Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Como viver em paz?

 São tantas bobagens que nos cercam, que nos induzem a pensar somente em desgraça, em parte pelo exagero dos noticiários, em parte por nossa avidez pela desgraça dos outros, que não sabemos mais como viver em paz.

No plano internacional, dois líderes atuais, King Jong Un e Donald Trump, brincam, como crianças mimadas, de destruir-se com suas ogivas nucleares, bastando para tanto apertar botões e, como brincadeira de videogame, arrasar a vida.

Para muita gente, como eu, que luta contra doenças quase incuráveis, a vida é o bem mais precioso, não uma brincadeira de mentes insanas.

Fico feliz quando recebo mensagens positivas, como a que vou reproduzir a seguir, enviada pela minha grande amiga budista, Silvana B. Scapini.

“A vida vai dar certo para mim quando eu tomar consciência...
de que um problema que está acontecendo “neste momento”
pode ser uma história “de muito tempo atrás”.
Não conte essa história outra vez!
Não fale do quanto sofreu,
Não fale sobre ele ou sobre ela,
a não ser que isso faça você se sentir melhor.
Não pronuncie uma única sílaba sobre a dor e sobre as perdas,
A não ser que tenha condições de se recuperar neste instante.
Pare com isso!
Pare de se agarrar ao passado, lembrando-se do quanto as coisas lhe fizeram mal,
A não ser que isso ajude no que você está fazendo agora.
Cada vez que você pensa naquilo,
Fala sobre aquilo, ou se lembra daquele tempo,
Traz a energia negativa do passado para o momento presente.
É claro que você precisa reconhecer como se sente
em relação a todas as experiências que já viveu.
Não deve, no entanto, ficar remoendo ou contando uma história
que faz você se sentir mal.
Fale do que aprendeu!
Conte como você se curou!
De como a força da vida em você superou o sofrimento.
Se examinar bem sua história,
verá que há muitas coisas que você pode usar para seguir adiante.
Quando, no entanto, você se prende a detalhes
Que só servem para reavivar sua dor,
É por que está contando a história de maneira errada.
Sim, você precisa ter consciência dos detalhes da sua vida
Para aceitar a sua parcela de responsabilidade.
Na verdade, cada vez que você conta sua história
_mesmo os detalhezinhos sórdidos
_para aprender com ela,
pode descobrir novos níveis
de compreensão e perdão.
Quando, no entanto, você remói uma história que lhe faz mal,
Pare de contá-la!
Hoje, eu me dedico a deixar para trás as velhas histórias
Que me fizeram mal
Para viver melhor com o que aprendi com elas.
Ótimo dia, contemple a sua vida,
Aprecie a sua vida.”
Autor: Lyanla Vanzant

Quando internalizamos as notícias ruins, acabamos falando delas, aceitando-as como naturais. Isso, no entanto, mina nossa capacidade de apreciar a chuva como necessária, não como desgraça...de apreciar as matas com seus matizes diversos...de olhar para o céu e admirar aquele azul único, inexistente no universo sem cor...enfim, de se dar tempo para sonhar e alimentar o desejo de viver em paz.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 09/01/2018 às 14h43 | sannickelle@gmail.com

Festa de Natal

Como o Natal deste ano cai na segunda-feira e os preparativos finais para as festas devem ser feitas até domingo, decidimos fazer nossa mateada no sábado, dia 23.

Claro que o principal comentário foi a tal Festa de Natal de 2017, que o síndico, seu Fabiano, declarou que seria inesquecível,; para tanto estava mobilizado, desde outubro, com todo o seu grupo de administração.

- Olha pessoal, não é por estar na presença do seu Gumercindo, mas eu acho muito difícil a atual Administração do Garden City atingir o sucesso daquela de 2016.

- Eu, também acho, Luiz Carlos. Desde que eu resido no Condomínio, que uma Festa de Natal soube fazer uma confraternização digna, onde o que predominou foi a sensibilidade dos jovens atores, levando-nos a chorar de emoção, tanto no Presépio Vivo, como nas falas que dona Clarice preparou para a interpretação dos personagens.

- Eu concordo plenamente contigo, Reinaldo! Pela primeira vez, de fato, comemoramos o Natal como merecíamos, deixando de lado o aspecto comercial da principal festa cristã, onde de um modo geral, só Papai Noel é o que importa.

- É o consumismo, caro Clóvis! 

Depois da maravilhosa Festa de Natal de 2016, empreendida  pela Administração do Seu Gumercindo que, ao dar ênfase ao nascimento de Jesus Cristo, com a criação de um Presépio Vivo só composto por jovens do Condomínio, deixou-se de lado a origem pagã desse evento, que acabou, ao longo da história, tornando-se, junto com a Páscoa, as duas maiores festas do cristianismo.

No entanto, o novo síndico, por ser bem mais pragmático, resolveu, em 2017, dar ênfase ao lado comercial da festa de Natal. Montou, na Praça Central do Garden City, dois enormes ícones do Natal comercial. Uma gigantesca árvore e um Papai Noel inflável, também gigante, além da decoração de duendes segurando pirulitos enormes, também uma imensa mesa para a ceia natalina, onde os moradores nada precisariam levar, pois o Condomínio bancaria tudo.

Como Dona Clarice, que foi responsável pela organização do Natal passado, fora convidada pelo atual síndico, para a reunião que decidiria a festa deste ano, ela nos contou que todas as suas sugestões foram rejeitadas.

- Olha gente, não foi fácil participar dessa reunião com os membros da atual Administração do Garden City!

Seu Gumercindo, que a havia convidado para participar da Mateada, disse:

- Em primeiro lugar, dona Clarice obrigado por nos dar a honra de sua presença em nossa tradicional mateada. Em segundo lugar, perguntar-lhe por quê, não foi fácil?

- Olha seu Gumercindo e demais vizinhos, o atual síndico é muito personalíssimo, pois convidou-me, e acredito os demais membros da Diretoria, para informar como seria a Festa de Natal, ou seja, foi incapaz de aceitar qualquer sugestão. O que, na verdade ele queria, era dar aparência de decisão colegiada, mas foi, tão-somente, monocrática.

 

 

Vocês, como estão vendo pela decoração da Praça Central, notem que é apenas o lado comercial do Natal. Eu acredito que aquele espírito e sensibilização, que a Festa do ano passado deu, não vai existir.

Com a saída da dona Clarice, o seu Gumercindo encerrou a mateada, esperando reencontrar a todos na noite de domingo.

O domingo amanheceu muito quente, não soprava brisa alguma. Isso poderia ser sinal de mudança e talvez uma chuvarada para o final da tarde ou início da noite.

No início da noite, o pessoal do Condomínio foi chegando para a anunciada Festa de Natal do seu Fabiano. Ele, era só sorrisos, ouvindo as constantes frases dos puxa-sacos:

- Fabiano, a Praça está magnífica!

- Jamais houve tal pompa.

- Afinal o Garden City merecia tão deslumbrante decoração!

- Em meu nome e de meus parentes, eu te parabenizo, Fabiano!

- A Festa de Natal desse ano já é um sucesso, mesmo antes de iniciar.

- E. esse Papai Noel gigante, está magnífico! Parabéns, seu Fabiano!

Seu Fabiano, envaidecido, agradecia com um largo sorriso.

A iluminação da Praça Central era tanta, que já nem se percebia a noite escura e nublada que dominava em Porto Alegre. Seu Gumercindo e seus amigos, um pouco afastados dos bajuladores, comentaram:

- Vocês já observaram, olhando em direção ao Guaíba, as nuvens do tipo cúmulos e até raios se aproximando?

- Sim, Gumercindo! É bom ficarmos fora da aglomeração, pois se cair um toró vai ser gente correndo pra tudo que é lado!!!

Não deu outra! Em meia hora começou uma ventania, com poeira que cobria tudo e, logo em seguida, uma chuva de granizo. Na primeira rajada de vento forte, a gigantesca árvore de natal tombou sobre a mesa já repleta de comida e bebidas.

Depois, foi a vez do Papai Noel inflável que, apesar dos esforços dos que lhe seguravam por meio de cordas, acabou se soltando e voou por cima das árvores.

Dizem, que que ele foi encontrado, dias depois, na Praia do Lami, em Viamão.

Todas as pessoas, mesmo os puxa-sacos, deram as costas para a “tragédia” e abandonaram o local. Apenas o seu Gumercindo e seus amigos ficaram pra prestar solidariedade ao Síndico e aos funcionários. Ajudaram a recolher o que era possível e sob o Caramanchão, que ano passado serviu de cenário para o Presépio Vivo; foram remontando o que ainda estava aproveitável.

Por fim, sentaram-se exaustos.

Sob a luz de velas, aquelas dez pessoas remontaram uma ceia simples com os restos...Parece que algo muito mágico aconteceu, naquele momento. Não se sabe como, mas a pequena manjedoura improvisada, permaneceu intacta...Parece que todos sentiram a mesma emoção ao mesmo tempo. Encharcados da cabeça aos pés, meio atrapalhados, entre lágrimas e risos...De um jeito muito espontâneo, fizeram um círculo e abraçados, desejaram-se um FELIZ NATAL!

Escrito por Saint Clair Nickelle, 29/12/2017 às 10h29 | sannickelle@gmail.com

A mensagem

Recebi, de uma moradora do Garden City, dona Simone, uma mensagem muita linda sobre mulheres especiais que caminham dessa maneira em suas vidas ou as que possam se beneficiar com a reflexão, que ela enseja.

Eis a mensagem:

“Chegou no meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar.

Não sabia.

Não era cansaço, nem estava perdida. Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos.

Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou observando as margens da sua história, a estrada da vida ficando fininha, calando-se de tão longe que ia.

Estava em paz observando a menina que foi graciosa, cheia de vida.

Estava olhando para si mesma e nem notou.

Ali, naquele instante estava recebendo um presente.

Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.

Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a ralentar o passo. (ralentar: o mesmo que tornar-se ralo)

Já notou como tem gente que adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos? Ela não. Não mais.

Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa.

Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez. Senhora do próprio tempo.

Percebeu, à metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor.

E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar.

A mulher ao centro da vida traz  a leveza que os anos teceram, pacientemente.

Escuta bem mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo.

Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha bem mais.

Sonha pelo simples exercício de sonhar.

Sonha porque notou que o sonho que é o sonho que tempera a vida.

Aprendeu a parar de ficar encarando as linhas do corpo.

Seu espírito teso, seu riso aberto, sua fé gigante não têm rugas, nem celulite, sem encanação. (encanação: sentimento de inquietação ou dúvida)

Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas , nas belas costas que tem e deixá-las ao alcance da vida dos outros.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais.

Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar.

Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesmo, que perdoar-se de dentro pra fora. Ao centro da vida ela descobriu que a gente não se acaba, a gente vai mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais. ”

De autoria de Diego Engenho Novo, escritor, publicitário e filho de dona Betânia. Criador do blog Palavra Crônica, vive em São Paulo de onde escreve sobre relacionamentos e cotidiano.

Fiquei muito grato à dona Simone, pela sensibilidade de me enviar o texto acima, o qual li várias vezes, para desobstruir meus olhos e ouvidos das notícias das constantes prisões feitas pela Polícia Federal; do futebol de resultados duvidosos; da eterna troca de favores dos nossos congressistas e por fim, das incríveis facilidades com que são concedidos “habeas corpus” para corruptos contumazes.

Espero, caríssima vizinha, que outros olhos se deliciem dessa mensagem e reflitam, como eu, sobre a estrada de nossas vidas.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 13/12/2017 às 13h42 | sannickelle@gmail.com

Adeus

Fechei os olhos para ouvir o som do silêncio, mas as lágrimas impediram minha tentativa de descontração...o meu amigo respirou seu último suspiro e nos deixou hoje, 30 de novembro de 2017. Foi neste mês que comemoramos seu aniversário, no dia que para muitos é o treze da sorte. Passaram-se apenas dezessete dias daquela segunda-feira, ainda festiva, e ele partiu sem sequer dizer adeus, típico de seu caráter pouco expansivo.

A vida nos apresenta oportunidades de conviver, mas nem todas agregam algum valor, muitas são meras formalidades da educação, outras, no entanto, nos desafiam pela amizade sincera e pelos valores praticados no convívio e, também, nas discussões. Aquelas discussões que demonstram o que realmente pensamos, e não, o que outros nos induzem a pensar. Foram sempre assim nossos embates e, ele, como juiz e advogado que fora, deixou-me muitas lições. Não praticávamos o exercício da teimosia, apenas defendíamos com paixão nossas convicções.

Até no futebol, nem sempre concordávamos. Seu Flamengo querido merecia sua predileta atenção, mas também suas críticas abalizadas, como eu fazia com o meu Spot Club Internacional.

Ele lembrava do Lamartine Babo, que compôs o Hino do Flamengo:

“Uma vez Flamengo/ Sempre Flamengo/Flamengo sempre eu hei de ser/ É o meu maior prazer/ Vê-lo brilhar / Seja na terra / Seja no mar / Vencer, vencer.”

E, eu, da primeira estrofe do Hino do Internacional:

“Glória do desporto nacional

Oh, Internacional

Que eu vivo a exaltar

Levas a plagas distantes

Feitos relevantes

Vives a brilhar

Correm os anos, surge o amanhã

Radioso de luz, varonil

Segue a tua senda de vitórias

Colorado das glórias

Orgulho do Brasil”

Em nossas diversas viagens, com as respectivas esposas, fizemos várias tentativas para formar uma dupla de cantores, principalmente após algumas biritas... até que não nos saíamos mal, pois em alguns lugares, várias pessoas nos aplaudiam, não sei se por reconhecimento ou pelo excesso de coragem, mas enfim, nos divertíamos muito. O que o Kaká melhor cantava, com seu vozeirão, era tango e bolero.

Ainda me lembro de nossa estada em Nova Petrópolis, lá pelo ano de 1998, quando ainda estávamos nos conhecendo, e fizemos um show no principal restaurante da cidade, foi um sucesso, mas recusamos o convite do dono para outras apresentações.

De todas as viagens, a de Fortaleza foi a mais festiva. Alugamos um carro e percorremos aquelas praias maravilhosas do Ceará. Às vezes pernoitávamos, mesmo sem ter levado roupas para tal ousadia. A de Fernando Noronha, foi a mais desafiadora, principalmente pela chegada no aeroporto e a tentativa infrutífera de aterrisagem. Com uma arremetida da aeronave depois de estar com o trem de pouso quase tocando a pista, o piloto nos informou que caso não fosse possível, voltaríamos para Natal, a que o Kaká disse, solenemente:

- Se este avião voltar para Natal, eu desembarco...

Felizmente, acabamos conhecendo aquele arquipélago, considerado Patrimônio Mundial da UNESCO.

Em Morro de São Paulo, fomos apenas passar o dia e nosso encanto, foi tal, que acabamos nos hospedando.

Em Montevideo, nosso hotel que tinha um grande cassino quase nos impediu de passear, pois as esposas só queriam jogar, mesmo assim fomos à Punta de Leste e Colônia do Sacramento. Esta última foi fundada pelos portugueses em 1608 e uma de suas ruas mais interessantes é a Calle Portugal.

Meu querido amigo, Kaká, vou sentir muito a tua falta, mas em breve muitos de nós, amigos e parentes, vão continuar convivendo contigo em outro plano. Espero, quando for a minha hora, poder contar com a tua inestimável recepção e eterna amizade...

Até breve!   

Escrito por Saint Clair Nickelle, 30/11/2017 às 10h04 | sannickelle@gmail.com

Dia da Bandeira

Consta da minha certidão de nascimento que eu nasci em 19 de novembro, mas minha irmã, mais velha, diz que eu nasci em 03 de novembro, mas fui registrado no Dia da Bandeira. Levei uma vantagem de 16 dias, fato que me deixa bem mais moço.

Por parte da minha falecida esposa, Sandra, um seu primo, além do fato de ter nascido e ter sido registrado no dia 19 de novembro, é a expressão mais autêntica da data, eis que ele se chama, Miguel Bandeira.

Apesar de tudo, levo uma ligeira vantagem, pois junto aos meus familiares do primeiro casamento, comemoram o meu aniversário dia 03 de novembro, pois ficaram sabendo da verdade. Já entre os familiares da Sueli, minha segunda esposa, a comemoração é no Dia da Bandeira, pois se apressaram em verificar a questão cartorial, condição “sine qua non”, para ser aceito na família.

Hoje, plenamente integrado à família Costa, até sou alvo de mensagens muito afetivas, no Dia da Bandeira, tais como:

“Nicinha:

Bom dia meu querido, parabéns, muitas felicidades, que Deus te abençoe imensamente. Você é uma pessoa muito especial e tenho certeza que estará sempre com proteção divina. Obrigada SAN por ser meu cunhado e amigo. Te amo!”

 Agradecimento:

“Desde há muito tempo você mora no meu coração, mas não paga aluguel porque a morada é por amor. Obrigado, querida cunhada!

“Fabiane:

Feliz aniversário meu papis mais lindo, tudo de mais maravilhoso na sua vida, que Deus abençoe você...Obrigada por tudo, serei eternamente grata por tudo o que você faz por nós...Te amo muito!!!!Obrigada por fazer parte das nossas vidas!!! Beijos BI”

 Agradecimento:

“Fabiane, querida filha de coração! Obrigado pela bela mensagem. Também, sou grato pelo carinho de vocês. Ele me dá forças para continuar construindo essa amizade e carinho. Obrigado a você e aos meus netos queridos, Maria Eduarda e Luiz Felipe. Beijos do SAN.

Não vou repetir, aqui, tantas mensagens lindas que recebi, mas todas trazem o carinho com que fui aceito na família da Sueli. Aliás, tive a sorte de continuar cultivando todas as amizades da grande família da Sandra, bem como da que hoje preenche meus dias. Deixei Porto Alegre, onde estudei, me formei em Arquitetura, construí minha vida profissional, casei e tive meus filhos amados, Michel e Sabrina, que por sinal hoje moram aqui em Santa Catarina. Hoje, passados longos anos, moro em Balneário Camboriú, que será, sem dúvida, minha última morada.

E, para não fugir do tema, moro no Parque Bandeirantes, cujas ruas homenageiam os desbravadores do interior brasileiro, como Brás Cubas, Sebastião Tourinho, Pascoal Moreira Cabral Leme, entre tantos, que com suas Entradas e Bandeiras, deram  essa dimensão imensa ao território do Brasil, desrespeitando o Tratado de Tordesilhas, assinado na povoação de Tordesilhas, em 7 de junho de 1494, entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela, esses bandeirantes ocuparam terras que seriam espanholas.

E, assim, passei meu dia de aniversário misturando carinho com fatos históricos.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 23/11/2017 às 09h49 | sannickelle@gmail.com

Treze

Hoje é o dia 13 de novembro de 2017. Minha querida irmã Amábile está fazendo aniversário. Ela é uma pessoa muito especial para mim, pois foi quem me criou, depois que fiquei órfão.

Hoje, também, é o dia em que eu e minha atual esposa, Sueli, comemoramos 19 anos e cinco meses de casados. Como fazemos aniversário de casamento em 13 de junho, não precisamos cair nas armadilhas do dia anterior, ou seja, 12 de junho- Dia dos Namorados, cuja frequência à bares, restaurantes e floriculturas é concorrida demais.

Também, é o dia do aniversário do meu querido amigo Carlos Alberto, o qual com sua tradicional sensibilidade e gentileza, propiciou que um morador da Capital gaúcha tivesse como se hospedar em Balneário Camboriú, lá por volta de 1989, quando estava namorando a irmã de sua esposa Néia.

Com o tempo, acabei me aquerenciando nessa bela e hospitaleira cidade de Balneário Camboriú, onde hoje moro há mais de 12 anos.

Por superstição, o número 13 é considerado de azar em muitas culturas. Devido a essa tradição é costume, em alguns países, não haver o andar ou piso 13 nos edifícios. Até em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, essa crendice era levado a sério. A sexta-feira 13 é, em alguns países mais supersticiosos, associada como um dia ruim e de azar. Já, para o nosso ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Mário Lobo Zagallo, o 13 era um número de sorte.

Até nas corridas de Fórmula 1, geralmente não existe o carro com o número 13.

A pessoa que tem medo do número 13 sofre de TRISCAIDECAFOBIA, que significa: “medo irracional e incomum do número 13” . Fato que não ocorre com os petistas no Brasil, já que seu número de Código Eleitoral é o 13.

Nós, vis mortais, atribuímos significado para as coisas que nos cercam, incluindo tradições nem sempre explicadas, mas que perpetuamos por medo e irracionalidade, tais como:

-“Fez uma careta e o vento passou? Seu rosto vai ficar assim para sempre;

- Se a sua orelha está quente e vermelha, alguém estaria falando de você;

- Não é bom deixar o chinelo de ponta-cabeça, porque isso traria mau agouro;

- Coceira na palma da mão é sinal de que há dinheiro chegando;

- Quebrar um espelho traz sete anos de azar para o autor;

- Achar um trevo de quatro folhas é sinal de que a sorte está por perto;

- A visita chata vai embora se uma vassoura for colocada atrás da porta;

- Passar embaixo de uma escada traz má sorte e é perigoso;

- Acredita-se que bater na madeira três vezes espanta o azar;

- Plantas poderosas como arruda e espada de São Jorge afastam mau olhado;

- Faça um pedido para uma estrela cadente e ele vai se realizar;

- Quando aparecem, joaninhas e borboletas, seriam sinais de boa sorte…”

Nossa vida, mesmo sendo considerada mais intelectualizada, ou seja, sabemos bem mais do que sabiam nossos pais e avós, mesmo assim não consegue absorver o ritmo das mudanças e se vê cada vez mais sem identidade, como boiada que não para pensar. Estaríamos nós sofrendo de ansiedade irracional, quer pelo excesso de informações, quer pela incapacidade de colocar pé no freio?

Às vezes, duvidamos da nossa capacidade de nos ajustar às novas situações e, mesmo com essa avalanche de mudanças, ainda temos que conviver com nossas crendices.  

Mas. enfim, descobrir a beleza da vida deve ser nossa meta, estejamos ou não no roldão das mudanças. Assim como as crendices não devem dominar nossas ações, também, devemos focar na beleza da vida, absorvendo as coisas simples que nos cercam e tirando delas o combustível para a felicidade.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 14/11/2017 às 07h50 | sannickelle@gmail.com



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Saint Clair Nickelle

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Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.
















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