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Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Chega de rótulos!

Como hoje estou sem voz, com a garganta doendo, tenho lido e pensado muito. No fim de semana encontrei a esposa de um primo que foi me apresentar pra uma outra pessoa e disse: “Essa aqui também é do movimento feminista.”. A outra me olhou cheia de orgulho e eu acabei com a alegria dizendo que não sou feminista. Sou a favor de direitos humanos. De direitos animais. Sou a favor de direitos. E de deveres. Ponto.

Não entendo porque as pessoas tem esta necessidade absurda de rotular os outros. Você é oposição, eu sou governo. Ela é gorda, ele é magro. Ela é negra, ele é loiro. Ela é pobre, a outra é rica. Desculpa ai, mas esses rótulos são definidos com base em que conceito? Onde estão os parâmetros? É normatizado via ABNT?

Tentei então aproveitar pra tentar classificar meus amigos: tenho quantos amigos negros? Quantos brancos? Quantos gays? Quantos bonitos? Quantos homens? Quantos mulheres? E daí vi que não tinha como fazer as contas também porque não sei qual o parâmetro que deveria utilizar... Eu me considero gorda, mas muitos me consideram magra. Eu me considero feia, mas depende do dia, tem dia que me sinto top model. Eu ainda não sei se sou branca ou negra. Afinal, nesta terra tupiniquim, quem pode declarar sem medo que não tem qualquer mistura racial?

Além disso, as vezes esse excesso de mimimi faz com que eu me sinta homem: dizem que mulher é que gosta de complicar tudo. Viu? É rótulo demais... é “achismo” em excesso... é overdose de julgamento.

Que diferença faz na minha vida se você me acha gorda ou magra? Branca ou negra? Gay ou hetero? A minha felicidade está em mim, eu somente sou responsável pelas minhas atitudes, e somente por elas eu posso responder. Se você não está feliz com o que vê, com o que ouve, com as pessoas, isso diz unicamente respeito a você. Não podemos basear nossas atitudes com base nas das outras pessoas. Não podemos viver na base do “olho por olho, dente por dente”.

Tudo bem, eu concordo. Não tem como amar todo mundo. Mas a gente pode começar a mudar de atitude simplesmente não odiando. Não julgando. Não fazendo aos outros o que não desejamos para nós. E não venha me dizer que a atitude de uma pessoa sozinha não vai mudar o mundo. Lembre-se do cupim. Basta um desses pequenos insetos trabalhando incansavelmente em silêncio para derrubar uma casa.

Ótima semana, meus queridos!

 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 17/10/2017 às 14h50 | cereshmrc@gmail.com

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Céres Fabiana Felski

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Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há quase 20 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)
















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