Jornal Página 3
Coluna
Condomínio Garden City
Por Saint Clair Nickelle

Momentos inesquecíveis

Corria o ano de 1998, quando o tilintar do telefone, naquela noite de quinta-feira, do mês de julho, me acordou de um cochilo na sala de tv. Corri para atender e, para minha surpresa, era o Kaká, amigo de pouco tempo lá de Balneário Camboriú/SC. Na verdade eu o conheci, circunstancialmente na Praia de Bombas, no verão de 1998. Como vou narrar agora:

Eu estava na casa da minha cunhada Suzete e, eles, a Néia sua mulher e a irmã dela, a Sueli,  passavam o fim-de-semana na casa ao lado. Quando eles estavam na praia, em frente ao conjunto geminado, que minha cunhada veraneava, sentaram numa roda e bebiam vinho branco, muito gelado. Quando a Suzete, com sua cadeira, passou por eles, convidaram-na para fazer-lhes companhia.

Conversa vai conversa vem, eles perguntaram:

- Aquele senhor, que você pintava o cabelo, é seu marido?

- Não! Ele, o Saint Clair, é meu cunhado, que mesmo contrariado, permitiu que eu lhe pintasse o cabelo, pois com isso queria lhe levantar a autoestima.

- Mas, um cara tão bonitão, porque estaria de baixa autoestima?

- Ele ficou viúvo há pouco tempo.

- Coitado! Chama ele aqui para sentar conosco, quem sabe a gente o anima.

- Vou chamá-lo, então, disse a Suzete, mas não sei se ele vai querer vir.

De longe, o Kaká e sua turma, perceberam que eu parecia relutante diante do convite, mas minha cunhada me convenceu. Eu trouxe uma cadeira, me apresentei, fiquei ali na turma, mas falei muito pouco.

A Suzete, no entanto, muito curiosa, perguntou se a Sueli era casada. Quem respondeu foi a Néia:

- Atualmente está solteira, tal qual o teu cunhado.

- Saint Clair, podemos te chamar de San?

- Sim! Fiquem a vontade.

- Você aceita uma taça de vinho?

- Aceito! Brindamos e a conversa se estendeu até o fim da tarde. Por fim chegou a hora das despedidas, mas sem antes trocarmos telefones e o convite do Kaká, para visitá-los em Balneário Camboriú, assim, também procedi, caso eles quisessem me visitar em Porto Alegre. E, foi assim que conheci minha atual esposa...

- Oi Kaká! Que bom te ouvir.

- Sabes, San, nós vamos à Porto Alegre para assistirmos o Show do Ray Konniff, no sábado e, pensamos em te convidar para irmos juntos, topas?

- Acho uma grande ideia. Vocês podem se hospedar aqui em casa, no Garden City, depois eu te passo o endereço pelo celular. Quem vem contigo Kaká?

- Eu a Néia e a Sueli.

- Que boa notícia!

- Quando vocês chegam?

- Sexta-feira pela tarde. San, se for possível reserva os ingressos.

- Deixa que eu faço isso. Vou aguardá-los, então.

Na sexta-feira quando eles chegaram, eu lhes preparei um jantarzinho, com muito vinho e uma surpresa.

- Aqui no Garden City, eu participo de um pequeno grupo de mateada e, antes mesmo de vocês me ligarem para assistir ao show do Ray, nós tínhamos nos programado para irmos, para tanto alugamos uma van com 18 lugares. Como somos onze, vocês podem ir conosco.

- Poxa, San, mas nós também pretendemos, depois do show, darmos um pulo em Nova Petrópolis e, só voltarmos na noite de domingo.

- Pera aí, que não tá  tudo perdido, deixa eu ligar pro Clóvis que está organizando o passeio. Algum tempo depois:

- Kaká, veio tudo a calhar, pois o grupo também tinha pensado nesta ideia. Até fizeram uma reserva no Recanto Suiço, da Dona Margarida, que tal?

O Kaká, perguntou, então, para a Néia e a Sueli, o que elas achavam.

- A ideia parece boa, San, mas será que nós não vamos atrapalhar o grupo, que se conhece há tanto tempo?

- Claro que não! Vai ser muito bom, até porque nós vamos num carro só e, vocês devem imaginar as dificuldades para estacionar no show do Ray.

Saímos do Show, que ocorreu no Teatro da ANRIGS, por volta das 23horas, rumo à Nova Petrópolis, embalados e cantarolando:

Bésame Mucho; Loves is Many Splendored Thing; Somewhere may love; Memory; My Way; Smoke Gets in Your Eyes  

Lá, no Recanto Suiço, Dona Margarida ainda nos esperava acordada, dando-nos às boas vindas e nos encaminhado para os chalés. Por sermos solteiros, eu e a Sueli ficamos em quartos separados, afinal ainda não era hora de intimidades.

Depois do lauto café da manhã, fomos conhecer o Parque Aldeia do Imigrante, ali mesmo em Nova Petrópolis, onde o que encanta é a réplica do povoado dos primeiros habitantes da região. Depois pegamos a RS 235, onde apenas 30km nos separavam de Gramado. Lá chegando, fizemos um tour por toda cidade e paramos no Lago Negro para esticar as pernas nos pedalinhos. Depois fomos visitar o Parque Estadual do Caracol, em Canela, com sua belíssima queda d’água. Na volta a Gramado, como já estava bem frio, tomamos chocolate quente num bar na passarela coberta dos Festivais de Cinema e, quentinhos, decidimos voltar à Nova Petrópolis, pois o Clóvis nos preparara uma surpresa:

- Cantei a Dona Margarida para nos preparar um Fondue, para a noite. Ela me disse que eles já não serviam mais janta, mas nos faria uma exceção.

Chegamos à Nova Petrópolis, por volta das 18h e 30 min. O fondue seria servido as 20h. Lembrei-lhes da precisão de horários dos alemães, para que ninguém se atrasasse.

Banhados, perfumados e bem vestidos lá estávamos nós, exatamente às 20h.

A mesa já estava posta e bastava escolher as bebidas. Pedimos a carta de vinhos e optamos por vinho da região vitivinícola da serra. Alguém sugeriu que fosse da Casa Valduga. A Dona Margarida nos sugeriu o Leopoldina Terroir Merlot. Todos aceitaram. A noite foi maravilhosa, não só pela comida, como pela liberdade de beber vinho de altíssima qualidade, sem se preocupar em ter que dirigir à noite, de volta para o Garden City.

Nos despedimos da Dona Margarida, novamente agradecendo a gentileza de nos preparar o fondue.

Saímos de Nova Petrópolis, por volta das 23h. E durante a viagem, continuamos ouvindo um CD, de ninguém menos, do que a Orquestra de Ray Konniff.

Por volta da meia-noite estávamos em casa. O pessoal do Garden se despediu dos meus amigos, colocando-se à disposição para outros encontros.

Afinal, a vida também é feita de momentos inesquecíveis.

Escrito por Saint Clair Nickelle, 24/08/2017 às 19h40 | sannickelle@gmail.com

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Saint Clair Nickelle

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Arquiteto aposentado e autor das crônicas denominadas CONDOMÍNIO GARDEN CITY, as quais serão apresentadas em capítulos, descrevendo as relações humanas num condomínio hipotético.
















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