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Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

UM MINUTO DE SILÊNCIO!

 

           (créditos imagem: Mapio.net Chelo Godoy)

 

O ato de comemorar e homenagear atravessa fronteiras, credos, setores públicos e privados, demarca tempos, histórias e, sobretudo, lugares da memória. No entanto, como lembra o historiador Pierre Nora: memória e história não são sinônimos.

Deste modo, ao nos reportamos às comemorações dos 53 anos de emancipação política de Balneário Camboriú, precisamos resgatar as memórias, na acepção que ela é a vida protagonizada por todos os sujeitos, aberta à dialética das recordações, mas também, do esquecimento, portanto, a memória é vulnerável a múltiplas manipulações e deformações e, ao mesmo tempo, aberta a revitalizações.

As memórias contadas, descobertas, registradas em versos, em histórias de pescadores, exaladas na culinária, explicitada no sotaque, revelam que a história de Balneário Camboriú é, como toda história, uma reconstrução incompleta do que já passou. Incompleta porque não temos a tradição de valorizar nossas próprias origens do "povo das conchas" - os sambaquis da praia de laranjeiras é um cenário praticamente extinto; da comunidade remanescente de Quilombo -  raramente sabemos das "histórias subterrâneas dos africanos na condição de escravos e seus descendentes que existem no Morro do Boi" (professor Jose Bento).

Dos primeiros povos (há 4.000 anos) até nossos dias, falar em comemorar 53 anos não seria justo com a cronologia e com a riqueza destas memórias e histórias. Por isso, um minuto de silencio!! Em memória daqueles que aqui viveram, antes de nós!  A todos que sabiam viver em harmonia com esta terra, com este paraíso. Aqueles que entendiam o verdadeiro sentido de viver em comunidade, que na simplicidade encontravam o "Arraial do bom sucesso" -  e nessas memórias, como uma ligação vivida em um eterno presente, talvez precisaríamos relembrar que “nunca é tarde para voltar e recolher o que ficou para trás” (provérbio Acã). Voltar, neste sentido, não significa invalidar o momento atual desta pujante cidade, mas um gesto de amorosidade que entende a diferença entre crescimento e desenvolvimento sustentável, que respeita a convivência equilibrada entre as pessoas e territórios. Assim, a cidade coirmã - Camboriú deveria ser o cordão umbilical que nutre e é nutrida como um organismo vivo e interdependente. Deveríamos valorizar cada espaço, cada bairro sem a supremacia da ideia de "centro" e estarmos com as portas sempre abertas de modo a convidar chegar mais perto, sem falsos egos e bairrismos.

Parabéns a todas mulheres e homens que aqui passaram, nasceram, escolheram morar, trabalhar e viver.  Parabéns aqueles que não medem esforços e não se intimidam em pensar e protagonizar a construção do porvir em uma direção mais humana, inclusiva e sustentável.

 

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 19/07/2017 às 14h35 | marisazf@hotmail.com

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Marisa Zanoni Fernandes

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Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.
















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