Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda

Nunca ajude uma criança...

"MÃÃEIN, QUERO COLHÊR!"

A tradução para a frase arrastada da bebê de dois anos, que protesta batendo a mão da perna como quem diz "poxa vida", é "MÃE, EU QUERO ESCOLHER".

Ela estava reivindicando a autonomia plena na hora de se servir de um picolé caseiro. Era ela quem queria escolher o que ia comer: a cor do palito, a cor do picolé, e se era o da direita ou da esquerda.

Outra sentença muito utilizada por esse bebê é "NÃO ADJUDA MÃEIN, MADU ADJUDA". Madu é ela mesma, ou seja, ela está pedindo "ME DEIXE FAZER SOZINHA". Quando conclui a tarefa, comemora: "Aaaah, Madu fez". "Aaahh, Madu conseguiu". "Aaaah, Madu já sabe".
Às vezes não consegue e diz: "AGORA SIM" (você pode me ajudar, porque agora sim estou precisando).

 

Maria Montessori orienta: 'NUNCA AJUDE UMA CRIANÇA NUMA TAREFA QUE ELA SE SENTE CAPAZ DE FAZER'.

Veja bem: que ELA se sente capaz de fazer.
Não importa se ela é realmente capaz, se ela concluirá da maneira "certa" ou fará "tudo errado": aqui o que vale é o processo. A tentativa. A coragem. A vontade. A iniciativa. O desenvolvimento de habilidades. A percepção.

De preferência fique invisível e finja que não está vendo. Se for solicitado, esteja pronto, mas limite seus comentários, e não seja tão rápido e categórico nas respostas. Incentive a intuição, adie o que você acha, dê o tempo para a criança pensar e tomar suas conclusões sobre as coisas.

É fácil ver mães e pais de filhos adultos dizendo: "isso você não sabe", "você nunca conseguiria", "você não é capaz", então já imaginou no início da vida? Por isso que vemos crianças de três anos que não sabem levar uma colher à boca, ou vestir um chinelo: a incapacidade não é da criança, é dos pais da criança.

Incapacidade de ter paciência e confiar e principalmente incapacidade de realmente acreditar na capacidade infantil.

Assim como muitos médicos acham que estão salvando uma mulher que sabe parir e um bebê que sabe nascer "ajudando" no nascimento, "acabando com isso logo" intervindo no processo de um jeito ou outro -com bisturis, induções sintéticas, empurrões, puxões- a mãe e pai acham que estão ajudando o filho a caminhar, se vestir, se alimentar, brincar, pensar, concluir.

Nos dois exemplos o que falta é PACIÊNCIA e CONFIANÇA. Paciência pra que tudo aconteça no seu tempo e CONFIANÇA de que tudo acontecerá a seu tempo. Quanto menos interferência melhor. Faça-se esse desafio e passe a observar como você não é tão sagaz quanto a sabedoria da natureza. 

Escrito por Caroline Cezar, 13/11/2015 às 09h59 | carol.jp3@gmail.com



Mãe na Roda é um espaço colaborativo para compartilhar a maternidade e questões afins.














Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: [email protected]

Página 3

Nunca ajude uma criança...

"MÃÃEIN, QUERO COLHÊR!"

A tradução para a frase arrastada da bebê de dois anos, que protesta batendo a mão da perna como quem diz "poxa vida", é "MÃE, EU QUERO ESCOLHER".

Ela estava reivindicando a autonomia plena na hora de se servir de um picolé caseiro. Era ela quem queria escolher o que ia comer: a cor do palito, a cor do picolé, e se era o da direita ou da esquerda.

Outra sentença muito utilizada por esse bebê é "NÃO ADJUDA MÃEIN, MADU ADJUDA". Madu é ela mesma, ou seja, ela está pedindo "ME DEIXE FAZER SOZINHA". Quando conclui a tarefa, comemora: "Aaaah, Madu fez". "Aaahh, Madu conseguiu". "Aaaah, Madu já sabe".
Às vezes não consegue e diz: "AGORA SIM" (você pode me ajudar, porque agora sim estou precisando).

 

Maria Montessori orienta: 'NUNCA AJUDE UMA CRIANÇA NUMA TAREFA QUE ELA SE SENTE CAPAZ DE FAZER'.

Veja bem: que ELA se sente capaz de fazer.
Não importa se ela é realmente capaz, se ela concluirá da maneira "certa" ou fará "tudo errado": aqui o que vale é o processo. A tentativa. A coragem. A vontade. A iniciativa. O desenvolvimento de habilidades. A percepção.

De preferência fique invisível e finja que não está vendo. Se for solicitado, esteja pronto, mas limite seus comentários, e não seja tão rápido e categórico nas respostas. Incentive a intuição, adie o que você acha, dê o tempo para a criança pensar e tomar suas conclusões sobre as coisas.

É fácil ver mães e pais de filhos adultos dizendo: "isso você não sabe", "você nunca conseguiria", "você não é capaz", então já imaginou no início da vida? Por isso que vemos crianças de três anos que não sabem levar uma colher à boca, ou vestir um chinelo: a incapacidade não é da criança, é dos pais da criança.

Incapacidade de ter paciência e confiar e principalmente incapacidade de realmente acreditar na capacidade infantil.

Assim como muitos médicos acham que estão salvando uma mulher que sabe parir e um bebê que sabe nascer "ajudando" no nascimento, "acabando com isso logo" intervindo no processo de um jeito ou outro -com bisturis, induções sintéticas, empurrões, puxões- a mãe e pai acham que estão ajudando o filho a caminhar, se vestir, se alimentar, brincar, pensar, concluir.

Nos dois exemplos o que falta é PACIÊNCIA e CONFIANÇA. Paciência pra que tudo aconteça no seu tempo e CONFIANÇA de que tudo acontecerá a seu tempo. Quanto menos interferência melhor. Faça-se esse desafio e passe a observar como você não é tão sagaz quanto a sabedoria da natureza. 

Escrito por Caroline Cezar, 13/11/2015 às 09h59 | carol.jp3@gmail.com



Mãe na Roda é um espaço colaborativo para compartilhar a maternidade e questões afins.