diante de nós, hoje, agora. E aí não tem jeito mesmo.
Então pessoal, vejo explosões e reclamações por todos os lados.
Vamos acalmar. Se estamos aqui é porque gostamos de estar aqui. Se queremos continuar aqui, vamos juntos em busca de soluções. Só reclamar, chiar, detonar, não resolve nenhum tipo de problema.
Pense nisso. Com calma!

Escrito por Marlise Schneider, 12/01/2018 às 15h09 | lisi@pagina3.com.br

O navio, o churros e a ciclovia

 O pequeno Diego, 8 anos, do interior do Paraná, travou na calçada da beira mar, quando avistou o navio cruzeiro que estava se preparando para ir embora. Do lado de cá da calçada da avenida Atlântica ele estava tão extasiado com aquela cena, manifestava em alto e bom tom, tudo que aquele navio dizia para ele...é muito grande, é gigante...é muito bonito...eu quero ir lá perto...quantas pessoas tem lá dentro...ele perguntava tudo ao mesmo tempo para os pais que também estavam 'imobilizados' pela cena. Eles queriam saber quando vem outro navio, será que ainda estaremos por aqui?

Eu estava ali por perto e fiquei do ladinho acompanhando aquele momento. Depois olhei em volta e vi que tinha muitos Diegos por ali. O pessoal olhava 'por cima' da praia lotada. Todos queriam ver o navio, o último transatlântico que encostou na Barra Sul esse ano.

Nós moradores já incorporamos os transatlânticos, afinal este foi o quinto e nem foi o maior. Fiquei imaginando o Diego se visse um daqueles primeiros que encostaram por ali.

Então me dei conta que os transatlânticos são uma novidade para turistas. 

Depois escutei um grupo comentando que as bancas de churros estão de cara nova, 'melhoraram' o visú. "Além de bonitas, ficaram mais higiênicas", acha uma turista de São Francisco do Sul. Esta é outra novidade nesta temporada. Mas algumas ainda não estão prontas.

Por último a ciclofaixa que não é novidade neste verão, mas chamou atenção de muita gente pelo volume de usuários e alguns em velocidade exagerada. Um garoto se exibindo veloz sobre o patinete elétrico que ganhou no Natal. Quase bateu na mulher que corria. Ouviu desaforos do pessoal que viu a cena. Mas seguiu na mesma disposição. Bikes indo e vindo, crianças com patins pra cima e pra baixo, pedestres atravessando, o local ficou conturbado e exige muita atenção de todos que frequentam ou passam por ali.

Tudo isso em menos de uma hora. Quarta-feira, dia 27 de dezembro, por volta de 16h.

Pensei com meus botões: uma ida até a praia nessa época é só novidade!

Escrito por Marlise Schneider, 28/12/2017 às 09h15 | lisi@pagina3.com.br

Lutero 500


Quanto mais leio sobre Lutero mais o admiro.

Homem inteligente, de muita coragem e visionário.

Naqueles anos 1500 e pouco ele tinha convicções admiráveis, não aceitava aquele negócio de absolver pecados mediante pagamento...vender cadeira na céu...ele só queria espaço para debater, mostrar porque era contra e acabou provocando uma guerra religiosa, que deu origem ao protestantismo.

Mas ele queria muito mais: alfabetizar para que as pessoas pudessem ler e interpretar a Bíblia; queria educação ao alcance de todos; queria acabar com a hierarquia clerical, não teria mais papa, bispo etc; queria eliminar imagens de santos, porque Deus é um só; queria extinguir o latim em cerimônias religiosas; queria abolir confissão e comunhão; sugeria acabar com o celibato para sacerdotes (ele próprio era monge católico e casou com Catarina von Bora (que era freira) e tantas outras sugestões, muitas delas parecem tão atuais.

Será que ele imaginava o que provocou?

Escrito por Marlise Schneider, 31/10/2017 às 08h08 | lisi@pagina3.com.br

Dias de peso

Esses últimos dias tem sido pesados de encarar.
Parece que as coisas ruíns superam as boas. Ou será que não enxergamos as boas e deixamos que as ruíns as encubram?
Por onde você anda, passa, olha, vê ou lê tem 'uma bomba' explodindo, é disso que todos falam, seja pessoalmente, seja na internet, até nas rodas de chimarrão...fica difícil desligar desse ambiente. Como faz?

*O catastrófico cenário da política brasileira, o que fizeram e continuam fazendo com esta terra maravilhosa? Parece que não tem mais fim, cada dia uma nova bomba estourando. Estamos abatidos e tristes.

*Massacre de Las Vegas, como entender algo tão calculado, a matança de 59 pessoas e centenas de feridos?

*O suicídio do reitor da UFSC em local de entretenimento, chocante. Nas redes há duas versões bem distintas: uns dizem que tirar a vida foi uma confissão dos seus erros. Outros dizem que ele não conseguiu administrar sua inocência. Quem vai saber?

*O vigia que botou fogo na creche, já são 8 mortos, seis crianças menores de 5 anos, uma professora e o próprio. Como entender uma atitude destas?

*A prisão do todo-poderoso e eterno presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, há 22 anos nesse cargo. Do Leblon direto pro cadeião. Fiquei pasma, porque entrevistei o Nuzman muitas vezes quando trabalhei no Rio, na época ele era presidente da Confederação Brasileira de Vôlei. Eu admirava o sujeito. Começou como jogador de vôlei. Amador. Das quadras seguiu carreira nos gabinetes. Mas era uma criatura sensível, humilde, todo mundo apostava nele, porque teve grande influência na ascensão do vôlei brasileiro. Nunca, jamais imaginei que um dia virasse manchete policial. E que escondia 16 barras de ouro na Suíça. Deus do céu, que tristeza. Decepção.

*A prisão do ex-terrorista Cesare Battisti, aquele que o então presidente Lula não deixou extraditar, lembram? Pois é, a prisão foi uma notícia boa, mas a lembrança daqueles dias em que o Brasil abriu as portas para o sujeito, renovou, reacendeu a tristeza.

*Pra finalizar as notícias tristes, a morte de Ruth Escobar, a 'perigosa' da ditadura...era assim que os milicos a denominaram, porque ela não tinha medo de enfrentá-los. Sou admiradora do seu talento. Estava com Alzheimer há muitos anos, logo ela, que tinha uma memória fenomenal. Dupla tristeza.

É tanta coisa ruím que dá vontade de nem escrever mais.
Que os próximos dias nos tragam mais coisas BOAS.
Em frente! 

Escrito por Marlise Schneider, 06/10/2017 às 09h18 | lisi@pagina3.com.br

AMOR É SÍNTESE

 'Amor é síntese...
é uma integração de dados...
não há que tirar nem pôr...
não me corte em fatias...
ninguém consegue abraçar um pedaço...
me envolva todo em seus braços...
e eu serei o perfeito amor!'

Esse poema é de Mário Quintana, com quem dividi mesa na redação da Companhia Jornalística Caldas Junior, em Porto Alegre, por quase uma década.
Ele era um solitário envolvente.
Gostava de falar do amor.
Lembro que ele não gostava de comer sozinho. Então lá pelas 19h, no auge, no pico da correria na redação (eu cobria esportes), ele convidava para subir até a lanchonete do jornal, no segundo andar, para fazer companhia enquanto eles 'devorava' todo santo dia um pratão de macarrão. Sempre que conseguia dar uma fugidinha da redação eu acompanhava aquele jantar, porque era sempre um aprendizado a mais na minha vida.
Enquanto comia, falava. O tempo todo. Falava alto. E eu apenas ouvia. Ele misturava estações.
Falava de coisas boas.
Gostava de falar no amor.
E perguntava sempre: "Tu achas que o amor é uma coisa boa?"

Anos tantos depois, hoje acordei lembrando dessa pergunta que ouvi tantas vezes na lanchonete da Caldas Junior.

Hoje estamos comemorando 41 anos de casório, de vida a dois...e muita gente está admirada, até parece coisa do passado. Comecei a pensar que parece algo meio estranho mesmo, nessa correria dos tempos atuais, de tantas mudanças, de tanto individualismo...é pra comemorar ou não, afinal?

É pra comemorar. Porque os frutos estão por aí nesse mundão de Deus...filhos, netos, família, amigos, jornal...pra mim é tudo de bom e vou reforçar a minha resposta para o amigo Mário Quintana, de quem sinto muita saudade:

Sim, acho que o amor é uma coisa boa!

 

Escrito por Marlise Schneider, 06/09/2017 às 10h08 | lisi@pagina3.com.br

Esse é o país que temos

Nossos amigos Vanessa e Felipe Dilda vieram até a redação para se despedir. 

Nesta terça-feira retornam para a Itália, onde já moraram alguns anos.

Eles estão em busca de um futuro melhor.

Se deram muito bem em terras italianas. Felipe tornou-se um 'expert' em carnes, virou açougueiro de primeira linha.

Então voltaram ao Brasil, onde vivem suas famílias, para tentar aplicar aqui os conhecimentos de lá. Ou seja, juntar o útil ao agradável, trabalhar aqui perto de seus familiares, em sua terra natal.

Abriram uma casa de carnes na avenida Brasil. Carnes nobres. Cortes diferentes. Durou enquanto durou. Mas não foi o esperado.

No Brasil está difícil, eles continuam procurando um futuro. "Um amigo meu me disse que ele nasceu no país do futuro e pelo jeito vai morrer no país do futuro, porque fica só nisso, as coisas não acontecem", comentou o jovem Felipe antes de despedir-se.

É isso. Lembrei de muitos anos atrás, quando ouvi uma frase parecida e naquele tempo, que nem existia Lava-Jato e nem essa cruel realidade da roubalheira estampada, escancarada como está hoje... meu velho pai já dizia, esse país é dos espertos...isso há muitos anos atrás...e lembrei também que no mês passado quando meu irmão esteve nos visitando, ele se queixava das barreiras que o governo impõe a quem realmente trabalha nesse país...e dizia que estava pensando seriamente em mudar sua empresa para o Uruguai.

É triste. Mas é real.

O Felipe nós conhecemos desde menino. Filho de um casal de amigos de longa data, a Kuki e o Batista. Imagino como eles estão com o coração apertado, com os filhos e os netos Aninha e Miguel indo pra longe de novo...

"Estamos felizes. Lá eles estão nos chamando. Lá eles reconhecem meu trabalho, dão valor. Lá serei um açougueiro de verdade", disse Felipe.

Boa viagem e um feliz encontro com o futuro por lá.

 

Escrito por Marlise Schneider, 21/08/2017 às 12h00 | lisi@pagina3.com.br



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Marlise Schneider

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... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.
















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