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Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - continuação

Quando Bia acordou, encontrou a lembrança que a avó tinha deixado ao seu lado. Sorriu e pegou a boneca com carinho. Adorava brincar com bonecas, e esta estava vestida de enfermeira, como ela vinha querendo há algum tempo. Brincou um pouco com a boneca, mas logo a largou de lado. A soneca tinha sido gostosa, mas tinha feito com que perdesse o lanche da tarde, então, acordou com fome, e pediu ao pai algo para comer.

Num primeiro instinto, o pai perguntou o que ela queria. Em seguida, lembrou que estavam no hospital, e que agora a nutricionista que diria o que ela poderia comer. Pegou o telefone e ligou para a copa pedindo que trouxessem algo para a filha comer.

Depois de alguns instantes, a copeira entrou no quarto com uma maçã envolvida num guardanapo. Explicou que o jantar seria servido às 7 horas, e que às 19 horas viria a ceia.  Como Beatriz havia dormido, não comera o lanche da tarde, o que não era recomendado, já que ela poderia vir a fazer hipoglicemia. Ainda bem que faltava pouquinho tempo para o jantar!

O jantar veio pouco depois, na forma de uma sopa de legumes. Bia olhou para ela desanimada. Não gostava de sopa. Nunca tinha gostado. Junto, um pacotinho com duas torradas integrais.  Fez uma carinha meio de choro, que quase desmontou o pai. Então, para animar a menina, Cauê pegou uma torrada e passou manteiga. Colocou um pouco de sopa no prato e provou um pouquinho: deliciosa! Olhou para a filha e disse que se ela não comesse, quem ia comer era ele, que estava morrendo de fome. E ela sabia que se perdesse outra refeição poderia até passar mal...

E, assim, a contragosto, colocou uma colherada de sopa na boca. Depois outra, depois uma mordida na torrada, mais outra colherada... e quando viu, tinha tomado o prato todo! E, para sua surpresa, teve de admitir que a sopa não era ruim!

A noite passou tranquila, com melhora dos exames e menor necessidade de agulhadas de insulina. Bia já estava entendendo como funcionava o esquema de testes e correção conforme o teste. A enfermeira do plantão trouxe a ela um caderninho para anotar o valor que dava no teste e a quantidade de insulina que tinha que tomar conforme o valor. Assim, cada vez que fazia o teste, Bia já dizia ela mesma se precisava e quanto de insulina. Isso claro, com a ajuda do pai, já que a menina estava começando a aprender a ler.

Pela manhã, Dr. Marcoti passou e explicou que havia uma melhora importante, e que logo poderiam ir para casa. Falou que viria uma enfermeira conversar com eles e explicar como seria feita a aplicação da insulina. De início, ela iria aplicar somente pela manhã uma dose de insulina de ação lenta, a insulina NPH, e, depois, conforme os resultados dos testes, tomaria insulina de ação rápida. Os testes já estavam conhecidos de Beatriz, e não a assustavam mais, então, saber que teria que fazer quatro vezes ao dia era até bom, considerando que quando internou fez testes de hora em hora.

... continua na próxima semana.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 01/08/2017 às 08h05 | cereshmrc@gmail.com

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Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)
















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