Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Nem tudo é indicado para todos

Nesses últimos tempos presenciamos, nas ruas e nas redes, situações que desafiam a imaginação. Mesmo um mês depois das eleições, este estranho estado das coisas perdura.

Seguimos divididos. Apartados por posturas diferentes ou simplesmente pela forma com que enxergamos a opinião do outro. Mas eu acho, sinceramente, que não é só a questão da polarização política...a sociedade deixou a intolerância sair do armário nessas eleições e muitos (e barulhentos) não fazem mais nem questão de tentar compreender pontos de vista diferentes dos seus.

Eu vejo isso todo dia nos comentário das matérias que publicamos. As críticas aparecem de um jeito ou de outro, não só quanto aos temas, mas às decisões editoriais de se publicar (ou não) isso ou aquilo. É o famoso “nossa, vai mudar a minha vida hein Página 3” ou “tem coisa mais importante para se preocupar”.

Eu acho isso engraçado hoje em dia, mas já me estressei muito na vida, levava para o lado pessoal e tudo mais, porque como editores/redatores/diagramadores, gastamos energia para publicar o que quer que seja.

Nas antigas chegamos a criar uma editoria “Quem se importa”, pra notas sobre famosos que vinham prontas de uma agência de notícia e sabe o que era mais engraçado? Bombava!

Nem tudo precisa ser sério, sangrento ou horrível pra ser notícia. E gente, nem tudo é indicado para todos, precisamos urgentemente aprender a respeitar isso!

Talvez para uma parcela dos internautas a notícia da Bruna Marquezine importe (acreditem, importa, eu vejo os números dos acessos), assim como também importa para alguém a notícia da polícia, a política, a opinião ou tantas outras coisas que publicamos diariamente.

O que eu quero colocar em discussão aqui é a falta de visão com o todo, estamos cegos para o diferente, exigindo ver somente aquilo que nos convém, o resto que se dane!

Que sociedade é essa que não entende as segmentações? Somos diferentes, consumimos e produzimos coisas diferentes.

Nem tudo é para todos 2

Essa semana houve o maior zumzumzum na internet por causa de um texto que a Fernanda Lima leu no programa dela. Depois disso atacaram a mulher, acusaram de mil coisas, que o programa é isso ou aquilo. Minha gente, vamos respeitar a segmentação das coisas. Se algo como um programa incomoda, é porque talvez ele não seja feito para você.

Muda de canal ou estação. Muda de companheiro se ele te faz mais mal que bem, não siga mais determinadas pessoas!

O problema é que a gente não quer mudar, quer ficar sentado passeando pela vida e recebendo só aquilo que convém, mas isso tá errado!

O mundo mudou. O ser humano não pode vestir um uniforme moral e sair atirando verdades. A oferta das coisas está diversificada para atender demandas específicas.

Nem tudo é pra todos 3

Como assim proibir uma Parada da Diversidade porque afeta os cristãos? E os demais? E os gays, simpatizantes, e todo o resto?

Não é porque é uma parada gay que eu tenha que ir/gostar ou concordar. Temos que respeitar e ponto, assim como respeitamos marcha da paz, da família ou seja lá o que vier.

Nem tudo é pra todos 4

Hoje publicamos uma matéria sobre uma ENQUETE do vereador Lucas Gotardo perguntando o que as pessoas achavam de ler a Constituição em vez da Bíblia na sessão legislativa. Como assim isso é um insulto minha gente? Sério mesmo, como assim?

Foi uma avalanche de comentários e é de se espantar! Eu fiquei até positivamente surpresa com a quantidade de pessoas que saíram em defesa do estado laico, mas também ocorreram manifestações estranhas demais, tipo…”vai trabalhar” ou “tem mais com que se preocupar”, como se esse pequeno recorte da realidade representasse toda história do vereador.

Eu, pessoalmente, achei ótimo. E o Lucas foi feliz numa colocação, que ele está questionando a leitura obrigatória antes das sessões (que está no Regimento Interno desde 2015)...se cada vereador quiser ler a Bíblia no seu tempo livre ainda seria perfeitamente possível.

Lembro que o ex-vereador Hannibal costumava fazer isso, lia mensagens do Seicho-No-Ie e tudo bem, a manifestação individual é livre e garantida, já a obrigação para todos, muda tudo.

E já que os assuntos acabaram caindo para o lado religioso essa semana...pra terminar queria lembrar só mais uma coisa: Jesus Cristo foi o cara mais espetacular, cabelo comprido, sentava no chão com os estranhos, passava uma mensagem de amor... se ele tivesse aí de volta, você ia amá-lo ou chamá-lo de esquerdopata? Tá faltando amor e empatia e não, não é papo de comunista (sic), é reflexão sobre nossa humanidade.

Paz e bem!

Escrito por Daniele Sisnandes, 09/11/2018 às 19h02 | danikahc@gmail.com



Daniele Sisnandes

Assina a coluna Frente & Verso

Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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Nesses últimos tempos presenciamos, nas ruas e nas redes, situações que desafiam a imaginação. Mesmo um mês depois das eleições, este estranho estado das coisas perdura.

Seguimos divididos. Apartados por posturas diferentes ou simplesmente pela forma com que enxergamos a opinião do outro. Mas eu acho, sinceramente, que não é só a questão da polarização política...a sociedade deixou a intolerância sair do armário nessas eleições e muitos (e barulhentos) não fazem mais nem questão de tentar compreender pontos de vista diferentes dos seus.

Eu vejo isso todo dia nos comentário das matérias que publicamos. As críticas aparecem de um jeito ou de outro, não só quanto aos temas, mas às decisões editoriais de se publicar (ou não) isso ou aquilo. É o famoso “nossa, vai mudar a minha vida hein Página 3” ou “tem coisa mais importante para se preocupar”.

Eu acho isso engraçado hoje em dia, mas já me estressei muito na vida, levava para o lado pessoal e tudo mais, porque como editores/redatores/diagramadores, gastamos energia para publicar o que quer que seja.

Nas antigas chegamos a criar uma editoria “Quem se importa”, pra notas sobre famosos que vinham prontas de uma agência de notícia e sabe o que era mais engraçado? Bombava!

Nem tudo precisa ser sério, sangrento ou horrível pra ser notícia. E gente, nem tudo é indicado para todos, precisamos urgentemente aprender a respeitar isso!

Talvez para uma parcela dos internautas a notícia da Bruna Marquezine importe (acreditem, importa, eu vejo os números dos acessos), assim como também importa para alguém a notícia da polícia, a política, a opinião ou tantas outras coisas que publicamos diariamente.

O que eu quero colocar em discussão aqui é a falta de visão com o todo, estamos cegos para o diferente, exigindo ver somente aquilo que nos convém, o resto que se dane!

Que sociedade é essa que não entende as segmentações? Somos diferentes, consumimos e produzimos coisas diferentes.

Nem tudo é para todos 2

Essa semana houve o maior zumzumzum na internet por causa de um texto que a Fernanda Lima leu no programa dela. Depois disso atacaram a mulher, acusaram de mil coisas, que o programa é isso ou aquilo. Minha gente, vamos respeitar a segmentação das coisas. Se algo como um programa incomoda, é porque talvez ele não seja feito para você.

Muda de canal ou estação. Muda de companheiro se ele te faz mais mal que bem, não siga mais determinadas pessoas!

O problema é que a gente não quer mudar, quer ficar sentado passeando pela vida e recebendo só aquilo que convém, mas isso tá errado!

O mundo mudou. O ser humano não pode vestir um uniforme moral e sair atirando verdades. A oferta das coisas está diversificada para atender demandas específicas.

Nem tudo é pra todos 3

Como assim proibir uma Parada da Diversidade porque afeta os cristãos? E os demais? E os gays, simpatizantes, e todo o resto?

Não é porque é uma parada gay que eu tenha que ir/gostar ou concordar. Temos que respeitar e ponto, assim como respeitamos marcha da paz, da família ou seja lá o que vier.

Nem tudo é pra todos 4

Hoje publicamos uma matéria sobre uma ENQUETE do vereador Lucas Gotardo perguntando o que as pessoas achavam de ler a Constituição em vez da Bíblia na sessão legislativa. Como assim isso é um insulto minha gente? Sério mesmo, como assim?

Foi uma avalanche de comentários e é de se espantar! Eu fiquei até positivamente surpresa com a quantidade de pessoas que saíram em defesa do estado laico, mas também ocorreram manifestações estranhas demais, tipo…”vai trabalhar” ou “tem mais com que se preocupar”, como se esse pequeno recorte da realidade representasse toda história do vereador.

Eu, pessoalmente, achei ótimo. E o Lucas foi feliz numa colocação, que ele está questionando a leitura obrigatória antes das sessões (que está no Regimento Interno desde 2015)...se cada vereador quiser ler a Bíblia no seu tempo livre ainda seria perfeitamente possível.

Lembro que o ex-vereador Hannibal costumava fazer isso, lia mensagens do Seicho-No-Ie e tudo bem, a manifestação individual é livre e garantida, já a obrigação para todos, muda tudo.

E já que os assuntos acabaram caindo para o lado religioso essa semana...pra terminar queria lembrar só mais uma coisa: Jesus Cristo foi o cara mais espetacular, cabelo comprido, sentava no chão com os estranhos, passava uma mensagem de amor... se ele tivesse aí de volta, você ia amá-lo ou chamá-lo de esquerdopata? Tá faltando amor e empatia e não, não é papo de comunista (sic), é reflexão sobre nossa humanidade.

Paz e bem!

Escrito por Daniele Sisnandes, 09/11/2018 às 19h02 | danikahc@gmail.com



Daniele Sisnandes

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Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Editoria do Página 3 Online. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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