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Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - parte 9

               

                 Dr. Marcoti chegou no quarto no início da noite, quando todos já estavam ansiosos achando que ele não viria mais. Olhou para Beatriz de vestidinho e com a boneca no colo, e perguntou onde ela achava que ia sem dar um beijo nele! Beatriz sorriu e deu um beijo tímido no médico.

                Mais uma vez ele explicou a Cauê os cuidados que teria que ter, que deveria ligar em qualquer dúvida, e que gostaria que voltassem em seu consultório em uma semana com a agendinha com os resultados dos exames. Lembrou da importância de conversar sobre a situação na escola de Beatriz, orientando as professoras sobre como agir e para entrar em contato com a equipe do hospital, se necessário.

                Explicou que o hospital mantinha um grupo de apoio à criança diabética, onde tinham acompanhamento de enfermeiras, nutricionistas, psicólogas, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfim, o que fosse necessário para auxiliar a criança e a família a lidar com a situação. Neste contexto, a equipe da escola poderia entrar em contato com o grupo a fim de obter informações também.

                Dito isto, apertou a mão de Cauê, abraçou Fernanda e jogou um beijo para Beatriz. Deixou a receita da insulina e um bilhetinho atrás dela: “Não se esqueça que tudo tem uma compensação, agora você vai ter tudo especial para você! ”

 

 

                Naquela noite, Cauê colocou o relógio para despertar às 3 horas para fazer o teste de glicose, que felizmente estava de acordo. Assim, puderam voltar a dormir tranquilos. Acordaram cedo, no horário habitual, e primeiro fizeram o teste, depois, Cauê aplicou a insulina em Beatriz. Feito isto, a menina foi se arrumar enquanto o pai arrumava o café da manhã.

                Iriam juntos à escola para poder conversar com as professoras sobre os cuidados que ela teria a partir de agora. Passariam na farmácia e comprariam um outro aparelho de teste que ficaria sempre na mochila de Bia, assim não teria risco de esquecerem em casa.

                Bia estava ansiosa. Muita coisa havia mudado e queria mostrar para a professora e para os colegas como ela sabia fazer os testes e até aplicar a insulina sozinha. Cauê havia explicado que ela poderia aplicar sozinha, mas sob supervisão, ou seja, um adulto teria que ver a dosagem necessária e preparar a seringa para que ela aplicasse. Na verdade, Bia aplicava a insulina com uma caneta, o que era bem mais fácil, mas mesmo assim, somente podia aplicar com um adulto perto.

                Isto porque havia todos os cuidados, aplicar no local correto, cuidar da dosagem para não ter riscos de ficar com a glicose muito baixa ou muito alta, e até cuidar para não se machucar. Cauê explicou tudo isto à professora, mas também explicou que ela só teria que fazer um teste na escola após o lanche do intervalo, e que não seria necessário corrigir caso ela seguisse as orientações dadas pela nutricionista.

Escrito por Céres Fabiana Felski, 11/08/2017 às 11h42 | cereshmrc@gmail.com

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Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)
















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