Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

Menas mãe! Sobre a sanidade materna...

Faz tempo que escrevemos aqui sobre a maternidade. Falamos de parto, de pré parto, de pós parto, de primeiros anos, de brincadeiras, de sentimentos e de tudo que achamos que de alguma forma pode ajudar a criar um mundo melhor.

Tem rolado um post por aí sobre sanidade materna... a mãe claramente desesperada por não conseguir seguir à risca os conselhos da internet, faz uma lista enorme das coisas que vê nos 'grupos' e que não consegue levar adiante.

O que temos defendido com unhas e dentes aqui na nossa coluna e no nosso movimento de amor ao elo - AMAROELO, não é um modelo pré estabelecido de educação e criação, é um modelo de "empoderamento" pessoal que pode ser passado para os filhos para que tenhamos um mundo mais justo e mães menos culpadas e cansadas.

O post muito lindinho e romântico, põe a mãe como vítima de um sistema de catar brinquedos e cuidar da casa. Quando defendemos a autonomia da criança, estamos defendendo a liberdade da mãe de poder ficar sentada enquanto seu filho pode servir o próprio copo de água. Quando falamos de ter poucos e bons brinquedos, estamos defendendo a liberdade da mãe de não ter que ficar catando brinquedos o dia todo, porque os poucos que tem, a criança dá conta.

Defendemos a liberdade da mãe e da criança. De fazerem o que quiserem da sua vida sem serem massacradas pelo sistema, que lhe impõe mil brinquedos como necessidade. Defendemos que tudo que um bebê precisa é da mãe feliz e do leite do peito. É barato, não dá trabalho e está sempre a mão.

Defendemos que o ambiente seja organizado para que a criança possa te ajudar a guardar tudo no lugar e não porque Montessori disse ou deixou de dizer (sem esquecer que amamos tudo o que ela verdadeiramente disse!), e para que possa aprender a se organizar. Defendemos brinquedos naturais, porque são mais duráveis, tem mais história para contar e agridem menos a natureza. Defendemos que criança não precisa de chupeta, porque não precisa mesmo e só o "mamá" já é basta pra ela. Defendemos que a criança não precisa de estímulos, porque achamos que a vida já é estimulante o bastante e que estímulos não naturais tiram a atenção aos eventos da natureza interior e exterior.

Cada dificuldade que nos aparece como mães e criadoras nos inspiram a nos fazer novas perguntas e dividir isso com as outras pessoas. Não temos fórmulas prontas pra nada e não queremos que ninguém nos traga mais delas. A palavra empoderamento que tem feito muito sucesso quando se fala em criação não é só sobre o que você deve fazer e sim sobre o que não deve. Se basear em textão para embasar suas escolhas na criação é tão passivo quanto tomar a palavra do pediatra como verdade absoluta.

Somos livres para fazermos nossas escolhas, mas o que vinha acontecendo é que não éramos livres, éramos dominadas pelo sistema que nos dizia onde nossa criança deve dormir, quantas vezes por dia deve comer, que aos seis meses tinha que trocar a chupeta por uma maior. Que nos dizia que nosso leite é fraco, que precisa de complemento, que nosso filho não ganha peso, que não fala quando já devia tá falando, que mama quando não devia mais mamar, que dorme na cama quando devia estar no berço. Queremos e lutamos por mães livres para escolher, mas que façam escolhas conscientes. Que entendam que mães não fazem só o que podem, fazem também o que parecia impossível antes de serem mães.

Defendemos que os adultos parem para pensar em cada escolha e que não faça só porque todo mundo faz... por a cama no chão só porque alguém disse que Montessori disse, é a mesma coisa que levantar no meio da noite e colocar no berço porque a pediatra disse que ia acostumar mal.

Cada mãe é dotada da capacidade de entender o que seu filho precisa, mas numa sociedade cheia de números (peso, idade, preço, gramas, calorias, índice glicêmico, cromossomos, página 5, artigo 48, tamanho da fralda, altura para caderinha e por aí vai) fica difícil escutarmos nossos instintos internos. Numa sociedade que educa para um mundo competitivo e comparativo fica difícil apoiarmos umas às outras.

Nós, animais selvagens criados em cativeiro, seguro e limpo, perdemos nossos instintos primitivos de cuidados com a cria. O movimento no qual acreditamos, é um movimento de resgate a nós mesmos, de nossos saberes mais primitivos.

Por que não existe menas mãe, por uma humanidade mais fraterna: paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 15/12/2016 às 19h37 | conviteecia@hotmail.com

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Anti-nada #princesas

Minha caçula ganhou um livro infantil sobre Frida Kahlo, com ilustrações charmosas pra contar de forma simples a história da artista mexicana. As páginas são cheias de balõezinhos e observações, e há uma coisa que soa incômoda: um selo na capa, "coleção antiprincesas" e um "tchau vou embora" para uma personagem vestida com saia de cinderela, saindo de cena na primeira página, para explicar o título da coleção.


Sempre que alguém chama a caçula Madu, desde os 2 anos, de princesa, ela responde que "não sou princesa, sou Madu". Na verdade ela costuma dizer isso pra qualquer adjetivo, apelido, ou coisa que queiram lhe chamar. Nunca ensinei isso. Nunca doutrinei resposta. Nunca disse, "você não pode ser princesa, porque princesa é um estereótipo da sociedade que atende a padrões machistas". Vez ou outra, ela responde que "não sou princesa, sou RAINHA", e isso também não ensinei.


Confesso que quando leio as histórias clássicas mudo umas frases, tiro os "para sempre" do foram-felizes, faço perguntas truqueiras. Essas histórias são sim, cheias de signos, dizem que temos que apertar o pé pra caber no sapato ideal, que a única coisa que nos acorda do sono profundo é um beijo de príncipe, que o feliz para sempre está incondicionalmente ligado a um homem e um casamento, que lugar de mulher é a cozinha etc etc. Sem drama, é só localizar o contexto histórico para entender o contexto cultural, não é difícil entender por que foram escritas dessa forma. Elas marcam uma época, "antigamente era assim, e até hoje em alguns lugares ainda é", pronto, ferramenta. Não é abominável, é fato. Não é uma prisão, é um retrato, algo pra se ver de fora, observar.


Podemos sempre trazer algo a mais, outras referências, outras histórias, outras conversas, nossa própria conduta enquanto humanos, tudo serve de elemento para que as próprias crianças, inteligentes que são, contextualizem e tirem as PRÓPRIAS conclusões. Concluir pelo outro não é ensinar liberdade. A "moral da história" que soa sempre tão bondosa e inofensiva, é ensinar a ser tendencioso e opinativo, a ter só uma visão, excludente, julgadora, limitada.


A gente se acostumou com a negação, com a restrição, com o que não pode, com apontar o erro, a falha, a falta. Para afirmar uma posição eu preciso negar a outra e isso não é avanço, é atraso, patinação, andar do mesmo jeito com outra roupa.


Se eu não quero ser princesa, preciso ser anti-princesa? Será que para ser uma coisa preciso ser ANTI-alguma coisa? Se eu sou ANTI, não estou excluindo o outro, diminuindo o outro, discriminando o outro, que está em processo, tem outras bagagens, outras referências, que VÊ COMO PODE? O vegetariano radical que faz cara feia para o prato alheio é um exemplo de respeito absoluto a todas as formas de vida? Um carnívoro não é uma forma de vida? Ahimsa, não-violência, inclui "o outro" e suas escolhas, sejam elas frutos de consciência ou da falta de. Amai ao próximo, disse Jesus, e ele certamente não estava se referindo ao "nosso time", ou "só os de camisa azul".


Ao invés de mandar a coitada da Cinderela, perdida que já está, sair de cena, porque não chama ela pra roda, mostrar como é bom ser livre e andar com as próprias pernas, dançar, criar e brincar com o que temos? Não podemos excluir nenhuma história, não devemos excluir o outro, em todo mundo reside a beleza. Olhemos para a consciência maior que nos permeia e nos une, indistintamente. Honremos o que nos fez e nos faz, tudo que nos rodeia, o que vemos e o que não vemos. E que possamos nos relacionar de sagrado para sagrado.

Escrito por Caroline Cezar, 29/11/2016 às 10h47 | carol.jp3@gmail.com

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É que a televisão me deixou burro muito burro demais...

 ...e agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais!"

A SBP- Sociedade Brasileira de Pediatria lançou um manual para ajudar pais e pediatras a controlar a relação das crianças com a tecnologia. Então passou no fantástico. A reportagem começou assim: Quais são os limites para uma convivência saudável entre pais, filhos, celulares e tablets?

Me animo sempre quando vejo uma reportagem sobre a infância, mas assim que começa, fico triste por quem está assistindo sem filtro.
Falaram nos computadores, mas não falaram das tevês. Falaram em quanto tempo pode ser usado, mas não falaram das consequências, das contra indicações. Por que pode uma hora por dia? O que acontece com quem ultrapassa este limite? Quais são os danos aceitados como inofensivos pela SBP? Que tipo de pesquisas fizeram? Entrei lá e li a cartilha... vi que não tem estudo, tem pesquisa por amostragem a respeito do uso. Mas sobre o dano, a perda, ninguém por lá pesquisou.
E quando o pediatra diz que uma hora por dia é aceitável todo mundo fica feliz porque é bom ter um 'especialista' endossando minha forma de agir.

Vejo uma preocupação crescente quanto ao uso da tecnologia dos celulares e tablets, mas um desleixo quando se fala em tevê.
Crianças pequenas, passivas, expostas a conteúdos repetitivos diariamente. Sendo educadas e recebendo valores da galinha pintadinha e de qualquer personagem que seja colorido e engraçado.

Sabe-se há muito tempo que o cérebro humano se desenvolve pelo movimento e que é muito difícil se desenvolver na inércia.
Desde muito pequenos, ensinamos nossas crianças que ver tevê é bom. Achamos lindo quando nossos pequenos ficam paradinhos, assistindo o 'filminho' e assim vamos criando uma raça menos criativa, mais passiva, mais cansada e mais conivente com o sistema.

Não estou aqui falando que a pepa pig acaba com o cérebro, nem que os transformers vão deixar sua criança mais violenta. Estou dizendo que retardam o desenvolvimento do cérebro do seu pequeno gênio. E quanto mais cedo a criança começa com este hábito, maiores os danos; mais a criança fica dependente; maiores serão as birras; mais dificuldades você terá para que sua criança participe da vida em família.

O dia a dia anda corrido, a vida anda passando com pressa, as crianças crescendo muito rápido. Elas vão para escola durante o dia, dormem durante a noite, sobra pouco (bem pouco) tempo para passar com a família. São duas ou três, ou quem sabe cinco horas diárias que temos para passar valores, para nos relacionarmos, fortalecermos vínculos. Não é justo nem conosco, nem com eles, que estas poucas horas sejam divididas com a TV, com o tablet, com o celular. Desliga a tevê e senta no chão, dá uma caminhada na rua (as noites estão lindas e quentes), e lê uma história...

A criança vai crescer e vai ter tempo pra você, se você teve tempo (real) pra ela... Vai saber os limites do corpo e da mente e vai transpô-los se preciso for, se viu você fazendo isso. Sempre antes de ligar a tevê ou oferecer o celular se pergunte se é mesmo necessário e se achar mesmo necessário, veja junto, não permita que a tecnologia seja um agente separador entre você e seu filho. A criança precisa de você e a infância e a inocência precisam ser protegidas! Cuide e proteja a infância.

Leia a cartilha na íntegra, leia a pec na íntegra, tire suas próprias conclusões, mas por amor ao mundo, saia da caixa, mude o padrão, para de aceitar receitas prontas... não é porque sempre foi assim que sempre vai ter que ser!

Um pedacinho da cartilha: "Criar tempo para ser pai, mãe, avô, avó, tio/ tia, madrinha/padrinho sem o uso das tecnologias. Planejar as refeições sem qualquer uso de equipamentos na mesa. Planejar atividades de finais de semana ou férias fora e longe do wifi ou de computadores e celulares ou limite o tempo de uso para 1-2 horas/ dia para todos. Praticar atividades ao ar livre e em contato com a natureza, prevenção da saúde física e mental/comportamental de todos da família."

"Oh! Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar
Meu coração captura
Vê se me entende
Pelo menos uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala pra mãe!"

Por uma humanidade mais fraterna. Paz e Bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 16/11/2016 às 14h56 | conviteecia@hotmail.com

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As crianças precisam de tapa na bunda!

Este é o título de uma matéria que tem sido compartilhada por alguns amigos nesta semana.

Fiz um comentário quando vi a primeira vez: "Não sei onde a terapeuta aprendeu que limites e castigos são a mesma coisa. Limite é uma coisa e castigo é outra. Criança precisa de carinho e exemplo. Se a família é amorosa, dispõe de tempo PRA criança (que não é igual a tempo COM A criança) os limites acontecerão no dia a dia e os exemplos (verdadeiros e interiores) formarão o caráter. Ajuda muito, entendermos crianças como pessoas. Trocar a palavra "criança" por a palavra "esposa" ou " marido" na leitura de textos sobre criação ajuda muito no esclarecimento de algumas dúvidas... começa pelo título: "as esposas estão precisando de tapa na bunda". Não importa a idade, pessoa é sempre pessoa!". Copiei e colei quando vi a segunda, me calei quando vi a terceira e a quarta, e no quinto compartilhamento resolvi escrever um pouco mais.

Queridos pais, eu entendo que às vezes se sintam frustados ou limitados. Entendo que às vezes gostariam que seus filhos fossem mais obedientes e disciplinados. Entendo também que às vezes se sintam ofendidos ou 'desafiados' pelo seu pequeno 'anjinho', mas não consigo entender o que lhes dá o direito ou o dever de bater em um outro ser humano.
Dói muito na criança e dói muito nos pais.

Fica difícil pra mim conceber que alguém acredite que educação e 'tapa na bunda' em algum momento possam andar juntos... Procura no 'google', chama os 'cientistas' ou experimenta ouvir o seu coração, o seu instinto mais profundo e vê se agressão e educação andam juntos em algum lugar do planeta.

Se você acha que precisa (e que pode) bater no seu filho para educá-lo, provavelmente você apanhou. Nossa sociedade aceita e aceitou muita coisa como normal, mas não é por que dizem que é normal, que devemos aceitar.

Povos considerados civilizados não se agridem. Povos considerados educados não se agridem.
Precisamos parar de segregar os grupos. Crianças são pessoas como nós e não podem ser corrigidas com agressões.

NÃO! NÓS, PESSOAS, NÃO PRECISAMOS DE TAPA NA BUNDA. PRECISAMOS DE BONS EXEMPLOS.

Aos que defendem a agressão, peço que me esclareçam algumas dúvidas... Com quantos anos a pessoa deve começar a apanhar e com quantos anos a pessoa deixa de ser criança e vira adulto? Quem decide os motivos pelos quais ele deve apanhar? E qual a medida certa? Quando o pai acha que dois tapas servem e a mãe acha que só um beliscão já tá bom, o que fazemos? Quando seu filho cresce e continua aprontando depois de casar, podemos transferir a função de 'corrigir' com uns tapinhas para a esposa? E quando ele desobedece a profe e você não está lá para corrigir, a profe pode ficar com esta tarefa de educar com agressão? E quando você tiver mais um filho, o mais velho vai poder bater no mais novo para dar limites?

Criança precisa de exemplo, de pessoas ao seu redor que se conheçam e que estejam dispostas a mudar por elas. Tapa é explosão e não educação. Não muda ninguém e não faz ninguém mais feliz. Se você se sente amado porque apanhou, quem sabe seja hora de rever seu conceito de amor, de relacionamento... Nossa infância segue conosco pra sempre, porque se trata de nossa auto-construção.

Toda vez que você tiver vontade de bater no seu filho, se questione antes, se tranque no banheiro, saia correndo, feche a porta e fique um pouco no escuro, respire, conte até 68, se questione mais uma vez, se pergunte o que ele está aprendendo com isso. Isso está me aproximando ou me afastando dele? É mesmo para o bem dele? Eu estou calmo e sereno para tomar esta decisão? Estou nervoso ou de cabeça fria?

Geralmente tapas e agressões são explosões momentâneas que deixam todo mundo triste e frustrado - agredido e agressor.
Para educar nossos filhos, precisamos olhar para eles, mas olhar para nós mesmos também. Os defeitos que encontramos neles, estão, ou em algum momento estiveram em nós. A gente vê neles e conserta em nós, simples assim.... se quer bater em alguém, procure alguém que possa te dar um abraço amoroso, tenho certeza que a vontade passa num instante!

Por uma humanidade mais fraterna, e mais amorosa, e mais feliz, e mais realizada, e menos agressiva,
Paz e bem!

Escrito por Ana Paula Góis, 03/11/2016 às 09h14 | conviteecia@hotmail.com

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Estímulos e socialização

Passei muito tempo acreditando que criança deve ser estimulada para poder desenvolver todas as suas habilidades e que ir para a escola era uma forma de 'socializar'. Porém, para sorte minha e de meus filhos, eu desenvolvi a habilidade de mudar de ideia.

Tem muita coisa que a gente vai lendo e escutando que parece tão óbvia que ficamos até com vergonha de não ter percebido isto antes. Cada pessoa nasce muito pequena e indefesa, frágil mesmo. Mas ao contrário do que se pensa, esta fragilidade é mais emocional do que física propriamente dita. A fragilidade física pode ser facilmente resolvida com o colo da mãe que se dispor a ficar o máximo de tempo possível com esta pequena pessoa nos braços. Já a fragilidade emocional, nos acompanha para toda a vida e volta refletida em nossos pequenos filhotes.

Uma pessoa quando nasce não fala, não anda, mal se mexe, não conhece matemática nem história, não sabe a cor do céu nem a do mar. Não sabe que o céu existe, que na rua tem carro, que os adultos não são perfeitos. Em alguns poucos anos (bem poucos) vai aprender tudo que precisa para sobreviver em sociedade - se mover, falar, comer, beber, respeitar regras, se vestir, a cor do céu, que o céu existe, que na rua tem carro, enfim ser um ser social.

Me parece que o melhor lugar para aprender tudo isso é em família. Que a educação e as boas maneiras devem ser exemplificadas em casa e isso fica bem difícil quando desde muito cedo as crianças precisam frequentar escolas em turnos às vezes integrais. Sei que muitas mães não tem alternativa e precisam trabalhar o dia todo para garantir o sustento da família, mas me refiro aqui às outras mães. Àquelas que podem ficar com suas crianças e preferem colocar na creche para 'socializar'. Aquelas que tem amigas, tias ou avós que podem ajudar mas confiam mais na professora da creche do que na sogra. Que tem medo de deixar com uma amiga amorosa mas confiam a criança a uma 'profe' da escolinha que não tem vínculo amoroso e sim empregatício.

Quem inventou que as crianças precisam ir à escola para socializar? Quem disse que ficar numa sala, de portas fechadas, com 20 crianças da mesma idade e um ou dois adultos comandando é social?

Social é ajudar a mamãe a por a mesa. É ir caminhando no seu ritmo até a esquina. É ver um vizinho na rua e saber quem ele é. É ter espaço em casa para ser livre, para não ter hora. É brincar com mais velhos e com mais novos. É aprender a usar os talheres e a se vestir. É aprender a reconhecer as estações do ano sentindo-as na pele. É saber que o sol nem sempre nasce no mesmo lugar porque viu e não porque alguém contou. É comemorar a entrada da primavera e ficar feliz com a proximidade do verão. Social é aprender a guardar a louça e a arrumar seus brinquedos. Social é se comunicar, é conhecer sua casa e seu entorno. Social é conhecer gente nova, visitar um amiguinho e receber uma visita.

Os anos passam muito rápido e os primeiros anos de uma pessoa a acompanharão para o resto de sua existência. Não se permita perder tempo ensinando repetições de cores e números. Não se permita perder tempo estimulando os pequenos. A vida é estimulante demais e deixar aprender por observação e experimentação é o melhor estímulo.

 

Por uma humanidade mais feliz!
Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 29/09/2016 às 22h34 | conviteecia@hotmail.com

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Dança Materna em BC!

Estão inaugurando duas turmas da Dança Materna em Balneário Camboriú, um trabalho que já acontece em várias cidades do país e que reúne movimento, leveza, integração, sociabilidade, acolhimento e descontração. Num importante período de construção de vínculo, que é o puerpério, a Dança Materna traz mães e bebês para a roda, e se junta a outras mães para se movimentar.  Conversamos com a professora Nanda Gomes*, que é professora licenciada e está à frente das turmas aqui na cidade. Ela explica um pouquinho mais sobre o método: 



O que é a Dança Materna?
R:
A Dança Materna é um trabalho, pioneiro no Brasil, da forma como foi estruturado, de dança e atenção integral à mãe e ao bebê, da gravidez aos três anos de vida, criado pela bailarina Tatiana Tardioli, de São Paulo. A Dança Materna acredita no entendimento do corpo muito além do que um encadeamento de músculos e articulações recheado por órgãos e revestido por pele. O corpo é parte integrante de quem o habita e está intimamente ligado às emoções, aos sentimentos, às pulsões. A dança resgata essa integração através da experiência desenvolvida na aula, que tem o objetivo de propiciar às mulheres a oportunidade de dançar e de cuidar de si e do seu bebê após o parto, de maneira prazerosa, saudável e segura. Também serve como um espaço de reinserção e sociabilidade, no qual o bebê é bem vindo e onde a mãe pode compartilhar experiências com outras mulheres que também estão passando pelo puerpério. É uma vivência especial por meio da arte e da dança!

Como acontece uma aula da Dança Materna?
R:
A aula acontece com muita leveza, amor, riso, conversa e dança! Tem duração de uma hora e meia, as mães vão chegando, se acomodam e começamos com um aquecimento, depois os bebês passam para os carregadores e começamos a dança, que termina em um delicioso relaxamento!

Quais benefícios você destaca?
R:
A Dança Materna para Mães Pais e Bebês, além de propiciar a vivência especial de dançar em dupla (ou em trio, já que o pai é sempre bem vindo), possibilita à mulher o retorno à vida social depois do parto, uma prática corporal saudável e incentiva o mútuo-conhecimento entre mãe/pai e filho num momento gostoso de troca. Para o bebê traz o conforto do balanço na dança, espaço para que possa brincar e explorar suas possibilidades corporais, acolhimento e relaxamento num ambiente onde a amamentação é incentivada. O contexto é considerado em toda sua complexidade e delicadeza e o momento da dança é o auge nesta teia de sentidos e relações. Além do circulo de mães que é criado e gera uma rede de apoio incrível!


* Um pouquinho sobre a Nanda Gomes:
Sou mãe da Angelina de 1ano e 5 meses, desde o momento que soube que carregava ela dentro de mim minha vida abriu esse caminho mágico dentro da maternidade, primeiro na busca de um parto respeitoso, onde ela pudesse chegar ao mundo com amor -no meio dessa busca me formei Doula pelo DONA internacional. Depois que ela chegou ao mundo do jeito que ela queria e cercada de amor, o puerpério me foi apresentado e nele percebi a importância de uma rede de apoio entre mulheres, a importância da inserção de uma mãe no universo social que ela e seu bebê coubessem, e foi então que conheci a Dança Materna e me encantei. Logo fiz a formação e me tornei professora licenciada no método da Dança Materna para mães e bebês de colo e engatinhantes, que preenche essa minha vontade de tornar o puerpério um lugar de acolhimento e leveza!

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AS AULAS DA DANÇA MATERNA em Balneário Camboriú acontecem no estúdio Prana e Yoga, aos sábados pelas manhã; e no Amaroelo, na Praia do Estaleiro, às sextas à tarde e em datas especiais. Informações pelo telefone (48) 9915-7061 ou nanda.gomes@dancamaterna.com.br.

Escrito por Caroline Cezar, 29/08/2016 às 09h22 | carol.jp3@gmail.com

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