Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Um sentimento chamado Gratidão

               

              Na semana passada, através do amigo Hang Ferrero, recebi o convite para ser jurada no Concurso de Poesia da Educação Infantil “Ser Criança: em prosa e versos”, promovido pela Secretaria de Educação de Itajaí. Devo confessar que o primeiro sentimento que me veio ao peito foi de alegria. Sim, porque não deixa de ser uma forma de reconhecimento de um trabalho de anos. De anos? Sim, e daí veio o segundo sentimento: Saudade.

Sentar numa sala, com vários poemas para ler, remeteu-me imediatamente ao início dos anos 80, precisamente a 1981, quando ganhei o primeiro concurso de poesia, na Escola Básica Dom Afonso Niehues, em Cordeiros (hoje colégio). Lembrar deste primeiro concurso fez-me voltar ainda mais no tempo, sentada na sala de aula do Colégio São José, na quinta série. Embora talvez seja bem difícil de acreditar, eu era uma criança tímida. Ficava ruborizada a toa, e talvez por isso comecei a expressar meus sentimentos através da poesia.

Escrevia, escrevia, e não mostrava. Um dia, uma professora de português, a Laureci Peixer, chamou-me para conversar. Após elogiar minhas redações, ela acabou por me convencer a mostrar mais do que escrevia, e passou naquele momento a ser minha “mentora”. De criança medrosa, tímida, fui aos poucos me transformando numa pessoa mais segura, mais desinibida. Por fim, acabei por ser a oradora oficial em vários momentos.

Saudosismo? Sim. Inevitável revisitar memórias neste momento. Talvez ela não saiba, mas mudou minha vida de tal forma que, mesmo depois de quase 40 anos, seu nome está gravado na minha história. Sempre que me perguntam sobre o início, lembro dela, e faço uma anotação mental de agradecimento.

No fim da semana, a notícia trágica do incêndio numa creche em Minas Gerais novamente mexeu nos meus sentimentos. Sendo mineira de nascimento, sendo mãe, meu coração sofreu junto. E a história da professora Heley chamou-me a atenção. De forma literal, uma professora muda o destino. E de várias crianças. Infelizmente se tornou uma das vítimas, mas nunca será esquecida por vários alunos.

Nesta segunda feira, teremos a divulgação do resultado do concurso, juntamente com o início da comemoração do dia das crianças e dos professores. Estarei lá novamente, ao lado do amigo, colega de profissão e de amores (a saúde e a cultura), Hang, e da minha afilhada literária, Luísa (que dia 09/11 estará lançando seu primeiro livro, aos 08 anos de idade). Talvez para algumas pessoas seja apenas um concurso. Pra mim é um mergulho na minha história, no balanço frouxo e desordenado de muitas emoções. Mais que isso, ouso dizer que uma forma de agradecer. Agradecer a criança que fui, e aos professores que me tornaram o que sou.

Saudade neste caso pode ser traduzida como Gratidão. 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 08/10/2017 às 21h45 | cereshmrc@gmail.com

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Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)
















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