Jornal Página 3
Coluna
Papo Reto!
Por Gabriel Reinert

Por que música ruim faz sucesso?

Com certeza você já se fez essa pergunta! Se você é músico e dedica tempo e dinheiro à sua carreira, sua indignação deve ser maior ainda! Ultimamente tenho visto muita gente indignada com o funk ostentação, há pouco tempo, o que provocava essa revolta era o sertanejo universitário com letras sem sentido ou sem conteúdo, mas saibam que esse tipo de música sempre existiu, e pra provocar ainda mais sua indignação, sempre vendeu. 

Música boa não está relacionada com sucesso! Compor uma música de qualidade e gravar é um passo, e pra isso é necessário talento. Fazer com que essa música chegue até o seu público alvo, é outro passo, e nesse caso é necessário dinheiro. Muitos ficam indignados quando descobrem isso, passam a julgar as bandas que pagaram pra aparecer na TV como bandas “de mentira”, “vendidas”, “compradas”, mas a realidade é que ninguém vai trabalhar de graça pra você, muito menos uma rádio ou uma emissora de TV. 

Quando você abre uma empresa, por melhor que seja seu produto, você precisa de divulgação, precisa de marketing, e tudo isso tem um custo. Empresários planejam esse custo e encaram como um investimento necessário. Essa mentalidade de ver sua banda como uma empresa normalmente não existe no meio artístico, já conheci bandas que receberam um valor “X” pra investir e distribuíram o valor entre a gravação de um disco, de um videoclipe, fizeram fotos, compraram equipamentos, e não dedicaram um centavo sequer pra publicidade. 

Pra ilustrar esse assunto cito a banda de mentirinha idealizada pelos integrantes dos Titãs Branco Mello, Arnaldo Antunes e Charles Gavin em parceria com Paula Toller do Kid Abelha, Jorge Mautner e Liminha. O Vestidos de Espaço (expressão que quer dizer "sem roupa", "pelados", "nuzinho") reza a lenda, foi criado para provar que, com uma boa divulgação e letras apelativas, qualquer armação poderia vender bem e entrar nas paradas de sucessos. A banda não passa de uma tiração de sarro com os grupos fabricados pelas gravadoras para vender milhões. Letras paupérrimas e grosseiramente apelativas fazem parte do primeiro e único "trabalho" da banda - um compacto simples com duas músicas: Pipi Popô e A Marcha do Demo, estes usados como pseudônimo do autor: Pepino Carnale. De fato, a música Pipi Popô foi uma febre no carnaval de 1989. E a banda, completamente descartável, após cumprir sua missão desapareceu completamente sem deixar vestígios. Um detalhe curioso é que nos créditos do compacto não constavam os nomes dos integrantes e suas identidades somente foram reveladas depois da  banda já ter desaparecido. 

Confiram: 

 

Escrito por Gabriel Reinert , 11/03/2015 às 18h22 | gabriellreinert@gmail.com



Gabriel Reinert

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Com certeza você já se fez essa pergunta! Se você é músico e dedica tempo e dinheiro à sua carreira, sua indignação deve ser maior ainda! Ultimamente tenho visto muita gente indignada com o funk ostentação, há pouco tempo, o que provocava essa revolta era o sertanejo universitário com letras sem sentido ou sem conteúdo, mas saibam que esse tipo de música sempre existiu, e pra provocar ainda mais sua indignação, sempre vendeu. 

Música boa não está relacionada com sucesso! Compor uma música de qualidade e gravar é um passo, e pra isso é necessário talento. Fazer com que essa música chegue até o seu público alvo, é outro passo, e nesse caso é necessário dinheiro. Muitos ficam indignados quando descobrem isso, passam a julgar as bandas que pagaram pra aparecer na TV como bandas “de mentira”, “vendidas”, “compradas”, mas a realidade é que ninguém vai trabalhar de graça pra você, muito menos uma rádio ou uma emissora de TV. 

Quando você abre uma empresa, por melhor que seja seu produto, você precisa de divulgação, precisa de marketing, e tudo isso tem um custo. Empresários planejam esse custo e encaram como um investimento necessário. Essa mentalidade de ver sua banda como uma empresa normalmente não existe no meio artístico, já conheci bandas que receberam um valor “X” pra investir e distribuíram o valor entre a gravação de um disco, de um videoclipe, fizeram fotos, compraram equipamentos, e não dedicaram um centavo sequer pra publicidade. 

Pra ilustrar esse assunto cito a banda de mentirinha idealizada pelos integrantes dos Titãs Branco Mello, Arnaldo Antunes e Charles Gavin em parceria com Paula Toller do Kid Abelha, Jorge Mautner e Liminha. O Vestidos de Espaço (expressão que quer dizer "sem roupa", "pelados", "nuzinho") reza a lenda, foi criado para provar que, com uma boa divulgação e letras apelativas, qualquer armação poderia vender bem e entrar nas paradas de sucessos. A banda não passa de uma tiração de sarro com os grupos fabricados pelas gravadoras para vender milhões. Letras paupérrimas e grosseiramente apelativas fazem parte do primeiro e único "trabalho" da banda - um compacto simples com duas músicas: Pipi Popô e A Marcha do Demo, estes usados como pseudônimo do autor: Pepino Carnale. De fato, a música Pipi Popô foi uma febre no carnaval de 1989. E a banda, completamente descartável, após cumprir sua missão desapareceu completamente sem deixar vestígios. Um detalhe curioso é que nos créditos do compacto não constavam os nomes dos integrantes e suas identidades somente foram reveladas depois da  banda já ter desaparecido. 

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Escrito por Gabriel Reinert , 11/03/2015 às 18h22 | gabriellreinert@gmail.com



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