Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Ainda há tempo

A negatividade é uma arte maldita própria do ser humano e tem sido aprimorada nesses tempos “sociais”. Gente, como estamos intolerantes!

Com o tempo me tornei uma pessoa vigilante do humor, do poder das reações e do impacto da postura otimista frente às dificuldades. Pode parecer algo óbvio, mas não é. A maioria de nós tem a negatividade como resposta automática e nem percebe. E como se não fosse suficiente externar oralmente, agora achincalhamos nas redes sociais.

Isso eu também já fiz, por isso, falo com propriedade. O próprio Facebook lembra o teor dos meus comentários ao longo da breve trajetória na rede e eu admito com muito orgulho que mudei baseada em muitos fatores.

Há uns anos, uma colega jornalista e amiga querida que me atentou pra isso numa madrugada em que nos encontramos na porta de um boteco da orla. Ela abriu meus olhos para o meu tom e ainda disse com cara de gatinho, “miga, não pega bem”.

Muita água rolou desde então. Muita autocrítica, altos e baixos na vida e resolvi manter o direito de ficar calada.

Quando silenciamos e patrulhamos a nós mesmos, a voz do entorno ganha espaço. E nesta função em que estamos de produtores de conteúdo e moderadores, lidamos diariamente com vozes que gritam, travam guerras, amam e odeiam em breves períodos de tempo.

Teve uma época em que chegamos a criar uma editoria chamada “Quem se importa?” aqui no jornal, uma abordagem irônica para publicar pautas de variedades da agência, muitas sobre celebridades. Tudo amplamente criticado e igualmente lido. Um dos paradoxos dessa vida cibernética.

Nos dividimos na tarefa de ler os comentários. É pesado. No começo não lia porque me afetava...a agressividade, o deboche, o sarcasmo...entretanto aprendi também com isso. Apesar de não concordar, aprendi a não sofrer com o problema alheio e não querer que todos pensem da minha maneira. Tirei essa lição da web e levei para a vida.

Todo dia temos algum assunto que atrai mais atenção e invariavelmente cria certa polêmica. Pode ser uma proposta como a construção de um dog park, uma notícia policial sem a foto do “meliante” escancarada ou uma professora agredida dentro de sala de aula.

Recortes. Mesmo que contextualizados, são recortes. Julgar as coisas isoladamente não melhora o mundo e o pior é que essa é uma postura coletiva que se espalha feito vírus.

Mudar podemos, melhorar podemos. "As pessoas não são más, elas só estão perdidas", canta Ciolo. Se ainda estamos por aí, é porque ainda há tempo, eu acredito também. Sigamos em frente!

Escrito por Daniele Sisnandes, 22/08/2017 às 18h44 | danikahc@gmail.com

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Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.
















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