Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Chegou a hora da despedida!

Não fiz jornalismo para fazer amigos. Ou ir a festas restritas, me deliciar com coquetéis ou transitar entre gente influente. Fiz porque tinha sonhos, como a maioria dos jovens. Sonhos de mudança. Mas o que eu menos imaginava era que o jornalismo ia me mudar tanto, por dentro.

Quando cheguei no Página 3 em 2007 eu não tinha experiência na área. Tinha tido uma breve e promissora carreira na música, até me acidentar de carro. Aquilo mexeu comigo e percebi que eu precisava de solidez, por isso fui buscar um estágio na área que eu cursava.

Caí no Página 3 e lembro até hoje do primeiro dia de trabalho. A Carol me recebeu e disse para eu sentar no PC e navegar na net. O tempo não corria tão rápido, afinal o jornal saía só aos sábados. Eu entrei na última edição da versão tabloide, aquele jornalão imponente!

Passamos juntos por muitas mudanças. O mais gostoso é lembrar das nossas reuniões de pauta. Nos reuníamos para desenhar juntas como seria a próxima edição. A dona Marlise sempre carinhosa e aberta ao diálogo, apontando o caminho com o afago de uma mãe, já o Marzinho nunca gostou muito de participar dessas reuniões preparatórias, ele sempre ficava impaciente com aquela tagarelice.

Era naquela troca, quase sempre feminina, que nos ouvíamos, debatíamos e construíamos juntas. Foi assim que conheci minhas próprias opiniões e aperfeiçoei a escuta. Não foi só jornalismo, foi consolidação de caráter e humanidade.

Durante anos meu computador ficou entre o da Lisi e do Marzinho. E foi nesse intercâmbio intensivo que ouvi os conselhos que nenhum professor jamais deu...sobre ler nas entrelinhas, ter empatia e responsabilidade na hora de escolher o tom, sobre ir além do óbvio e vasculhar onde os outros não costumam olhar. Sobre ter autonomia, descobrir e defender seus pontos de vista com paixão. Mas também sobre saber adaptar, cortar a própria carne de um texto que se pensava perfeito, ceder e evoluir.

Se tem uma coisa da qual me orgulho e pela qual faria tudo novamente é a amizade com meus chefes e todo o espaço e confiança que eles compartilharam comigo. Orgulho demais também da amizade que conquistei da Fab, que amo como se fosse uma irmã e do respeito com que toda família Página 3/Schneider Cezar sempre me tratou.

Trabalhar no Página 3 foi um privilégio. Foi aqui que lapidei minha escrita, compreendi minhas predileções estilísticas, meu apreço pela cultura, a desafiadora estética diária do cotidiano editorial. Isso sem falar em tantas funções que pude desempenhar. Da escrita livre à supervisão de aprendizes, como um dia também fui. Enfim, foi uma grande escola.

Gratidão a todas as fontes que me ajudaram a registrar os fatos. A cada pessoa que passou por mim, que compartilhou informações, somou, pediu apoio, ajudou a construir algo ou apenas criticou, tentou enganar ou apontar falhas ...todas essas pessoas estarão sempre na minha história. Vocês ajudaram a forjar a Daniele jornalista e cidadã de olhos abertos, muitas vezes indignados, porém sem perder a ternura, jamais.

Recebi o convite para fazer parte da equipe do vereador Lucas Gotardo, um time incrível de profissionais, com quem terei muita alegria de trabalhar. Continuo com os sonhos de mudança, porém agora atuando em outra ponta, sem deixar de lado nada que aprendi até agora.

Chegou a hora de um novo desafio. Deixo a reportagem, mas não pretendo sumir, sigo na web com a coluna Frente e Verso com opinião, cultura, arte e o que mais surgir. Nos veremos em breve, espero. Um abraço carinhoso e vamos em frente!
 

Escrito por Daniele Sisnandes, 15/02/2019 às 16h05 | danikahc@gmail.com

Por que nossos corpos incomodam tanto?

O final de semana foi de polêmica e muito desrespeito nas redes, acompanhei de longe, mas nesta segunda pude ler um pouco mais dos absurdos destilados sobre a roupa da deputada Paulinha em sua posse na ALESC.

São coisas grotescas, que ultrapassam o bom senso e até posicionamentos criminosos que não merecem passar impunes.

O debate, aos que não quiseram passar a linha do aceitável e queimar o nome nas redes, ficou sobre em torno da “roupa apropriada”, mas o problema é bem maior que isso. O foco dessa discussão toda é outro. Por que só nossos corpos femininos incomodam o mundo? 

Nossas formas foram objetificadas ao longo da história e sofremos MUITO com isso até hoje. Olhem só, nem amamentar as mulheres podem em paz!

Os seios são os principais alvos, são um tabu tremendo. Apavoram, causam estranheza, raiva, preconceito, muito preconceito. Tudo isso porque nossas formas foram reduzidas ao prazer dos homens, como se estivessem apenas relacionadas a sexo.

Esquecem esses mesmos homens e mulheres que criticam, que suas vidas só são possíveis graças a essas formas. Deveriam divinizar o corpo feminino, carregado de ancestralidade, com respeito e devoção, e não o contrário, como o faz o povo sempre quando tem medo de algo que não entende.

Nossos corpos foram demonizados ao longo da história, era mais fácil nos cobrir, a nos aceitar. O sutiã é um bom exemplo de mordaça usada para nos moldar e o principal: esconder nossos ofensivos mamilos (sic), porque sim, estamos em 2019 e a sociedade ainda não sabe se comportar quando os vê, sabe quão absurdo é isso?

E o pior é que essas coisas só pioraram com o tempo. Um decote virou algo aliado ao pecamisono, ainda mais se as formas sob ele fossem voluptuosas, aí sim a guerra está armada, como foi o caso em questão. Uma guerra de hipocrisia e falta de entendimento.

Vivemos uma era de rupturas e despertar, é uma hora importante de quebrar os padrões e evoluir como sociedade.

Os corpos femininos são livres, são políticos sim, combatem o preconceito TODOS os dias, seja enfrentando a misoginia (o ódio às mulheres), a gordofobia, o machismo incrustado no comentário “não era apropriado”. Não era por quê?

Porque nos revela, evidencia nossas diferenças, cutuca feridas abertas nas mentes dos preconceituosos, rompe o silêncio que nos impuseram. Não é apropriado para quem não sabe o que é tolerância e respeito.

Não é apropriado para quem tem problemas a serem resolvidos, às vezes problemas que nem entende ou lembra, mas isso não é um tema de opinião, é uma questão clínica para os profissionais da área da saúde emocional.

Pela reação dos pares de Paulinha e de muitos internautas, parece que o caminho da conquista da tolerância e do respeito será longo e árduo. Por outro lado, vi muita gente sensata e desperta comentando com bom senso esse assunto, foi um alento.

Essa é uma questão cultural, está enraizada e não vai mudar do dia pra noite, mas todos os debates sobre isso são essenciais! Que a gente siga evoluindo com amor e cada vez menos preconceito e menos desrespeito. Vamos em frente.

Escrito por Daniele Sisnandes, 04/02/2019 às 14h16 | danikahc@gmail.com

Nem tudo é indicado para todos

Nesses últimos tempos presenciamos, nas ruas e nas redes, situações que desafiam a imaginação. Mesmo um mês depois das eleições, este estranho estado das coisas perdura.

Seguimos divididos. Apartados por posturas diferentes ou simplesmente pela forma com que enxergamos a opinião do outro. Mas eu acho, sinceramente, que não é só a questão da polarização política...a sociedade deixou a intolerância sair do armário nessas eleições e muitos (e barulhentos) não fazem mais nem questão de tentar compreender pontos de vista diferentes dos seus.

Eu vejo isso todo dia nos comentário das matérias que publicamos. As críticas aparecem de um jeito ou de outro, não só quanto aos temas, mas às decisões editoriais de se publicar (ou não) isso ou aquilo. É o famoso “nossa, vai mudar a minha vida hein Página 3” ou “tem coisa mais importante para se preocupar”.

Eu acho isso engraçado hoje em dia, mas já me estressei muito na vida, levava para o lado pessoal e tudo mais, porque como editores/redatores/diagramadores, gastamos energia para publicar o que quer que seja.

Nas antigas chegamos a criar uma editoria “Quem se importa”, pra notas sobre famosos que vinham prontas de uma agência de notícia e sabe o que era mais engraçado? Bombava!

Nem tudo precisa ser sério, sangrento ou horrível pra ser notícia. E gente, nem tudo é indicado para todos, precisamos urgentemente aprender a respeitar isso!

Talvez para uma parcela dos internautas a notícia da Bruna Marquezine importe (acreditem, importa, eu vejo os números dos acessos), assim como também importa para alguém a notícia da polícia, a política, a opinião ou tantas outras coisas que publicamos diariamente.

O que eu quero colocar em discussão aqui é a falta de visão com o todo, estamos cegos para o diferente, exigindo ver somente aquilo que nos convém, o resto que se dane!

Que sociedade é essa que não entende as segmentações? Somos diferentes, consumimos e produzimos coisas diferentes.

Nem tudo é para todos 2

Essa semana houve o maior zumzumzum na internet por causa de um texto que a Fernanda Lima leu no programa dela. Depois disso atacaram a mulher, acusaram de mil coisas, que o programa é isso ou aquilo. Minha gente, vamos respeitar a segmentação das coisas. Se algo como um programa incomoda, é porque talvez ele não seja feito para você.

Muda de canal ou estação. Muda de companheiro se ele te faz mais mal que bem, não siga mais determinadas pessoas!

O problema é que a gente não quer mudar, quer ficar sentado passeando pela vida e recebendo só aquilo que convém, mas isso tá errado!

O mundo mudou. O ser humano não pode vestir um uniforme moral e sair atirando verdades. A oferta das coisas está diversificada para atender demandas específicas.

Nem tudo é pra todos 3

Como assim proibir uma Parada da Diversidade porque afeta os cristãos? E os demais? E os gays, simpatizantes, e todo o resto?

Não é porque é uma parada gay que eu tenha que ir/gostar ou concordar. Temos que respeitar e ponto, assim como respeitamos marcha da paz, da família ou seja lá o que vier.

Nem tudo é pra todos 4

Hoje publicamos uma matéria sobre uma ENQUETE do vereador Lucas Gotardo perguntando o que as pessoas achavam de ler a Constituição em vez da Bíblia na sessão legislativa. Como assim isso é um insulto minha gente? Sério mesmo, como assim?

Foi uma avalanche de comentários e é de se espantar! Eu fiquei até positivamente surpresa com a quantidade de pessoas que saíram em defesa do estado laico, mas também ocorreram manifestações estranhas demais, tipo…”vai trabalhar” ou “tem mais com que se preocupar”, como se esse pequeno recorte da realidade representasse toda história do vereador.

Eu, pessoalmente, achei ótimo. E o Lucas foi feliz numa colocação, que ele está questionando a leitura obrigatória antes das sessões (que está no Regimento Interno desde 2015)...se cada vereador quiser ler a Bíblia no seu tempo livre ainda seria perfeitamente possível.

Lembro que o ex-vereador Hannibal costumava fazer isso, lia mensagens do Seicho-No-Ie e tudo bem, a manifestação individual é livre e garantida, já a obrigação para todos, muda tudo.

E já que os assuntos acabaram caindo para o lado religioso essa semana...pra terminar queria lembrar só mais uma coisa: Jesus Cristo foi o cara mais espetacular, cabelo comprido, sentava no chão com os estranhos, passava uma mensagem de amor... se ele tivesse aí de volta, você ia amá-lo ou chamá-lo de esquerdopata? Tá faltando amor e empatia e não, não é papo de comunista (sic), é reflexão sobre nossa humanidade.

Paz e bem!

Escrito por Daniele Sisnandes, 09/11/2018 às 19h02 | danikahc@gmail.com

Campanha lixo!

Faz mais ou menos uma semana que comecei a fotografar os materiais de candidatos que chegavam na caixa de correio ou eram jogados no chão da minha garagem. Queria ver onde ia essa “estratégia” de campanha e claro, me decepcionei.

A mídia em papel perdeu espaço no mundo. A impressão é um ato nada ecológico, agora a má distribuição desse material é algo ainda mais reprovável.

Mesmo que tenham investido recursos próprios minha gente, a maioria dessas figuras aí de cima recebeu repasses dos partidos e vocês sabem de onde vem o dinheiro dos partidos né?!

Entre as figuras acima, uma das mais experientes (candidato a federal) recebeu mais de R$ 1,3 milhão do partido para essa campanha. Já o candidato ao senado recebeu R$ 3 milhões!!!!!! O que você acha disso? Você concorda? 

Eu moro numa região mais afastada, quase na Barra Sul, imagino que no centrão mesmo o volume de material desovado nos endereços deve ter sido ainda pior.

O pior é que na maioria das vezes os santinhos eram deixados ali aos montes. Eu moro numa casa. Bastava um, mas eles nunca estavam sós. Falta de planejamento ou talvez pressa de quem distribuía, não saberemos! Cabe a reflexão, pleno 2018 e as velhas práticas batendo à nossa porta...

A única coisa que eu sei é que os candidatos que eu escolhi...escolhi porque me identifiquei com ideias, estratégias de divulgação, fui atrás e conheci, ninguém ganhou voto de mão beijada, nem por santinho abandonado.

Neste domingo aposto que vamos encontrar mais uma vez aquelas cenas lamentáveis de santinhos espalhados perto dos locais de votação. Típico, mas não menos digno de indignação.

Essa foi uma das campanhas mais sujas que já acompanhamos. E agora não estou falando só do lixo que é produzido, mas do todo, da polarização, das brigas, das amizades desfeitas, da intolerância.

Acho que nunca o jornalismo teve que desmentir tanto e como diz minha amiga Fab Diniz, desmentir sem causar efeito, porque as pessoas estão acreditando só naquilo que convém. Que tragédia isso!

O brasileiro está cansado de injustiças sociais, da corrupção, de ser assaltado de todas as formas e por isso está vivendo um momento de posicionamentos extremos. Mas que a gente tenha discernimento neste domingo e faça boas escolhas, escolhas calculadas. Não vote sem pensar ou no cabresto. Ainda dá tempo de pesquisar. Não desperdice seu direito de escolha! 

Para pesquisar informações e gastos dos candidatos, clique aqui.

Escrito por Daniele Sisnandes, 05/10/2018 às 17h21 | danikahc@gmail.com

Arte contra o câncer

No dia 2 de outubro, o fotógrafo Eduardo Werner lança a exposição Brilho da Vida. O trabalho lindíssimo reúne fotografias de modelos em tratamento e em fase de recuperação maquiadas com tinta neon.

O trabalho contou com a ajuda do maquiador profissional Alex Ferreira e suporte da Sol Martins, na produção.

“Ver a esperança no rosto dessas guerreiras com muito brilho e cor me deixa confiante e realizado”, comentou Werner.

Após o lançamento, a exposição ficará no Atlântico Shopping, em Balneário Camboriú, até o dia 15 de outubro, trazendo novas cores ao Outubro Rosa.

Sobre o Café

No dia 2, a partir das 14h30, o grupo de voluntárias do Espaço Câncer com Alegria promove o CAFÉ BENEFICENTE em comemoração ao Outubro Rosa. O evento vai acontecer no Clube do Médico, na Praia Brava.

Na programação estão previstos desfiles, a exposição do fotógrafo Eduardo Werner, o Bazar Karla Vivian, maquiagem gratuita, homenagens, surpresas e sorteios de brindes.

Os convites no valor de R$ 50,00 podem ser adquiridos com as voluntárias do Espaço Câncer com Alegria através dos telefones: 47 99937 3867 ( Eliana), 47 99965 9073 ( Fátima) e 47 98415 0888 ( Patrícia).

O valor arrecadado será revertido para a instituição que presta serviço aos pacientes com diagnóstico de câncer na região.

Toda semana, o grupo de voluntárias visita os pacientes em tratamento e oferecem lanches, lenços e serviços de maquiagem.

Os atendimentos são oferecidos há três anos. O Espaço Câncer com Alegria atende na Rua José Bonifácio Malburg, 51, e presta auxílio nas áreas de doação de lenços, empréstimo de perucas, corte de cabelo para doação, micropigmentação de sobrancelhas, fisioterapia, coach e psicologia, OncoYoga e aulas de zumba.

Escrito por Daniele Sisnandes, 27/09/2018 às 15h37 | danikahc@gmail.com

Vá a um festival sozinho

Fotos: Daniele Sisnandes

Viajar 100% sozinha era uma dessas metas que eu ainda não tinha cumprido desde 2016, quando decidi recomeçar a vida. Aí no início de 2018 surgiu bem do nada a oportunidade de ir para Psicodália, um grande festival que acontece no Carnaval, em Rio Negrinho.

Quando recebi minha confirmação foi meio em cima do laço. Eu ia tocar em outro lugar naquele mesmo final de semana e até pensei até em não ir ao festival, porque também não teria ninguém pra ir junto comigo nessa aventura inesperada.

Acontece bastante né, às vezes sem companhia para um determinado evento, a gente acaba deixando de ir. Mas acho que era pra ter sido assim mesmo e foi incrível! Coisas do acaso que marcam a vida da gente pra sempre.

Então foi assim, eu arrumei uma mochila com roupas e outra com mantimentos. Toquei na festa que tinha marcado e no dia seguinte carreguei meu corajoso Picanto vermelho - o Jingo - e subi a serra.

Não fiz propaganda, nem fiquei postando meus passos enquanto estava lá. Desconectei para conectar!

Por isso reforço que ir a um festival como esse é uma das melhores pedidas pra quem também quer um rolê sozinho, pra pensar, sentir, descobrir, principalmente para a mulherada! Digo isso porque é pé na lama e intensidade, mas é muito respeito.

Um festival é um mundo à parte sim. É um extrato dos nossos sonhos utópicos de sociedade ideal. É 'bom dia' nos caminhos, é entrega nos shows é tudo o que se quiser, desde que não perturbe o outro.

Eu já tinha ido a festivais naquele mesmo lugar e sabia o poder energético daquela colina, então eu estava otimista, mas nem perto imaginava o que me esperava.

Quando cheguei na fazenda caía uma garoa fina. O festival já rolava há uns três dias e nem tinha fila para entrar. O estacionamento estava virado em lama e uma patrola ajudava quem queria desatolar, normal!

Antes de tirar as coisas do carro, dei uma volta e fiz o reconhecimento pra ver o que rolava e onde ia parar.

Carreguei meu cartão com Dálias (que é o dinheiro do lugar) e comprei uma cerveja. Achei um lugar irado bem perto dos dois palcos principais e ali montei acampamento. Foi a última trip da minha barraquinha parceira, essa já merecia um descanso.

Eu que não sou trouxa e já passei perrengue a beça, calcei as galochas de borracha, garrei na cadeira e fui pra pista.

Logo quando eu cheguei vivenciei um dos shows mais viscerais. Uma banda de minas chamada Mulamba (que eu absurdamente não conhecia) e logo virei fã. Mulherada responsa tocando lindamente e o povo enlouquecido.

Assim como as minas do palco, as minas do público também arrancaram as blusas e fizeram coro quando começaram a tocar a canção “Mulamba”, um hino de empoderamento feminino. O show todo é um protesto, um ato de coragem, uma experiência inesquecível. Pra nossa sorte elas voltam no próximo Psicodália e tocam em Balneário Camboriú em outubro!!!!

O show da banda Francisco El Hombre também foi incrível, foi essa banda que me arrastou até o Psicodália na verdade e valeu cada minuto.

O Psicodália tem uma particularidade interessante de respeito aos músicos, então em cada horário, um dos palcos funciona. Para que as pessoas possam circular e prestigiar, acredito eu.

Foi assim que eu conheci um monte de artistas sensacionais, como André Prando, Ema Stoned e Daniel Groove e seu brega que vai direto do coração. Esse foi um show tão intenso que quando vi estava super emocionada e olha que eu nunca tinha ouvido o som do cara antes. Acontece quando a gente está receptivo e permite ser tocado pela arte.

Com um festival desse e ainda com um público considerável - são milhares de pessoas - tem banda do país inteiro querendo tocar e a curadoria faz questão de garantir a diversidade. 

Tem muita qualidade musical, nada muito convencional não. Pra quem curte descobrir sons é muito legal.

Mas não são só os shows nos palcos que fazem um festival. Na verdade tem muita arte linda nas entrelinhas, nos caminhos, nos intervalos. Cinema, palhaçaria, interação, muita interação de pessoas de todas as idades, inclusive da criançada.

As oficinas também são complementos muito importantes, pela vivência, pelas trocas. Muita energia acontece seja num jogo, aprendendo a fazer tie dye ou encontrando o ritmo.

Geralmente os festivais oferecem bem mais do que bar, tem praça de alimentação, mercadinho, você não fica sem coisas básicas, então a minha dica é leve o que for essencial. Eu sempre volto pra casa com muita comida, principalmente essas coisas prontas porque chego e acabo comendo lá mesmo. Desapega e aproveita os sabores que o lugar te oferece.

Providencialmente a área onde tinha alguns interruptores para o pessoal carregar os celulares, era um centro de convivência e lá se conhecia muita gente. Tinha uma pizza maravilhosa 24 horas por dia e sempre tinha alguém fazendo jam session.

Ali nas madrugadas, quando os palcos silenciavam, rolava o Bailinho de Vinil, um trio que virava os discos e fazia o povo não querer dormir. Era insano!

O Palco do Lago era um lugar bem mítico, coisa linda a energia que rolava por lá. Mesmo com lama, sob chuva, não tinha tempo ruim não.

Por isso a gente tem que ir preparado, levar bastante meia, uma capa boa e sapatos resistentes à água (se a previsão for de chuva), mas principalmente amor e bom humor. Se for para reclamar é melhor ficar no aconchego do lar, mas se quiser ir pra conhecer os mundos, se apaixonar, ouvir boa música e viver sem filtro, vá a um festival sozinho!

Se tiver companhia será uma experiência maravilhosa também, mas se não tiver, vai só com a coragem mesmo.

Para os que gostam de música eletrônica a mesma Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho, recebe o Adhana, na virada deste ano, que está preparando uma estrutura de tirar o chapéu. E pra quem curte rock autoral independente, o Psicodália será no começo de março de 2019.

Mas há também outros lugares por aí recebendo eventos assim, vale a pesquisa. Saia do modo robô por um tempinho, não tem desculpa, só tem bônus. E aí, bora?!

Escrito por Daniele Sisnandes, 11/09/2018 às 17h33 | danikahc@gmail.com



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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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Por Daniele Sisnandes

Chegou a hora da despedida!

Não fiz jornalismo para fazer amigos. Ou ir a festas restritas, me deliciar com coquetéis ou transitar entre gente influente. Fiz porque tinha sonhos, como a maioria dos jovens. Sonhos de mudança. Mas o que eu menos imaginava era que o jornalismo ia me mudar tanto, por dentro.

Quando cheguei no Página 3 em 2007 eu não tinha experiência na área. Tinha tido uma breve e promissora carreira na música, até me acidentar de carro. Aquilo mexeu comigo e percebi que eu precisava de solidez, por isso fui buscar um estágio na área que eu cursava.

Caí no Página 3 e lembro até hoje do primeiro dia de trabalho. A Carol me recebeu e disse para eu sentar no PC e navegar na net. O tempo não corria tão rápido, afinal o jornal saía só aos sábados. Eu entrei na última edição da versão tabloide, aquele jornalão imponente!

Passamos juntos por muitas mudanças. O mais gostoso é lembrar das nossas reuniões de pauta. Nos reuníamos para desenhar juntas como seria a próxima edição. A dona Marlise sempre carinhosa e aberta ao diálogo, apontando o caminho com o afago de uma mãe, já o Marzinho nunca gostou muito de participar dessas reuniões preparatórias, ele sempre ficava impaciente com aquela tagarelice.

Era naquela troca, quase sempre feminina, que nos ouvíamos, debatíamos e construíamos juntas. Foi assim que conheci minhas próprias opiniões e aperfeiçoei a escuta. Não foi só jornalismo, foi consolidação de caráter e humanidade.

Durante anos meu computador ficou entre o da Lisi e do Marzinho. E foi nesse intercâmbio intensivo que ouvi os conselhos que nenhum professor jamais deu...sobre ler nas entrelinhas, ter empatia e responsabilidade na hora de escolher o tom, sobre ir além do óbvio e vasculhar onde os outros não costumam olhar. Sobre ter autonomia, descobrir e defender seus pontos de vista com paixão. Mas também sobre saber adaptar, cortar a própria carne de um texto que se pensava perfeito, ceder e evoluir.

Se tem uma coisa da qual me orgulho e pela qual faria tudo novamente é a amizade com meus chefes e todo o espaço e confiança que eles compartilharam comigo. Orgulho demais também da amizade que conquistei da Fab, que amo como se fosse uma irmã e do respeito com que toda família Página 3/Schneider Cezar sempre me tratou.

Trabalhar no Página 3 foi um privilégio. Foi aqui que lapidei minha escrita, compreendi minhas predileções estilísticas, meu apreço pela cultura, a desafiadora estética diária do cotidiano editorial. Isso sem falar em tantas funções que pude desempenhar. Da escrita livre à supervisão de aprendizes, como um dia também fui. Enfim, foi uma grande escola.

Gratidão a todas as fontes que me ajudaram a registrar os fatos. A cada pessoa que passou por mim, que compartilhou informações, somou, pediu apoio, ajudou a construir algo ou apenas criticou, tentou enganar ou apontar falhas ...todas essas pessoas estarão sempre na minha história. Vocês ajudaram a forjar a Daniele jornalista e cidadã de olhos abertos, muitas vezes indignados, porém sem perder a ternura, jamais.

Recebi o convite para fazer parte da equipe do vereador Lucas Gotardo, um time incrível de profissionais, com quem terei muita alegria de trabalhar. Continuo com os sonhos de mudança, porém agora atuando em outra ponta, sem deixar de lado nada que aprendi até agora.

Chegou a hora de um novo desafio. Deixo a reportagem, mas não pretendo sumir, sigo na web com a coluna Frente e Verso com opinião, cultura, arte e o que mais surgir. Nos veremos em breve, espero. Um abraço carinhoso e vamos em frente!
 

Escrito por Daniele Sisnandes, 15/02/2019 às 16h05 | danikahc@gmail.com

Por que nossos corpos incomodam tanto?

O final de semana foi de polêmica e muito desrespeito nas redes, acompanhei de longe, mas nesta segunda pude ler um pouco mais dos absurdos destilados sobre a roupa da deputada Paulinha em sua posse na ALESC.

São coisas grotescas, que ultrapassam o bom senso e até posicionamentos criminosos que não merecem passar impunes.

O debate, aos que não quiseram passar a linha do aceitável e queimar o nome nas redes, ficou sobre em torno da “roupa apropriada”, mas o problema é bem maior que isso. O foco dessa discussão toda é outro. Por que só nossos corpos femininos incomodam o mundo? 

Nossas formas foram objetificadas ao longo da história e sofremos MUITO com isso até hoje. Olhem só, nem amamentar as mulheres podem em paz!

Os seios são os principais alvos, são um tabu tremendo. Apavoram, causam estranheza, raiva, preconceito, muito preconceito. Tudo isso porque nossas formas foram reduzidas ao prazer dos homens, como se estivessem apenas relacionadas a sexo.

Esquecem esses mesmos homens e mulheres que criticam, que suas vidas só são possíveis graças a essas formas. Deveriam divinizar o corpo feminino, carregado de ancestralidade, com respeito e devoção, e não o contrário, como o faz o povo sempre quando tem medo de algo que não entende.

Nossos corpos foram demonizados ao longo da história, era mais fácil nos cobrir, a nos aceitar. O sutiã é um bom exemplo de mordaça usada para nos moldar e o principal: esconder nossos ofensivos mamilos (sic), porque sim, estamos em 2019 e a sociedade ainda não sabe se comportar quando os vê, sabe quão absurdo é isso?

E o pior é que essas coisas só pioraram com o tempo. Um decote virou algo aliado ao pecamisono, ainda mais se as formas sob ele fossem voluptuosas, aí sim a guerra está armada, como foi o caso em questão. Uma guerra de hipocrisia e falta de entendimento.

Vivemos uma era de rupturas e despertar, é uma hora importante de quebrar os padrões e evoluir como sociedade.

Os corpos femininos são livres, são políticos sim, combatem o preconceito TODOS os dias, seja enfrentando a misoginia (o ódio às mulheres), a gordofobia, o machismo incrustado no comentário “não era apropriado”. Não era por quê?

Porque nos revela, evidencia nossas diferenças, cutuca feridas abertas nas mentes dos preconceituosos, rompe o silêncio que nos impuseram. Não é apropriado para quem não sabe o que é tolerância e respeito.

Não é apropriado para quem tem problemas a serem resolvidos, às vezes problemas que nem entende ou lembra, mas isso não é um tema de opinião, é uma questão clínica para os profissionais da área da saúde emocional.

Pela reação dos pares de Paulinha e de muitos internautas, parece que o caminho da conquista da tolerância e do respeito será longo e árduo. Por outro lado, vi muita gente sensata e desperta comentando com bom senso esse assunto, foi um alento.

Essa é uma questão cultural, está enraizada e não vai mudar do dia pra noite, mas todos os debates sobre isso são essenciais! Que a gente siga evoluindo com amor e cada vez menos preconceito e menos desrespeito. Vamos em frente.

Escrito por Daniele Sisnandes, 04/02/2019 às 14h16 | danikahc@gmail.com

Nem tudo é indicado para todos

Nesses últimos tempos presenciamos, nas ruas e nas redes, situações que desafiam a imaginação. Mesmo um mês depois das eleições, este estranho estado das coisas perdura.

Seguimos divididos. Apartados por posturas diferentes ou simplesmente pela forma com que enxergamos a opinião do outro. Mas eu acho, sinceramente, que não é só a questão da polarização política...a sociedade deixou a intolerância sair do armário nessas eleições e muitos (e barulhentos) não fazem mais nem questão de tentar compreender pontos de vista diferentes dos seus.

Eu vejo isso todo dia nos comentário das matérias que publicamos. As críticas aparecem de um jeito ou de outro, não só quanto aos temas, mas às decisões editoriais de se publicar (ou não) isso ou aquilo. É o famoso “nossa, vai mudar a minha vida hein Página 3” ou “tem coisa mais importante para se preocupar”.

Eu acho isso engraçado hoje em dia, mas já me estressei muito na vida, levava para o lado pessoal e tudo mais, porque como editores/redatores/diagramadores, gastamos energia para publicar o que quer que seja.

Nas antigas chegamos a criar uma editoria “Quem se importa”, pra notas sobre famosos que vinham prontas de uma agência de notícia e sabe o que era mais engraçado? Bombava!

Nem tudo precisa ser sério, sangrento ou horrível pra ser notícia. E gente, nem tudo é indicado para todos, precisamos urgentemente aprender a respeitar isso!

Talvez para uma parcela dos internautas a notícia da Bruna Marquezine importe (acreditem, importa, eu vejo os números dos acessos), assim como também importa para alguém a notícia da polícia, a política, a opinião ou tantas outras coisas que publicamos diariamente.

O que eu quero colocar em discussão aqui é a falta de visão com o todo, estamos cegos para o diferente, exigindo ver somente aquilo que nos convém, o resto que se dane!

Que sociedade é essa que não entende as segmentações? Somos diferentes, consumimos e produzimos coisas diferentes.

Nem tudo é para todos 2

Essa semana houve o maior zumzumzum na internet por causa de um texto que a Fernanda Lima leu no programa dela. Depois disso atacaram a mulher, acusaram de mil coisas, que o programa é isso ou aquilo. Minha gente, vamos respeitar a segmentação das coisas. Se algo como um programa incomoda, é porque talvez ele não seja feito para você.

Muda de canal ou estação. Muda de companheiro se ele te faz mais mal que bem, não siga mais determinadas pessoas!

O problema é que a gente não quer mudar, quer ficar sentado passeando pela vida e recebendo só aquilo que convém, mas isso tá errado!

O mundo mudou. O ser humano não pode vestir um uniforme moral e sair atirando verdades. A oferta das coisas está diversificada para atender demandas específicas.

Nem tudo é pra todos 3

Como assim proibir uma Parada da Diversidade porque afeta os cristãos? E os demais? E os gays, simpatizantes, e todo o resto?

Não é porque é uma parada gay que eu tenha que ir/gostar ou concordar. Temos que respeitar e ponto, assim como respeitamos marcha da paz, da família ou seja lá o que vier.

Nem tudo é pra todos 4

Hoje publicamos uma matéria sobre uma ENQUETE do vereador Lucas Gotardo perguntando o que as pessoas achavam de ler a Constituição em vez da Bíblia na sessão legislativa. Como assim isso é um insulto minha gente? Sério mesmo, como assim?

Foi uma avalanche de comentários e é de se espantar! Eu fiquei até positivamente surpresa com a quantidade de pessoas que saíram em defesa do estado laico, mas também ocorreram manifestações estranhas demais, tipo…”vai trabalhar” ou “tem mais com que se preocupar”, como se esse pequeno recorte da realidade representasse toda história do vereador.

Eu, pessoalmente, achei ótimo. E o Lucas foi feliz numa colocação, que ele está questionando a leitura obrigatória antes das sessões (que está no Regimento Interno desde 2015)...se cada vereador quiser ler a Bíblia no seu tempo livre ainda seria perfeitamente possível.

Lembro que o ex-vereador Hannibal costumava fazer isso, lia mensagens do Seicho-No-Ie e tudo bem, a manifestação individual é livre e garantida, já a obrigação para todos, muda tudo.

E já que os assuntos acabaram caindo para o lado religioso essa semana...pra terminar queria lembrar só mais uma coisa: Jesus Cristo foi o cara mais espetacular, cabelo comprido, sentava no chão com os estranhos, passava uma mensagem de amor... se ele tivesse aí de volta, você ia amá-lo ou chamá-lo de esquerdopata? Tá faltando amor e empatia e não, não é papo de comunista (sic), é reflexão sobre nossa humanidade.

Paz e bem!

Escrito por Daniele Sisnandes, 09/11/2018 às 19h02 | danikahc@gmail.com

Campanha lixo!

Faz mais ou menos uma semana que comecei a fotografar os materiais de candidatos que chegavam na caixa de correio ou eram jogados no chão da minha garagem. Queria ver onde ia essa “estratégia” de campanha e claro, me decepcionei.

A mídia em papel perdeu espaço no mundo. A impressão é um ato nada ecológico, agora a má distribuição desse material é algo ainda mais reprovável.

Mesmo que tenham investido recursos próprios minha gente, a maioria dessas figuras aí de cima recebeu repasses dos partidos e vocês sabem de onde vem o dinheiro dos partidos né?!

Entre as figuras acima, uma das mais experientes (candidato a federal) recebeu mais de R$ 1,3 milhão do partido para essa campanha. Já o candidato ao senado recebeu R$ 3 milhões!!!!!! O que você acha disso? Você concorda? 

Eu moro numa região mais afastada, quase na Barra Sul, imagino que no centrão mesmo o volume de material desovado nos endereços deve ter sido ainda pior.

O pior é que na maioria das vezes os santinhos eram deixados ali aos montes. Eu moro numa casa. Bastava um, mas eles nunca estavam sós. Falta de planejamento ou talvez pressa de quem distribuía, não saberemos! Cabe a reflexão, pleno 2018 e as velhas práticas batendo à nossa porta...

A única coisa que eu sei é que os candidatos que eu escolhi...escolhi porque me identifiquei com ideias, estratégias de divulgação, fui atrás e conheci, ninguém ganhou voto de mão beijada, nem por santinho abandonado.

Neste domingo aposto que vamos encontrar mais uma vez aquelas cenas lamentáveis de santinhos espalhados perto dos locais de votação. Típico, mas não menos digno de indignação.

Essa foi uma das campanhas mais sujas que já acompanhamos. E agora não estou falando só do lixo que é produzido, mas do todo, da polarização, das brigas, das amizades desfeitas, da intolerância.

Acho que nunca o jornalismo teve que desmentir tanto e como diz minha amiga Fab Diniz, desmentir sem causar efeito, porque as pessoas estão acreditando só naquilo que convém. Que tragédia isso!

O brasileiro está cansado de injustiças sociais, da corrupção, de ser assaltado de todas as formas e por isso está vivendo um momento de posicionamentos extremos. Mas que a gente tenha discernimento neste domingo e faça boas escolhas, escolhas calculadas. Não vote sem pensar ou no cabresto. Ainda dá tempo de pesquisar. Não desperdice seu direito de escolha! 

Para pesquisar informações e gastos dos candidatos, clique aqui.

Escrito por Daniele Sisnandes, 05/10/2018 às 17h21 | danikahc@gmail.com

Arte contra o câncer

No dia 2 de outubro, o fotógrafo Eduardo Werner lança a exposição Brilho da Vida. O trabalho lindíssimo reúne fotografias de modelos em tratamento e em fase de recuperação maquiadas com tinta neon.

O trabalho contou com a ajuda do maquiador profissional Alex Ferreira e suporte da Sol Martins, na produção.

“Ver a esperança no rosto dessas guerreiras com muito brilho e cor me deixa confiante e realizado”, comentou Werner.

Após o lançamento, a exposição ficará no Atlântico Shopping, em Balneário Camboriú, até o dia 15 de outubro, trazendo novas cores ao Outubro Rosa.

Sobre o Café

No dia 2, a partir das 14h30, o grupo de voluntárias do Espaço Câncer com Alegria promove o CAFÉ BENEFICENTE em comemoração ao Outubro Rosa. O evento vai acontecer no Clube do Médico, na Praia Brava.

Na programação estão previstos desfiles, a exposição do fotógrafo Eduardo Werner, o Bazar Karla Vivian, maquiagem gratuita, homenagens, surpresas e sorteios de brindes.

Os convites no valor de R$ 50,00 podem ser adquiridos com as voluntárias do Espaço Câncer com Alegria através dos telefones: 47 99937 3867 ( Eliana), 47 99965 9073 ( Fátima) e 47 98415 0888 ( Patrícia).

O valor arrecadado será revertido para a instituição que presta serviço aos pacientes com diagnóstico de câncer na região.

Toda semana, o grupo de voluntárias visita os pacientes em tratamento e oferecem lanches, lenços e serviços de maquiagem.

Os atendimentos são oferecidos há três anos. O Espaço Câncer com Alegria atende na Rua José Bonifácio Malburg, 51, e presta auxílio nas áreas de doação de lenços, empréstimo de perucas, corte de cabelo para doação, micropigmentação de sobrancelhas, fisioterapia, coach e psicologia, OncoYoga e aulas de zumba.

Escrito por Daniele Sisnandes, 27/09/2018 às 15h37 | danikahc@gmail.com

Vá a um festival sozinho

Fotos: Daniele Sisnandes

Viajar 100% sozinha era uma dessas metas que eu ainda não tinha cumprido desde 2016, quando decidi recomeçar a vida. Aí no início de 2018 surgiu bem do nada a oportunidade de ir para Psicodália, um grande festival que acontece no Carnaval, em Rio Negrinho.

Quando recebi minha confirmação foi meio em cima do laço. Eu ia tocar em outro lugar naquele mesmo final de semana e até pensei até em não ir ao festival, porque também não teria ninguém pra ir junto comigo nessa aventura inesperada.

Acontece bastante né, às vezes sem companhia para um determinado evento, a gente acaba deixando de ir. Mas acho que era pra ter sido assim mesmo e foi incrível! Coisas do acaso que marcam a vida da gente pra sempre.

Então foi assim, eu arrumei uma mochila com roupas e outra com mantimentos. Toquei na festa que tinha marcado e no dia seguinte carreguei meu corajoso Picanto vermelho - o Jingo - e subi a serra.

Não fiz propaganda, nem fiquei postando meus passos enquanto estava lá. Desconectei para conectar!

Por isso reforço que ir a um festival como esse é uma das melhores pedidas pra quem também quer um rolê sozinho, pra pensar, sentir, descobrir, principalmente para a mulherada! Digo isso porque é pé na lama e intensidade, mas é muito respeito.

Um festival é um mundo à parte sim. É um extrato dos nossos sonhos utópicos de sociedade ideal. É 'bom dia' nos caminhos, é entrega nos shows é tudo o que se quiser, desde que não perturbe o outro.

Eu já tinha ido a festivais naquele mesmo lugar e sabia o poder energético daquela colina, então eu estava otimista, mas nem perto imaginava o que me esperava.

Quando cheguei na fazenda caía uma garoa fina. O festival já rolava há uns três dias e nem tinha fila para entrar. O estacionamento estava virado em lama e uma patrola ajudava quem queria desatolar, normal!

Antes de tirar as coisas do carro, dei uma volta e fiz o reconhecimento pra ver o que rolava e onde ia parar.

Carreguei meu cartão com Dálias (que é o dinheiro do lugar) e comprei uma cerveja. Achei um lugar irado bem perto dos dois palcos principais e ali montei acampamento. Foi a última trip da minha barraquinha parceira, essa já merecia um descanso.

Eu que não sou trouxa e já passei perrengue a beça, calcei as galochas de borracha, garrei na cadeira e fui pra pista.

Logo quando eu cheguei vivenciei um dos shows mais viscerais. Uma banda de minas chamada Mulamba (que eu absurdamente não conhecia) e logo virei fã. Mulherada responsa tocando lindamente e o povo enlouquecido.

Assim como as minas do palco, as minas do público também arrancaram as blusas e fizeram coro quando começaram a tocar a canção “Mulamba”, um hino de empoderamento feminino. O show todo é um protesto, um ato de coragem, uma experiência inesquecível. Pra nossa sorte elas voltam no próximo Psicodália e tocam em Balneário Camboriú em outubro!!!!

O show da banda Francisco El Hombre também foi incrível, foi essa banda que me arrastou até o Psicodália na verdade e valeu cada minuto.

O Psicodália tem uma particularidade interessante de respeito aos músicos, então em cada horário, um dos palcos funciona. Para que as pessoas possam circular e prestigiar, acredito eu.

Foi assim que eu conheci um monte de artistas sensacionais, como André Prando, Ema Stoned e Daniel Groove e seu brega que vai direto do coração. Esse foi um show tão intenso que quando vi estava super emocionada e olha que eu nunca tinha ouvido o som do cara antes. Acontece quando a gente está receptivo e permite ser tocado pela arte.

Com um festival desse e ainda com um público considerável - são milhares de pessoas - tem banda do país inteiro querendo tocar e a curadoria faz questão de garantir a diversidade. 

Tem muita qualidade musical, nada muito convencional não. Pra quem curte descobrir sons é muito legal.

Mas não são só os shows nos palcos que fazem um festival. Na verdade tem muita arte linda nas entrelinhas, nos caminhos, nos intervalos. Cinema, palhaçaria, interação, muita interação de pessoas de todas as idades, inclusive da criançada.

As oficinas também são complementos muito importantes, pela vivência, pelas trocas. Muita energia acontece seja num jogo, aprendendo a fazer tie dye ou encontrando o ritmo.

Geralmente os festivais oferecem bem mais do que bar, tem praça de alimentação, mercadinho, você não fica sem coisas básicas, então a minha dica é leve o que for essencial. Eu sempre volto pra casa com muita comida, principalmente essas coisas prontas porque chego e acabo comendo lá mesmo. Desapega e aproveita os sabores que o lugar te oferece.

Providencialmente a área onde tinha alguns interruptores para o pessoal carregar os celulares, era um centro de convivência e lá se conhecia muita gente. Tinha uma pizza maravilhosa 24 horas por dia e sempre tinha alguém fazendo jam session.

Ali nas madrugadas, quando os palcos silenciavam, rolava o Bailinho de Vinil, um trio que virava os discos e fazia o povo não querer dormir. Era insano!

O Palco do Lago era um lugar bem mítico, coisa linda a energia que rolava por lá. Mesmo com lama, sob chuva, não tinha tempo ruim não.

Por isso a gente tem que ir preparado, levar bastante meia, uma capa boa e sapatos resistentes à água (se a previsão for de chuva), mas principalmente amor e bom humor. Se for para reclamar é melhor ficar no aconchego do lar, mas se quiser ir pra conhecer os mundos, se apaixonar, ouvir boa música e viver sem filtro, vá a um festival sozinho!

Se tiver companhia será uma experiência maravilhosa também, mas se não tiver, vai só com a coragem mesmo.

Para os que gostam de música eletrônica a mesma Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho, recebe o Adhana, na virada deste ano, que está preparando uma estrutura de tirar o chapéu. E pra quem curte rock autoral independente, o Psicodália será no começo de março de 2019.

Mas há também outros lugares por aí recebendo eventos assim, vale a pesquisa. Saia do modo robô por um tempinho, não tem desculpa, só tem bônus. E aí, bora?!

Escrito por Daniele Sisnandes, 11/09/2018 às 17h33 | danikahc@gmail.com



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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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