Jornal Página 3
Coluna
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Sobre chás e depressão

 

 

             Mais um. Inevitável a gente questionar. Poxa, será que ninguém notou? Ninguém percebeu os pedidos de socorro? Lembrei de duas amigas que encontrei recentemente em momentos diferentes. E, como é rotina, perguntei: “Tudo bem?” Normal, né? A gente sempre pergunta pras pessoas “como vai?”...  Mas elas me responderam: “Não, eu não estou bem.” Depois do primeiro segundo de surpresa, veio aquela sensação agradável de entender que elas sabem que eu me importo de verdade, que não precisam mentir para mim.  E eu me lembrei das tantas vezes em que eu mesma dei esta resposta...

          Tente você fazer isso, dar uma resposta inesperada para as pessoas que te perguntam como vai. Fale realmente como você está, e esteja preparado para receber respostas reais quando você cumprimentar alguém. Ou diga simplesmente “Oi”. Acho que está mais do que na hora de deixarmos as formalidades de lado.

          Lembro de uma ocasião em que disse que eu convivo idilicamente com a solidão. Sim, porque é melhor estar só do que acompanhado de protocolos, etiquetas e discursos vazios. Quando estou triste, não quero que me digam nada, preciso apenas de um abraço apertado e a certeza de que se eu precisar, vou poder contar com alguém.

           Tenho amigos assim. Pode passar anos sem nos falarmos, mas se eu mandar mensagem pedindo ajuda tenho certeza que estarão do meu lado. Sem me julgar, sem discursos prontos nem frases vazias de emoção. Um abraço, um chá, uma presença serena na minha solitude.

            E não se preocupe. Minha depressão é minha. Só minha. Ela não veio por algo que você fez ou deixou de fazer. VOCÊ NÃO TEM CULPA DO MEU SOFRIMENTO. Fica tranqüilo, tá? A gente só precisa saber que você entende e apóia. Pode estender seu braço e oferecer aquele abraço silencioso.

           Tenha sempre na cozinha uma chaleira pronta pra uma xícara de chá e um ombro amigo. Pode ter certeza que um dia alguém vai bater na sua porta pedindo por isso. E ouvir atentamente pode ser a sua melhor ajuda. Uma única xícara de chá pode salvar uma vida.

        Tem uma música do Osvaldo Montenegro que diz “gente, como vai quer dizer oi, ninguém quer saber como você vai”. Desculpe,  Osvaldo, sou sua fã, mas como vai” não quer dizer "oi". 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 22/11/2018 às 11h15 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

Assina a coluna Céres Felski

Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há 21 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade

Fale Conosco - Anuncie no Página 3 - Normas de Uso
© Desenvolvido por Página 3

Endereço: Rua 2448, 360 - Balneário Camboriú - SC | Telefone: (47) 3367-3333 | Email: jornal@pagina3.com.br

Página 3
Céres Felski
Por Céres Fabiana Felski

Sobre chás e depressão

 

 

             Mais um. Inevitável a gente questionar. Poxa, será que ninguém notou? Ninguém percebeu os pedidos de socorro? Lembrei de duas amigas que encontrei recentemente em momentos diferentes. E, como é rotina, perguntei: “Tudo bem?” Normal, né? A gente sempre pergunta pras pessoas “como vai?”...  Mas elas me responderam: “Não, eu não estou bem.” Depois do primeiro segundo de surpresa, veio aquela sensação agradável de entender que elas sabem que eu me importo de verdade, que não precisam mentir para mim.  E eu me lembrei das tantas vezes em que eu mesma dei esta resposta...

          Tente você fazer isso, dar uma resposta inesperada para as pessoas que te perguntam como vai. Fale realmente como você está, e esteja preparado para receber respostas reais quando você cumprimentar alguém. Ou diga simplesmente “Oi”. Acho que está mais do que na hora de deixarmos as formalidades de lado.

          Lembro de uma ocasião em que disse que eu convivo idilicamente com a solidão. Sim, porque é melhor estar só do que acompanhado de protocolos, etiquetas e discursos vazios. Quando estou triste, não quero que me digam nada, preciso apenas de um abraço apertado e a certeza de que se eu precisar, vou poder contar com alguém.

           Tenho amigos assim. Pode passar anos sem nos falarmos, mas se eu mandar mensagem pedindo ajuda tenho certeza que estarão do meu lado. Sem me julgar, sem discursos prontos nem frases vazias de emoção. Um abraço, um chá, uma presença serena na minha solitude.

            E não se preocupe. Minha depressão é minha. Só minha. Ela não veio por algo que você fez ou deixou de fazer. VOCÊ NÃO TEM CULPA DO MEU SOFRIMENTO. Fica tranqüilo, tá? A gente só precisa saber que você entende e apóia. Pode estender seu braço e oferecer aquele abraço silencioso.

           Tenha sempre na cozinha uma chaleira pronta pra uma xícara de chá e um ombro amigo. Pode ter certeza que um dia alguém vai bater na sua porta pedindo por isso. E ouvir atentamente pode ser a sua melhor ajuda. Uma única xícara de chá pode salvar uma vida.

        Tem uma música do Osvaldo Montenegro que diz “gente, como vai quer dizer oi, ninguém quer saber como você vai”. Desculpe,  Osvaldo, sou sua fã, mas como vai” não quer dizer "oi". 

Escrito por Céres Fabiana Felski, 22/11/2018 às 11h15 | cereshmrc@gmail.com



Céres Fabiana Felski

Assina a coluna Céres Felski

Médica formada pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1991, atuando na rede pública de Balneário Camboriú há 21 anos. Escritora, apaixonada por educação em saúde e literatura. Lançou romances educativos sobre insuficiência renal crônica, hemodialise, diabetes tipo 1 (insulinodependente), diabetes 2 (não insulinodependente), além de livros de poesia. Blogueira (www.ceresfelski.com.br)


Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade



Publicidade