Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

O primeiro passo é a mulher que dá

A cada ano que passa reavaliamos o espaço da mulher, como ela é vista, se é valorizada em sociedade, no mercado de trabalho. Mas esquecemos, no entanto, de perguntar como nós mesmas estamos nos tratando.

Quando meninas, a maioria de nós cede às pressões dos grupos para fazer parte. Sofremos ou somos alvo de bullying, começamos a corrida atrás dos estereótipos, perdemos individualidade. Ser original ou diferente da revista pode ser motivo para o isolamento e geralmente não é isso que queremos.

A lista só aumenta com o tempo: é a busca por um amor surreal, por um padrão de beleza em que não nos encaixamos. É o consumismo, são os relacionamentos e hábitos que não nos fazem bem, a maternidade romantizada, as jornadas triplas de trabalho para dar conta.

Cada realidade tem a sua coleção de fatores indecentes responsáveis por infelicidade, ciclos viciosos e falta de amor próprio.

Parar e se ouvir em meio a esse turbilhão de pressões é difícil, é dificílimo às vezes, muitas de nós não conseguem por uma vida inteira, mas esse é o primeiro passo para a valorização que tanto buscamos lá fora. Mães, filhas, jovens ou idosas, sempre há tempo de reconhecer o sagrado feminino presente em cada uma de nós.

Nascemos com o poder de transformação, de dar vida e alento. Mas para ajudar o outro, precisamos estar inteiras e a mudança precisa partir de nós. Do resgate pelos nossos gostos, auto-estima, deixar de lado o que fomos condicionadas com a peleia da vida e redescobrir o que realmente gostamos e desejamos.

Muitas vezes essa busca vai levar ao rompimento com uma rotina que estávamos acostumados. Pode doer, parecer impossível, dará vontade de desistir.

A autossabotagem é um armadilha da mente para evitar mudanças num suposto equilíbrio das coisas. Ela vai gritar, porém é possível escolher ouvir o coração.

Aproveitar o sexto sentido, o apoio de quem lhe quer realmente bem, independente das suas escolhas. Compartilhar, porque engolir os sapos sozinha é uma atitude tóxica.

As transformações vão começar a aparecer internamente, no espelho, no olhar do outro, no espaço no mundo. Depois de mudar a si mesmas, conseguimos mudar qualquer coisa, mas o primeiro passo é a mulher que dá. Avante irmãs!

Escrito por Daniele Sisnandes, 07/03/2017 às 23h12 | danikahc@gmail.com

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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.
















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