Jornal Página 3
Coluna
Papo Reto!
Por Gabriel Reinert

Dead Fish declara: "Somos da esquerda! Se você é da direita e cola no show, você está no lugar errado!"

Hoje de manhã a banda Dead Fish postou em seu twitter oficial (@deadfishoficial) a seguinte publicação:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em instantes, inúmeros fãs atacaram a banda e trocaram farpas entre si.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa notícia me chamou muito a atenção, e por isso resolvi me posicionar à respeito.

Acho interessante que bandas expressem através da música seus valores, sentimentos e pensamentos, e o Dead Fish é uma das bandas que utiliza essa ferramenta para propagar seus ideais. Admiro quem tem personalidade, quem expressa sua visão política publicamente, independente de qual ela seja, porém, algo que me incomoda é a falta de respeito.

Não é porque eu seja cristão que eu não possa receber amigos ateus no meu estúdio, muito pelo contrário, alguns dos meus melhores amigos possuem religião diferente da minha, torcem pra times rivais ao meu, e possuem uma visão política diferente da minha. Todos são tratados iguais, com todo o respeito do mundo, e essas diferenças não diminuem a admiração que tenho por cada um.

“Mas então você não tem personalidade, tá querendo agradar à todos!” Não! Eu também costumo expressar publicamente a minha visão política e muita gente discorda, a diferença é que eu não obrigo as outras pessoas a pensarem como eu.

“Mas nos shows os caras pregam a ideologia deles através das letras! É incoerente frequentar!”. Se eu for em um show de axé e o vocalista pedir pra eu descer até o chão, e eu permanecer no meu lugar, eu não serei bem vindo naquele lugar? Os motivos que fazem uma pessoa frequentar um show, não necessariamente são pra consumir o que é pregado através das letras, se fosse assim, quem frequenta shows internacionais no Brasil sem saber falar inglês, estaria no lugar errado.

Bandas com a visibilidade que o Dead Fish tem influenciam muita gente, a partir do momento que você se coloca em cima de um palco, você é um formador de opinião, e usar essa influência pra colocar uns contra os outros e promover divisão no rock é algo lamentável. Quem não tem maturidade e responsabilidade pra administrar essa influência não deveria estar em cima de um palco. Pra mim, quem tá no lugar errado é o Dead Fish.

Escrito por Gabriel Reinert , 19/03/2015 às 20h45 | gabriellreinert@gmail.com

Por que música ruim faz sucesso?

Com certeza você já se fez essa pergunta! Se você é músico e dedica tempo e dinheiro à sua carreira, sua indignação deve ser maior ainda! Ultimamente tenho visto muita gente indignada com o funk ostentação, há pouco tempo, o que provocava essa revolta era o sertanejo universitário com letras sem sentido ou sem conteúdo, mas saibam que esse tipo de música sempre existiu, e pra provocar ainda mais sua indignação, sempre vendeu. 

Música boa não está relacionada com sucesso! Compor uma música de qualidade e gravar é um passo, e pra isso é necessário talento. Fazer com que essa música chegue até o seu público alvo, é outro passo, e nesse caso é necessário dinheiro. Muitos ficam indignados quando descobrem isso, passam a julgar as bandas que pagaram pra aparecer na TV como bandas “de mentira”, “vendidas”, “compradas”, mas a realidade é que ninguém vai trabalhar de graça pra você, muito menos uma rádio ou uma emissora de TV. 

Quando você abre uma empresa, por melhor que seja seu produto, você precisa de divulgação, precisa de marketing, e tudo isso tem um custo. Empresários planejam esse custo e encaram como um investimento necessário. Essa mentalidade de ver sua banda como uma empresa normalmente não existe no meio artístico, já conheci bandas que receberam um valor “X” pra investir e distribuíram o valor entre a gravação de um disco, de um videoclipe, fizeram fotos, compraram equipamentos, e não dedicaram um centavo sequer pra publicidade. 

Pra ilustrar esse assunto cito a banda de mentirinha idealizada pelos integrantes dos Titãs Branco Mello, Arnaldo Antunes e Charles Gavin em parceria com Paula Toller do Kid Abelha, Jorge Mautner e Liminha. O Vestidos de Espaço (expressão que quer dizer "sem roupa", "pelados", "nuzinho") reza a lenda, foi criado para provar que, com uma boa divulgação e letras apelativas, qualquer armação poderia vender bem e entrar nas paradas de sucessos. A banda não passa de uma tiração de sarro com os grupos fabricados pelas gravadoras para vender milhões. Letras paupérrimas e grosseiramente apelativas fazem parte do primeiro e único "trabalho" da banda - um compacto simples com duas músicas: Pipi Popô e A Marcha do Demo, estes usados como pseudônimo do autor: Pepino Carnale. De fato, a música Pipi Popô foi uma febre no carnaval de 1989. E a banda, completamente descartável, após cumprir sua missão desapareceu completamente sem deixar vestígios. Um detalhe curioso é que nos créditos do compacto não constavam os nomes dos integrantes e suas identidades somente foram reveladas depois da  banda já ter desaparecido. 

Confiram: 

 

Escrito por Gabriel Reinert , 11/03/2015 às 18h22 | gabriellreinert@gmail.com

Músico não sabe ler?

A idéia de liberdade, diversão, a ausência de horários fixos e compromissos são características presentes na vida da maioria dos músicos, tanto daqueles que têm a música como hobby, quanto daqueles que pagam suas contas com a grana da música. Em meio a esse estilo de vida, na maioria das vezes, não muito organizada, de vez em quando sobra tempo para estudar seu instrumento, freqüentar shows de bandas de amigos, ensaiar, e gastar algumas horas na internet buscando preços de equipamentos que na maioria dos casos você não tem dinheiro pra comprar. Aqueles que encaram a música profissionalmente, muitas vezes acabam trabalhando demais, tocando com sua banda, fazendo um voz e violão, gravando pra outras bandas em estúdio, pra poder compensar a péssima valorização da profissão, o que faz com que tenham ainda menos tempo pra estudar.

 

Mas quando eu pergunto se “músico não sabe ler?”, eu não me refiro somente a leitura de livros musicais ou ao estudo do áudio em geral, eu me refiro à leitura diária, de revistas, de jornais, de notícias em geral, o músico precisa de informar, precisa saber o que está acontecendo ao seu redor, precisa ter outros assuntos pra conversar com seus amigos que não seja música e equipamentos.

 

Mas por que eu to falando isso? Por que eu resolvi abordar esse tema?

 

Primeiro porque essa é a minha primeira matéria aqui no Página 3, eu recebo dezenas de músicos diariamente no meu estúdio, todos os dias nos últimos 5 anos, e antes disso também me relacionava diariamente com músicos. Já vi muita banda se dando bem e muita banda de dando mal, já ouvi histórias inimagináveis sobre esse universo musical e quero compartilhar aqui na coluna “Papo Reto” todo esse aprendizado que tive e venho tendo até hoje. Espero que todos os músicos tirem um tempo pra ler, com certeza muitas das informações contidas aqui nessa coluna poderão auxiliar muitos músicos a tomarem decisões corretas com relação à sua carreira!

 

E o segundo e principal motivo pelo qual eu resolvi abordar o tema “musico não sabe ler?” foi porque a música em geral, está cada dia mais chata, cada dia mais sem graça e isso é algo que me preocupa!

Você pode me dizer: “Mas como você pode afirmar que a música está cada dia mais chata? Ela ta chata pra você, música é questão de gosto!”

 

E é aí que você se engana! 80% ou mais das bandas de adolescentes que aprendem a tocar um instrumento, montam sua primeira banda e vão ensaiar no meu estúdio, tem o repertório composto por músicas dos anos 80 e 90. Ao questionar essas bandas, a resposta foi unânime: “Hoje em dia não tem música que preste!”.

 

Por um lado eu fico feliz, que a nova geração saiba identificar o que é música boa e saiba correr atrás dessas influências, por outro lado me desanima ouvir muitos trabalhos atuais sem essência.

Através da música, o músico transfere sentimentos e informações ao ouvinte, e pra que essa conexão entre o músico e o ouvinte aconteça, o sentimento tem que ser verdadeiro. Aos meus ouvidos é muito nítido quando um músico que não ama, escreve uma canção de amor, a diferença entre o músico que compõe pra se expressar e o músico que compõe com a intenção de ficar famoso ou agradar os outros é enorme!

 

Por isso, o aprendizado que eu compartilho hoje é: Viva! Leia, se relacione, se informe, tenha amigos, largue o celular ou o computador e saia de dentro de casa! Se encha de informações e sentimentos pra que quando você for compor, você tenha o que transmitir! Música é transmissão! E ninguém pode transmitir aquilo que não tem!

 

Grande abraço à todos, e obrigado pela leitura!

 

Gabriel Reinert.

Escrito por Gabriel Reinert , 27/02/2015 às 08h01 | gabriellreinert@gmail.com



Gabriel Reinert

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Por Gabriel Reinert

Dead Fish declara: "Somos da esquerda! Se você é da direita e cola no show, você está no lugar errado!"

Hoje de manhã a banda Dead Fish postou em seu twitter oficial (@deadfishoficial) a seguinte publicação:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em instantes, inúmeros fãs atacaram a banda e trocaram farpas entre si.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa notícia me chamou muito a atenção, e por isso resolvi me posicionar à respeito.

Acho interessante que bandas expressem através da música seus valores, sentimentos e pensamentos, e o Dead Fish é uma das bandas que utiliza essa ferramenta para propagar seus ideais. Admiro quem tem personalidade, quem expressa sua visão política publicamente, independente de qual ela seja, porém, algo que me incomoda é a falta de respeito.

Não é porque eu seja cristão que eu não possa receber amigos ateus no meu estúdio, muito pelo contrário, alguns dos meus melhores amigos possuem religião diferente da minha, torcem pra times rivais ao meu, e possuem uma visão política diferente da minha. Todos são tratados iguais, com todo o respeito do mundo, e essas diferenças não diminuem a admiração que tenho por cada um.

“Mas então você não tem personalidade, tá querendo agradar à todos!” Não! Eu também costumo expressar publicamente a minha visão política e muita gente discorda, a diferença é que eu não obrigo as outras pessoas a pensarem como eu.

“Mas nos shows os caras pregam a ideologia deles através das letras! É incoerente frequentar!”. Se eu for em um show de axé e o vocalista pedir pra eu descer até o chão, e eu permanecer no meu lugar, eu não serei bem vindo naquele lugar? Os motivos que fazem uma pessoa frequentar um show, não necessariamente são pra consumir o que é pregado através das letras, se fosse assim, quem frequenta shows internacionais no Brasil sem saber falar inglês, estaria no lugar errado.

Bandas com a visibilidade que o Dead Fish tem influenciam muita gente, a partir do momento que você se coloca em cima de um palco, você é um formador de opinião, e usar essa influência pra colocar uns contra os outros e promover divisão no rock é algo lamentável. Quem não tem maturidade e responsabilidade pra administrar essa influência não deveria estar em cima de um palco. Pra mim, quem tá no lugar errado é o Dead Fish.

Escrito por Gabriel Reinert , 19/03/2015 às 20h45 | gabriellreinert@gmail.com

Por que música ruim faz sucesso?

Com certeza você já se fez essa pergunta! Se você é músico e dedica tempo e dinheiro à sua carreira, sua indignação deve ser maior ainda! Ultimamente tenho visto muita gente indignada com o funk ostentação, há pouco tempo, o que provocava essa revolta era o sertanejo universitário com letras sem sentido ou sem conteúdo, mas saibam que esse tipo de música sempre existiu, e pra provocar ainda mais sua indignação, sempre vendeu. 

Música boa não está relacionada com sucesso! Compor uma música de qualidade e gravar é um passo, e pra isso é necessário talento. Fazer com que essa música chegue até o seu público alvo, é outro passo, e nesse caso é necessário dinheiro. Muitos ficam indignados quando descobrem isso, passam a julgar as bandas que pagaram pra aparecer na TV como bandas “de mentira”, “vendidas”, “compradas”, mas a realidade é que ninguém vai trabalhar de graça pra você, muito menos uma rádio ou uma emissora de TV. 

Quando você abre uma empresa, por melhor que seja seu produto, você precisa de divulgação, precisa de marketing, e tudo isso tem um custo. Empresários planejam esse custo e encaram como um investimento necessário. Essa mentalidade de ver sua banda como uma empresa normalmente não existe no meio artístico, já conheci bandas que receberam um valor “X” pra investir e distribuíram o valor entre a gravação de um disco, de um videoclipe, fizeram fotos, compraram equipamentos, e não dedicaram um centavo sequer pra publicidade. 

Pra ilustrar esse assunto cito a banda de mentirinha idealizada pelos integrantes dos Titãs Branco Mello, Arnaldo Antunes e Charles Gavin em parceria com Paula Toller do Kid Abelha, Jorge Mautner e Liminha. O Vestidos de Espaço (expressão que quer dizer "sem roupa", "pelados", "nuzinho") reza a lenda, foi criado para provar que, com uma boa divulgação e letras apelativas, qualquer armação poderia vender bem e entrar nas paradas de sucessos. A banda não passa de uma tiração de sarro com os grupos fabricados pelas gravadoras para vender milhões. Letras paupérrimas e grosseiramente apelativas fazem parte do primeiro e único "trabalho" da banda - um compacto simples com duas músicas: Pipi Popô e A Marcha do Demo, estes usados como pseudônimo do autor: Pepino Carnale. De fato, a música Pipi Popô foi uma febre no carnaval de 1989. E a banda, completamente descartável, após cumprir sua missão desapareceu completamente sem deixar vestígios. Um detalhe curioso é que nos créditos do compacto não constavam os nomes dos integrantes e suas identidades somente foram reveladas depois da  banda já ter desaparecido. 

Confiram: 

 

Escrito por Gabriel Reinert , 11/03/2015 às 18h22 | gabriellreinert@gmail.com

Músico não sabe ler?

A idéia de liberdade, diversão, a ausência de horários fixos e compromissos são características presentes na vida da maioria dos músicos, tanto daqueles que têm a música como hobby, quanto daqueles que pagam suas contas com a grana da música. Em meio a esse estilo de vida, na maioria das vezes, não muito organizada, de vez em quando sobra tempo para estudar seu instrumento, freqüentar shows de bandas de amigos, ensaiar, e gastar algumas horas na internet buscando preços de equipamentos que na maioria dos casos você não tem dinheiro pra comprar. Aqueles que encaram a música profissionalmente, muitas vezes acabam trabalhando demais, tocando com sua banda, fazendo um voz e violão, gravando pra outras bandas em estúdio, pra poder compensar a péssima valorização da profissão, o que faz com que tenham ainda menos tempo pra estudar.

 

Mas quando eu pergunto se “músico não sabe ler?”, eu não me refiro somente a leitura de livros musicais ou ao estudo do áudio em geral, eu me refiro à leitura diária, de revistas, de jornais, de notícias em geral, o músico precisa de informar, precisa saber o que está acontecendo ao seu redor, precisa ter outros assuntos pra conversar com seus amigos que não seja música e equipamentos.

 

Mas por que eu to falando isso? Por que eu resolvi abordar esse tema?

 

Primeiro porque essa é a minha primeira matéria aqui no Página 3, eu recebo dezenas de músicos diariamente no meu estúdio, todos os dias nos últimos 5 anos, e antes disso também me relacionava diariamente com músicos. Já vi muita banda se dando bem e muita banda de dando mal, já ouvi histórias inimagináveis sobre esse universo musical e quero compartilhar aqui na coluna “Papo Reto” todo esse aprendizado que tive e venho tendo até hoje. Espero que todos os músicos tirem um tempo pra ler, com certeza muitas das informações contidas aqui nessa coluna poderão auxiliar muitos músicos a tomarem decisões corretas com relação à sua carreira!

 

E o segundo e principal motivo pelo qual eu resolvi abordar o tema “musico não sabe ler?” foi porque a música em geral, está cada dia mais chata, cada dia mais sem graça e isso é algo que me preocupa!

Você pode me dizer: “Mas como você pode afirmar que a música está cada dia mais chata? Ela ta chata pra você, música é questão de gosto!”

 

E é aí que você se engana! 80% ou mais das bandas de adolescentes que aprendem a tocar um instrumento, montam sua primeira banda e vão ensaiar no meu estúdio, tem o repertório composto por músicas dos anos 80 e 90. Ao questionar essas bandas, a resposta foi unânime: “Hoje em dia não tem música que preste!”.

 

Por um lado eu fico feliz, que a nova geração saiba identificar o que é música boa e saiba correr atrás dessas influências, por outro lado me desanima ouvir muitos trabalhos atuais sem essência.

Através da música, o músico transfere sentimentos e informações ao ouvinte, e pra que essa conexão entre o músico e o ouvinte aconteça, o sentimento tem que ser verdadeiro. Aos meus ouvidos é muito nítido quando um músico que não ama, escreve uma canção de amor, a diferença entre o músico que compõe pra se expressar e o músico que compõe com a intenção de ficar famoso ou agradar os outros é enorme!

 

Por isso, o aprendizado que eu compartilho hoje é: Viva! Leia, se relacione, se informe, tenha amigos, largue o celular ou o computador e saia de dentro de casa! Se encha de informações e sentimentos pra que quando você for compor, você tenha o que transmitir! Música é transmissão! E ninguém pode transmitir aquilo que não tem!

 

Grande abraço à todos, e obrigado pela leitura!

 

Gabriel Reinert.

Escrito por Gabriel Reinert , 27/02/2015 às 08h01 | gabriellreinert@gmail.com



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