Jornal Página 3
Coluna
Frente & Verso
Por Daniele Sisnandes

Por que nossos corpos incomodam tanto?

O final de semana foi de polêmica e muito desrespeito nas redes, acompanhei de longe, mas nesta segunda pude ler um pouco mais dos absurdos destilados sobre a roupa da deputada Paulinha em sua posse na ALESC.

São coisas grotescas, que ultrapassam o bom senso e até posicionamentos criminosos que não merecem passar impunes.

O debate, aos que não quiseram passar a linha do aceitável e queimar o nome nas redes, ficou sobre em torno da “roupa apropriada”, mas o problema é bem maior que isso. O foco dessa discussão toda é outro. Por que só nossos corpos femininos incomodam o mundo? 

Nossas formas foram objetificadas ao longo da história e sofremos MUITO com isso até hoje. Olhem só, nem amamentar as mulheres podem em paz!

Os seios são os principais alvos, são um tabu tremendo. Apavoram, causam estranheza, raiva, preconceito, muito preconceito. Tudo isso porque nossas formas foram reduzidas ao prazer dos homens, como se estivessem apenas relacionadas a sexo.

Esquecem esses mesmos homens e mulheres que criticam, que suas vidas só são possíveis graças a essas formas. Deveriam divinizar o corpo feminino, carregado de ancestralidade, com respeito e devoção, e não o contrário, como o faz o povo sempre quando tem medo de algo que não entende.

Nossos corpos foram demonizados ao longo da história, era mais fácil nos cobrir, a nos aceitar. O sutiã é um bom exemplo de mordaça usada para nos moldar e o principal: esconder nossos ofensivos mamilos (sic), porque sim, estamos em 2019 e a sociedade ainda não sabe se comportar quando os vê, sabe quão absurdo é isso?

E o pior é que essas coisas só pioraram com o tempo. Um decote virou algo aliado ao pecamisono, ainda mais se as formas sob ele fossem voluptuosas, aí sim a guerra está armada, como foi o caso em questão. Uma guerra de hipocrisia e falta de entendimento.

Vivemos uma era de rupturas e despertar, é uma hora importante de quebrar os padrões e evoluir como sociedade.

Os corpos femininos são livres, são políticos sim, combatem o preconceito TODOS os dias, seja enfrentando a misoginia (o ódio às mulheres), a gordofobia, o machismo incrustado no comentário “não era apropriado”. Não era por quê?

Porque nos revela, evidencia nossas diferenças, cutuca feridas abertas nas mentes dos preconceituosos, rompe o silêncio que nos impuseram. Não é apropriado para quem não sabe o que é tolerância e respeito.

Não é apropriado para quem tem problemas a serem resolvidos, às vezes problemas que nem entende ou lembra, mas isso não é um tema de opinião, é uma questão clínica para os profissionais da área da saúde emocional.

Pela reação dos pares de Paulinha e de muitos internautas, parece que o caminho da conquista da tolerância e do respeito será longo e árduo. Por outro lado, vi muita gente sensata e desperta comentando com bom senso esse assunto, foi um alento.

Essa é uma questão cultural, está enraizada e não vai mudar do dia pra noite, mas todos os debates sobre isso são essenciais! Que a gente siga evoluindo com amor e cada vez menos preconceito e menos desrespeito. Vamos em frente.

Escrito por Daniele Sisnandes, 04/02/2019 às 14h16 | danikahc@gmail.com



Daniele Sisnandes

Assina a coluna Frente & Verso

Ama a música, as letras e gargalhadas. Sonhadora com os pés no chão. Jornalista. Quer ir além da pirâmide invertida, mas que seja frente e verso.


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Por que nossos corpos incomodam tanto?

O final de semana foi de polêmica e muito desrespeito nas redes, acompanhei de longe, mas nesta segunda pude ler um pouco mais dos absurdos destilados sobre a roupa da deputada Paulinha em sua posse na ALESC.

São coisas grotescas, que ultrapassam o bom senso e até posicionamentos criminosos que não merecem passar impunes.

O debate, aos que não quiseram passar a linha do aceitável e queimar o nome nas redes, ficou sobre em torno da “roupa apropriada”, mas o problema é bem maior que isso. O foco dessa discussão toda é outro. Por que só nossos corpos femininos incomodam o mundo? 

Nossas formas foram objetificadas ao longo da história e sofremos MUITO com isso até hoje. Olhem só, nem amamentar as mulheres podem em paz!

Os seios são os principais alvos, são um tabu tremendo. Apavoram, causam estranheza, raiva, preconceito, muito preconceito. Tudo isso porque nossas formas foram reduzidas ao prazer dos homens, como se estivessem apenas relacionadas a sexo.

Esquecem esses mesmos homens e mulheres que criticam, que suas vidas só são possíveis graças a essas formas. Deveriam divinizar o corpo feminino, carregado de ancestralidade, com respeito e devoção, e não o contrário, como o faz o povo sempre quando tem medo de algo que não entende.

Nossos corpos foram demonizados ao longo da história, era mais fácil nos cobrir, a nos aceitar. O sutiã é um bom exemplo de mordaça usada para nos moldar e o principal: esconder nossos ofensivos mamilos (sic), porque sim, estamos em 2019 e a sociedade ainda não sabe se comportar quando os vê, sabe quão absurdo é isso?

E o pior é que essas coisas só pioraram com o tempo. Um decote virou algo aliado ao pecamisono, ainda mais se as formas sob ele fossem voluptuosas, aí sim a guerra está armada, como foi o caso em questão. Uma guerra de hipocrisia e falta de entendimento.

Vivemos uma era de rupturas e despertar, é uma hora importante de quebrar os padrões e evoluir como sociedade.

Os corpos femininos são livres, são políticos sim, combatem o preconceito TODOS os dias, seja enfrentando a misoginia (o ódio às mulheres), a gordofobia, o machismo incrustado no comentário “não era apropriado”. Não era por quê?

Porque nos revela, evidencia nossas diferenças, cutuca feridas abertas nas mentes dos preconceituosos, rompe o silêncio que nos impuseram. Não é apropriado para quem não sabe o que é tolerância e respeito.

Não é apropriado para quem tem problemas a serem resolvidos, às vezes problemas que nem entende ou lembra, mas isso não é um tema de opinião, é uma questão clínica para os profissionais da área da saúde emocional.

Pela reação dos pares de Paulinha e de muitos internautas, parece que o caminho da conquista da tolerância e do respeito será longo e árduo. Por outro lado, vi muita gente sensata e desperta comentando com bom senso esse assunto, foi um alento.

Essa é uma questão cultural, está enraizada e não vai mudar do dia pra noite, mas todos os debates sobre isso são essenciais! Que a gente siga evoluindo com amor e cada vez menos preconceito e menos desrespeito. Vamos em frente.

Escrito por Daniele Sisnandes, 04/02/2019 às 14h16 | danikahc@gmail.com



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