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Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

É como se fosse doce - parte 10

Pediu à professora que tomasse um cuidado especial com a alimentação, evitando ao máximo possível os refrigerantes e dando preferência aos sucos naturais. Também deveriam ser evitados os alimentos industrializados e processados, como presuntos, requeijões, etc. O lanche ideal deveria conter uma fruta, uma fonte de carboidrato (que poderia ser pão integral), e proteínas, que poderia ser queijo branco ou ricota, por exemplo.

Claro que nos aniversários ficaria difícil limitar muito, mas seria interessante até mesmo trabalhar com o resto da turma a fim de estimular uma alimentação saudável para todos. Na verdade, as cantinas das escolas já possuem por lei a obrigação de oferecer somente salgados assados, já visando uma melhora na qualidade dos alimentos ofertados.

Mas lembrou também à professora que, conforme tinha sido explicado para ele pela equipe, o fator emocional era muito importante, então tanto estados de tristeza como os de muita alegria poderiam desencadear uma descompensação. Por isso a importância de ficar de olho principalmente nas variações de humor, bem como na quantidade água que ela ingeria e na frequência com que ia ao banheiro urinar.

Com vários anos de experiência no magistério, a professora Sandra apenas sorriu, tranquila. Tinha visto várias, inúmeras vezes, pais preocupados irem conversar sobre alguma particularidade dos filhos. Ela mesma tinha história de diabetes na família, e não era segredo para ela os cuidados necessários. Também conhecia sua turma, e sabia que cada vez mais os pequenos buscavam uma alimentação mais natural, como que instintivamente. Os últimos aniversários já tinham sido mais lights, com frutas, sucos, sanduíches naturais. Claro que sempre havia espaço para o bom e velho brigadeiro, mas não havia exagero.

Quando Cauê chegou na casa da mãe para almoçar, encontrou Fernanda atarefada na cozinha. Tinha feito um almoço especial para a neta, com um pouquinho de tudo para que ela pudesse provar vários alimentos. Uma salada bem colorida encontrava-se no centro da mesa, com folhas de vários tipos e cores. Outro prato com tomates, cenouras, pepinos... couve-flor cozida bem quentinha. Couve-manteiga refogada com alho e cebola bem picadinhos. Arroz integral, feijão bem cheiroso. E um frango grelhado daqueles que fazia a neta ficar com a boca cheia de água!

Bia não se conteve e deu um abraço apertado na vó. A mesa estava linda, e iria provar os alimentos, afinal estava morrendo de fome! Fernanda notou o apetite da neta e um leve tremor nas mãos. Falou para o filho que imediatamente fez o teste de glicose e verificou que estava baixo. Conforme orientação da nutricionista, como já estava próximo do horário do almoço, resolveram antecipar a refeição e sentar logo à mesa. 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 18/08/2017 às 08h44 | cereshmrc@gmail.com

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Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)
















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