Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

Estímulos e socialização

Passei muito tempo acreditando que criança deve ser estimulada para poder desenvolver todas as suas habilidades e que ir para a escola era uma forma de 'socializar'. Porém, para sorte minha e de meus filhos, eu desenvolvi a habilidade de mudar de ideia.

Tem muita coisa que a gente vai lendo e escutando que parece tão óbvia que ficamos até com vergonha de não ter percebido isto antes. Cada pessoa nasce muito pequena e indefesa, frágil mesmo. Mas ao contrário do que se pensa, esta fragilidade é mais emocional do que física propriamente dita. A fragilidade física pode ser facilmente resolvida com o colo da mãe que se dispor a ficar o máximo de tempo possível com esta pequena pessoa nos braços. Já a fragilidade emocional, nos acompanha para toda a vida e volta refletida em nossos pequenos filhotes.

Uma pessoa quando nasce não fala, não anda, mal se mexe, não conhece matemática nem história, não sabe a cor do céu nem a do mar. Não sabe que o céu existe, que na rua tem carro, que os adultos não são perfeitos. Em alguns poucos anos (bem poucos) vai aprender tudo que precisa para sobreviver em sociedade - se mover, falar, comer, beber, respeitar regras, se vestir, a cor do céu, que o céu existe, que na rua tem carro, enfim ser um ser social.

Me parece que o melhor lugar para aprender tudo isso é em família. Que a educação e as boas maneiras devem ser exemplificadas em casa e isso fica bem difícil quando desde muito cedo as crianças precisam frequentar escolas em turnos às vezes integrais. Sei que muitas mães não tem alternativa e precisam trabalhar o dia todo para garantir o sustento da família, mas me refiro aqui às outras mães. Àquelas que podem ficar com suas crianças e preferem colocar na creche para 'socializar'. Aquelas que tem amigas, tias ou avós que podem ajudar mas confiam mais na professora da creche do que na sogra. Que tem medo de deixar com uma amiga amorosa mas confiam a criança a uma 'profe' da escolinha que não tem vínculo amoroso e sim empregatício.

Quem inventou que as crianças precisam ir à escola para socializar? Quem disse que ficar numa sala, de portas fechadas, com 20 crianças da mesma idade e um ou dois adultos comandando é social?

Social é ajudar a mamãe a por a mesa. É ir caminhando no seu ritmo até a esquina. É ver um vizinho na rua e saber quem ele é. É ter espaço em casa para ser livre, para não ter hora. É brincar com mais velhos e com mais novos. É aprender a usar os talheres e a se vestir. É aprender a reconhecer as estações do ano sentindo-as na pele. É saber que o sol nem sempre nasce no mesmo lugar porque viu e não porque alguém contou. É comemorar a entrada da primavera e ficar feliz com a proximidade do verão. Social é aprender a guardar a louça e a arrumar seus brinquedos. Social é se comunicar, é conhecer sua casa e seu entorno. Social é conhecer gente nova, visitar um amiguinho e receber uma visita.

Os anos passam muito rápido e os primeiros anos de uma pessoa a acompanharão para o resto de sua existência. Não se permita perder tempo ensinando repetições de cores e números. Não se permita perder tempo estimulando os pequenos. A vida é estimulante demais e deixar aprender por observação e experimentação é o melhor estímulo.

 

Por uma humanidade mais feliz!
Paz e Bem.

Escrito por Ana Paula Góis, 29/09/2016 às 22h34 | conviteecia@hotmail.com

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Ana Paula Góis

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