Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Indique com amor

Publicado na edição impressa do JP3 de setembro.

Vivemos tempos digitais, de opiniões instantâneas e tutoriais. Nós aqui no papel vamos resistindo pelo amor, mas a verdade é que as coisas mudaram e fiquei pensando muito nisso há algumas semanas quando fui em uma noite de palestras onde conheci uma influenciadora digital.

Os youtubers e instagrammers estão entre nós há um tempo, mas há pouco eles mesmos reconheceram essas ocupações como profissões. Entenderam como ganhar dinheiro disparando opiniões, vestindo e comendo. Tudo válido, desde que legítimo.

É que essa volatilidade dá margem para muita desinformação e temos, nós da geração passada, de alertar nossos amigos, filhos e netos a filtrarem conteúdo. Não a rejeitar, e sim filtrar. Não podemos mais ter o mesmo perfil de leitura de outrora.

Estávamos acostumados aos jornais, que por si só já fazem filtros com base em preceitos de ética e na autodefesa contra processos. Hoje em dia as coisas são um pouco diferentes, existem fakes, pessoas que surgem de um dia para o outro, tem de tudo.

Os famosos estão usando as redes como outdoor há tempos, e cara... eles indicam qualquer coisa! Da marca da roupa ao hotel na Grécia, dão até cupom para desconto na companhia aérea que levou eles para as férias. Fica difícil saber o que é real e o que é business.

Os novos comunicadores querem a mesma coisa. Pessoas que DECIDEM se tornar formadores de opinião e para isso estão dispostas a investir, fazer mil selfies, poses, caras e bocas. O objetivo não é só mais ganhar curtidas, é influenciar.

Muitos relatam a alegria que é quando começam a receber presentes para postar a abertura da caixa. Entendo que as coisas mudaram, mas eu me lembro bem quando, há uns 10 anos, recebi um vinho de uma fonte que tinha ficado feliz com uma matéria e me culpei por um tempão achando que aquilo era um jabá. Até hoje fico envergonhada quando recebo algo - eu sei, tenho 31 anos e me sinto jurássica!

As empresas estão ligadas nestes novos comunicadores. Eles falam a mesma língua, ensinam passo a passo, conversam, estão ali entre o comum e a celebridade, mas alcançáveis de alguma forma.

Só que ao mesmo tempo em que observo com atenção redobrada os profissionais da influência digital, nunca valorizei tanto a opinião dos amigos, as indicações de músicas no Spotify, os reviews nos sites de viagem. A opinião é uma ferramenta poderosa! Pode ser que a gente nem imagine, mas o tom que usamos para falar algo pelas redes ecoa, pode mudar o dia de alguém, a vida, o rumo de um negócio.

Não é negativo, é apenas o reconhecimento de uma responsabilidade. Por isso valorize o que você INDICA, mesmo se estiver ganhando algo para isso. Aponte com amor aquilo que for bom, seja claro, valorize a sua opinião, porque sempre tem alguém do outro lado.

Cabe a nós cuidar o que emitimos, para que chegue ao receptor sem ruídos - eis aí um importante preceito da comunicação (não tenho certeza se tem tutorial no Youtube para isso, mas aprendi do jeito antigo). Não sabemos onde tudo isso vai parar, mas seguimos atentos e dispostos a crescer junto.

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/10/2017 às 18h11 | danikahc@gmail.com

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Horário de verão

Primeira semana do horário de verão é aquele "estrago biológico" como bem resumiu meu amigo poeta Ernesto Wenth Filho no poema "Assalto". 

Não é de todo mal ter mais luz no fim do dia, mas que dói essa adaptação inicial, ah isso dói! Protestamos, entre um bocejo e outro.


Assalto (por Ernesto Wenth Filho)

Roubaram meu sono
mexeram no meu relógio
ficou tudo diferente
um estrago biológico
O cansaço tomou conta
a fome se atrasou
os olhos ficaram pesados
a boca bocejou
Não sei como gostar
não consigo me adaptar
duas vezes por ano
o organismo a reclamar
Falam da economia
de alguns milhões de reais
e a nossa saúde
como ficam os sinais vitais?
Ah...
Mas se aproveita melhor o dia
a noite chega mais tarde
é tudo pura ilusão
para enganar a realidade
Não gosto não
um assalto com armas à mão
devolvam a minha hora
e acabem com o horário de verão

EWF - 2017

Escrito por Daniele Sisnandes, 16/10/2017 às 11h06 | danikahc@gmail.com

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Que semana!

Atenção, alerta de #opinião

Que semana! Picos de contestação e uma montanha-russa de tolerância .

Tivemos diretor da prefeitura chamando arte de rua de vandalismo, liminar para “cura gay”, proibição de livre manifestação e quando achávamos que abriríamos uma cerveja gelada no fim da sexta-feira, um vereador da situação esquenta o clima se posicionando contra uma decisão do próprio governo. Caracas, que semana, que prazer vivenciá-la!

Não existe alegria alguma em testemunhar o ódio, repudio veementemente a intolerância, mas não podemos perder a esperança do debate e isso sim, faz as coisas valerem a pena.

A cólera encontrou no Facebook um meio de proliferação, é um fato. Por outro lado, tem sido através das redes que estranhos têm reforçado um coro de décadas por liberdade, espaço e representatividade. Não precisamos ir longe, nossas questões estão logo ali.
 

E gente, são questões humanas! A dra Céres escreveu um texto tão coerente essa semana que me deu esperança em meio ao tiroteio. Lembrou sobre nos importarmos mais com a nossa própria vida e felicidade, em vez de apontar alvos. Pra quê mirar no alheio?

Respeito muito a fé, mas os fanáticos (abanadores de bandeira e religiosos) me fazem questionar o mistério da crença, da “ideologia” travestida de escudo.

Nego, nego e nego novamente concordar com o retrocesso: três ou quantas vezes forem necessárias. Nego silenciar frente a perguntas sem resposta, aos “mistérios”, aos argumentos para a insensatez. Eles não existem, são embustes!

Esse mundo já viveu seus dias sombrios, agora chega, bora acordar!

 

Escrito por Daniele Sisnandes, 23/09/2017 às 01h50 | danikahc@gmail.com

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Ainda há tempo

A negatividade é uma arte maldita própria do ser humano e tem sido aprimorada nesses tempos “sociais”. Gente, como estamos intolerantes!

Com o tempo me tornei uma pessoa vigilante do humor, do poder das reações e do impacto da postura otimista frente às dificuldades. Pode parecer algo óbvio, mas não é. A maioria de nós tem a negatividade como resposta automática e nem percebe. E como se não fosse suficiente externar oralmente, agora achincalhamos nas redes sociais.

Isso eu também já fiz, por isso, falo com propriedade. O próprio Facebook lembra o teor dos meus comentários ao longo da breve trajetória na rede e eu admito com muito orgulho que mudei baseada em muitos fatores.

Há uns anos, uma colega jornalista e amiga querida que me atentou pra isso numa madrugada em que nos encontramos na porta de um boteco da orla. Ela abriu meus olhos para o meu tom e ainda disse com cara de gatinho, “miga, não pega bem”.

Muita água rolou desde então. Muita autocrítica, altos e baixos na vida e resolvi manter o direito de ficar calada.

Quando silenciamos e patrulhamos a nós mesmos, a voz do entorno ganha espaço. E nesta função em que estamos de produtores de conteúdo e moderadores, lidamos diariamente com vozes que gritam, travam guerras, amam e odeiam em breves períodos de tempo.

Teve uma época em que chegamos a criar uma editoria chamada “Quem se importa?” aqui no jornal, uma abordagem irônica para publicar pautas de variedades da agência, muitas sobre celebridades. Tudo amplamente criticado e igualmente lido. Um dos paradoxos dessa vida cibernética.

Nos dividimos na tarefa de ler os comentários. É pesado. No começo não lia porque me afetava...a agressividade, o deboche, o sarcasmo...entretanto aprendi também com isso. Apesar de não concordar, aprendi a não sofrer com o problema alheio e não querer que todos pensem da minha maneira. Tirei essa lição da web e levei para a vida.

Todo dia temos algum assunto que atrai mais atenção e invariavelmente cria certa polêmica. Pode ser uma proposta como a construção de um dog park, uma notícia policial sem a foto do “meliante” escancarada ou uma professora agredida dentro de sala de aula.

Recortes. Mesmo que contextualizados, são recortes. Julgar as coisas isoladamente não melhora o mundo e o pior é que essa é uma postura coletiva que se espalha feito vírus.

Mudar podemos, melhorar podemos. "As pessoas não são más, elas só estão perdidas", canta Ciolo. Se ainda estamos por aí, é porque ainda há tempo, eu acredito também. Sigamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 22/08/2017 às 18h44 | danikahc@gmail.com

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26 anos de histórias

Coluna publicada no JP3 impresso de julho, em homenagem aos 26 anos do jornal, completados nesta quarta-feira  (26).

A gente que conta histórias o tempo todo muitas vezes não percebe a própria. Nas últimas semanas preparamos com tanta dedicação essa edição especial pelo aniversário da cidade que no final faltou espaço para falarmos do nosso próprio aniversário: o Página 3 está completando 26 anos de circulação ininterrupta!

Eu também estou de aniversário aqui na casa. Esse é meu décimo inverno nesta redação calorosa, mas parece que foi ontem que cheguei sem saber por onde começar.

Peguei a última edição daquela glamurosa versão tabloide. O jornal saía todos os sábados, enorme e só com a capa colorida. As coisas foram mudando, o mundo vira do avesso em 10 anos...a gente também. Porém, foram os hábitos que mais se transformaram.

Com os anos fomos tentando imprimir no papel um comportamento que não lhe cabia: textos menores e mais dinâmicos. Primeiro para agradar o leitor apressado e depois para dar conta de tanta informação, eita década conturbada!

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Em janeiro de 2017, o Página 3 assumiu uma grande mudança: passou a ter edição impressa apenas uma vez ao mês com reportagens especiais e todos os esforços e atenções se voltaram para o bem-sucedido noticiário online. Novos tempos e mesmo assim ouvimos muitos lamentos (ainda ouvimos).

Rupturas são doídas, costumamos resistir até o limite. Entretanto, assim como nos relacionamentos cansados, rever um conceito pode fazer tão bem! Hoje, na sétima edição desta nova fase, podemos dizer que o Página 3 evoluiu.

Em meio a uma crise de leitura, a casa floresceu para uma nova forma de escrever a história. O impresso do mês é sempre uma vitória, um degrau vencido.

Privilégio fazer parte da equipe em todo esse tempo e crescer junto. A universidade é uma base maravilhosa, mas o dia a dia de uma redação de um jornal como o Página 3 é vivência e isso ninguém tira ou consegue ensinar.

Nesses 10 anos trabalhei sentada entre dois monstros do jornalismo, apaixonados um pelo outro e pelo que resolveram fazer da vida. Dona Marlise e o Marzinho não só deram suporte como incitaram o voo de quem passou por aqui, felizes os que aproveitaram como eu.

Os ensinamentos não vêm em lições didáticas, mas na observação diária das posturas, bandeiras e ousadias.

Fazer jornalismo (e manter um jornal) em meio a uma época de crises, seja moral, econômica ou de leitura é mais que um desafio. Conseguir fazer a diferença e requalificar-se continuamente sem perder a ternura, é resistência. Vida longa família, vamos em frente, com muita gratidão.

Feliz 26!

Lembranças e resgates:

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Escrito por Daniele Sisnandes, 26/07/2017 às 05h25 | danikahc@gmail.com

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Falta de timing

A prefeitura anda ruim de timing. Já são sete meses de governo e as coisas continuam demorando pra “desenrolar” na divulgação de informações. O último exemplo disso foi a programação de aniversário da cidade.

Primeiro a demora. Não foi simples, mas o Página 3 conseguiu furar o cerco e largou no dia 24 de junho na edição impressa, as primeiras informações sobre a programação. Na semana seguinte tentou complementar o material e encontrou dificuldades porque ainda não estava finalizada.

A programação começou no sábado (1º) com diversas atividades, porém até o final da tarde de sexta-feira o município não havia se atentado para a divulgação da programação completa.

Nós na redação ficamos catando release por release pra ver o que era programação e o que não era. Para facilitar a vida do leitor, fizemos uma matéria com a programação toda para o final de semana e divulgamos no site. 

Na segunda-feira um release com a programação dentro de um arquivo zipado foi publicado. Nossa equipe retirou o material do pdf e transformou em uma tabela para fácil acesso no nosso site.

Depois vi que a prefeitura publicou novamente esse release em um novo formato, sem a tabela, mas em texto, separando as atividades por setores. Também publicou só ontem (3) a arte dos 53 anos de BC, no site e nas redes.

O serviço público deve ser um perrengue danado, cheio de burocracias e outras coisas para vencer, porém datas comemorativas acontecem todo ano, quer mude o governo ou não, dava pra se programar para informar o cidadão. Não pensem que isso não interessa, pois foi um dos assuntos mais clicados dos últimos dias, envolve esforço e recursos públicos e é para o povo.

Venho compartilhar isso aqui para que o público entenda como funciona os bastidores da informação. É complicado, nem sempre as próprias fontes têm os dados ou são autorizadas a fornecer. Fica o cidadão sem saber, fica a gente tendo que correr um monte para conseguir uma informação que é de interesse do município ser divulgada!

Agora a prefeitura está finalizando uma licitação de agência de publicidade, vão ser R$ 3 milhões para os próximos 12 meses, fico me perguntando se não seria interessante investir internamente no setor de comunicação. 

Tem um monte de agências de assessoria na região que fazem um trabalho primoroso na divulgação de eventos, podiam ser procuradas para uma consultoria talvez, ou quem sabe um apoio entre colegas. Esses profissionais chegam na redação com as fontes, ligam, buscam espaço de forma cordial. Isso garante muita divulgação espontânea e seria uma mão na roda para quem anda trabalhando no limite prudencial nas despesas, não acham? Continuo sem entender a forma desse setor trabalhar. Sei lá, entende...vamos em frente.

Escrito por Daniele Sisnandes, 04/07/2017 às 14h20 | danikahc@gmail.com

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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.
















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