Jornal Página 3
Coluna
Marisa Fernandes
Por Marisa Zanoni Fernandes

MÃE - ENTRE O ATO BIOLÓGICO E A EXPERIÊNCIA DE SER

Me parece oportuno refletir sobre a ideia, ora tão comemorada, ora tão esquecida –  a de ser mãe.  A tarefa biológica marcada como um ato divino, torna a mulher um ser especial e santificado. Gerar um filho, produzir seu próprio alimento, manter uma vida no seu corpo é sem dúvida, algo fora do comum – um corpo hierarquicamente superior em relação ao homem.

Entretanto, a realidade não é nada generosa com as mães: no patriarcalismo tão presente ainda na sociedade, na maioria das vezes ser mãe é um ato solitário, carregado de preconceitos que indicam a santidade do ato, a devoção inata e sempre amorosa como algo inerente a maternidade. Quando se trata de conceituar mãe, portanto, a sociedade tem um conjunto de mitos e representações que vão desde a supermãe, aquela que se sacrifica por tudo, o esteio do lar até aquela que NUNCA ERRA. Estas representações têm gerado dor, angústia e sofrimento para boa parte das mães, pois são seres como qualquer outro: aprendem a SER, na experiência, na partilha, na coletividade. Se constituem, tornam-se e precisam de ajuda para criar e educar os filhos – que aliás, se foram concebidos na partilha, obviamente deveriam ser criados na partilha.  

Portanto, acredito que avançar do comércio que envolve a data comemorativa seria um pressuposto fundamental para quem deseja um mundo equilibrado e de qualidade. Nesta direção, precisaríamos perguntar: qual rede de apoio as mães têm? Quais estruturas familiares e sociais sustentem a maternagem? Quem é suporte emocional e físico das mães? Como a tarefa de cuidar e educar os meninos e meninas pode ser partilhada? Quem trabalha com a insegurança gerada no nascimento de um filho (seja biológico ou adotivo)?

Pensar sobre o padrão de maternidade construído, sobre quem são de bebês - que choram, tem dor, fraldas, doenças (isso poucas vezes mostrado pelas imagens que circulam – sorridentes e saudáveis), parece um caminho que conduziria ao reconhecimento da vida real e aproximaria a sociedade em torno da geração da vida e da maternagem.

Mães não são seres especiais, não são perfeitas – são seres capazes como qualquer outro de amar, doar-se e fazer melhor possível – se tiverem a oportunidade de viver e se constituir na tarefa de ser mãe.

Os filhos certamente trazem grande mudanças na vida de uma mulher e, com eles grandes oportunidades de ver a vida por muitos vieses e espectros que jamais seriam percebidos sem eles. Mas é preciso resignificar o percurso de modo mais humano e solidário com nossas mães e com todas as formas desta constituição, porque o nascer de um filho não é o nascer de uma mãe e enquanto a vida dela existir ela continuará necessitando de novos arranjos, novos jeitos de SER E SE CONSTITUIR MÃE!  

Fonte imagem: Visualhunt

Escrito por Marisa Zanoni Fernandes, 12/05/2018 às 19h34 | marisazf@hotmail.com



Marisa Zanoni Fernandes

Assina a coluna Marisa Fernandes

Ex-vereadora em Balneário Camboriú, é doutora em educação e professora universitária.


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br