Jornal Página 3
Coluna
Falando Nisso
Por Marlise Schneider

Dr. João Alfredo, partida inesperada

Neste domingo me despedi de um amigo querido. Sabe aquela pessoa boa, reta e correta, que está sempre pensando em fazer o bem, o melhor para os outros? Ele era assim.

Conhecemos há quase 30 anos.

Foi médico da família.

Foi homem público que nunca misturou política em suas quatro gestões como secretário municipal da saúde.

Homem de respeito. De valor. Sempre admirei muito. Estudioso. Toda vez que chegava para uma consulta, ele estava mergulhado em sua biblioteca. Sim, ele tinha muitos e muitos livros da sua área dentro do seu consultório. Sempre dizia: a medicina evolui todo minuto. Ou se atualiza ou não pode exercer…

No serviço público conheceu os trâmites para alcançar recursos além dos municipais, havia degraus para escalar para conseguir mais verbas do Estado ou da União. Rigoroso, ele subia cada um desses degraus e sua equipe o acompanhava. O programa de combate à Aids foi um desses exemplos. E tantos outros.

Homem de muita atitude e poucas palavras.

Às vezes se ‘soltava’. Dizia que quando parasse de clinicar teria que vender o consultório, porque seus dois filhos, nasceram com vocações diferentes. “Um tem o dom do esporte e o outro da música”. Acertou em cheio e depois de aposentado, sempre mandava notícias para o jornal, que eram publicadas nos EUA ou no Canadá, sobre as conquistas do filho mais velho, Fred, um astro do futebol e sobre as novidades que o filho caçula, Giba, revelava no mundo das artes musicais, que domina com vigor.

Mas ele era também teimoso. Por isso, sua esposa Milena estava inconformada com sua repentina partida. Ele vinha sentindo um certo desconforto no peito, mas não aceitou os conselhos que ela dava, de fazer exames...e assim, um dos cardiologistas mais antigos da praia, que cuidava do coração de tanta gente, foi pego de surpresa pelo seu coração.

Fica em paz, Dr.João Alfredo.

Escrito por Marlise Schneider, 06/01/2020 às 12h56 | lisi@pagina3.com.br



Marlise Schneider

Assina a coluna Falando Nisso

... curiosa desde guria, ligada, discreta, caseira, sonhadora. Jornalista, chefe de jornalismo do Jornal Página 3.














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Falando Nisso
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Dr. João Alfredo, partida inesperada

Neste domingo me despedi de um amigo querido. Sabe aquela pessoa boa, reta e correta, que está sempre pensando em fazer o bem, o melhor para os outros? Ele era assim.

Conhecemos há quase 30 anos.

Foi médico da família.

Foi homem público que nunca misturou política em suas quatro gestões como secretário municipal da saúde.

Homem de respeito. De valor. Sempre admirei muito. Estudioso. Toda vez que chegava para uma consulta, ele estava mergulhado em sua biblioteca. Sim, ele tinha muitos e muitos livros da sua área dentro do seu consultório. Sempre dizia: a medicina evolui todo minuto. Ou se atualiza ou não pode exercer…

No serviço público conheceu os trâmites para alcançar recursos além dos municipais, havia degraus para escalar para conseguir mais verbas do Estado ou da União. Rigoroso, ele subia cada um desses degraus e sua equipe o acompanhava. O programa de combate à Aids foi um desses exemplos. E tantos outros.

Homem de muita atitude e poucas palavras.

Às vezes se ‘soltava’. Dizia que quando parasse de clinicar teria que vender o consultório, porque seus dois filhos, nasceram com vocações diferentes. “Um tem o dom do esporte e o outro da música”. Acertou em cheio e depois de aposentado, sempre mandava notícias para o jornal, que eram publicadas nos EUA ou no Canadá, sobre as conquistas do filho mais velho, Fred, um astro do futebol e sobre as novidades que o filho caçula, Giba, revelava no mundo das artes musicais, que domina com vigor.

Mas ele era também teimoso. Por isso, sua esposa Milena estava inconformada com sua repentina partida. Ele vinha sentindo um certo desconforto no peito, mas não aceitou os conselhos que ela dava, de fazer exames...e assim, um dos cardiologistas mais antigos da praia, que cuidava do coração de tanta gente, foi pego de surpresa pelo seu coração.

Fica em paz, Dr.João Alfredo.

Escrito por Marlise Schneider, 06/01/2020 às 12h56 | lisi@pagina3.com.br



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