Jornal Página 3
Coluna
Mãe na Roda
Por Ana Paula Góis

É só amor!

Um terrível capricho da criança consiste em ir acordar os pais de manhã e a babá tem de evitar tal delito, como se fosse o anjo da guarda do sono matutino dos pais...

Mas o que, senão o amor, impele a criança que mal levantou da cama a ir procurar os pais?

Quando ela salta da cama, bem cedinho, ao nascer do sol, vai procurar os pais ainda adormecidos como se lhes quisesse dizer: "Aprendam a viver santamente, já amanheceu, é dia!" O quarto ainda está escuro, bem fechado. A criança avança, como o coração oprimido pelo medo do escuro, mas supera todos os temores e vai tocar carinhosamente os pais. O pai e a mãe resmungam: "Porque nos acordar tão cedo?" E a criança replica: "Não vim acordar vocês, vim beijá-los". Como se dissesse: "Não queria despertá-los materialmente; desejava acordar-lhes o espírito".

O amor da criança tem imensa importância para nós. Os adultos dormem a vida inteira, tendem a adormecer a vida inteira sobre todas as coisas, e precisam de um novo ser que os desperte e os reanime com energia fresca e viva. Um ser que se comporte diversamente deles e lhes diga toda manhã: "Levantem-se para uma nova vida, aprendam a viver melhor"

Sim, viver melhor: Sentir o sopro do amor.

Sem a criança que o ajuda a renovar-se, o homem degeneraria. Se o adulto não procura renovar-se forma-se paulatinamente em torno de seu espírito uma couraça que acaba por torná-lo insensível.

Isto nos traz à mente, as palavras do juízo final, quando Cristo, dirigindo-se aos condenados que nunca utilizaram os meios de renascimento encontrados durante a vida, os amaldiçoa:
- Ide malditos, porque me encostrastes enfermo e não me curastes!
E eles respondem:
- Mas quando, Senhor, nós vos encontramos enfermo?
- Todas as vezes que encontrastes um pobre, um enfermo, era eu. Ide malditos, porque eu estava encarcerado e não me visitastes.
- Oh, Senhor, quando estivestes em um cárcere?
- Cada encarcerado era eu.

A dramática passagem do Evangelho significa que o adulto deve consolar o Cristo oculto em cada pobre, em cada condenado em cada sofredor. Mas se a maravilhosa cena evangélica se aplicasse ao caso da criança, constataríamos que Cristo ajuda todos os homens sob a forma da criança.

- Eu vos amei, fui acordar-vos todas as manhãs e me repelistes.
- Mas quando, Senhor, viestes a minha casa pela manhã para me acordares e eu vos repeli?
- O filho de vossas vísceras que vinha despertar-vos era eu. Aquele que vos implorava que não o abandonásseis era eu!

Insensatos! Era o Messias que vinha despertar-vos e ensinar-vos o amor! E nós pensávamos que se tratava de um capricho infantil- e, por isso, perdermos nosso coração.

Adaptado do texto de Maria Montessori, no livro A Criança.

Por uma humanidade mais fraterna!
Paz e boa vontade.

Escrito por Ana Paula Góis, 09/05/2017 às 21h20 | conviteecia@hotmail.com

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Ana Paula Góis

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