Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

Quantos anos você tem?

Faz uns dias que a internet anda se emocionando com a fala da participante do Big Brother Ieda, uma linda ex miss no auge de seus 70 anos. Falou da velhice e da vontade de viver. Falou de como pode haver vida ali na frente em qualquer fase da vida, e abriu a fala com a seguinte frase:

- E vocês vão entender, quando forem mais velhos que a gente nunca deixa de ser criança...

Logo que me interessei por crianças, por educação e criação, pelo que pode ou que não pode, entendi que criança também é gente. Entendi que esta história de que criança não tem querer, de que tem que dividir, de que tem que experimentar, de que tem que ser castigada, de que é de pequeno que se desentorta o pepino é coisa de criança que não foi criança.

Porém na minha peregrinação de re-conhecimento e auto conhecimento, no auge dos meus 36 anos, vem esta mulher e me dá uma dessas, na testa e me abre o olho para o inverso que eu ainda não tinha reconhecido: adulto também é gente!

Não existe adulto que não foi criança, que não teve infância. Assim como não existe uma criança dentro do adulto, querendo sair ou que precise ser liberta porque o adulto ainda é a criança. Ainda é a mesma pessoa, vivendo um outro dia, não são dois diferentes.

Somos nós todos, as crianças e adultos, gente! E gente tá sempre crescendo, sempre aprendendo algo novo, sempre se mexendo. Gosto de estar no mesmos patamar das crianças. Me deixa feliz saber que elas estão aí cheias de conhecimento e ensinamentos pra mim. Que continuam vindo generosa e amorosamente pra nós.

Há algum tempo atrás, eu subestimava as crianças. Eu tinha plena certeza que sabia mais que elas, que podia ensinar alguma coisa pra elas. E me colocava na mesma posição quanto aos mais velhos. Achava que estavam prontos e que eu nada tinha a acrescentar pra eles. Que meus conselhos e experiências eram pouco pra eles.

Agora nos vejo atemporais. Desprovidos de idade. Somos hoje passageiros do mesmo barco e estamos viajando para o mesmo destino. Juntos somos as peças que movem a engrenagem, que fazem a máquina funcionar. Jovens ou velhos, despertos ou cansados, visionários ou céticos, todos peças importantes vivendo o dia de hoje e construindo o amanhã.

Agradeço por estar nesta caminhada com você. Por estar vivendo o hoje junto com você. Por sermos parte da mesma engrenagem. Não importa quantos anos você tem ou teve ou vai ter, importa, que agora temos que continuar. Que agora estamos vivendo no mesmo lugar e na mesma hora. Obrigada!

Por uma humanidade mais fraterna. Paz e bem!


Você pode ver o vídeo aqui nesse link se quiser.

Escrito por Ana Paula Góis, 19/03/2017 às 23h06 | conviteecia@hotmail.com

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Ana Paula Góis

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