Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Lutero 500


Quanto mais leio sobre Lutero mais o admiro.

Homem inteligente, de muita coragem e visionário.

Naqueles anos 1500 e pouco ele tinha convicções admiráveis, não aceitava aquele negócio de absolver pecados mediante pagamento...vender cadeira na céu...ele só queria espaço para debater, mostrar porque era contra e acabou provocando uma guerra religiosa, que deu origem ao protestantismo.

Mas ele queria muito mais: alfabetizar para que as pessoas pudessem ler e interpretar a Bíblia; queria educação ao alcance de todos; queria acabar com a hierarquia clerical, não teria mais papa, bispo etc; queria eliminar imagens de santos, porque Deus é um só; queria extinguir o latim em cerimônias religiosas; queria abolir confissão e comunhão; sugeria acabar com o celibato para sacerdotes (ele próprio era monge católico e casou com Catarina von Bora (que era freira) e tantas outras sugestões, muitas delas parecem tão atuais.

Será que ele imaginava o que provocou?

Escrito por Marlise Schneider, 31/10/2017 às 08h08 | lisi@pagina3.com.br

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Dias de peso

Esses últimos dias tem sido pesados de encarar.
Parece que as coisas ruíns superam as boas. Ou será que não enxergamos as boas e deixamos que as ruíns as encubram?
Por onde você anda, passa, olha, vê ou lê tem 'uma bomba' explodindo, é disso que todos falam, seja pessoalmente, seja na internet, até nas rodas de chimarrão...fica difícil desligar desse ambiente. Como faz?

*O catastrófico cenário da política brasileira, o que fizeram e continuam fazendo com esta terra maravilhosa? Parece que não tem mais fim, cada dia uma nova bomba estourando. Estamos abatidos e tristes.

*Massacre de Las Vegas, como entender algo tão calculado, a matança de 59 pessoas e centenas de feridos?

*O suicídio do reitor da UFSC em local de entretenimento, chocante. Nas redes há duas versões bem distintas: uns dizem que tirar a vida foi uma confissão dos seus erros. Outros dizem que ele não conseguiu administrar sua inocência. Quem vai saber?

*O vigia que botou fogo na creche, já são 8 mortos, seis crianças menores de 5 anos, uma professora e o próprio. Como entender uma atitude destas?

*A prisão do todo-poderoso e eterno presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, há 22 anos nesse cargo. Do Leblon direto pro cadeião. Fiquei pasma, porque entrevistei o Nuzman muitas vezes quando trabalhei no Rio, na época ele era presidente da Confederação Brasileira de Vôlei. Eu admirava o sujeito. Começou como jogador de vôlei. Amador. Das quadras seguiu carreira nos gabinetes. Mas era uma criatura sensível, humilde, todo mundo apostava nele, porque teve grande influência na ascensão do vôlei brasileiro. Nunca, jamais imaginei que um dia virasse manchete policial. E que escondia 16 barras de ouro na Suíça. Deus do céu, que tristeza. Decepção.

*A prisão do ex-terrorista Cesare Battisti, aquele que o então presidente Lula não deixou extraditar, lembram? Pois é, a prisão foi uma notícia boa, mas a lembrança daqueles dias em que o Brasil abriu as portas para o sujeito, renovou, reacendeu a tristeza.

*Pra finalizar as notícias tristes, a morte de Ruth Escobar, a 'perigosa' da ditadura...era assim que os milicos a denominaram, porque ela não tinha medo de enfrentá-los. Sou admiradora do seu talento. Estava com Alzheimer há muitos anos, logo ela, que tinha uma memória fenomenal. Dupla tristeza.

É tanta coisa ruím que dá vontade de nem escrever mais.
Que os próximos dias nos tragam mais coisas BOAS.
Em frente! 

Escrito por Marlise Schneider, 06/10/2017 às 09h18 | lisi@pagina3.com.br

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AMOR É SÍNTESE

 'Amor é síntese...
é uma integração de dados...
não há que tirar nem pôr...
não me corte em fatias...
ninguém consegue abraçar um pedaço...
me envolva todo em seus braços...
e eu serei o perfeito amor!'

Esse poema é de Mário Quintana, com quem dividi mesa na redação da Companhia Jornalística Caldas Junior, em Porto Alegre, por quase uma década.
Ele era um solitário envolvente.
Gostava de falar do amor.
Lembro que ele não gostava de comer sozinho. Então lá pelas 19h, no auge, no pico da correria na redação (eu cobria esportes), ele convidava para subir até a lanchonete do jornal, no segundo andar, para fazer companhia enquanto eles 'devorava' todo santo dia um pratão de macarrão. Sempre que conseguia dar uma fugidinha da redação eu acompanhava aquele jantar, porque era sempre um aprendizado a mais na minha vida.
Enquanto comia, falava. O tempo todo. Falava alto. E eu apenas ouvia. Ele misturava estações.
Falava de coisas boas.
Gostava de falar no amor.
E perguntava sempre: "Tu achas que o amor é uma coisa boa?"

Anos tantos depois, hoje acordei lembrando dessa pergunta que ouvi tantas vezes na lanchonete da Caldas Junior.

Hoje estamos comemorando 41 anos de casório, de vida a dois...e muita gente está admirada, até parece coisa do passado. Comecei a pensar que parece algo meio estranho mesmo, nessa correria dos tempos atuais, de tantas mudanças, de tanto individualismo...é pra comemorar ou não, afinal?

É pra comemorar. Porque os frutos estão por aí nesse mundão de Deus...filhos, netos, família, amigos, jornal...pra mim é tudo de bom e vou reforçar a minha resposta para o amigo Mário Quintana, de quem sinto muita saudade:

Sim, acho que o amor é uma coisa boa!

 

Escrito por Marlise Schneider, 06/09/2017 às 10h08 | lisi@pagina3.com.br

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Esse é o país que temos

Nossos amigos Vanessa e Felipe Dilda vieram até a redação para se despedir. 

Nesta terça-feira retornam para a Itália, onde já moraram alguns anos.

Eles estão em busca de um futuro melhor.

Se deram muito bem em terras italianas. Felipe tornou-se um 'expert' em carnes, virou açougueiro de primeira linha.

Então voltaram ao Brasil, onde vivem suas famílias, para tentar aplicar aqui os conhecimentos de lá. Ou seja, juntar o útil ao agradável, trabalhar aqui perto de seus familiares, em sua terra natal.

Abriram uma casa de carnes na avenida Brasil. Carnes nobres. Cortes diferentes. Durou enquanto durou. Mas não foi o esperado.

No Brasil está difícil, eles continuam procurando um futuro. "Um amigo meu me disse que ele nasceu no país do futuro e pelo jeito vai morrer no país do futuro, porque fica só nisso, as coisas não acontecem", comentou o jovem Felipe antes de despedir-se.

É isso. Lembrei de muitos anos atrás, quando ouvi uma frase parecida e naquele tempo, que nem existia Lava-Jato e nem essa cruel realidade da roubalheira estampada, escancarada como está hoje... meu velho pai já dizia, esse país é dos espertos...isso há muitos anos atrás...e lembrei também que no mês passado quando meu irmão esteve nos visitando, ele se queixava das barreiras que o governo impõe a quem realmente trabalha nesse país...e dizia que estava pensando seriamente em mudar sua empresa para o Uruguai.

É triste. Mas é real.

O Felipe nós conhecemos desde menino. Filho de um casal de amigos de longa data, a Kuki e o Batista. Imagino como eles estão com o coração apertado, com os filhos e os netos Aninha e Miguel indo pra longe de novo...

"Estamos felizes. Lá eles estão nos chamando. Lá eles reconhecem meu trabalho, dão valor. Lá serei um açougueiro de verdade", disse Felipe.

Boa viagem e um feliz encontro com o futuro por lá.

 

Escrito por Marlise Schneider, 21/08/2017 às 12h00 | lisi@pagina3.com.br

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Página3...26 anos com vocês!

Há exatos 26 anos circulava a primeira edição do jornal Página3 em Balneário Camboriú.

Nos primórdios do Página 3

Era diferente. Um tablóide de 12 páginas em preto&branco. A redação ficava na Rua 600, na parte da frente da casa da dona Rosa e bem em frente ao Centro Espírita. A casa continua lá. A redação era tímida, tinha apenas um computador, duas máquinas de escrever, uma máquina fotográfica e uma grande vontade de acertar, de vencer. Até porque o dono da imobiliária que alugou a sala pra nós garantiu que nenhum jornal durava mais do que um ano na praia. Mas apesar desse 'agouro' decidimos apostar todas as fichas nesse sonho.

Primeira sede do Página 3 em 1991

Ainda hoje é nítida na memória a ansiedade, a correria, agonia naquela semana de julho que prevíamos o lançamento. Mas algo deu errado, não ficou pronto, a impressão teve que ser adiada uma semana e a edição não saiu do forno no dia 20 de julho como queríamos para presentear Balneário Camboriú, que aniversaria nesse dia. Adiamos uma semana e o lançamento aconteceu dia 26 de julho de 1991, no posto do Jaison Barreto, na Terceira Avenida. O posto continua lá, mas o Jaison aposentou-se e deixou o bar onde tantas reuniões importantes aconteceram, onde o jornal mesmo 'bateu ponto'...comemorou vários aniversários...entrevistou figurões, entre eles governadores, senadores, prefeitos e até o candidato a presidente Luís Inácio. Naquele tempo eu acreditava nele, achava mesmo, de verdade, que ele seria uma saída para esse país. Aliás acreditava tanto que votei três vezes nele e não ganhou nenhuma. Depois da terceira, perdi a fé. Hoje vejo que estava certa.

*A praia já tinha muitos prédios, mas não havia mais chance de planejar melhor para evitar o paredão de concreto tão pertinho do mar.

*A praia já se ressentia de um negócio chamado 'turismo o ano todo', porque a sazonalidade dava sinais de esgotamento.

*As casas de excursão e as feiras livres de verão eram dor de cabeça quando a temporada se aproximava.

*Os ambulantes, camelôs eram outra forte polêmica na praia.

*O trânsito era 'problemão' naquela época e estacionar já era difícil.

*A Atlântica foi reurbanizada, ganhou calçamento moderno, quiosques que geraram muita confusão política na cidade e até uma surra histórica de cinta do prefeito em um vereador de oposição.

*Na Brava as pedreiras eram dor de cabeça, porque detonavam os morros e as questões ambientais começavam a ganhar espaço, mas abriam caminho para o desemprego.

*As invasões aconteciam na periferia. O Municípios era um loteamento só, ninguém sabia quem era dono do quê naquela região. Mas nos morros da Barra e do Nações as invasões aconteciam da noite pro dia, em ritmo de galope.

*A segurança era 'problemão' e as lideranças organizadas da cidade criaram um grupo chamado Intersindical, que lutava para conseguir mais policiamento pelo menos no verão. Fizeram alguns milhares de quilômetros até Floripa para pedichar mais policiais ao governador.

*Há 26 anos eu não tinha netos. Hoje tenho 5.

*Há 26 anos Balneário tinha 40 mil moradores. Hoje tem quase 140 mil.

*Há 26 anos a praia era soberana. Hoje tem forte concorrência na região.

*Há 26 anos a cidade pedia um Centro de Convenções, anseio que tem a mesma idade do jornal. Hoje estamos perto de inaugurar um.

*Há 26 anos a praia apresentava sinais de declínio, línguas de uma água preta fétida invadiam a areia, a sombra dos prédios atrapalhava o sol que todo mundo queria na praia. Hoje no lugar das línguas temos briozoários que fedem igual ou pior e a sombra segue 'assombrando' os turistas.

*Há 26 anos a praia era o principal cartão postal da cidade. Hoje divide com novas atrações que surgiram, primeiro o Cristo Luz e depois o Parque Unipraias.

*Há 26 anos existia um lugar famoso chamado Baturité, o point dos jovens, o começo de tantos amores, o ponto de encontro, boa música, bares e noites inesquecíveis para um bocado de gente. Hoje tem um edifício moderno naquele lugar batizado com o nome que continua na memória de todos: Baturité.

*Há 26 anos o campus da Univali começou em uma salinha de aula no bairro das Nações e logo em seguida foi lançada a pedra fundamental no bairro dos Municipios. Hoje é um conjunto de cursos e uma realidde: a Univali mudou, transformou aquele bairro.

*Há 26 anos escrevi um texto chamado 'Hora de Melhorar' enfatizando as principais situações que pediam mudanças. Hoje o texto segue atual, muitas daquelas situações não foram solucionadas. Podemos continuar dizendo que é 'Hora de Melhorar' e na edição impressa de julho, que está nas bancas, apresentamos o Mapa Temático e todas as sugestões que traz. A reportagem está intitulada "Balneário, 2030". Faltam apenas 13 anos e há mudanças audaciosas e belas. Um desafio para todos, administradores públicos e iniciativa privada. Eles precisam da ajuda de todos.

*Há 26 anos estas e outras histórias estão registradas em nossas páginas. Nós fomos ponte. Um canal entre a notícia e o leitor.

E isso não mudou.

--- 26 anos depois continuamos ponte.

--- 26 anos depois continuamos um canal de comunicação entre a notícia e o leitor.

E hoje com a velocidade da informação, imposta pela tecnologia, posso garantir que o conceito sobre 'FAZER JORNAL' não mudou, porque esse vem de dentro, nunca mudará, porque é nisso que acredito, é nisso que acredita a equipe Página3.

É por isso tudo que estamos comemorando muito esses 26 anos com vocês!

Escrito por Marlise Schneider, 26/07/2017 às 09h30 | lisi@pagina3.com.br

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Balneário Camboriú, 53 anos: Salão Verde, o primeiro cinema da praia


A foto acima é uma das milhares do arquivo particular do nativo da praia Antônio Jorge de Borba, uma dessas poucas memórias ambulantes que continuam contando histórias da praia e de como tudo começou…
Neste dia 20 de julho, quando Balneário Camboriú está em festa, comemorando 53 anos, Borba nos enviou esta foto histórica, do começo da década de 60, quando a praia se emancipou. Uma imagem quase inacreditável, porque a mudança, o desenvolvimento, o crescimento foi rápido demais. Em pouco mais de 50 anos quanta transformação!
E na edição especial que o Página3 preparou para comemorar os 53 anos, o tema é ‘Balneário 2030’, ou seja, sempre olhando para o futuro, daqui a 13 anos, o que vai mudar, quais as alternativas propostas e como a cidade vai se transformar mais uma vez.

Início dos anos 60

Voltando meio século e um pouco no tempo, Borba contou sobre o que mostra a foto que mandou. Ali aparece um terreno baldio, campinho de futebol, onde hoje é a praça Tamandaré; aparece o hotel Miramar, que está até hoje no Calçadão, a frente do restaurante San Remo, o Hotel Pio, do primeiro prefeito eleito da praia Higino João Pio, aparece ao fundo (onde hoje é o Ryan) e também aparece o Salão Verde (aquela casinha branquinha), que foi o primeiro cinema da praia. É sobre esse cinema que Borba escreveu o texto abaixo

Acompanhe:

“O nome do proprietário do Salão Verde era Estácio Rosa (já falecido, era irmão de Carlinhos Rosa, dono do morro do Cristo Luz). Segundo informou Bruno (filho de Estácio Rosa), que vive em nossa cidade, o primeiro cinema da Praia de Camboriú foi criado no ano de 1959/1960 e funcionava dentro do Salão Verde na avenida Central. O nome do cinema também era Salão Verde. Os assentos não eram cadeiras, eram bancos de madeira, fabricados na cidade de Navegantes. O transporte dos bancos de Navegantes para Praia de Camboriú, foi via marítima, através de um barco de pesca. O desembarque dos bancos foi na areia da praia, bem defronte a atual Avenida Central (Calçadão), inclusive ele ajudou a carregar os bancos até o Salão Verde. Bruno informou que em cada banco cabiam seis pessoas adultas.

Depois do cinema Salão Verde, inaugurou o Cine Vera. Lembro que minha familia, a mãe Maria de Borba e meus irmãos, fomos morar no restaurante, bar e sorveteria San Remo em 1962, quando este fechou e aí inaugurou o Cine Vera, em 1963. Bruno acrescentou também, que quando veio a tevê para o Salão Verde, algum tempo depois encerrou o cinema de seu pai, mas os bancos permaneceram porque lotava de clientes, crianças, para assistir tevê e tomar sorvetes, principalmente nas matinês de domingos, feriados e temporadas de verão. Inclusive eu assisti várias sessões de cinemas/matinês e depois tevê, com destaque para a Jovem Guarda para assistir Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo Carlos e tantos outros, que estavam despontando via rádio e tevê. No Salão Verde, também aconteciam grandes bailes, Carnavais que eram freqüentados pela alta sociedade da praia”.

 

Escrito por Marlise Schneider, 20/07/2017 às 09h42 | lisi@pagina3.com.br

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Marlise Schneider

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... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.
















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