Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Nossas águas pedem socorro!

Nesta quarta-feira o calendário assinala o Dia Mundial da Água, criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) no dia 22 de março de 1992, justamente para a sociedade refletir sobre o assunto.
É tudo um simbolismo, mas está mexendo com nossa realidade. Há muitos anos estamos falando sobre preservação, cuidados com a natureza que nos cerca, mudança de hábitos, o que devemos evitar para não piorar e o que precisamos fazer para ajudar a melhorar.

Estas datas simbólicas nos ajudam a pensar sobre o que realmente estamos fazendo pelo ar que respiramos, pela terra que nos alimenta, pela água que nos trouxe ao mundo...não esquecendo que é através dela que chegamos ao reino de Deus (batismo), é através dela que matamos nossa sede, limpamos nosso corpo, nossa casa, nossa roupa...sem ela não somos ninguém, não podemos substituir esse precioso líquido. Não é como a luz...se faltar podemos usar a luz solar...ou a luz de uma vela...

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), atualmente, 768 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada, e como sabemos grande parte das fontes como rios, lagos e represas está sendo contaminada e degradada pela ação predatória do homem. A situação é preocupante, pois, num futuro próximo, esse precioso recurso natural pode faltar para grande parte da população mundial.
Daqui a 15 anos, segundo a ONU, mais da metade da população mundial, ou seja, perto de 3 bilhões de pessoas, sofrerá escassez de água. A organização também informa que hoje, a cada ano, morrem cerca de 1 milhão e 600 mil pessoas por dificuldades de acesso a água e falta de saneamento básico.

Em Balneário Camboriú ainda não corremos o risco de faltar água. Mas também estamos vivendo uma situação preocupante, que foi alvo de reportagem especial publicada no Página3 de fevereiro (e em centenas de reportagens desde que esse jornal nasceu há quase 26 anos).

Nossos rios, ribeirões, arroios, canais, estão contaminados e um dos principais contaminantes é o lixo que nós produzimos e do qual nos livramos, jogando-o dentro do rio, do ribeirão. Assistimos coisas incríveis boiando e sendo retiradas, como por exemplo, fogões, geladeiras, poltronas e armários. Nada disso tem pernas. Eles foram jogados pelo homem.

Acredito que falar em prevenção para quem já tem formado seus conceitos é chover no molhado. Tiro essa conclusão porque como falei acima há quase 26 anos estamos escrevendo sobre essa matança das nossas águas e parece que nada muda...

Por isso, acredito que devemos cada vez mais investir nas nossas crianças, ensiná-las, orientá-las nesse sentido para que cresçam com mais consciência e de fato ajudem a parar esses absurdos. Elas ajudarão a conscientizar os grandes. As nossas escolas são os canais e as famílias são a extensão. O importante é que as crianças tenham exemplos, que comecem nas suas famílias e continuem nas escolas...

Lembrando aqui uma afirmação do escritor João Guimarães Rosa: ‘A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.


Pra pensar:
*De quanta águia precisamos?
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene. Porém, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia. ou seja gastamos quase o dobro do que precisamos.

*Como gastamos tudo isso?
54 Litros (27%) - vão para cozinhar e beber
50 Litros (25%) - para tomar banho e escovar os dentes
66 Litros (33%) - são utilizados em descarga de banheiro
24 Litros (12%) - para lavagem de roupa
6 Litros (3%) - para outras tarefas (como lavagem de carro, por exemplo)

*O que gastamos em nossas rotinas domésticas:
? Banho – em um banho de ducha de mais ou menos 15 minutos, com o registro da torneira meio aberto, gastamos cerca de 135 litros de água. O ato de fechar a torneira ao se ensaboar faz o gasto cair para 45 litros.
? Escovação de dentes – escovar os dentes por cinco minutos com a torneira aberta gasta aproximadamente 12 litros de água. Quando a pessoa molha a escova, fecha a torneira ao escovar os dentes e usa um copo de água para enxaguar a boca chega a economizar até 11 litros de água.
? Lavar o rosto – As pessoas geralmente levam um minuto para lavar o rosto com a torneira aberta. Nisso lá se vão dois litros e meio de água. Para se barbear, o tempo aumenta para cinco minutos e o gasto de água pode atingir 12 litros. A dica é fazer tudo mais rápido e sempre que possível, fechar a torneira.
? Vaso sanitário – Os vasos comuns, com válvula e tempo de acionamento de 6 segundos, geralmente gastam até 14 litros de água em cada descarga. Uma boa ideia é trocar por bacias sanitárias mais modernas. Desde 2001 há produtos que gastam apenas 6 litros de água cada vez que é acionado.
? Louças – Em média, lavar a louça com a torneira meio aberta durante 15 minutos gasta 117 litros de água. Uma maneira de diminuir esse consumo é ensaboar tudo o que tem de ser lavado e só abrir a torneira na hora de enxaguar. Uma máquina de lavar louça geralmente gasta 40 litros em cada lavagem. Por isso, ligue-a apenas quando estiver cheia.
? Copo de água – algo impressionante: ao utilizar um copo de água, você vai precisar do equivalente a dois copos para lavá-lo. Separe copos para todos os moradores usarem durante o dia, sem ficar pegando copos no armário o tempo todo.
? Tanque – Lavar roupa no tanque com a torneira aberta durante 15 minutos gasta cerca de 280 litros de água. Por isso, sempre aguarde juntar um bom volume de roupas, encha o tanque para ensaboar e abra a torneira só na hora de enxaguar. No caso da máquina de lavar, um modelo com capacidade para 5 quilos geralmente gasta 135 litros de água. Nesse caso, para economizar água sempre a use com a capacidade total.
? Jardim – Molhar as plantas durante 10 minutos usando a mangueira manda embora cerca de 186 litros de água. A melhor maneira de reduzir esse gasto é usar mangueiras com esguicho tipo revólver que gastam menos. Ou, o que seria ideal, usar um regador.
? Calçadas - 1 lavagem de calçada com a mangueira por 15 minutos gasta 279 litros de água

E não se esqueça: os vazamentos geram grande desperdício de água. Se desconfiar de vazamentos, procure ajuda imediatamente.

Escrito por Marlise Schneider, 22/03/2017 às 08h58 | lisi@pagina3.com.br

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Mais organização

Vi pouco do Carnaval de Balneário, mas o que vi já serve para uma reflexão. Conversei com várias pessoas e concluí que o pessoal curte muito o Carnaval de Rua, mas detesta ficar 'plantado' na avenida, esperando duas horas para a próxima atração passar.

Fui com parentes e eles costumam vir todos os anos, porque gostam do Carnaval. Mas invariavelmente todos os anos eles fazem a mesma pergunta: por que não conseguem disciplinar, organizar e planejar melhor esse quesito...

No sábado à noite vi três ou quatro blocos passar, depois o Mexe-Mexe e então...pausa...longa pausa...todo mundo vendo as luzes piscando do trio elétrico lá na concentração da 2400 e sem entender porque ele não saía do lugar...estava esperando a escola Samboriú...finalmente quase duas horas depois, passou a escola e o trio.

Tem quem não liga, espera o tempo que for, mas muita gente já tinha ido embora resmungando.

A organização prometeu que no dia seguinte nada disso iria acontecer.

Mas pessoas que estavam no bloco Inimigos da Segunda contaram que foram concentrar às 20h e ali ficaram por quase duas horas esperando passar...teve gente que protestou de novo.

Todas as pessoas que entrevistei para fazer matéria no impresso mensal de fevereiro que está nas bancas desde sábado, comentou que o Carnaval de Rua é o canal.

Temos que melhorar e investir. É um Carnaval simples, mas exige organização e planejamento.

Se funcionar, tem tudo para evoluir. E teremos mais uma boa atração.

Prás crianças

O pessoal sentiu falta de programação infantil. Seria bom investir nessa fatia também. Uma bela iniciativa foi do DJ Folia, do construtor e folião Beto Teixeira. Ele colocou seu tri elétrico à disposição da criançada domingo e segunda-feira de tarde. E quem foi adorou.

Outra iniciativa que repercutiu foi o Bailinho do Balneário Shopping na segunda-feira de tarde. Estava lotadinho e a garotada amou! Teve também o baile do Infinity Blue no sábado à tarde.

A galera miúda adora uma folia.

É bom pensar mais nesses pequenos foliões!

Escrito por Marlise Schneider, 01/03/2017 às 10h35 | lisi@pagina3.com.br

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Xingar não resolve!

A praia do Estaleiro, que há algum tempo, é considerada o 'point' para prática do surf, agora vai ficar ainda mais frequentada por turistas, especialmente aqueles que leram reportagem da Folha no último final de semana, assegurando que ela é a única não poluída das praias de Balneário Camboriú.

Nas redes a reportagem causou impacto negativo e como sempre, a culpa é do jornal. Uns dias antes a revista Exame também publicou que praias do litoral catarinense estão poluídas, entre elas, Balneário Camboriú.

Vejo pessoas desmerecendo e tripudiando as reportagens, principalmente esta última, que foi mais enfática. Acho que o caminho não é esse.

A notícia é ruim? É. Muito ruim.

A solução é xingar a imprensa? Não. Não é.

Como resolver então?

É hora do coletivo se preocupar.

É hora das autoridades investir pesado e sem regalias, na busca de soluções. Encontrar os poluidores.

É hora de todos nós arregaçar as mangas e encarar de frente. Porque problemas não se resolvem no xingamento. Se resolvem com atitudes. Com soluções.

As reportagens sinalizaram um problema. Se ele for em maior ou menor escala, não interessa. O que precisamos agora é correr atrás do prejuízo. Achar um jeito. Encontrar nossa consciência. Trabalhar para inverter essa situação. E também cobrar das autoridades responsáveis.

Ao invés de gastar tempo precioso culpando quem está mostrando o problema, vamos usar a massa cinzenta para encontrar um caminho que vai ser bom para quem mora aqui e para quem nos visita e que queremos que continue nos visitando.

 

Escrito por Marlise Schneider, 06/02/2017 às 15h00 | lisi@pagina3.com.br

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Tem estrela

Fiquei bem feliz ontem quando soube que o gaúcho Renan Dal Zotto é o novo treinador da seleção brasileira de vôlei masculino. Não é tarefa nada fácil substituir um super campeão como Bernardinho, mas Renan tem estrela.

Feliz porque conheci ele na década de 70, quando eu iniciava minha carreira de jornalista no jornal Folha da Tarde, da Cia.Caldas Junior, em Porto Alegre e ele começava sua carreira de jogador, no tradicional clube gaúcho, Sogipa.

Fiz a primeira entrevista da vida dele como jogador.

Ele falava pouco, era tímido, mas estava sempre acompanhado pelo pai e pelo professor de educação física João Batista, que o 'descobriu' nas quadras do colégio em que estudava e o levou para a Sogipa, onde era treinador de vôlei. Eles falavam por ele. E como falavam! Batista era um aficionado por esportes e em especial pelo vôlei. Era um visionário. Nunca esqueci quando ele ligou para a redação sugerindo a primeira entrevista com o garoto, então com 13 anos. "Ele tem futuro, tem estrela, vai ser um grande jogador", ele disse. Acertou na mosca. Com apenas 16 anos, Renan já era o melhor juvenil do país e por isso foi convocado para a seleção brasileira de adultos. Era um gurizote no meio de 'feras' da quadra.

Dali em diante fez parte de todas as seleções juvenis e adultas, o que rendeu três Olimpíadas, três Mundiais, três Pan-americanos, três Mundialitos....premiado como melhor atacante do mundo, jogou seis anos na Itália, voltou em 93 e encerrou a carreira nas quadras brasileiras, Mas seguiu fora delas, como treinador. Quando foi chamado para comandar o principal time do país, campeão olímpico, na quarta-feira, ocupava o cargo de diretor de seleções da Confederação Brasileira de Vôlei.

Sua estrela continua brilhando intensamente. 
 

Escrito por Marlise Schneider, 12/01/2017 às 09h04 | lisi@pagina3.com.br

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As surpresas de Francisco

O Papa Francisco continua surpreendendo.

É intensa a repercussão que ele causou com a nomeação do pastor protestante Marcelo Figueroa, seu amigo de longa data, como editor da versão semanal argentina do jornal Osservatore Romano, órgão oficioso da Santa Sé, que será lançada em setembro.

Surpreendeu protestantes e católicos, mas causou reações estúpidas de alguns 'fiéis' que acharam que Francisco está transgredindo todas as leis religiosas e do bom senso. Classifico essas pessoas como conservadoras da igreja católica. Preocupadas com a abertura que o Papa vem dando aos evangélicos no ano das comemorações dos 500 anos da Reforma de Lutero, que o mundo lembrará no dia 31 de outubro. Como se os tempos não tivessem mudado. Cheira a provincianismo. Ou falta de fé.

Fico perguntando aos meus botões, como pessoas assim podem falar em paz espiritual, em união dos povos, em fazer o bem ao próximo e eles não me respondem...

Acho que o Papa está no caminho certo.
Acho que mais novidades virão.
Acho que logo, logo vai anunciar que os padres católicos vão poder casar. Já posso imaginar as reações...
Acho que...deixa prá lá...

Escrito por Marlise Schneider, 06/01/2017 às 10h09 | lisi@pagina3.com.br

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Mudanças e lembranças

Mudanças sempre são benvindas, elas fazem parte da festa da virada, impostas ou não elas fazem parte da vida de todos nós. Algumas são melancólicas. Outras promissoras. Outras geram grande expectativa. Mas de um modo geral elas são sempre aguardadas. 

No último sábado, por coincidência o último dia do ano, enquanto preparava a festa de Reveillon, como fazemos todos os anos, atendi muitos telefonemas, de assinantes do Página 3 que estavam 'perdidos'...alguns continuavam esperando a chegada do jornal como acontecia aos sábados há 25 anos. Passei boa parte do dia explicando, justificando e dizendo que o jornal mudou, acompanhando a evolução digital, porque a demanda assim exigiu, mas que o impresso continuará mensal, sempre no último sábado do mês. "Mas o que fazer nos outros sábados", perguntou uma assinante. Uma ideia é aderir à mudança, aceitá-la, conferir as notícias no Página3 online. "Mas no jornal mensal vai ter um resumo de tudo que aconteceu naquele mês", perguntou outra leitora. 

Durante a semana sigo recebendo telefonemas e emails sobre o mesmo assunto. Um deles é do assinante Vanderley Heinzen, que escreveu: 

"Sou assinante do Jornal Página3 há vários anos...Mesmo concordando e vendo que a era digital veio para ficar...Mas neste último sábado 31/12 senti a falta de: "levantar, por água p/fazer o café, desligar o alarme na casa, ir no jardim pegar o jornal p/ ler...assim fico tomando um chimarrão (que faço normalmente somente aos sábados pela manhã). Nesta semana..."FALTOU ALGO...".

Pois digo ao Vanderley e aos demais que se manifestaram, que também estou atrapalhada...também interrompi uma rotina de mais de duas décadas, também senti falta de ler o Página3 no papel (mesmo escrevendo, revisando tudo antes de mandar para gráfica, é um hábito me transpor para o 'outro lado' e ler o jornal com olhos de leitor...a diferença é grande, podem crer!). 

Então são mudanças que vieram e exigem um tempo.

Este ano começou com muitas mudanças.

Temos um novo governo que anunciou Novas Ideias, portanto mudanças. Estamos atentos. De fato, a cidade precisa delas. Mas quem assumiu também precisa de um tempo para promovê-las. 

Temos um Legislativo 'meio' novo, agora com 19 vereadores e uma nova direção. Mudanças à vista. 

E outras...muitas outras que virão.

Segredinho: com boas lembranças, mais fáceis serão as mudanças! 

Escrito por Marlise Schneider, 04/01/2017 às 11h18 | lisi@pagina3.com.br

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Marlise Schneider

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... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.
















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