Jornal Página 3
Coluna
Nascer
Por Ellen Mendes

Uma dança a dois

 

Hoje recebi uma mensagem muito significativa de uma gestante, que um tempo atrás pediu ajuda, pois tinha pânico do parto. Quantas mulheres vivem sentimentos ambivalentes durante a gestação? Hoje essa mulher disse que estava empolgada e esperando seu bebê vir no tempo dele.
O que será que fez ela passar do pânico para a vontade de vivenciar o parto?

Não existe milagre que faça uma mulher perder o medo. O que existe é o conhecimento do processo e entender que quanto mais conectada com seu corpo e seu bebê mais a natureza irá agir (e ela é perfeita). Entender a fisiologia do parto é entender que ele funciona como uma dança a dois, onde a mãe se movimenta aqui fora sentindo as contrações e achando uma melhor posição e o bebê se movimenta lá dentro, fazendo as rotações, movendo o corpinho e se encaixando para sair. Tudo ocorre sincronizada e perfeitamente.

O empoderar da mulher, o tornar-se dona de si é como uma escada, a cada leitura, um degrau, a cada conversa de qualidade, mais um degrau, e a cada degrau, menos medo. E quanto menor o medo, mais felicidade em passar por todo o processo.

Se você está gestando, se presenteie com informação de qualidade. Se conecte com sua essência e se abra para viver a melhor aventura de sua vida.

 

Escrito por Ellen Mendes, 18/11/2020 às 10h19 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Parto Ativo

Parto Ativo é o movimento social pela naturalização do parto que começou na Europa com Janet Balaskas, nos anos 80. Chegando no Brasil na década de 90, recebeu o nome de humanização do parto, que nada mais é que deixar a natureza da mulher agir, sendo assistida por uma equipe qualificada e que possa usufruir da tecnologia caso necessário.

Permitir que a gestante se movimente, fazendo exercícios que facilitem a descida do bebê; dar a opção de banho, bola e massagem para alívio da dor; permitir que ela se alimente, beba água e tenha o parto em posição vertical ou como desejar, são algumas das mudanças que o movimento deseja, deixando o parto mais fisiológico e consequentemente, seguro.

 

Escrito por Ellen Mendes, 09/11/2020 às 16h55 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Primeiro Olhar


Naquele momento por uma fração de segundos nada mais importa: se as contas estão em dia, se a casa está limpa, se o trabalho está ok, se a família está bem, se você tem preocupações. Naquele breve instante você só consegue olhar naqueles olhos profundos que acabaram de chegar e estão fixos nos seus. Não existe definição para essa sensação, alguns chamam de janelas do céu, outros que esse é o verdadeiro amor à primeira vista.

Essa busca através do olhar tem definição científica: imprinting, estudado pelo cientista austríaco Konrad Lorenz. Ele observou que os patos, assim que saíam dos ovos, buscavam o primeiro objeto que se movia em sua frente e o seguiam como se fosse sua mãe (mesmo não sendo). Essa ligação é como se fosse um carimbo, imediato e irreversível no sistema nervoso. No ambiente natural o imprinting é a primeira forma de sobrevivência dos recém nascidos, que devem reconhecer os pais pela probabilidade de ataques de outros animais.

Com os humanos o primeiro olhar deve ser com a mãe: no emocional garante o vínculo imediato; no fisiológico, faz a parturiente produzir mais ocitocina, que é a responsável pela ejeção do leite e sensação de segurança, confiança e amor. O corpo da mulher se prepara para ter o bebê nos braços, a temperatura corporal eleva no peito para compensar a temperatura do recém nascido. Quando respeitada a primeira hora de vida, conhecida como hora dourada, esse primeiro olhar se estende para lambidas nos seios, cheiro, reconhecimento, e a primeira mamada, enquanto o reflexo de sucção do bebê está muito ativo e a amamentação é facilitada.

O contato da mãe e do bebê é natural, o vínculo original é beneficiado se houver poucas ou nenhumas interferências nesse momento precioso. No sistema nervoso do bebê o olhar da mãe fica carimbado como sua segurança, sua sobrevivência. Na mãe os olhos brilhantes do bebê acendem o instinto para os cuidados, a proteção. A pele macia, o cheiro, grunhidos e olhar marcante e profundo ficarão para sempre na memória.

Deixem os bebês chegar com calma.
Deixem os bebês terem os olhos das mães como primeira marca de amor.

Escrito por Ellen Mendes, 14/10/2020 às 14h18 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Doula, pra que te quero

 "Se doula fosse um remédio seria antiético não receitar" John H. Kennell

A palavra de origem grega doulè traz o significado "a mulher que serve". Nem médica, enfermeira, nem acompanhante. O papel dessas mulheres que servem é durante a gestação fornecer materiais para que a família se prepare para a chegada do bebê. Leituras sobre como identificar o trabalho de parto, qual o melhor momento de ir ao hospital, o que são os pródromos, quais as possíveis intervenções, como fazer um plano de parto, os benefícios da pele a pele na hora dourada, entre outros.

Durante o parto elas trazem segurança, apoio emocional, exercícios que facilitam o encaixe, rotação e descida do bebê e massagens para o alívio da dor.

No pós parto, elas podem auxiliar na amamentação, e trazer informações sobre exterogestação, o que facilita a adaptação das famílias com esse novo serzinho que chegou.

Doulas não fazem parto, assistem, pois quem faz o parto é a mulher. Elas participam do processo e são qualificadas para lidar com algo importante e muito esquecido no trabalho de parto: o emocional.

Trazem segurança através do amor. Olham nos olhos, seguram as mãos, abraçam, são um brilho de esperança, e a força feminina passada de mulher para mulher. Ela sabe o que é estar ali, e com todo respeito, incentiva aquela gestante a atravessar as contrações, abraçar e amamentar seu bebê, viver a maternidade com novos olhos.

Doulas são movidas pelo amor, um amor carregado de conhecimento, que faz toda a diferença.

Escrito por Ellen Mendes, 04/10/2020 às 17h27 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Nascer Bem!

Oi, sou a Ellen, mãe de três: Teodora, 6, Catarina, 4 e Coralina, 1 mês. De dona de salão a fotógrafa de partos, minha vida deu um giro de 180° desde que me tornei mãe. Elas transformaram minha jornada, -claro, ter filhos muda a vida de qualquer pessoa-, mas aqui a mudança foi profunda, a cada nascimento (um hospitalar e dois domiciliares) algo novo ia brotando no meu coração.

Hoje minha própria experiência e a fotografia são os instrumentos principais nessa missão, mostrando para todos uma forma de nascer diferente do que estávamos acostumados. Sabe aqueles partos de novela? Apesar de ainda existir muito, vou te contar que não precisa ser assim. A mulher pode parir com dignidade, não precisa ter na sala um monte de gente desconhecida, não precisa corte no períneo e muito menos parir deitada (a menos que seja sua posição mais confortável e não um protocolo). Não precisa sofrimento, que é diferente de dor. Quando temos um atendimento respeitoso e consciência do nascimento, o que fica de marcas é o amor e toda a transformação.

E que grandes mudanças geram em toda a sociedade os partos humanizados! Existe um cientista francês que diz que "para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer " (Michel Odent) e tudo muda quando uma vida chega com a percepção que cada ser humano é único, sente dor, sente medo e precisa ser respeitado e acolhido. Ser tratado como gente desde seus primeiros momentos aqui faz muito mais do que podemos imaginar. É mais simples do que parece, a mãe é capaz de oferecer tudo o que um bebê realmente precisa ao nascer: colo, peito, calor, cheiro, proteção. Amor.

Nascer pode ser diferente, pode ser simples, e pode ser a grande mudança no mundo, e essa é a essência do que venho compartilhar aqui nesse espaço a partir de agora.

Até a próxima!

Escrito por Ellen Mendes, 28/09/2020 às 17h58 | ellenmendesfotografia@gmail.com



Ellen Mendes

Assina a coluna Nascer

Ellen Mendes é mãe de três meninas, fotógrafa de nascimentos e encantada pelo universo do parto natural.














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Uma dança a dois

 

Hoje recebi uma mensagem muito significativa de uma gestante, que um tempo atrás pediu ajuda, pois tinha pânico do parto. Quantas mulheres vivem sentimentos ambivalentes durante a gestação? Hoje essa mulher disse que estava empolgada e esperando seu bebê vir no tempo dele.
O que será que fez ela passar do pânico para a vontade de vivenciar o parto?

Não existe milagre que faça uma mulher perder o medo. O que existe é o conhecimento do processo e entender que quanto mais conectada com seu corpo e seu bebê mais a natureza irá agir (e ela é perfeita). Entender a fisiologia do parto é entender que ele funciona como uma dança a dois, onde a mãe se movimenta aqui fora sentindo as contrações e achando uma melhor posição e o bebê se movimenta lá dentro, fazendo as rotações, movendo o corpinho e se encaixando para sair. Tudo ocorre sincronizada e perfeitamente.

O empoderar da mulher, o tornar-se dona de si é como uma escada, a cada leitura, um degrau, a cada conversa de qualidade, mais um degrau, e a cada degrau, menos medo. E quanto menor o medo, mais felicidade em passar por todo o processo.

Se você está gestando, se presenteie com informação de qualidade. Se conecte com sua essência e se abra para viver a melhor aventura de sua vida.

 

Escrito por Ellen Mendes, 18/11/2020 às 10h19 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Parto Ativo

Parto Ativo é o movimento social pela naturalização do parto que começou na Europa com Janet Balaskas, nos anos 80. Chegando no Brasil na década de 90, recebeu o nome de humanização do parto, que nada mais é que deixar a natureza da mulher agir, sendo assistida por uma equipe qualificada e que possa usufruir da tecnologia caso necessário.

Permitir que a gestante se movimente, fazendo exercícios que facilitem a descida do bebê; dar a opção de banho, bola e massagem para alívio da dor; permitir que ela se alimente, beba água e tenha o parto em posição vertical ou como desejar, são algumas das mudanças que o movimento deseja, deixando o parto mais fisiológico e consequentemente, seguro.

 

Escrito por Ellen Mendes, 09/11/2020 às 16h55 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Primeiro Olhar


Naquele momento por uma fração de segundos nada mais importa: se as contas estão em dia, se a casa está limpa, se o trabalho está ok, se a família está bem, se você tem preocupações. Naquele breve instante você só consegue olhar naqueles olhos profundos que acabaram de chegar e estão fixos nos seus. Não existe definição para essa sensação, alguns chamam de janelas do céu, outros que esse é o verdadeiro amor à primeira vista.

Essa busca através do olhar tem definição científica: imprinting, estudado pelo cientista austríaco Konrad Lorenz. Ele observou que os patos, assim que saíam dos ovos, buscavam o primeiro objeto que se movia em sua frente e o seguiam como se fosse sua mãe (mesmo não sendo). Essa ligação é como se fosse um carimbo, imediato e irreversível no sistema nervoso. No ambiente natural o imprinting é a primeira forma de sobrevivência dos recém nascidos, que devem reconhecer os pais pela probabilidade de ataques de outros animais.

Com os humanos o primeiro olhar deve ser com a mãe: no emocional garante o vínculo imediato; no fisiológico, faz a parturiente produzir mais ocitocina, que é a responsável pela ejeção do leite e sensação de segurança, confiança e amor. O corpo da mulher se prepara para ter o bebê nos braços, a temperatura corporal eleva no peito para compensar a temperatura do recém nascido. Quando respeitada a primeira hora de vida, conhecida como hora dourada, esse primeiro olhar se estende para lambidas nos seios, cheiro, reconhecimento, e a primeira mamada, enquanto o reflexo de sucção do bebê está muito ativo e a amamentação é facilitada.

O contato da mãe e do bebê é natural, o vínculo original é beneficiado se houver poucas ou nenhumas interferências nesse momento precioso. No sistema nervoso do bebê o olhar da mãe fica carimbado como sua segurança, sua sobrevivência. Na mãe os olhos brilhantes do bebê acendem o instinto para os cuidados, a proteção. A pele macia, o cheiro, grunhidos e olhar marcante e profundo ficarão para sempre na memória.

Deixem os bebês chegar com calma.
Deixem os bebês terem os olhos das mães como primeira marca de amor.

Escrito por Ellen Mendes, 14/10/2020 às 14h18 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Doula, pra que te quero

 "Se doula fosse um remédio seria antiético não receitar" John H. Kennell

A palavra de origem grega doulè traz o significado "a mulher que serve". Nem médica, enfermeira, nem acompanhante. O papel dessas mulheres que servem é durante a gestação fornecer materiais para que a família se prepare para a chegada do bebê. Leituras sobre como identificar o trabalho de parto, qual o melhor momento de ir ao hospital, o que são os pródromos, quais as possíveis intervenções, como fazer um plano de parto, os benefícios da pele a pele na hora dourada, entre outros.

Durante o parto elas trazem segurança, apoio emocional, exercícios que facilitam o encaixe, rotação e descida do bebê e massagens para o alívio da dor.

No pós parto, elas podem auxiliar na amamentação, e trazer informações sobre exterogestação, o que facilita a adaptação das famílias com esse novo serzinho que chegou.

Doulas não fazem parto, assistem, pois quem faz o parto é a mulher. Elas participam do processo e são qualificadas para lidar com algo importante e muito esquecido no trabalho de parto: o emocional.

Trazem segurança através do amor. Olham nos olhos, seguram as mãos, abraçam, são um brilho de esperança, e a força feminina passada de mulher para mulher. Ela sabe o que é estar ali, e com todo respeito, incentiva aquela gestante a atravessar as contrações, abraçar e amamentar seu bebê, viver a maternidade com novos olhos.

Doulas são movidas pelo amor, um amor carregado de conhecimento, que faz toda a diferença.

Escrito por Ellen Mendes, 04/10/2020 às 17h27 | ellenmendesfotografia@gmail.com

Nascer Bem!

Oi, sou a Ellen, mãe de três: Teodora, 6, Catarina, 4 e Coralina, 1 mês. De dona de salão a fotógrafa de partos, minha vida deu um giro de 180° desde que me tornei mãe. Elas transformaram minha jornada, -claro, ter filhos muda a vida de qualquer pessoa-, mas aqui a mudança foi profunda, a cada nascimento (um hospitalar e dois domiciliares) algo novo ia brotando no meu coração.

Hoje minha própria experiência e a fotografia são os instrumentos principais nessa missão, mostrando para todos uma forma de nascer diferente do que estávamos acostumados. Sabe aqueles partos de novela? Apesar de ainda existir muito, vou te contar que não precisa ser assim. A mulher pode parir com dignidade, não precisa ter na sala um monte de gente desconhecida, não precisa corte no períneo e muito menos parir deitada (a menos que seja sua posição mais confortável e não um protocolo). Não precisa sofrimento, que é diferente de dor. Quando temos um atendimento respeitoso e consciência do nascimento, o que fica de marcas é o amor e toda a transformação.

E que grandes mudanças geram em toda a sociedade os partos humanizados! Existe um cientista francês que diz que "para mudar o mundo, primeiro é preciso mudar a forma de nascer " (Michel Odent) e tudo muda quando uma vida chega com a percepção que cada ser humano é único, sente dor, sente medo e precisa ser respeitado e acolhido. Ser tratado como gente desde seus primeiros momentos aqui faz muito mais do que podemos imaginar. É mais simples do que parece, a mãe é capaz de oferecer tudo o que um bebê realmente precisa ao nascer: colo, peito, calor, cheiro, proteção. Amor.

Nascer pode ser diferente, pode ser simples, e pode ser a grande mudança no mundo, e essa é a essência do que venho compartilhar aqui nesse espaço a partir de agora.

Até a próxima!

Escrito por Ellen Mendes, 28/09/2020 às 17h58 | ellenmendesfotografia@gmail.com



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